I am not your negro – no Canal 2

* Antologia,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 12:41 am

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O grande, notável, James Baldwin acaba de passar no Canal 2, nesta noite de Domingo.
“I am not your negro” é um estudo-documentário impressionante de lucidez.

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I am not your negro termina com estas palavras que, de certo modo, podem muito bem ajustar-se ao “País dos Brandos Costumes” que ainda se encontra em psicose de negação:
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“Vocês não podem linchar-me e manter-me em guetos sem se tornarem vós mesmos qualquer coisa de monstruoso. Além disso, oferecem-me uma vantagem aterradora. Vocês nunca tiveram que olhar para mim. Eu tive que olhar para vós. Sei mais sobre vocês do que vocês sabem sobre mim.

Nem tudo o que pode ser encarado, pode ser alterado. Mas nada pode ser alterado, sem ter sido encarado.

A História não é o passado. É o presente. Transportamos a nossa História connosco. Se fingirmos o contrário, somos literalmente criminosos.

Eu testemunho isto: O mundo não é branco. Branco é uma metáfora para o poder.”

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“I Am Not Your Negro: Race, Identity, and Baldwin” with Raoul Peck, Academy award-nominated director of the documentary “I Am Not Your Negro”. Based on James Baldwin’s unfinished manuscript. October 18, 2017.

Com a devida vénia,

publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Segunda -feira, 19 de Agosto de 2’19, cerca de 1h 40m

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Histórias

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 12:20 pm

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Histórias

‘Omnia mea mecum port’o (Tudo o que tenho, trago comigo)

atribuído por Cícero, a Bias de Priene,

um dos Sete Sábios da Grécia

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Todos temos a mesma história

Nascemos, crescemos…

Sucessos, revezes, glórias

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Só que a contamos com

diferentes variantes, zique-zagues,

Esquecendo que somos todos

navegantes

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E se um dia a história há-de acabar

Oh, acabe com esta lufada de ar!

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Um garoto vai para a escola, e vai

arranhando a aspereza da parede

com a unha

como quem não quer ir e sabe

que não pode desistir…

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Quantas vezes na minha infância

fui para a escola arranhando a parede

Parecia-me que não ia aprender nada…

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E de facto, a única coisa que aprendi na vida –

foi isto…

…não foi na escola…

…nasceu comigo…

© Myriam Jubilot de Carvalho

2 de Agosto de 2019 

Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Igualmente no FB e no site brasileiro Recanto das Letras

Dia 5 de Agosto de 2019, pelas 13h 18m

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[Nunca madre a filha bon conselho deu] – Cantiga d’Amigo

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 1:15 pm

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Poemas sem idade
Que dizer desta CANTIGA D’AMIGO?
Que dizer da raiva bem evidente com que a jovem se queixa da mãe?
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[Nunca madre a filha bom conselho deu]
de
FERNAN Rodriguez de Calheiros – 6
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Estava meu amig’ atenden<d>’ e chegou
mha madr’ e fez m’ end’ ir tal que me pesou;
alá me tornarei
e i lo atenderei
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Nunca madr<e> a filha bon conselho deu
nen a min fez a minha, mais que farei eu?
alá me tornarei
<e i lo atenderei>
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Pesar lh’ ia a mha madre quen quer que lh’ assi
fezesse, mais direi vos que farei eu i:
alá me tornarei
<e i lo atenderei
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in:
“500 Cantigas d’Amigo”
Edição Crítica de Rip Cohen
Obras Clássicas da Literatura Portuguesa – Literatura Medieval
Coordenação editorial da colecção:
Instituto Português do Livro e das Bibliotecas
Campo das Letras, 1ª edição, Maio de 2003
página 116
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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

28 de Julho de 2019, pelas 14h 15

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Um poema sem idade

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 8:42 pm

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Há poemas que são eternos.

Poemas a que recorremos quando o nosso coração precisa de conforto, poemas a que recorremos como quem abre uma janela ao esplendor do sol nascente.

O poema que aqui fica hoje, é um desses poemas eternos.

