ORQUESTRA NEOJIBA

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 6:26 pm

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ORQUESTRA NEOJIBA
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Chamou-me a atenção esta orquestra, que acabo de ver no Mezzo, pela sua composição – jovens músicos mestiços de todas as proveniências. Não é comum ver-se grupos artísticos de proveniências tão diversificadas.
Então, vim pesquisar, aqui na Net.
E obtive a resposta:
A orquestra é fruto de um projecto social de recuperação e apoio a crianças e jovens:
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Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia
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” Acreditamos que a prática artística é um meio de desenvolvimento humano que deve estar ao alcance de todos. Esta convicção é o que nos move desde 2007, quando fundamos os Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (NEOJIBA), com o objetivo de promover o desenvolvimento e a integração social prioritariamente de crianças, adolescentes e jovens em situações de vulnerabilidade por meio do ensino e da prática musical “
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Sempre acreditei no papel da ARTE na educação. E cada vez as diferentes vertentes da Arte estão mais afastadas da nossa Educação oficial…
É altamente condenável que tal continue a acontecer. A Arte, sob todas as suas formas e manifestações – as artes – educa a sensibilidade, as qualidades que fazem de nós seres humanos, e não autómatos para trabalhar em cadeias de montagem escutando a voz dos donos.
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Quem quiser, pode consultar o site deste projecto:
coletivos.https://www.neojiba.org/
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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 8 de Janeiro de 2019, pelas 13h

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“Gaspar, Belchior & Baltasar”

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 10:48 am

Um belo conto de natal
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de Michel Tournier:
“Gaspar, Belchior & Baltasar”
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A edição portuguesa manteve o título original (em francês):
“Gaspar, Belchior & Baltasar”
Esta obra teve a sua primeira edição na Gallimard, em 1980:
A publicação portuguesa data de 1984, tendo sido feita pela Dom Quichote.
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Quem eram os reis magos?
Michel Tournier recria as suas histórias. Após as suas viagens, Gaspar de Meroe, Baltasar de Nippur, Belchior de Palmira, encontram o Menino.
Mas o Autor introduz um quarto rei, um rei de quem não reza a história, Taor de Mangalore.
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Michel Tournier (1924-2016) dá vida ao mito, e fala-nos de Herodes, o Grande, a par do burro e do boi.
As histórias dos três reis são muito interessantes, mas a história do quarto rei é deveras surpreendente.
Vale a pena ler!

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 23 de Dezembro de 2018, pelas 10h 47m

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Poesia Tradicional . 2

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:06 pm

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Arte Tradicional e Arte dita erudita

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É salutar divulgarmos o que vamos encontrando sobre a Poesia Tradicional, que, pelo seu valor intrínseco, sempre tem sido grande fonte de inspiração para os poetas ditos “cultos”. Numa “acção de formação” onde participei, nos já distantes anos ’70, um poeta chileno afirmava que “quando a Arte se encontra em ponto de ruptura, os artistas voltam-se para a tradição popular e aí encontram novos motivos de inspiração”.

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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 28 de Novembro de 2018

Pelas 14h 05m

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A Igreja e a pena de morte 

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:40 pm

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A Igreja e a pena de morte 

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Felizmente, chegámos à Actualidade! No entanto, o combóio da Santa Madre Igreja chega atrasado.
Teve aqui na Península uma boa estação, nos séculos XV a XVIII… – e não parou…
…Aliás, teve muitas outras estações do mesmo tipo, em épocas mais recuadas, mas ia em alta velocidade, não entendeu a paisagem. Nem mesmo em Montagu, quando foi lançado fogo à igreja com as pessoas lá dentro…
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Muito pelo contrário, descarrilou pelos Orientes, pelas Américas, e por lá deixou marcas da sua ígnea passagem…
Embora tenha tido filhos de muito boa vontade! Houve quem protegesse os Índios – claro, desde que se despersonalizassem e se convertessem aos mistérios da Cruz. Mas enfim, protegeram-nos…
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Pelas Áfricas, fez-se mais pacata. Mandou os seus emissários a amansarem as criaturas que encontrassem, e lhes pregassem a boa nova da instalação dos iluminados. Depois, os governos seus aliados enviaram os exploradores.
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Mas os tempos foram mudando… Surgiram os “traidores”, os filhos das “seitas”! Esses alfabetizavam, curavam, eram eficazes, e quando a ocasião surgiu, solidarizaram-se com quem lutou pela Santa Liberdade. Na América Latina, excomungou a Filosofia da Libertação.
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Enfim, é difícil traçar uma ideia da linha férrea que a Santa Madre Igreja tem percorrido… Por vezes surgiram excepções, e até conheceu bons condutores… Este último até é simpático. Talvez por ser menos ortodoxo.
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Só mais uma ínfima gota de água neste oceano turbulento: nunca entendi, embora num plano mais laico, por que razão a nossa Liberdade foi Santa – e a dos outros… foi crime…

