Pranto silencioso

* Poesia,* VuJonga Textos Edição de Autor/a — Myriam de Carvalho @ 10:29 am

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Um poema do meu livro “O Livro das Actas
Publicado em 2017, em edição dos Cadernos Literários vuJonga, página 63
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Pranto silencioso
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Às minhas Empregadas
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Estremeço às fanfarras das panelas
Tempero-me de sal, fel e vinagre o dia inteiro,
Esmoreço a lavar os vidros das janelas
E é sempre assim, dum janeiro a outro janeiro
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– E agora é só mais uma aspiradela
– Mais um jeitinho às camas, por favor,
que o bebé fez mais uma mijadela
– E limpe aquele armário, tem bolor
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E eu – que nasci para outras cavalgadas
Não tive nem sorte, nem estudos, nem direito
de vir a ser uma senhora como elas
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– Que vão às suas vidas! E tirem bom proveito!
Enquanto eu, de pele gretada, e unhas enlutadas,
enlouqueço a dar suporte aos sonhos delas
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© Myriam Jubilot de Carvalho

7 de Março de 1984

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Imagem retirada de Google Images:

http://www.bellascestasonline.com/buque-de-rosa-champagne-15-unidades-2247

As rosas em tom “champagne” simbolizam admiração.

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 20 de Abril de 2018, pelas 11h 28m

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o nosso logotipo

* VuJonga Textos Edição de Autor/a — Myriam de Carvalho @ 1:19 am

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VuJonga

o nosso logotipo

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Todo o trabalho gráfico do projecto VUJONGA

é da autoria do artista plástico

Mphumo João Kraveirinya.

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 5 de Abril, pelas 2h 18m

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Prefácio da obra “Kapulana, tecido de Moçambique, a verdadeira história”

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Apresento em seguida o Prefácio da obra

KaPulana – tecido de Moçambique – a verdadeira história

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Como este texto é um pouco longo para ser lido no ecran,

vou reparti-lo em pequenos segmentos.

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Prefácio |

 

O têxtil ‘Dutch Java’, imitação holandesa, oitocentista, do tecido ‘Java Print’, ou “batik” – originário da ilha indonésia de Java – é a origem do pano que se designaria como “KaPulana” na capital de Moçambique, a partir do século XIX. (Kraveirinya 2017, 23)

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          Nesta sua obra, Mphumo Kraveirinya debruça-se sobre a origem, sobretudo indonésia, e a actualidade, europeia, dos tecidos conhecidos em Portugal, e no sul de Moçambique, como ‘KaPulana’ – ou Capulana na grafia à portuguesa. Pelas suas cores exuberantes, a Capulana contrasta vivamente com o vestuário tradicional da mulher portuguesa, muito mais sombrio.

Sobriedade, quem sabe, herdada dos tempos mouriscos do al-Andaluz, situado na periferia ocidental do império abássida:(2) o vestuário preto, tradicional, virá da influência xiita  (muçulmana), porventura reforçada mais tarde pela sobriedade inquisitorial cristã.

Aliás, conforme nota Mphumo Kraveirinya, “poderemos encontrar algum paralelismo à cultura persa xiita (Shiraz) em relação ao vestuário feminino totalmente negro da costa oriental de África – o tradicional ‘Buibui’ de Mombaça e de Zanzibar, e de Muhipiti essura (aliás Ilha de Moçambique), encontrado pelos portugueses nos finais do século XIV e depois pelos holandeses, a partir do século XVII, aquando do seu avanço para o Oriente, via Cabo da Boa-Esperança, no sul de África, e passagem por Muhipiti.”

Na realidade, o autor oferece-nos uma narrativa da viagem da Capulana por mares já dantes navegados, mas neste caso a partir do oriente e em direcção ao ocidente. A beleza destes tecidos de algodão, e o conforto que o algodão proporciona, exerceu grande atracção sobre africanos e europeus, desde 1846.

Segundo o autor, tudo teria começado quando um jovem comerciante Holandês, Pieter Fentener van Vlissingen de Amsterdão, aceita o desafio do tio, Fredrik Hendrik, para investir na área têxtil numa colónia holandesa na Ásia – na ilha de Java, Indonésia, nas chamadas ‘Índias Orientais Holandesas.”