ARQUÍLOCO de PÁROS, o seu autor, veio ter ao meu conhecimento no primeiro ano da Faculdade, nas aulas de História da Cultura Clássica, do saudoso Professor Padre Manuel Antunes.
Na impossibilidade de encontrar agora a tradução do poema que se segue, que ele nos deu nas suas aulas, aqui fica esta outra:
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ARQUÍLOCO de PÁROS – séc VII aC
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O RITMO DA VIDA
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Coração, meu coração, que afligem penas sem remédio,
eia! Afasta os inimigos, opondo-lhes um peito
adverso. Mantém-te firme ao pé das ciladas
dos contrários. Se venceres, não exultes abertamente.
Vencido, não te deites em casa a gemer.
Mas goza as alegrias, dói-te com as desgraças,
sem exagero. Aprende a conhecer o ritmo que governa os homens.
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in ROSA DO MUNDO, tradução de Maria Helena da Rocha Pereira, Asssírio, 2001
pág. 419.
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Publicado aqui e igualmente no FB

por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 26 de Julho de 2019, pelas 21h 41m

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PROFESSORES A MAIS?!

* Educação e Criatividade,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:13 pm

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PROFESSORES A MAIS?!
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ESTA GENTE DIZ CADA UMA!
Já algum deles deu aulas a 30 miúdos ou jovens, todos na mesma sala, cada turma com a sua percentagem de mal-educados e desinteressados?! Com programas e métodos por vezes, desajustados. Sem lugar para a criatividade quer na Escrita, quer  nas Artes visuais, na Música, na Expressão corporal…
SABEM do que FALAM?
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O ENSINO PÚBLICO é para ser ACARINHADO, É o FUTURO do País que é posto em causa! Não pode nem deve ser AMESQUINHADO!
O Ensino Público é um investimento inestimável cuja rentabilidade não é visível no imediato. Esta afirmação é tão notória e evidente que até poderíamos dizer que já o Senhor de La Palice diria o mesmo!
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Já diminuíram os programas de Humanidades! Como se fosse possível formar jovens sem lhes apresentar a marcha cultural da Humanidade…

No actual retrocesso a que o Ensino está a ser sujeito, só conta o Ensino técnico baseado no domínio da Informática?

HOJE, tal como ONTEM – De que valem a informática ou qualquer outra Técnica – se o seu utilizador não tiver a sua sensibilidade educada?!

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Por que não pensam os políticos em diminuir as suas rendas ou ordenados? Se há famílias inteiras a sobreviverem com os miseráveis 600€ por mês, porque não se pensa que certas carreiras auferem demasiado?
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Por que motivo não se oferecem os livros escolares, vendidos a preços exorbitantes, a todos os níveis de Ensino? Vi reportagens na TV em que vários casais afirmavam que poupavam durante todo o ano (!) para poderem adquirir os livros escolares dos filhos…
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Por que é que as Artes e os Artistas, a Investigação Científica e os Investigadores, não têm melhor protecção e incentivos?
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Há países em que os Professores e o Ensino são objecto de verdadeiro respeito!
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Sempre tive tanta consideração por Rui Rio, mas por vezes, desilude-me.

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VER:

Rui Rio. “Temos de emagrecer, se possível, a Administração Pública”

https://sol.sapo.pt/artigo/666118/rui-rio-temos-de-emagrecer-se-possivel-a-administracao-p-blica-

“Ou seja, é preciso avaliar a Administração Pública, perceber onde há carências ou não. E até deu exemplos: “Há professores a mais, infelizmente, o que significa que temos um problema de natalidade”.”

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Publicado aqui no Blogue e no FB, por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 25 de Julho de 2019, pelas 14h 12m

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A Edvard Munch

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 11:42 am

Quer se trate dos incêndios ateados por mão criminosa em Portugal,

ou da devastação da Amazónia,

ou da destruição da Palestina,

O GRITO de EDVARD MUNCH continua actual.

 

100 anos depois
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A Edvard Munch (1893)

Boca escancarada,
a criança grita –
Grita – sozinha na noite.
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Por muito que a boca abra – ninguém
a ouve.
É apenas seu grito
um gesto impotente.
Nem aviso – nem premonição –
nem queixa.
Nem acusação.
Apenas reacção inconsequente
a atrapalhar o expectador da galeria.
Apenas um gesto
impotente.
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Não está perdida na noite,
não.
Quem a possa ouvir
está oculto
na escuridão.
Não virá dar a cara
nem a mão à palmatória.
Avança
com os tanques, conduz os canhões,
alimenta os fornos.
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E não apodrece nas prisões.
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– Pintaste um grito inútil!
Um grito fútil.
Pintaste apenas o teu medo,
ou o meu.
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Nem Deus te ouviu –
Deus não ouve os pacifistas
– E até dizem que morreu.
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Mas esse teu Grito continua a ecoar
pelos quatro cantos dos sete céus!
Talvez um dia Deus acorde…
E ponha pimenta na língua
de todo o cão tinhoso que – escondido – morde

© Myriam Jubilot de Carvalho, 2004

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Publicado – tanto neste Blogue como no FB –

Dia 25 de Julho de 2019, pelas 12h 45m

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Machado de Assis e a sua obra “Dom Casmurro”

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 5:51 pm

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Como verifiquei, com a prática, que postar aqui a página autêntica do jornal O AUTARCA, acaba por não resultar, pois a imagem acabará por desaparecer, reproduzo apenas o texto do artigo que publiquei no mesmo jornal, de que sou colaboradora regular, como já várias vezes aqui indiquei.