© Myriam Jubilot de Carvalho

5 de Agosto de 2018

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 19 de Agosto de 2018, pelas 14h 45m

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O Papa Francisco e a Pena de Morte

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 8:49 am

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O Papa Francisco e a Pena de Morte

ÚLTIMA NOTÍCIA, dia 2 de Agosto de 2018

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Papa Francisco declara pena de morte ‘inadmissível’ em todos os casos

Antes, igreja não excluía a pena se fosse o “único caminho possível” para defender vidas “de agressor injusto”. Agora, texto diz que execução “atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa” (Rede BRASIL Atual)

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Papa declara pena de morte inadmissível em todos os casos

Francisco aprova nova versão do Catecismo, que afirma que pena capital “atenta contra a inviolabilidade e a dignidade” humana. Texto indica que Igreja está comprometida a impulsionar abolição da prática mundo afora. (Deutsche Welle)

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Papa modifica catecismo e declara pena de morte inadmissível

02/08/2018

O papa Francisco decretou nesta quinta-feira, 2, que a pena de morte é inadmissível em todas as circunstâncias e que a Igreja Católica deve trabalhar para seu fim. Francisco aprovou uma mudança no Catecismo da Igreja Católica – a compilação do ensino católico oficial – para dizer que a pena capital constitui um “ataque” à dignidade dos seres humanos e e não há justificativa para execuções patrocinadas pelo Estado.

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Anteriormente, o catecismo dizia que a igreja não excluía o recurso à pena capital “se esta fosse a única forma possível de defender efetivamente vidas humanas contra o agressor injusto”. O novo ensinamento, contido no Catecismo Nº 2.267, diz que texto anterior está desatualizada, que existem outras maneiras de proteger o bem comum e que a Igreja deve se comprometer a trabalhar para acabar com a pena de morte.

Há muito que Francisco se queixa contra a pena de morte, insistindo que nunca poderá ser justificado, por mais hediondo que seja o crime. A defesa dos encarcerados é um dos pilares da vocação do papa e ele também se opõe a sentenças de prisão perpétua, as quais chamou de penas “ocultas” de morte.

Em quase todas as viagens ao exterior, Francisco visitou os presos para oferecer palavras de solidariedade e esperança, e ele ainda mantém contato com um grupo de presos argentinos aos quais ele ministrou durante seus anos como arcebispo de Buenos Aires.

Ele disse nesta quinta-feira, 2, que “há uma crescente conscientização de que a dignidade da pessoa não está perdida mesmo após a prática de crimes muito graves”. Novos sistemas de detenção e sanções foram desenvolvidos para não privar os culpados da possibilidade de redenção, acrescentou.

“Consequentemente, a igreja ensina, à luz do Evangelho, que a pena de morte é inadmissível porque é um ataque à inviolabilidade e dignidade da pessoa e trabalha com determinação para a sua abolição em todo o mundo”, diz o novo texto, que foi aprovado em maio, mas publicado apenas na quinta-feira.

A pena de morte foi abolida na maior parte da Europa e da América do Sul, mas ainda é praticada nos Estados Unidos e em vários países da Ásia, África e Oriente Médio.

Alguns na mídia social questionaram o momento do anúncio, uma vez que o Vaticano e a Igreja Católica estão novamente sob o fogo das acusações de abuso sexual clerical e como bispos em todo o mundo o encobriram por décadas. A Igreja dos EUA, em particular, está sofrendo com as acusações de que um dos mais proeminentes cardeais dos EUA, Theodore McCarrick, supostamente abusou de menores e de seminaristas adultos.

( O POVO online)

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FOTO retirada da Net.

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 8 de Agosto de 2018, pelas 9h 55m

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O 10 de Junho e a consciência nacional

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 7:41 am

Catarina Martins

Foto: Nuno André Ferreira/ Lusa

“Virá o dia em que os discursos oficiais serão capazes de reconhecer a enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos. Até podia ser num 10 de Junho. Mas ainda não foi hoje.

