O Papa Francisco e a Pena de Morte

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 8:49 am

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O Papa Francisco e a Pena de Morte

ÚLTIMA NOTÍCIA, dia 2 de Agosto de 2018

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Papa Francisco declara pena de morte ‘inadmissível’ em todos os casos

Antes, igreja não excluía a pena se fosse o “único caminho possível” para defender vidas “de agressor injusto”. Agora, texto diz que execução “atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa” (Rede BRASIL Atual)

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Papa declara pena de morte inadmissível em todos os casos

Francisco aprova nova versão do Catecismo, que afirma que pena capital “atenta contra a inviolabilidade e a dignidade” humana. Texto indica que Igreja está comprometida a impulsionar abolição da prática mundo afora. (Deutsche Welle)

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Papa modifica catecismo e declara pena de morte inadmissível

02/08/2018

O papa Francisco decretou nesta quinta-feira, 2, que a pena de morte é inadmissível em todas as circunstâncias e que a Igreja Católica deve trabalhar para seu fim. Francisco aprovou uma mudança no Catecismo da Igreja Católica – a compilação do ensino católico oficial – para dizer que a pena capital constitui um “ataque” à dignidade dos seres humanos e e não há justificativa para execuções patrocinadas pelo Estado.

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Anteriormente, o catecismo dizia que a igreja não excluía o recurso à pena capital “se esta fosse a única forma possível de defender efetivamente vidas humanas contra o agressor injusto”. O novo ensinamento, contido no Catecismo Nº 2.267, diz que texto anterior está desatualizada, que existem outras maneiras de proteger o bem comum e que a Igreja deve se comprometer a trabalhar para acabar com a pena de morte.

Há muito que Francisco se queixa contra a pena de morte, insistindo que nunca poderá ser justificado, por mais hediondo que seja o crime. A defesa dos encarcerados é um dos pilares da vocação do papa e ele também se opõe a sentenças de prisão perpétua, as quais chamou de penas “ocultas” de morte.

Em quase todas as viagens ao exterior, Francisco visitou os presos para oferecer palavras de solidariedade e esperança, e ele ainda mantém contato com um grupo de presos argentinos aos quais ele ministrou durante seus anos como arcebispo de Buenos Aires.

Ele disse nesta quinta-feira, 2, que “há uma crescente conscientização de que a dignidade da pessoa não está perdida mesmo após a prática de crimes muito graves”. Novos sistemas de detenção e sanções foram desenvolvidos para não privar os culpados da possibilidade de redenção, acrescentou.

“Consequentemente, a igreja ensina, à luz do Evangelho, que a pena de morte é inadmissível porque é um ataque à inviolabilidade e dignidade da pessoa e trabalha com determinação para a sua abolição em todo o mundo”, diz o novo texto, que foi aprovado em maio, mas publicado apenas na quinta-feira.

A pena de morte foi abolida na maior parte da Europa e da América do Sul, mas ainda é praticada nos Estados Unidos e em vários países da Ásia, África e Oriente Médio.

Alguns na mídia social questionaram o momento do anúncio, uma vez que o Vaticano e a Igreja Católica estão novamente sob o fogo das acusações de abuso sexual clerical e como bispos em todo o mundo o encobriram por décadas. A Igreja dos EUA, em particular, está sofrendo com as acusações de que um dos mais proeminentes cardeais dos EUA, Theodore McCarrick, supostamente abusou de menores e de seminaristas adultos.

( O POVO online)

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FOTO retirada da Net.

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 8 de Agosto de 2018, pelas 9h 55m

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O 10 de Junho e a consciência nacional

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 7:41 am

Catarina Martins

Foto: Nuno André Ferreira/ Lusa

“Virá o dia em que os discursos oficiais serão capazes de reconhecer a enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos. Até podia ser num 10 de Junho. Mas ainda não foi hoje.

Dia de Portugal. 10/07/2018, 20:48”

Tweet de Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, recolhido no FB.