Produzir em série uma imitação do estampados (a cera), conhecidos como ‘Batik de Java’ sairia mais barato se substituindo os meios artesanais tradicionais por meios mecânicos. Estava-se na era da inovação da revolução industrial. Essa concorrência desleal não vingou entre os nativos indonésios.

No fundo, certamente “uma questão de rejeição identitária, sociológica e psicológica, de uma cultura visual endógena em relação a uma estrangeira,” como o autor frisa no decurso da sua narrativa. Esses tecidos que já não obedeciam ao design e técnica do ‘Java Print’ original, ganharam o apreço das populações africanas, e disso tirariam partido mais tarde, os comerciantes indianos da África Oriental e Central, através do Uganda e do Congo, fronteiriços a Tanganica, e por sua vez a Zanzibar, e Moçambique.

Uma vez que ganhava mercado em África, Vlissingen e posteriormente os seus herdeiros adaptaram-se às exigências do gosto dos seus novos destinatários conforme nos é revelado nesta “verdadeira história” da Kapulana.

Actualmente, a Kapulana globalizada conquistou lugar na indústria da Moda. Desde há muito que sabíamos como é poderosa esta indústria que movimenta milhões, pois emprega grande leque de profissões, desde a produção de tecidos à comercialização.

Mas, a leitura da obra que ora apresentamos, e a pesquisa adicional que fizemos para a elaboração deste prefácio, deixaram-nos surpreendida. Pois, segundo o relatório de 2016, do senador do Congresso dos Estados Unidos, Martin Heinrich, (3) só em 2015, os consumidores norte-americanos despenderam 380 biliões de dólares em tecidos de moda. E, em França, por exemplo, esta indústria gera mais riqueza financeira do que as da aviação e automóveis em conjunto.(4)

De tudo isto se ocupa Mphumo Kraveirinya, que há muito desejava publicar este seu estudo sobre o tecido Capulana de Moçambique «para desvanecer confusões de protagonismos alheios, sobre a origem da kaPulana, a começar pelo nome (…)», conforme nos confidenciou em tempos. (p. 23)

***

          Não sabemos o que mais admirar neste autor. Se a sua capacidade de comunicar o seu vasto saber, se o seu inabalável amor à sua terra natal, Moçambique.

Conhecedor como poucos dos meandros dos costumes, da Etno-História, e da História contemporânea da terra onde nasceu,  Kraveirinya é incansável na divulgação dessas memórias “para que não se percam com apagões ideológicos mal-intencionados.”

Por outro lado, é estudioso e entende as línguas Jonga, em extinção, e o Suaíli, que comporta cerca de 150 milhões de falantes, actualmente. Pesquisador eclético de outras línguas, é através do que ele chama de “etno-etimologia” que busca paralelismos comuns, culturais e universais.

Exemplo é o seu estudo do antigo idioma Emacuá (padrão), o mais falado de Moçambique, estimado em  cerca de 12 milhões de falantes, e suas 9 variantes, entre os rios Rovuma e Zambeze, e em Maputo.

Apaixonado pelo imenso Continente Africano, é através da sua escrita esclarecida que o autor tenta dar a conhecer os detalhes do vasto e trágico caleidoscópio de injustiças da expansão europeia, nomeadamente a portuguesa, que iniciou o tráfico negreiro no Atlântico, exponenciando a prática da Escravatura. E também toda a História Colonial, e suas posteriores sequelas. Sem esquecer a expansão árabe em terras africanas.

Nesse âmbito, segundo este autor “as ilhas de Zanzibar e de Muhipiti (ilha de Moçambique) foram mercados árabes sunitas e persas xiitas (Shiraz) de mercadorias, de tecidos, e de escravos.”

No caso concreto da Capulana, entrelaçam-se a História, em si, e a história dos próprios antepassados do autor, do seu lado africano baNto, pois o nome desse tecido ou pano, tão apreciado por europeus como por africanos, recorda o nome do rei Pulana (ou Polana à Portuguesa), da família dos reis Mphumo – que co-habitava com seu povo no promontório adjacente à Baía dos Mphumos, hoje em dia designada como Baía de Maputo.