Dia de Portugal. 10/07/2018, 20:48”

Tweet de Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, recolhido no FB.

@ catarina_mart

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O 10 de Junho e a consciência nacional oficial

 

Finalmente.
Alguém no mundo da Política ergue a voz sobre este tema.
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Na verdade, ninguém é responsável pelo Passado.
Mas mais três coisas são igualmente verdade:
Uma –
Obliterar esse Passado não esclarece as suas reminiscências no Presente, tais como comportamentos de supremacia – racismo e discriminação – que perduram.
Outra –
Permanecermos no mito da nossa imaculidade, do nosso bondoso coração, dos nossos brandos costumes, é um fechar de olhos que só tem como corolário um mar de conformismo e hipocrisia no “pensamento oficial”.
Finalmente –
A História é para ser encarada de frente. É um frente-a-frente que só pode fortalecer-nos enquanto colectivo. A Inglaterra tem feito isso, e de que maneira. Veja-se apenas como exemplo o Museu de Liverpool. Ou o Museu de Nantes, em França.

Por outro lado, há ainda que desmitificar a comparticipação da Igreja católica na expansão europeia da chamada fé cristã. Tantos séculos de Cristianismo, tanto empenho na expansão da única fé! E tanto negócio e tanto orgulho imperial, com todo o corolário de comportamentos supremacistas à sombra disso…

A transformação da má consciência em mitos, leva-nos à conservação de comportamentos opostos àquilo que temos apregoado ao longo dos séculos.

Na verdade, não passamos de um país de mitos – vivemos deleitosamente encerrados na sua redoma e, enquanto Povo, não fazemos um esforço por sair deles.
Por isso temos andado à mercê da Europa, com a cabeça debaixo da areia.

© Myriam Jubilot de Carvalho

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 14 de Jungo de 2018, pelas 8h 40m

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Tolerância ou Igualdade

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:41 pm

TOLERÂNCIA ou IGUALDADE

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Ontem, a propósito do casamento principesco, falou-se de TOLERÂNCIA. Pessoalmente, não uso nunca esta palavra. A meu ver, exprime um conceito de superioridade, da parte de quem a utiliza.

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Tenho-me questionado se a utilização da palavra não resultará de alguma má tradução do Inglês. Mas não estou enganada. O Cambridge Dictionary dá-nos esta definição:

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The quality of allowing people to do or believe what they want even though you do not agree with it

https://dictionary.cambridge.org/dictionary/english-portuguese/tolerance

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Assim, confirmo que TOLERÂNCIA é uma permissão: Alguém PERMITE que outrem tenha opiniões e práticas sociais, religiosas ou políticas, diferentes.

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O termo-conceito de ‘tolerância’ tem-se vulgarizado para referir as relações ‘inter-raciais’ e inter-religiosas. E reparo que muitas vezes, até os Budistas o utilizam.

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Este termo exprime um preconceito, e incomoda-me sobremaneira.

O direito de PERMITIR – seja o que for – pressupõe que há alguém que, por qualquer razão, se sente em posição de superioridade. E então, deixa que o Outro se comporte diferentemente.

Sociologicamente, será o grupo dominante – o grupo mais forte – quem detém esse direito.

Dominante, por razões históricas. Na cultura Europeia, a História demonstra-nos que o Europeu desbravou o Mundo à procura de riquezas e de mão-de-obra – não propriamente barata, mas gratuita.

Para o efeito, criou um conceito perverso – a pele branca (que por acaso até não é branca, mas mais ou menos rosada, mais ou menos morena, conforme as hereditariedades e as latitudes) – seria sinónimo de inteligência, saberes, religião, força, e poder, superiores.

…E viu-se a multidão de desgraças que daí decorreram durante séculos – e continuam a decorrer.

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Quanto mais me documento sobre a História da Humanidade, mais me congratulo por constatar que a Humanidade é Mestiça desde os seus primórdios. E dessa miscigenação todos guardamos um pouco no nosso ADN. Quanto mais recentes os exames genéticos aos achados arqueológicos, mais provas existem dessa fusão. E ela continuou a acontecer, ao longo dos tempos.

Logo, pretender que uns são superiores a outros, denota ou desconhecimento, ou sentimentos que me escuso de classificar.

Pessoalmente, no meu uso quotidiano, nunca uso a palavra em questão. Prefiro o conceito de IGUALDADE, que por definição implica o seu correlativo – o RESPEITO mútuo (entendido como Lealdade, Honestidade) – pois esses é que podem operar os milagres da convivência e da harmonia entre povos e países, abolindo a opressão, a exploração, e as guerras.