@ catarina_mart

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O 10 de Junho e a consciência nacional oficial

 

Finalmente.
Alguém no mundo da Política ergue a voz sobre este tema.
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Na verdade, ninguém é responsável pelo Passado.
Mas mais três coisas são igualmente verdade:
Uma –
Obliterar esse Passado não esclarece as suas reminiscências no Presente, tais como comportamentos de supremacia – racismo e discriminação – que perduram.
Outra –
Permanecermos no mito da nossa imaculidade, do nosso bondoso coração, dos nossos brandos costumes, é um fechar de olhos que só tem como corolário um mar de conformismo e hipocrisia no “pensamento oficial”.
Finalmente –
A História é para ser encarada de frente. É um frente-a-frente que só pode fortalecer-nos enquanto colectivo. A Inglaterra tem feito isso, e de que maneira. Veja-se apenas como exemplo o Museu de Liverpool. Ou o Museu de Nantes, em França.

Por outro lado, há ainda que desmitificar a comparticipação da Igreja católica na expansão europeia da chamada fé cristã. Tantos séculos de Cristianismo, tanto empenho na expansão da única fé! E tanto negócio e tanto orgulho imperial, com todo o corolário de comportamentos supremacistas à sombra disso…

A transformação da má consciência em mitos, leva-nos à conservação de comportamentos opostos àquilo que temos apregoado ao longo dos séculos.

Na verdade, não passamos de um país de mitos – vivemos deleitosamente encerrados na sua redoma e, enquanto Povo, não fazemos um esforço por sair deles.
Por isso temos andado à mercê da Europa, com a cabeça debaixo da areia.

© Myriam Jubilot de Carvalho

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 14 de Jungo de 2018, pelas 8h 40m

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Tolerância ou Igualdade

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:41 pm

TOLERÂNCIA ou IGUALDADE

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Ontem, a propósito do casamento principesco, falou-se de TOLERÂNCIA. Pessoalmente, não uso nunca esta palavra. A meu ver, exprime um conceito de superioridade, da parte de quem a utiliza.

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Tenho-me questionado se a utilização da palavra não resultará de alguma má tradução do Inglês. Mas não estou enganada. O Cambridge Dictionary dá-nos esta definição:

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The quality of allowing people to do or believe what they want even though you do not agree with it

https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english-portuguese/tolerance

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Assim, confirmo que TOLERÂNCIA é uma permissão: Alguém PERMITE que outrem tenha opiniões e práticas sociais, religiosas ou políticas, diferentes.

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O termo-conceito de ‘tolerância’ tem-se vulgarizado para referir as relações ‘inter-raciais’ e inter-religiosas. E reparo que muitas vezes, até os Budistas o utilizam.

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Este termo exprime um preconceito, e incomoda-me sobremaneira.

O direito de PERMITIR – seja o que for – pressupõe que há alguém que, por qualquer razão, se sente em posição de superioridade. E então, deixa que o Outro se comporte diferentemente.

Sociologicamente, será o grupo dominante – o grupo mais forte – quem detém esse direito.

Dominante, por razões históricas. Na cultura Europeia, a História demonstra-nos que o Europeu desbravou o Mundo à procura de riquezas e de mão-de-obra – não propriamente barata, mas gratuita.

Para o efeito, criou um conceito perverso – a pele branca (que por acaso até não é branca, mas mais ou menos rosada, mais ou menos morena, conforme as hereditariedades e as latitudes) – seria sinónimo de inteligência, saberes, religião, força, e poder, superiores.

…E viu-se a multidão de desgraças que daí decorreram durante séculos – e continuam a decorrer.

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Quanto mais me documento sobre a História da Humanidade, mais me congratulo por constatar que a Humanidade é Mestiça desde os seus primórdios. E dessa miscigenação todos guardamos um pouco no nosso ADN. Quanto mais recentes os exames genéticos aos achados arqueológicos, mais provas existem dessa fusão. E ela continuou a acontecer, ao longo dos tempos.

Logo, pretender que uns são superiores a outros, denota ou desconhecimento, ou sentimentos que me escuso de classificar.

Pessoalmente, no meu uso quotidiano, nunca uso a palavra em questão. Prefiro o conceito de IGUALDADE, que por definição implica o seu correlativo – o RESPEITO mútuo (entendido como Lealdade, Honestidade) – pois esses é que podem operar os milagres da convivência e da harmonia entre povos e países, abolindo a opressão, a exploração, e as guerras.