A página tem layout, como de costume, do Artista, meu amigo, Mphumo João Kraveirinya:

O AUTARCA . Primeiro jornal electrónico editado na cidade da Beira

Ano XIX – Nº 3723 – Quarta-feira, 17 de Julho de 2019

páginas 6/9 até 9/9

sendo a última destas páginas, preenchida com a reprodução da capa da primeira edição brasileira, e a capa do livro que li, em edição da Universitária Editora, Lisboa, 1997.

Sendo um artigo para um jornal diário, o texto é muito sucinto.

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Machado de Assis

Machado de Assis (1839-1908) é considerado um dos grandes escritores do Brasil, senão o maior.

Foi ele o iniciador da corrente realista no Brasil. Assim, sendo um autor realista – através das suas personagens, ele retrata a sociedade tal como ele a vê. Mas escreve num estilo muito próprio, ironizando e por vezes mesmo, ridicularizando, as hipocrisias e misérias humanas que vai fazendo desfilar perante os seus leitores.

Dom Casmurro, o romance

Em “Dom Casmurro”, Machado de Assis conta a vida de Bentinho. A história é contada pelo próprio protagonista.

As narrativas na primeira pessoa são, como se sabe, muito mais sugestivas. Dom Casmurro é a alcunha que as pessoas dão a Bentinho, mais tarde, quando, já adulto marcado pela grande desilusão que atingiu a sua vida, ele se torna um homem calado e taciturno.

A época em que decorre a “acção” em DOM CASMURRO:

A “acção” passa-se  no decurso do século XIX, no Brasil.

 O início da “acção” reporta-se a 1857. É o tempo do Romantismo.

Vive-se sob o prestígio da Igreja católica e sua influência sobre a educação feminina; o tempo da autoridade dos progenitores, e de um currículo escolar específico para as meninas.  Ainda tem grande peso a cultura clássica greco-latina. Reina o imperador D. Pedro II. É o Ciclo do Café, já se notando a presença italiana. Ainda se morre de lepra (o que ainda hoje, na nossa actualidade, se verifica). É o tempo de Pio IX; da Guerra da Crimeia.  E também de  disputas entre a Europa e os EEUU sobre a posse de algumas ilhas.  

A Escravatura

A Escravatura vigorou no Brasil logo a partir do século XVI. Foi a mão de obra por excelência do Ciclo do Açúcar. Só terminaria após a Lei do Ventre Livre, datada de 1871; e definitivamente, após a Lei Áurea, de 1888.

Por seu lado, a presença italiana está relacionada com o Ciclo do Café. Conheceu o seu ponto máximo entre 1880 e 1930, coincidindo esta última data com o final deste ciclo.

Na sociedade portuguesa, os escravos foram, como diz José Ramos Tinhorão, “uma presença silenciosa”. Em “Dom Casmurro”, Machado de Assis ilustra bem essa afirmação: o Autor regista a existência dos escravos. Refere a sua condição, sem tecer comentários. Aliás, quaisquer comentários seriam dispensáveis.

Logo no início da obra, ao apresentar D. Glória, o Autor faz-nos encarar a realidade de uma senhora muito religiosa mas que não se perturba com a crueldade que é vender pessoas (escravos) ou alugá-las, pondo-as “a ganho”.

Por outro lado, logo no início desta obra, no capítulo 9º, capítulo muito importante, o Autor compara a vida a uma ópera. Deus é o autor do libreto, mas o Inferno é o autor da partitura. E portanto, “assim se explicam a guilhotina e a escravidão”. Com este capítulo magistral, Machado de Assis diz tudo.

Como é retratada a “presença silenciosa” dos escravos

A- Muitos escravos vivem com a família. Comportam-se com conformismo e há momentos em que demonstram respeitosa ternura ou familiaridade para com Bentinho, o protagonista-narrador.

Mas em geral, são “o pau mandado” a que se manda executar alguma tarefa.