Ou então, andaremos todos a ‘tolerar-nos’ uns aos outros, considerando intimamente que o ‘lado bom’, o lado da única verdade, é apenas o nosso…

© Myriam Jubilot de Carvalho

20 de Maio de 2018

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 20 de Maio de 2018, pelas 15h 40m

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“A verdade tem duas caras”

* Antologia,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 10:55 am

 

Ontem, de um lado, celebraram 70 anos da fundação do estado de Israel…
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Do outro lado, lamentaram 70 anos de ocupação da Palestina…
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O colonialismo é sempre igual, procede sempre com a mesma crueldade, seja onde for…
…E condena sempre aqueles que com razão se revoltam

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A verdade tem duas caras

e a neve é negra 
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A verdade tem duas caras e a neve é negra na nossa cidade.

Já não somos capazes de desespero como antes, e o fim caminha para

a muralha, com passos firmes,

sobre este azulejo molhado de lágrimas, com passos firmes.

Quem baixará as nossas bandeiras: nós, ou eles? E quem

nos lerá “o acordo de paz”, ó rei da agonia?

Tudo está preparado, quem arrancará os nossos nomes

da nossa identidade: você ou eles? E quem semeará em nós

o discurso da arrogância: “Não conseguimos romper o cerco,

entreguemos as chaves do paraíso para o ministro da paz, e salvemo-nos…”

A verdade tem duas caras, o lema santo era uma espada para nós e

sobre nós, e então o que você fez do nosso forte antes desse dia?

Você não lutou porque temia a morte, mas o seu trono é um caixão,

carregue então o seu caixão para salvar o trono, ó rei da espera.

Esta paz fará de nós um punhado de pó….

Quem vai nos enterrar os dias depois que tivermos ido: você ou eles? Quem

levantará as bandeiras deles sobre as nossas muralhas: você ou

um cavalheiro sem esperanças? Quem pendurará os sinos em cima da nossa partida:

você ou um guarda miserável? Tudo está preparado para nós,

então por que delonga a negociação, ó rei do agonia?
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Mahmud Darwish ou Mahmoud Darwich
(Al-Birweh, 1942 – Houston, 2008),
Poeta e escritor palestino. A vila em que nasceu foi inteiramente arrasada pelas forças de ocupação israelenses, em 1948, durante a Nakba, e a família do poeta refugiou-se no Líbano, onde permaneceu por um ano. Voltou clandestinamente ao seu país e descobriu que o vilarejo onde nasceu fora substituído pela colônia agrícola israelense de Ahihud. Mahmoud Darwish foi preso diversas vezes entre 1961 e 1967, e a partir da década seguinte passou a viver como refugiado até ser autorizado a retornar à Palestina, para comparecer a um funeral, em maio de 1996. Darwish é o autor da Declaração de Independência Palestina, escrita em 1988 e lida pelo líder palestino Iasser Arafat, quando declarou unilateralmente a criação do Estado Palestino. Membro da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), afastou-se do grupo em 1993, por discordar dos Acordos de Oslo. Darwish é considerado o poeta nacional da Palestina. Seu trabalho foi traduzido em mais de 20 línguas.
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Poema e biografia retirados de:
ZUNÁI – Revista de poesia & debates

http://www.revistazunai.com/editorial/23ed_mahmouddarwish.htm

A foto do Poeta é retirada de:

 

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Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 15 de Maio de 2018, pelas 11h 40m

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Quinta-Feira da Espiga

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 9:19 pm

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Quinta-Feira da Espiga e o folclore cristão

“Se chover na Quinta-feira da Ascensão, as pedrinhas darão pão.”

Da Páscoa à Ascensão,40 dias vão.”

Quem tem trigo da Ascensão, todo o ano terá pão.”