Ou então, andaremos todos a ‘tolerar-nos’ uns aos outros, considerando intimamente que o ‘lado bom’, o lado da única verdade, é apenas o nosso…

© Myriam Jubilot de Carvalho

20 de Maio de 2018

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 20 de Maio de 2018, pelas 15h 40m

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“A verdade tem duas caras”

* Antologia,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 10:55 am

 

Ontem, de um lado, celebraram 70 anos da fundação do estado de Israel…
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Do outro lado, lamentaram 70 anos de ocupação da Palestina…
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O colonialismo é sempre igual, procede sempre com a mesma crueldade, seja onde for…
…E condena sempre aqueles que com razão se revoltam

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A verdade tem duas caras

e a neve é negra 
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A verdade tem duas caras e a neve é negra na nossa cidade.

Já não somos capazes de desespero como antes, e o fim caminha para

a muralha, com passos firmes,

sobre este azulejo molhado de lágrimas, com passos firmes.

Quem baixará as nossas bandeiras: nós, ou eles? E quem

nos lerá “o acordo de paz”, ó rei da agonia?

Tudo está preparado, quem arrancará os nossos nomes

da nossa identidade: você ou eles? E quem semeará em nós

o discurso da arrogância: “Não conseguimos romper o cerco,

entreguemos as chaves do paraíso para o ministro da paz, e salvemo-nos…”

A verdade tem duas caras, o lema santo era uma espada para nós e

sobre nós, e então o que você fez do nosso forte antes desse dia?

Você não lutou porque temia a morte, mas o seu trono é um caixão,

carregue então o seu caixão para salvar o trono, ó rei da espera.

Esta paz fará de nós um punhado de pó….

Quem vai nos enterrar os dias depois que tivermos ido: você ou eles? Quem

levantará as bandeiras deles sobre as nossas muralhas: você ou

um cavalheiro sem esperanças? Quem pendurará os sinos em cima da nossa partida:

você ou um guarda miserável? Tudo está preparado para nós,

então por que delonga a negociação, ó rei do agonia?
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Mahmud Darwish ou Mahmoud Darwich
(Al-Birweh, 1942 – Houston, 2008),
Poeta e escritor palestino. A vila em que nasceu foi inteiramente arrasada pelas forças de ocupação israelenses, em 1948, durante a Nakba, e a família do poeta refugiou-se no Líbano, onde permaneceu por um ano. Voltou clandestinamente ao seu país e descobriu que o vilarejo onde nasceu fora substituído pela colônia agrícola israelense de Ahihud. Mahmoud Darwish foi preso diversas vezes entre 1961 e 1967, e a partir da década seguinte passou a viver como refugiado até ser autorizado a retornar à Palestina, para comparecer a um funeral, em maio de 1996. Darwish é o autor da Declaração de Independência Palestina, escrita em 1988 e lida pelo líder palestino Iasser Arafat, quando declarou unilateralmente a criação do Estado Palestino. Membro da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), afastou-se do grupo em 1993, por discordar dos Acordos de Oslo. Darwish é considerado o poeta nacional da Palestina. Seu trabalho foi traduzido em mais de 20 línguas.
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Poema e biografia retirados de:
ZUNÁI – Revista de poesia & debates

http://www.revistazunai.com/editorial/23ed_mahmouddarwish.htm

A foto do Poeta é retirada de:

 

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Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 15 de Maio de 2018, pelas 11h 40m

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Quinta-Feira da Espiga

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 9:19 pm

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Quinta-Feira da Espiga e o folclore cristão

“Se chover na Quinta-feira da Ascensão, as pedrinhas darão pão.”

Da Páscoa à Ascensão,40 dias vão.”

Quem tem trigo da Ascensão, todo o ano terá pão.”