Capítulos: cap. XX (pág 46), cap XXXIX (pág 74), cap LIII (pág 90), cap LXXI (pág 116), cap LXXXVI (pág133), cap XC (pág 149), cap CXXI (pág 176).

B- Os nomes dos escravos são-lhes atribuídos pelos senhores, e substituem os seus nomes originais. Por vezes, os nomes indicam a sua origem geográfica:

cap XCIII (página 140).

C- Outros, são “escravos de ganho”: cap VII (p. 25), cap XCIII (p.140).

Nos capítulos VII (p. 25), e XCIII (pp. 140/141) fica claro que ter “escravos de ganho” era equivalente a ter uma pequena empresa.

D- Aparece ainda um ex-escravo, que vende na rua. cap CX (p. 162).

E- Finalmente, no capítulo CXLV (p. 198) o Autor já não fala em “escravo”, mas sim em “criado”. O que situa o fim do romance após a abolição da Escravatura.

A Mulher

A figura feminina é moldada pelo ideal Romântico:

A Mulher é representada segundo dois extremos: D. Glória, mãe de Bentinho (o protagonista), profundamente religiosa; e Capitú, uma jovem “laica”.

A Mulher ideal toca piano, é sempre alegre e dinâmica, dirige a criadagem, sabe dar um conselho e aclarar as hesitações profissionais ou de negócios do marido. A Mulher deve pois, ser delicada, pura, e dedicadíssima.

Enfim, é o tempo em que se idealizava a mulher dentro do paradoxo da “virgem e mãe”, ignorante em formação escolar geral, mas religiosa até à superstição.

O que a torna egoísta, possessiva, narcísica, manipuladora.

Assim, educado com medo da mãe, Bentinho (mais tarde o Dr. Bento) fica um homem frágil, que se coloca sucessiva e acriticamente, sob a protecção de José Dias, de Capitú e, finalmente, do amigo Escobar. Por isso, é manipulado e, provavelmente, traído.

A terminar

Neste excerto do capítulo IX, “A Ópera”, o Autor  compara a vida das sociedades humanas ao libreto de uma ópera. Conforme referimos atrás, esta ópera seria escrita por Deus e musicada por Lúcifer.

Este capítulo é uma brevíssima obra-prima. Nele, vemos a ironia e crítica social de Machado de Assis no seu tom mais amargo:

(p. 27):

“Deus é o poeta. A música é de Satanás (…)

“Satanás suplicou ainda, sem melhor fortuna, até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu em que a ópera fosse executada, mas fora do céu. Criou um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primárias e comprimárias, coros e bailarinos.

– Ouvi agora alguns ensaios!

– Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto o libreto; estou pronto a dividir contigo os direitos de autor.

Foi talvez um mal esta recusa; dela resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado. Com efeito, há lugares em que o verso vai para a direita e a música para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a beleza da composição, fugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Éden, a ária de Abel, os coros da guilhotina e da escravidão.” (…)

© Myriam Jubilot de Carvalho – Julho, 2019

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 18 de Julho de 2019,  pelas 18h 50m

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Le Clézio, na TV5 Monde, falando sobre Cultura

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 3:02 pm

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Le Clézio, Nobel da Literatura em 2008, sobre Cultura, afirma:

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«  Il faut métisser la Culture; c’est la seule manière de la rendre universelle.

Dans ce monde égoïste  et cupide, tout s’exporte. Sauf l’humanisme. »

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Jean-Marie Gustave Le Clézio

Na sua participação no programa La Librairie Francophone, da TV5 Monde, no passado dia 7 de Julho de 2019.

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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 16 de Julho de 2019, pelas 16h

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A árvore, segundo Susanna Tamaro

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:19 pm

 

A árvore

… “Desde que desponta até que morre, está sempre parada no mesmo sítio. As raízes fazem-na estar mais perto do coração da terra do que qualquer outra coisa, a copa fá-la estar mais perto do céu. A linfa corre no seu interior de cima para baixo, de baixo para cima. Expande-se e retrai-se em função da luz do dia. Espera pela chuva, espera pelo sol, espera por uma estação e depois por outra, espera pela morte. Nenhuma das coisas que lhe permitem viver depende da sua vontade. Existe e mais nada. Compreendes agora porque é belo acariciá-las? Pela sua solidez, pela sua respiração tão longa, tão tranquila, tão profunda. Algures na Bíblia está escrito que Deus tem as narinas largas. Embora seja um tanto irreverente, sempre que tentei imaginar uma parecença para o Ser Divino veio-me à ideia a forma de um carvalho.