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Será que hoje foi Quinta-feira da Espiga?
Como a vida urbana nos afasta de todas estas tradições… Era bonito, pela ingenuidade – o ramo de flores campestres devia incluir as espigas, e devia ser guardado de um ano para o outro, para garantir o pão nosso de todos os dias, durante todo o ano.
Mesmo em Faro, uma cidade, nos idos anos 60, quando a cidade ainda não se tinha expandido demasiado, muita gente ia para os lados do Rio Seco, apanhar o raminho de espigas e papoilas.
Algumas vezes fui, com a minha Tia Lucinda.
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Lembro-me de uma vez, em Alte, algures nos anos 50, o Sr. Prior, todo paramentado como era próprio do seu brio, todo solene, no fim da missa, ter ido ao adro abençoar meia-dúzia de camponeses e pequenos lavradores, envergonhados e tímidos no seu jeito muito humilde, porventura sinal de que estariam meio contrariados, que foram ao adro com ovelhas e alcofas de frutas, espigas e alecrim…
Claro que não era a fé espontânea das pessoas. Era tudo organizado. Quem organizava é que já não sei…
Alte maravilhosa, cheia de tradições pura, genuína e ingenuamente pagãs, mergulhava na noite dos tempos das grandes celebrações da Natureza. O resto, as missas e as bênçãos, sei-o hoje, isso é que era o folclore.
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Aqui guardo o meu raminho… que não colhi no campo, mas na Net…
O raminho devia ficar pendurado à cabeceira da cama, de um ano para o outro! Quem fazia isso, era a Prima Madureira, a Velha Prima, como eu cruelmente a referia… Até ficava lá muito bem, embora eu o olhasse com a minha superioridade de intelectual… Uma intelectual, sei-o hoje, bastante ignorante…

Os componentes do raminho continham o seu simbolismo

Retiro estes significados, bem como o raminho acima, da página 

= 5 espigas » garantia que não faltasse o pão

= 5 malmequeres amarelos » ouro e prata (garantia de que não faltasse o dinheiro)

= 5 malmequeres brancos » significavam a paz

= 5 papoilas » amor, e vida

= um pezinho de oliveira » azeite e luz (antigamente, o azeite era usado nas candeias, era a iluminação doméstica nocturna nas habitações modestas)

= um pezinho de videira » vinho e alegria 

= um raminho de alecrim » significava saúde e força

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Quinta-Feira, 19 de Maio de 2018, pelas 21h 58m

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Dossiê sobre Racismo, na National Geographic de Abril

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:29 pm

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Dossiê sobre Racismo

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Hoje, dia 4 de Abril, faz 50 anos que foi assassinado Martin Luther King.
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É neste contexto que a National Geographic deste mês dedica o seu dossier principal ao tema do Racismo.
Escalpelizar este tema é a melhor homenagem que se pode fazer a este mártir da Igualdade e Justiça.
Um número a não perder.
Com a referência de capa:
“A Genética desmonta os velhos preconceitos sobre o conceito de raça”.
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Muito interessante, também, o Editorial:
“Para ultrapassar o Racismo temos de reconhecer a sua existência”
Neste texto, Susan Goldberg, actual directora da revista, reconhece que, no passado, a National Geographic fez parte da voz comum da supremacia branca.
A posição actual de defesa dos Direitos Humanos em pé de igualdade universal é fruto da evolução das mentalidades.
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A foto apresenta a capa da edição inglesa. A edição em Português apresenta a mesma foto.

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Os Africanos foram agredidos e espoliados e deslocados, como sabemos, ao longo de séculos – tentaram sugar-lhes as forças do corpo e as energias da alma até ao tutano… O que foi feito com eles não é passível de adjectivos, pois dizermos que foi ‘cruel’, ou ‘desumano’, ou seja o que for que digamos, será sempre pouco, ínfimo, em comparação à dimensão da monstruosidade que secular e metodicamente foi praticada.

Não contentes em sugar-lhes a força do corpo, tentaram sugar-lhes o tutano da alma ao aniquilar-lhes religiões, tradições, Línguas, e ao desmembrarem-lhes famílias e laços sociais.

E eis a desforra da Vida, operada através do devir e evolução no Tempo. De repente, o mundo dá-se conta, sem dar por isso, que a cultura das pessoas deslocadas e desenraízadas não morreu! A cultura dessas pessoas – não podemos dizer ‘povos’, pois os ‘povos’ foram dispersados – a cultura dessas pessoas reagrupou-se, refez-se tomando formas distintas, e deu lugar a constelações novas! Que sobreviveram através da Música, das Danças, do vocabulário, de maneiras de cozinhar e de comer!

E tudo se reduz a esta simples fórmula:

Tal como os escravos tinham a marca do dono no corpo, a cultura dita ocidental traz a marca africana no corpo e na alma, quer pelas mestiçagens genéticas quer pelas mestiçagens culturais, quer disso se tenha consciência, quer não.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 4 de Abril de 2018, pelas 14h 30m

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