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Será que hoje foi Quinta-feira da Espiga?
Como a vida urbana nos afasta de todas estas tradições… Era bonito, pela ingenuidade – o ramo de flores campestres devia incluir as espigas, e devia ser guardado de um ano para o outro, para garantir o pão nosso de todos os dias, durante todo o ano.
Mesmo em Faro, uma cidade, nos idos anos 60, quando a cidade ainda não se tinha expandido demasiado, muita gente ia para os lados do Rio Seco, apanhar o raminho de espigas e papoilas.
Algumas vezes fui, com a minha Tia Lucinda.
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Lembro-me de uma vez, em Alte, algures nos anos 50, o Sr. Prior, todo paramentado como era próprio do seu brio, todo solene, no fim da missa, ter ido ao adro abençoar meia-dúzia de camponeses e pequenos lavradores, envergonhados e tímidos no seu jeito muito humilde, porventura sinal de que estariam meio contrariados, que foram ao adro com ovelhas e alcofas de frutas, espigas e alecrim…
Claro que não era a fé espontânea das pessoas. Era tudo organizado. Quem organizava é que já não sei…
Alte maravilhosa, cheia de tradições pura, genuína e ingenuamente pagãs, mergulhava na noite dos tempos das grandes celebrações da Natureza. O resto, as missas e as bênçãos, sei-o hoje, isso é que era o folclore.
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Aqui guardo o meu raminho… que não colhi no campo, mas na Net…
O raminho devia ficar pendurado à cabeceira da cama, de um ano para o outro! Quem fazia isso, era a Prima Madureira, a Velha Prima, como eu cruelmente a referia… Até ficava lá muito bem, embora eu o olhasse com a minha superioridade de intelectual… Uma intelectual, sei-o hoje, bastante ignorante…

Os componentes do raminho continham o seu simbolismo

Retiro estes significados, bem como o raminho acima, da página 

= 5 espigas » garantia que não faltasse o pão

= 5 malmequeres amarelos » ouro e prata (garantia de que não faltasse o dinheiro)

= 5 malmequeres brancos » significavam a paz

= 5 papoilas » amor, e vida

= um pezinho de oliveira » azeite e luz (antigamente, o azeite era usado nas candeias, era a iluminação doméstica nocturna nas habitações modestas)

= um pezinho de videira » vinho e alegria 

= um raminho de alecrim » significava saúde e força

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Quinta-Feira, 19 de Maio de 2018, pelas 21h 58m

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Dossiê sobre Racismo, na National Geographic de Abril

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:29 pm

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Dossiê sobre Racismo

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Hoje, dia 4 de Abril, faz 50 anos que foi assassinado Martin Luther King.
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É neste contexto que a National Geographic deste mês dedica o seu dossier principal ao tema do Racismo.
Escalpelizar este tema é a melhor homenagem que se pode fazer a este mártir da Igualdade e Justiça.
Um número a não perder.
Com a referência de capa:
“A Genética desmonta os velhos preconceitos sobre o conceito de raça”.
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Muito interessante, também, o Editorial:
“Para ultrapassar o Racismo temos de reconhecer a sua existência”
Neste texto, Susan Goldberg, actual directora da revista, reconhece que, no passado, a National Geographic fez parte da voz comum da supremacia branca.
A posição actual de defesa dos Direitos Humanos em pé de igualdade universal é fruto da evolução das mentalidades.
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A foto apresenta a capa da edição inglesa. A edição em Português apresenta a mesma foto.

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Os Africanos foram agredidos e espoliados e deslocados, como sabemos, ao longo de séculos – tentaram sugar-lhes as forças do corpo e as energias da alma até ao tutano… O que foi feito com eles não é passível de adjectivos, pois dizermos que foi ‘cruel’, ou ‘desumano’, ou seja o que for que digamos, será sempre pouco, ínfimo, em comparação à dimensão da monstruosidade que secular e metodicamente foi praticada.

Não contentes em sugar-lhes a força do corpo, tentaram sugar-lhes o tutano da alma ao aniquilar-lhes religiões, tradições, Línguas, e ao desmembrarem-lhes famílias e laços sociais.

E eis a desforra da Vida, operada através do devir e evolução no Tempo. De repente, o mundo dá-se conta, sem dar por isso, que a cultura das pessoas deslocadas e desenraízadas não morreu! A cultura dessas pessoas – não podemos dizer ‘povos’, pois os ‘povos’ foram dispersados – a cultura dessas pessoas reagrupou-se, refez-se tomando formas distintas, e deu lugar a constelações novas! Que sobreviveram através da Música, das Danças, do vocabulário, de maneiras de cozinhar e de comer!