Terrenos das povoações ‘kaPulana’ ou do soberano Pulana que viria a ser espoliado e ocupado para a construção do Hotel Polana, a partir de 1922, segundo o autor deste livro que lemos com agrado.

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          Quem é, pois, Mphumo Kraveirinya? É geneticamente um luso-moçambicano, Moçambicano de nascença (1947). Ou como ele próprio costuma dizer com graça, “duplamente moçambicano, por ter nascido na Ilha de Moçambique e na colónia portuguesa do mesmo nome”.

Um moçambicano português, que “nunca precisou de pedir a nacionalidade portuguesa,” uma vez que nasceu em tempo colonial, quando as antigas colónias eram designadas como “províncias ultramarinas”, integrantes “de jure” (!) do território nacional europeu, português.

Portanto, por direito natural de sangue e de solo: jus sanguinis et jus solis, um homem completo, sem que o seu coração ficasse “dividido” nessa diversidade cultural. Ou, nas palavras do próprio Mphumo Kraveirinya, ter – uma Pátria baNto africana, Moçambique; uma Mátria europeia ibérica, Portugal; e uma Fratria mestiça sul-americana, o Brasil.

Mphumo Kraveirinya, além de investigador da História social de Moçambique, é ainda dramaturgo, poeta, autor de romance de não-ficção (investigação) e de contos para crianças. É também jornalista, colaborando pro bono com o jornal ‘O Autarca’ da cidade da Beira – Sofala, Moçambique, dando-nos a conhecer excelentes crónicas de análise político-social e de relações internacionais num mundo crispado.

É Doutor em Ciências da Cultura, especialização em Comunicação e Cultura, pela Universidade de Lisboa. Sociólogo e investigador, cujos centros de interesse são o estudo aprofundado da Diáspora, forçada, Africana, e das implicações da disseminação da alimentação tropical com a Escravatura, e posteriormente, com a Economia globalizada do mundo actual.

Como artista plástico, no seu exílio político em Zâmbia e Tanzânia (1967-1972), Mphumo Kraveirinya fez parte da equipa do DIP – Departamento de Informação e Propaganda da Frente de Libertação de Moçambique, concretamente na elaboração da estratégia e táctica de acção psicológica para mobilização das populações moçambicanas na resistência ao colonialismo português e de sensibilização internacional para a causa em prol da independência. A sua participação como ‘cartoonista’ de panfletos e desenhador gráfico, e de mapas militares, foi proveitosa.

Efectuou maquetizações, capas, e desenhos originais para livros de Poesia de Combate e História de Moçambique, nomeadamente a primeira de sempre, publicada em Dar-se-Salam pela Frelimo, no Instituto Moçambicano, em 1970, com apoio de organizações nórdicas europeias. Mais tarde, outro livro de História de Moçambique, em que participou, foi publicado em 1982 pelo Departamento de História da Universidade Eduardo Mondlane – UEM. Na segunda edição, de 1988, por algum motivo que desconhecemos, foi eliminada da ficha técnica essa participaçãoo de arranjo gráfico e de recolha de ilustrações de obras da sua colecção.

O detalhe que mais me fascina na personalidade e no currículo deste autor, ainda pouco reconhecido em Portugal, é a sua versatilidade e perseverança. Mphumo Kraveirinya é ainda o autor do monumental mural épico realizado em 1979 na Praça dos Heróis, em Maputo, e um dos maiores do mundo. Ainda que omitida a sua autoria em Moçambique, esta obra mereceu o interesse de uma académica britânica, a Professora Polly Savage, da Universidade de Londres. O seu capítulo 2. Os Heróis – da sua tese de de PHD (Doutoramento),de cerca de 94 páginas, foi inteiramente dedicado ao estudo, interpretação e restituição de autoria de toda a obra artística e percurso no exílio anti-colonial de MpHumo Kraveirinya, aliás João Craveirinha, Jr.