Na casa da minha infância havia um, tão grande que eram precisas duas pessoas para lhe abraçar o tronco. Aos quatro ou cinco anos, já gostava muito de ir ter com ele. E lá ficava, sentia a humidade da erva debaixo do traseiro, o vento fresco nos cabelos e na cara. Respirava e sabia que havia uma ordem superior das coisas e que eu estava incluída nessa ordem juntamente com tudo aquilo que via. Embora não soubesse música, algo cantava dentro de mim.”

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in Vai até onde te leva o coração

de Susanna Tamaro

Editorial Presença

11ª edição, Lisboa, Novembro 1998;

pág 41

Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 25 de Junho, pelas 00h 18m

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Mais faz quem quer

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 5:17 pm

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Mais faz quem quer do que quem pode – diz um provérbio português.

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Este considerando confirma-se através das iniciativas de pessoas maravilhosas que levaram a cabo iniciativas que podem mudar o futuro do planeta.

Referimo-nos às iniciativas de recuperação dos solos sujeitos a desertificação quer por causas naturais quer pela desordenada acção humana.

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Já aqui falámos da criação do GREEN BELT MOVEMENT, pela queniana WANGARI MAATHAI, prémio NOBEL DA PAZ em 2004 e INDIRA GANDHI PEACE PRIZE em 2006.

A partir da sua iniciativa de criação de uma cintura verde em volta das cidades e outras povoações, nasceu a criação de uma zona de floresta na faixa sul do Sahara, uma floresta que se vai expandindo como tampão à desertificação.

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Outra iniciativa de projecção mundial é a do casal LÉLIA WANICK SALGADO e SEBASTIÃO SALGADO, que fundaram o Instituto Terra, no Brasil.

Na ausência de Sebastião Salgado, frequentemente em viagens de reportagem fotográfica pelo mundo, Lélia Wanick Salgado empreendeu a reflorestação da vasta propriedade que o casal herdara do pai do famoso fotógrafo.

Esta iniciativa ganhou tais proporções que o casal teve que solicitar o apoio do Estado, e assim nasceu o INSTITUTO TERRA.

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Recentemente, tive conhecimento da atribuição do RIGHT LIVELIHOOD AWARD 2018, o chamado prémio Nobel Alternativo, ao agricultor YACOUBA SAWADOGO, que pacientemente perseverou na utilização de métodos tradicionais de plantio de árvores e assim foi recuperando terrenos que se tinham tornado áridos.

“Desde 1980, durante um período de seca severa, Sawadogo deu vida entre Burkina Faso e Níger a mais de 40 hectares de florestas em terras anteriormente estéreis e abandonadas. Hoje, mais de 60 espécies de árvores e arbustos prosperam. Esta é, sem dúvida, uma das florestas mais diversificadas plantadas e geridas por um agricultor do Sahel.”

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Wangari Maathai era bióloga, e Lélia Salgado é arquitecta. Mas que eu saiba, Yacouba Sawadogo não tem estudos universitários. Yacouba Sawadogo baseou-se nos conhecimentos tradicionais para reter as águas das chuvas e com esses procedimentos preservar a humidade dos terrenos. Yacouba Sawadogo confiou nos conhecimentos acumulados pela experiência prática dos seus antepassados!

A lição que eu tiro daqui, é que precisamos de olhar com AMOR para o ambiente em que vivemos. Para o preservarmos. E assim deixarmos uma herança positiva aos nossos descendentes.

 

Fontes:

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Sobre o GREEN BELT MOVEMENT e a sua criadora:

https://www.greenbeltmovement.org/who-we-are

ou

https://www.nobelprize.org/prizes/peace/2004/maathai/biographical/

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Sobre o INSTITUTO TERRA e a acção do casal Lélia e Sebastião Salgado:

Sebastião Salgado e Lélia Wanick Salgado contam a história do Instituto Terra

https://www.youtube.com/watch?v=W12TjUIkjMY

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Sobre YACOUBA SAWADOGO:

https://educezimbra.wordpress.com/2018/12/19/yacouba-o-agricultor-que-semeou-o-deserto-ganha-o-nobel-alternativo/?fbclid=IwAR2RhclV3ZRsdkFmZxXFDOSrTdh-pQxohara9k2UI86_4fZ-31qSWJY2hd4

ou:

https://www.greenme.com.br/informar-se/agricultura/1911-replantar-o-deserto-recuperando-fertilidade-solo

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 22 de Junho de 2019, pelas 18h 19m

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