E tudo se reduz a esta simples fórmula:

Tal como os escravos tinham a marca do dono no corpo, a cultura dita ocidental traz a marca africana no corpo e na alma, quer pelas mestiçagens genéticas quer pelas mestiçagens culturais, quer disso se tenha consciência, quer não.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 4 de Abril de 2018, pelas 14h 30m

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“Perder o pão é perder a alegria de viver”

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 11:46 am

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“Perder o pão é perder a alegria de viver”

D. Manuel Martins, primeiro bispo de Setúbal – 1927-2017

Foi bispo de Setúbal de 1975 a 1998

Escreveu dois livros: 

Um Modo de Estar

Pregões de Esperança.

 

Sobre a sua pessoa e acção foram publicados cinco livros: 

História de Uma Crise. O Grito do Bispo de Setúbal;

Bispo de Setúbal, Um Homem Plural;

D. Manuel Martins o Bispo de Todos;

D. Manuel Martins, A Esperança de Um Povo;

D. Manuel Martins, Um Bispo Resignatário, Mas Não Resignado.

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Um país de mitos
– os brandos costumes –

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Chamaram-lhe o “bispo vermelho”
Um epíteto discriminatório …
Para o mainstream, o Outro não conta, ou conta muito pouco…
…Como se a Justiça Social tivesse cor…

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Cagliostro disse mais ou menos isto:
“Si ce n’est pas le désir seul de faire le bien qui nous pousse dnas le mysticisme, n’allez, je vous en prie, plus loin!”

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Ver o vídeo:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/morreu-d-manuel-martins-o-bispo-vermelho_v1029226 

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 25 de setembro de 2017, pelas 12h 45m

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A Tenda Vermelha – notas a partir do filme

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:23 pm

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Filme “A Tenda Vermelha” (The Red Tent)

Canal SIC, sessão Hollywood; tarde de sábado, 14 de Maio de 2017

O filme “A Tenda Vermelha” baseia-se no romance com o mesmo título, de Anita Diamond (jornalista e escritora norte-americana, nascida em 1951).

O enredo tenta reconstituir o que teria sido a vida das mulheres nos tempos bíblicos. Para isso, recorre à vida das esposas e concubinas de Jacob, e seus filhos e filhas, numa história engenhosamente bem urdida.

O que é interessante notar, no entanto, é a encenação cinematográfica. A história situa-se no período dos Patriarcas bíblicos, quando ainda pastoreando na Mesopotâmia. Qual teria sido o aspecto das pessoas desse tempo? Como teria sido o aspecto da Humanidade há cerca de 7000 anos – uns 5000 aC + 2000 dC, perfará sensivelmente uns 7000 anos.

Sabe-se, pelas reconstituições a partir de restos arqueológicos de ADN encontrados em escavações, que o aspecto dos europeus seria bastante escuro. E que teria clareado progressivamente, pelo aporte de genes presentes no ADN dos habitantes do Médio Oriente, à medida que a mestiçagem ia acontecendo.

Mas seriam esses nossos semelhantes da Antiguidade oriental, de pele tão clara como se mostra no filme? Pessoas que vivam ao ar livre, sob o sol dos oásis, que habitariam em tendas?

A minha interrogação vem do pormenor interessante de que o nome de Labão, o sogro de Jacob, quereria dizer “branco”. Ora, sendo “branco” um adjectivo, referir-se-ia a um aspecto particular que só faria sentido pelo contraste com o dos seus semelhantes… “Labão” = “branco” seria provavelmente uma alcunha. Teria ele alguma doença de pele, seria albino…? Fosse como fosse, o seu aspecto sobressairia do contexto geral do dos seus contemporâneos, senão, qual a razão que nos explique esse nome-alcunha?

No filme, só as concubinas mostram alguma leve mestiçagem, tendo aliás participações pouco relevantes.