 

Lisboa, Novembro de 2017

Myriam Jubilot de Carvalho

Lic em Filologia Românica. Professora jubilada.

Pesquisadora da História da Literatura e do paríodo do al-Andalus. Poetisa e Contista.

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NOTA: Entre o seu percurso pelo exílio anti-colonial em Botswana, Zâmbia, Tanzânia, Quénia (1967-1972), e a realização da pintura Mural (1979), Mphumo Kraveirinya foi dissidente da Frelimo. Segundo o autor e confirmado por outras fontes, foi por essa sua ‘dissidência’ torturado e condenado a trabalhos forçados e à morte nos “campos de reeducação de máxima segurança”, entre 1975-1976, em Nachingwea (sul de Tanzânia), e Niassa (norte de Moçambique), dos quais é o único sobrevivente do grupo de que fez parte, em 1976. O Presidente de Moçambique, Samora Machel, amnistiou-o em abril de 1976.

(Vide notas, pp 119-120, de excertos de memórias sugeridas para inserção neste livro. Poderão esclarecer certas omissões à sua obra em Moçambique.)

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REFERÊNCIAS :

  1. Batik:  https://en.wikipedia.org/wiki/Batik
  2. O Poder Abássida, Sunita, perseguia os Xiitas e forçava-os a refugiarem-se nas periferias do império árabe. Daí que a islamização dos territórios afastados dos centros de poder, como por exemplo a Península Ibérica, tenham sofrido em grande parte, a influência xiita. [Eventualmente na África oriental essa influência seria trazida pelos persas Shiraz. Vestígios visíveis na ilha de Zanzibar]

(Professor Abdallah Khawali, curso “A Identidade Islâmica de Portugal, séculos VIII-XIII,” 2009 e 2010)

  1. Made in Holland: The Chanel of Africa

http://www.messynessychic.com/2015/10/30/made-in-holland-the-chanel-of-africa/

  1. Senator Martin Heinrich, September 2016.

The Economic Impact of the Fashion Industry

https://www.jec.senate.gov/public/index.cfm/democrats/reports?ID=034A47B7-D82A-4509-A75B-00522C863653

  1. 150 milliards d’euros! La mode crée plus de richesse que l’aviation et l’automobile réunis – http://www.latribune.fr/economie/france/150-milliards-d-euros-la-mode-cree-plus-de-richesse-que-l-aviation-et-l-automobile-reunis-605060.html

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 5 de Abril de 2018, pelas 2 h 15m

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VuJonga apresenta mais uma publicação

* VuJonga Textos Edição de Autor/a — Myriam de Carvalho @ 7:46 pm

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VuJonga textos apresenta um livro

de

Mphumo Kraveirinya

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Desta vez, vuJonga textoapresenta um novo livro de um autor de há muito conhecido, sobretudo em Moçambique, e também no Brasil – Mphumo Kraveirinya.

Em Portugal, houve um momento de euforia, quando este autor publicou Moçambique, Feitiços, Cobras e Lagartos – Crónicas Romanceadas. Esta obra teve 1ª edição em 2000 e 2ª, em 2002. A obra está assinada por João Craveirinha.

Seguiram-se, em 2005, Jezebela – romance; e E a Pessoa de Fernando ignorou a África? – teatro; – igualmente assinados João Craveirinha.

Nesse mesmo ano ainda foi publicado um livro de contos para a infância – O Macaco Macaquinho, sob a mesma assinatura.

Entretanto, o tempo passou. Velozmente, como só o tempo o sabe fazer. João Craveirinha completou o Doutoramento, com uma tese de 462 páginas – Comunicação e Cultura na Disseminação dos Sabores Tropicais – Portugal, Moçambique, Goa e Malaca, e Brasil – concluída em 2015.

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A presente obra, Kapulana – Sua Verdadeira História, conforme o título indica, traça a história da Kapulana, desde a sua origem indonésia, em finais do séc XIX para inícios do XX, até ao presente, em que foi adoptada como tecido de Moçambique.

Uma obra a não perder, com imensas ilustrações raras, pertencentes ao arquivo do autor.

Desta vez, e a partir de agora, o autor opta pela assinatura de MhPumo Kraveirinya para definitivamente se distinguir de outros familiares, pois a inércia de alguns órgãos de comunicação social, por vezes, estabelece confusões com outros nomes parecidos, de pessoas da mesma família, mas de perfis e obra bem distintos.

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Como livro, como diria o meu professor de Teoria da Literatura, o poeta Tomás Kim – o “livro-objecto” em si – trata-se de uma edição primorosa, saída da nossa oficina “artesanal e doméstica”. Todo o arranjo gráfico é da autoria de João Craveirinha, que sendo escritor e investigador, é igualmente pintor. Desde a qualidade do papel à própria impressão, passando pela escolha do tipo de letra, e toda a apresentação de um modo geral –  o futuro leitor poderá deliciar-se com a obra que vai ter em mãos.

Além disso, em meu entender, a própria capa é uma obra-prima – reprodução de um quadro do autor.

Confiamos que o livro vai ser um êxito.

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Sobre o autor não nos alongamos agora, pois em seguida publicarei excertos do Prefácio que esclarecem sobre a actividade e actuação deste autor-pintor.

A imagem é a que foi publicada no FB, na nossa página:

http://www.fb.com/VuJonga

 

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 4 de Abril de 2018, pelas 20h 45m

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Os HAIKAI de Silvya Gallanni e o sentimento da Natureza

* VuJonga Textos Edição de Autor/a — Myriam de Carvalho @ 1:31 pm

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Os HAIKAI de Silvya Gallanni e o sentimento da Natureza

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Outubro de 2017

O ser humano nasceu em contacto com a Natureza e o seu eterno devir ora acolhedor, ora agreste. Parece que no seu acordar conceptual, o ser humano encontra nela o seu espelho – um espelho ora aconchegante, ora quebrado – mas sempre um desafio à reflexão –

= a reflexão baseada no concreto objectivável – as narrativas contando um facto, ou as análises fenomenológicas,

= ou a reflexão abstracta, onde além da Filosofia incluiremos a Poesia como reflexo e análise dos sentimentos, e incentivo às diferentes formas de convívio, quer intelectual, quer ritualizado.

Esta ligação à Natureza tem acompanhado o evoluir das sociedades e tem-se adaptado às diferentes formas que a evolução da Cultura tem assumido ao longo dos tempos. E continua na nossa actualidade tão marcada pelo domínio da tecnologia. Assim como o homem primitivo riscava dois seixos para desferir uma faísca sobre alguns gravetos secos, e assim ocasionar a chama que lhe cozinhava os alimentos e o aquecia, assim, hoje, precisamos do contacto com a Natureza para respirar o ar puro que nos inebrie o espírito e nos liberte da corrida contra o tempo com que a nossa época comanda os nossos dias. A Poesia proporciona-nos a sublimação dessa necessidade e desse encontro.

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Os Haikai de Silvya Gallanni propiciam-nos um encontro estético com a Natureza. Através da brevidade e concisão dos HAIKAI, construção poética em tercetos, de origem japonesa, muito cultivada no Brasil, Silvya Gallanni dá asas ao chamado “sentimento da Natureza”, captando muitos dos diferentes aspectos em que ela se nos apresenta ou os sentimentos que em nós desperta, em instantâneos fotográficos, ou não seja a autora igualmente uma apaixonada fotógrafa. Nos HAIKAI de Silvya Gallanni, a Natureza ganha alma, identificando num mesmo enunciado o sujeito (Eu poético) e os elementos naturais:

Chorando nuvens // Nas árvores pássaros // Chuva outonal – pág 42;

Choram as rosas // Caem do céu lágrimas // Espinho que doe – página 46.