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Tudo isto nos leva a pensar, mais uma vez, em como se forma a opinião pública. São-nos fornecidas imagens muito belas, muito bem escolhidas, e por isso com força bastante para coincidirem com os preconceitos existentes em relação a questões pendentes sobre identidade e racismo.

As personagens boas são “brancas”; os malvados irmãos de José, são muito morenos, atarracados, deselegantes e grosseiros.

Claro que o príncipe que casa com Dinah é um belo e esbelto moreno… de pele clara… E já agora, de corte de cabelo um pouco à maneira dos anos 50…

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Gostei do filme. Gostei da história bem urdida dando vida a personagens lendárias, tentando reconstituir o quotidiano de tempos tão remotos.

Mas recordando outros filmes sobre a Antiguidade, como por exemplo – “Cleópatra”, de Mankiewicz (1963), ou “Alexander the Great”, de Oliver Stone (2004), em que a norte-africana Cleópatra é a bela Elizabeth Taylor, ou o grande guerreiro Alexandre Magno é Colin Farrell e sua mãe é Angelina Jolie, fico a perguntar-me se não haveria actores cuja aparência não pudesse ser mais autêntica…

A minha ideia é que é preciso familiarizar o grande público com o conceito de que a Humanidade é esse arco-íris de fenótipos variados, uma imensa tenda onde todos podemos – e devemos – celebrar uma existência de fraternidade. E mais – que a “inteligência” não é dom exclusivo dos europeus e seus descendentes espalhados pelo mundo… Pense-se por exemplo nos grandes diques construídos no Reino de Sabá, pense-se nas grandes construções dos Egípcios, dos Persas… Pensemos em regiões para nós muito mais remotas, como por exemplo a China Antiga. Em épocas mais recentes, lembremos as grandes construções do Zimbabwe… Os construtores dessas civilizações não estiveram à espera que os Europeus lá chegassem. Aliás, a cultura europeia tem sido altamente destruidora doutras vidas… A dita “expansão” do Cristianismo levou às Cruzadas. Foi mais um entre outros factores, que levou à globalização a partir do século XVI, com a deslocação forçada de imensas populações pela prática da Escravatura. Claro, houve Escravatura desde sempre… E a captura de escravos não incidia apenas sobre as populações africanas, mas também sobre as populações da Escandinávia, nomeadamente da Finlândia – facto menos conhecido. Mas este conhecimento não pode ofuscar a tremenda realidade do número astronómico traduzido em cerca de uns 12 a 13 milhões de deslocados da África para as Américas e Europa. Um tremendo trauma colectivo que travou o normal desenvolvimento das regiões afectadas.

Ainda recentemente, os interesses da Europa e seus continuadores, os EE UU, levaram à destruição do equilíbrio do Médio Oriente (agora diz-se “Próximo Oriente”) e do Norte de África, com as consequências desumanas que conhecemos e a deslocação de refugiados em massa.

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A Arte não é inócua! Cabe-nos a todos os criadores uma tremenda responsabilidade. Cada criador tem que dar o seu contributo à mudança de mentalidades, tendendo a um mundo melhor!

Claro que a Arte tem que ser livre. Mas essa liberdade não é incompatível com o rigor da investigação histórica, nem com os dados sociológicos. Claro que eu não ignoro que em todas as actividades se juntam os interesses económicos e comerciais… Mas tem que haver rigor nas nossas escolhas.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 17 de Maio de 2017, pelas 14h 20m

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25 de Abril

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 10:11 am

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25 de Abril sempre

Ai, se a Vida se confinasse nos bons discursos

viveríamos no Paraíso

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Hoje acordei, recordando esta canção que se ouvia obsessivamente na Rádio portuguesa nesses tempos quentes da Revolução dos Cravos

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 25 de Abril de 2017, pelas 11h 15m

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O “Velho Chico” e as novelas da TV Globo

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 12:14 pm

“Velho Chico”


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Mais uma novela brasileira, da TV Globo, eminentemente pedagógica. Os brasileiros juntam, como ninguém, Pedagogia e Arte. Concretamente, em “Velho Chico”, vê-se a Técnica ao serviço da ‘defesa do meio ambiente’ e da denúncia da prepotência do poder conservador. Particularmente importante em “Velho Chico”, é a presença assumida da mestiçagem e da descendência dos Índios. Os filhos do Coronel são mestiços, e ninguém lhes cobra por isso. A vidente índia é respeitada pelo padre em pé de igualdade. A política paternalista dos poderosos é desmascarada, e o apelo à acção popular dá a entender que a Democracia é da responsabilidade de todos os cidadãos, entendida como direitos e deveres. E é um dever zelar pela sua preservação esclarecida.