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Através dos Haikai reunidos em “Fragrâncias Poéticas”, lemos a Natureza nas suas variadas manifestações, quer radiosa –

Rosas brotando // Juvenil primavera // Suave odor (pág 28)

– quer perturbada pelas condições atmosféricas

Desagua céu // Relâmpagos e trovões // Noite sem luar (pág 46)

– quer perturbada pela acção humana, pois não falta nestes instantâneos a reflexão ecológica e sociológica

Mundo chorando // Poluição matando // Acorda Terra! (pág 36)

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Para Silvya Gallanni, a Natureza, dadivosa das suas benesses, mesmo quando agreste, é sempre um Locus Amoenus – o cenário feliz –, o espelho, confidente ou contrastante do Eu Poético ou da relação amorosa.

Por outro lado, nestes tercetos, nós, europeus, sentimos a presença da brasilidade da sua autora. Por eles ouvimos e vemos o canto e o voo das aves tropicais (colibris, sabiás, maritacas, graúnas, bem-te-vi); admiramos os mamíferos que nós, europeus, só podemos ver no jardim zoológico (macaco, pág 24). Temos as árvores (as florestas, pág 19; coqueiro verde, pág 27), as flores do seu país natal (orquídeas, pág22), os frutos (bananas, pág 24). Encontramo-nos com o maravilhoso luar do sertão (pág 30). Evidentemente, também, com a presença dos Índios:

Águi-Real // Silenciosa voa // Alerta Pajé (pág 43)

E encantamo-nos com a magia das coisas simples

Dedilho papel // Pássaros primaveris // Dia de prosa (pág 27)

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Também na linguagem está patente o testemunho da sua origem geográfica. Um caso de pronúncia típica do Brasil está registado na rima céu / mel (pág 44). Ocorre uma reminiscência do Português arcaico (avoando, pág 25). Naturalmente, surgem vocábulos específicos como grama (=relva, pág 35), garoa (pág 37)… São, no entanto, mais numerosas as construções frásicas muito próprias desse Português em processo de afastamento do português europeu (Nado em você, pág 43)

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Para além do que fica dito, Silvya Gallanni não se cinge a praticar os Haikai numa perspectiva estritamente ortodoxa. Inova, fá-los evoluir – dá-lhes um título, e uma data. Na página 50, figura uma série de cinco tercetos encadeados pelo sentido, formando um poema com unidade.

Um outro aspecto inovador, são os seus “Haikai Invertidos”. A partir da página 53, Silvya Gallanni convida-nos para um passatempo delicioso: inverte a disposição gráfica dos tercetos, intuindo-se como as palavras dependem umas das outras e como mudam de sentido conforme as circunstâncias!

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Gota a gota                                     Chove lá fora

Embalando os sonhos                     Embalando os sonhos

Chove lá fora                                   Gota a gota                              (Pág 53)

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Por último, registaremos um pormenor importantíssimo, que demonstra o papel fundamental das redes sociais no nosso tempo:

Silvya Gallanni descobriu-se como poetisa ao publicar no site brasileiro Recanto das Letras, onde recebeu incentivo dos seus inúmeros leitores e leitoras, demonstrando-lhe como apreciavam a sua produção poética. No fim desta colectânea, a autora homenageia com gratidão os criadores do site, e todos quantos a incentivaram.

Tal como eu, hoje, homenageio a minha Colega e Amiga que tanto estimo e aprecio, com este meu texto. “Brasil aplaude” (pág 22). E nós também!.

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Foto, no dia do lançamento.

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 12 de Fevereiro de 2018, pelas 13h 30m

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Equipa vuJonga com um casal amigo

* Fotos,* VuJonga Textos Edição de Autor/a — Myriam de Carvalho @ 10:06 pm

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Foto da equipa vuJonga Textos Literários

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Foto tirada no dia 25 de Outubro de 2017, na Livraria Férin, em Lisboa.

Após a sessão de lançamento do livro de Silvya Gallanni – “Fragrâncias Poéticas”.

Da esquerda para a direita:

Professor Mphumo João Craveirinha, Silvya Gallanni, Professor Pascoale Cipro Neto e esposa, Professora Juliana Loyola, e eu própria.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 2 de Dezembro de 2017, pelas 22h.

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CRIAÇÃO dos Cadernos Literários vuJonga Textos

* VuJonga Textos Edição de Autor/a — Myriam de Carvalho @ 12:32 pm

Criação dos Cadernos Literários vuJonga Textos

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vuJonga textos
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É a designação da equipa formada por três amigos que se propõem publicar os seus próprios livros.
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A equipa é formada por Silvya Gallanni, Mphumo João Craveirinha, e eu própria.
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Cada um de nós tem uma função específica dentro da equipa, embora por fim todos colaboremos para o objectivo comum – publicarmos os nossos próprios livros de forma autónoma e independente. Praticamos um trabalho artesanal, mas com dignidade e exigência de qualidade profissionais.
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O primeiro livro que lançámos, foi o meu “O Livro das Actas”. Uma recolha de poemas com um certo tom satírico.
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O segundo livro vai ser o de Silvya Gallanni: “Fragrâncias Poéticas”. Uma colectânea de ‘Haikai’.
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Ainda este ano, sairá um livro de Mphumo João Craveirinha, que anunciaremos na devida altura.
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O nome de “vuJonga” significa “Sol nascente”. É em língua Jonga – ou ‘Ronga’, conforme é geralmente referida em Português
. Exprime a nossa homenagem a uma língua de Moçambique, em via de extinção devido à política cultural do regime político moçambicano, que a seguir à Independência procurou anular as diferenças entre os povos que integram esse país.
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Tem havido vários grupos de escritores e artistas que se juntam com um objectivo comum.
Estou a pensar no grupo dos Pré-Rafaelitas – Pre-Raphaelite Brotherwood – que juntou pintores, poetas e críticos, fundado em 1848. Ou no Bloomesbury Group, na primeira metade do passado século XX, que igualmente juntou escritores, intelectuais, filósofos e artistas.
Poderá parecer que estou a jactanciar-me através das comparações mencionadas. Mas não, pois tenho consciência do valor intelectual e cultural do nosso trabalho, que ultrapassa o âmbito de uma tertúlia onde os seus componentes encontram apoio mutuamente. Formamos uma equipa que se propõe editar, publicar e divulgar o trabalho dos seus membros. Por outras palavras – elaboramos materialmente os nossos próprios livros, desde o borrão à comercialização, valorizados pelo exigentíssimo trabalho de Arte Gráfica do grande pintor que é Mphumo João Craveirinha.
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Actualmente surgiram os editores independentes. Mas a nossa equipa não se inscreve nessa qualidade: somos autores-editores.

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Texto publicado no FB em 7 de Outubro de 2017.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 2 de Dezembro de 2017, pelas 12h 30m

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Quem é Silvya Gallanni

* VuJonga Textos Edição de Autor/a — Myriam de Carvalho @ 12:14 pm

Quem é Silvya Gallanni

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Silvya Gallanni é minha Amiga.

É cidadã brasileira pelo nascimento, e portuguesa pelo casamento.

Silvya Gallanni é especialista em Haikai, e grande fotógrafa amadora. Está a preparar a sua própria edição da sua primeira colectânea de Haikai – sobre a qual, para já,  não me devo pronunciar, pois ainda é cedo para o fazer. Sairá em breve.

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Silvya Gallanni e seu marido, Mphumo João Craveirinha, e eu própria, criámos a equipa dos Cadernos vuJonga, e publicamos os nossos próprios livros.

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 24 de Abril de 2017, pelas 13h 15m

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Uma breve amostra de O Livro das Actas

* Poesia,* VuJonga Textos Edição de Autor/a — Myriam de Carvalho @ 11:36 am

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COM UM GRANDE AGRADECIMENTO

A TODAS AS PESSOAS QUE ME ACOMPANHARAM NA APRESENTAÇÃO DO LIVRO,

E A TODAS QUANTAS MANIFESTARAM PESAR POR NÃO PODEREM ESTAR PRESENTES –
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Também para as minhas Amigas SILVYA GALLANNI, e DULCE PEREIRA TEIXEIRA, pela excelente colaboração –
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Para o meu Filho GUILHERME MARTINS, pela grande REPORTAGEM –
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Para o meu Amigo MPHUMO JOÃO CRAVEIRINHA, pelo incansável trabalho gráfico –
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Para a Livraria FÉRIN, peloa simpatia do acolhimento –