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Evidentemente, não posso ter uma visão total das novelas produzidas pela TV Globo ou outra. Limito-me a ver uma aqui, outra ali.
Mas ultimamente, são de salientar “Lado a Lado”, “Liberdade, Liberdade”, “Rebu”, “Império”, “A Regra do Rogo”. E por fim esta, “Velho Chico”.

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Tratando-se das séries de entretenimento, são igualmente notáveis as séries de Humor. Um Humor – umas vezes deliciosamente anárquico, como é o caso das séries de Miguel Falabella, outras vezes elaborado em alto grau, como a série “A Mulher Invisível”. Entre um extremo e outro – “Os Normais”.
Outras vezes, um Humor melancólico, sentimental, de grande penetração psicológica, como “A Grande Família”.

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É também de referir o aproveitamento e adaptação das lendas e histórias da Idade Média, com as suas figuras populares como a ‘alcoviteira’ ou os filhos enjeitados ou roubados ou desaparecidos. Em “Rebu”, por exemplo, foi notável a adaptação do conto “Os Três Ladrões”.

“Rebu” foi ainda o que poderemos considerar uma “novela experimental”, pela técnica narrativa utilizada, condensada e com frequente recurso ao ‘flash back’, pelos planos arrojados, e pela qualidade da fotografia que teve a particularidade de ser a ‘preto e branco’.

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Quando, nos anos 80, as novelas brasileiras chegaram a Portugal, surgiram estudos sociológicos defendendo que as novelas assumiam a função de uma “universidade popular”.
Essa vertente continua a verificar-se, umas vezes com maior evidência, outras vezes de forma mais diluída.

As novelas desempenham muito bem a função clássica da “literatura moralista” no sentido etimológico que vem do termo “mos, moris = costumes”. Ou seja, são uma versão actualizada do que, em linguagem mais moderna, chamamos “romance de costumes”: tal como no romance clássico, fazem uma análise profunda dos comportamentos humanos, no amplo leque que vai dos bons e generosos aos mais perversos. Por outras palavras, podemos considerar a novela televisiva como “novela de costumes”, baseada no princípio latino “ridendo castigat mores = corrige os costumes sorrindo“. E é de facto isso que a novela televisiva, muito especialmente a novela brasileira, no seu melhor, vai fazendo, quando aponta claramente caminhos de respeito pela dignidade humana e pelo meio ambiente. Do mais escolarizado ao menos escolarizado, do mais abastado ao mais desprotegido, todos somos membros de uma mesma comunidade, e todos temos que zelar por ela, na base do respeito. Mais uma vez, recordo “La Peste”, de Albert Camus – só se consegue ultrapassar a praga que invadiu a cidade, quando todos unirmos esforços nesse sentido – a cidade, símbolo do país, ou mesmo da sociedade ampla que é o planeta…

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A par de ser uma grande máquina comercial, a TV Globo assume com brilho e rigor, a função pedagógica de contribuir para a elevação do nível de cultura social que o Sistema Educativo não fornece. A partir de Paulo Freire, o grande pedagogo brasileiro (1927-1997), reconhecemos a diferença entre “educação formal”, dada no sistema de ensino oficial, e a “educação não-formal”, conjunto de técnicas educativas para reconduzir as populações desfavorecidas a uma auto-estima que a sociedade instituída lhes roubou. Com esta novela, “Velho Chico”, mais do que com qualquer outra, a TV Globo aposta abertamente numa via de educação “não formal”, fornecendo aos seus tele-espectadores a consciência do seu valor e do seu poder. Na linha de Paulo Freire.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Igualmente publicado no FB

Dia 22 de Abril de 2017, pelas 13h 15m

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