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E uma menção especial para os meus familiares que estiveram presentes – Filho – Gui, nora Carlita, netinhos Katty e Gabriel, prima Sãozinha e seu marido Raúl –
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vão estas

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Amostras de “O Livro das Actas”

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VELHAS DO RESTELO (Página 52)
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À velha Colega que me chamou “lírica”
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As velhas do Restelo
Não desembarcam no Mindelo
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Com diábulus e brúxulas
embarcam
num rabelo
Dançam de ródula até
ao Cabedelo – Galáxias
intêirulas
Nuas e em pêlo
A cavalo num cabelo
.
Ó Velhas do Restelo
Ficade-vos para aí
Marrando
num escalpelo
*
MODELO DE ACTA (página 46)
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Grande pedalada têm os
palradores
e também os fumadores
E mais ainda os animadores
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Perdoai-lhes pai que
não sabem o
que dizem
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Ou então perdoa-me
a
mim
que não entendo
nada
.
E se quem nada
não se afoga
E se eu me estou a
afogar
Quem me virá acudir
se não
me faço ouvir?!
*
*
CORAÇÃO DE CANETA (Página 40)
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O Sol brilha,
A Lua queima!
Quebra-se a bilha –
Fica a toleima
.
Pergunto ao Sol
para onde vai
O Sol não ouve
…No meu Relógio,
o Tempo se me esvai
.
Falta-me a força
Falta-me o feelling
Danço na forca
Smiling Smiling
.
Desde que te libertei,
meu coração de caneta,
não mais aqui me encontrei…
Todos me acham pateta
.
Estas reuniões são o pão
para quem anda a ganhá-lo!
Mas para mim são só razão
de me dar um g’anda galo
.
Problemas sem cabimento
– oiço dizer por aí…
Me agarro às orlas do Tempo
e vou pairando sem fim…
.
A coragem, meu Amigos,
não é só para os tomates:
Tenho visto muito homem
borradinho, os grandes trastes
.
Os cavalos também se abatem
– que arrelia, que arrelia
As nuvens vão dar ao mar
– quem diria, quem diria!
A Lua, em minoria,
foge, para não falar
.
O papa-figos dá sorte
O pára-raios também
O Amor para ser forte
precisa de ir muito além
.
Nestas quadras que te dou,
passam amores, e saudades
Como as árvores da Floresta,
vou-te poupando as verdades
.
As pombas voam cantando
enquanto dura a juventude!
Que em os cabelos branqueando…
…perdeu-se toda a virtude
.


Myriam Jubilot
O Livro das Actas
Cadernos vuJonga, 2017
*

FOTOS de:

Meu Filho, Guilherme Martins,

minha Amiga, Silvya Gallanni

Arranjo gráfico de Mphumo João Craveirinha

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 13 de abril de 2017, pelas 12h 35m

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Confúcio e o Ensino, e o meu ‘O Livro das Actas’

* VuJonga Textos Edição de Autor/a — Myriam de Carvalho @ 6:04 pm

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Legenda:

Sobre a importância do Ensino – Pensamento filosófico atribuído

ao sábio chinês Kong Qui vulgo CONFÚCIO (551aC – 479aC.)

= Se o teu Projecto é para 1 ANO, planta ARROZ (Alimentação sustentável)

= Se o teu Projecto é para 10 Anos, planta ÁRVORES (Ecossistema estável)

= Se o teu Projecto é para 100 ANOS, EDUCA CRIANÇAS (Melhor Sociedade)

Com ‘data vénia’ Tradução Livre e Simbolismo por Mphumo Kraveirinya 6 Abril 2017. Layout vuJonga

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(Poster especial para apresentação d’ ‘O Livro das Actas’ da autora e Profª  Myriam Jubilot

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FONTES: Confucius Byography – http//www.biography.com/people/confucius-9254926

ICONOGRAFIA, layout e texto em inglês, créditos: ‘OURTIMEORG’

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Poster © Mphumo Kraveirinya

Dia 6 de Abril de 2017, pelas 17h

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