Como começa a Violência Doméstica?

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 4:29 pm
.
O país dos brandos costumes
.
Como começa a Violência Doméstica?
.
O país à beira-mar plantado, pacífico, feliz e despreocupado, não passa de uma poética ficção. Precisa de se ver ao espelho, precisa de enfrentar a realidade.
Há poucos dias, um Amigo do FB recordava MIGUEL DE UNAMUNO, com esta citação:
“A brandura, a meiguice portuguesa, não está senão à superfície; raspai-a e encontrareis uma violência plebeia que chegará a assustar-vos. Oliveira Martins conhecia bem os seus compatriotas. A brandura é uma máscara.” (1)
.

Na verdade, a violência doméstica em Portugal é um cancro que começa a ser encarado com a devida frontalidade. É alarmante este aspecto da nossa vida social, conforme se poderá comprovar com uma breve visita ao espelho das estatísticas da APAV. Segundo se tem noticiado, só no mês de Janeiro deste ano que acaba de começar, já foram assassinadas 9 (nove) mulheres.

.

Quais são então os sinais de alarme de que um relacionamento poderá tornar-se violento?

Oprah Winfrey, nos seus programas, insistia em cinco indícios:
.
1- Sinais muito precoces de compromisso ou co-dependência. O futuro agressor enreda precocemente a outra pessoa em laços que não são propriamente afectivos, mas emocionais;
2- Ciúme exacerbado, fruto de um exageradíssimo sentimento de posse;
3- O futuro agressor está acima do bem e do mal, faz tudo “por bem” e “por amor” argumentando com chantagens emocionais; não admite observações nem críticas, e reverte todo o mal-estar culpabilizando o ou a companheiro/a.
4-A futura vítima deixa-se tomar pelo medo. Aos poucos deixa de reagir.
5- O futuro agressor isola a pessoa com quem vive: evita e com o tempo consegue impedir que a (futura) vítima mantenha ligações com a família, e com as amizades anteriores ao relacionamento.
.
Quanto a mim, os piores sintomas são o ciúme delirante, a culpabilização do outro, e o isolamento a que a futura vítima se vê confinada. Fica completamente à mercê de um acto tresloucado.
.
E há um outro pormenor que eu acrescento:
A presença de armas em casa. Mesmo que o futuro agressor pareça que não virá a ser capaz de as usar… Nunca se sabe.
.
A violência física é um estádio avançado da violência psicológica.
Nos casos em que a violência fica “apenas” pela violência psicológica, a ordem dos indícios atrás apontados será diferente. Pode até nem se passar à violência física. 
Quando se trata “apenas” de violência psicológica, a chantagem emocional e consequente culpabilização do lado mais fraco definem o comportamento do agressor. E estas, exercidas sistematicamente, frequentemente acompanhadas de troça e escárnio, retiram à vítima a possibilidade de formar uma auto-imagem positiva.
E assim:
Crianças que sejam educadas neste clima, estarão condenadas, na grande maioria dos casos, a ficarem sempre dependentes de futuros predadores e agressores.
.
___________________________________
(1) –
Excerto de ‘Por terras de Portugal e da Espanha’, tradução de José Bento, Assírio & Alvim, 1989 / original de 1911.
.
.
.
Publicado por:

© Myriam Jubilot de Carvalho

Em 7 de Fevereiro de 2019, pelas 16h 29m

.

.

A Poesia tem género?

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:02 pm

.

A Poesia tem género?

.

À minha Amiga Marina Tadeu

.

Surgiu no FB alguém que defendeu o uso da expressão Mulher-Poeta.

Marina Tadeu, concordo consigo – é uma falsa questão.

A Língua Portuguesa compreende o uso de um mesmo substantivo (ou “nome”) nas duas formas, o Masculino e o Feminino. Daí, sempre tenho achado que esta é uma falsa questão. Um exemplo: Eu vou à “médica”, vou à “advogada”, falo de uma dada “escritora”, “ou escultora”, ou “actriz”; eu fui “professora” (não fui “professor”).
Então qual o problema de ser “Poetisa”?

Diz-se que as “poetisas” não fazem “grande poesia”. Mas isso é puro Machismo. Porque a cada passo vemos “poetisos” que não escrevem “grande poesia”.

.
A Poesia, como qualquer outra Arte, é a “grande”. E a Arte, em si, não tem género, nem sexo.
Quem é representante do género, são as pessoas que a praticam. Se à noite, quando faço amor, sou Mulher, porque não o serei quando escrevo?

.
Não é por se dizer “Mulher-Poeta” que aquilo que dada mulher escreve será de melhor qualidade!
Há quem diga que há que evitar a confusão com as Poetisas do séc XIX. Mas isso é pura Ignorância. Cada um e cada uma de nós exprime-se de acordo com o seu tempo!

As excepções (os “grandes” e as “grandes”) são daqueles, e daquelas, que vão à frente do seu tempo.

.

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 5 de Fevereiro de 2019, pelas 14h.

.

.

Portugueses de primeira e portugueses de segunda?

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 12:58 pm

.

Uma questão de memória

.

Portugueses de primeira e portugueses de segunda?

.

Daqui desta esplanada, bem entranhada na Margem Sul, avista-se nitidamente a Serra de Sintra. Mas não hoje, que está encoberta pelas nuvens que sobraram das últimas chuvas. Meio-lilazes, mais cinzentas na base, brancas no topo a reflectirem o sol. Atrás delas, o céu iluminou-se de azul-bebé.

Aqui, à minha frente, ruidosa, atravancada de trânsito, estreita, a estrada velha que leva às praias. Um pouco mais longe, movimenta-se o colorido dos carros, na auto-estrada.

Por mais que me pergunte o que nos faz correr, só encontro a resposta que me dava o meu Amigo Orlando Neves (1) – “O medo da morte. Em última análise, é o medo do fim que nos faz correr tão sofregamente atrás do lucro, da fama, de posição. É essa sofreguidão de usufruir da vida tudo o que ela possa dar, que nos torna egoístas e agressivos. E cruéis.”

Lembrei-me destas conversas agora que os ânimos estão motivados devido aos acontecimentos no impropriamente chamado Bairro da Jamaica.

Não é só o medo da morte.

Quando a população de um país se encontra tão estratificada, consciente ou inconscientemente, a “maioria” não admite que venham “os de fora” ocupar-lhes espaços, por diminutos que sejam.

O que me espanta, é que este seja um sentimento tão generalizado, num país que desde os chamados Descobrimentos exporta os seus pobres, os seus analfabetos, os seus aventureiros, os seus ambiciosos e, porque não, os seus piratas, para todos os cantos do mundo. Mas não só. Ainda não há muitos anos – parece que já ninguém se lembra – um malfadado primeiro-ministro dizia, aos nossos jovens, com todas as letras, que se não estavam aqui bem, que emigrassem.

A população que há não sei quantas décadas se instalou nas zonas periféricas das grandes cidades do “continente” veio à procura de melhores oportunidades para si próprias e seus descendentes, devido ao clima de guerra e incerteza nos seus locais de origem. Tal como o fizeram os nossos jovens que rejeitavam participar na Guerra Colonial, que foram acolhidos um pouco por toda a parte, desde a Europa às Américas e às Áfricas! Nos países onde se refugiaram, eles eram “imigrantes”… Parece igualmente que já ninguém se lembra…

No entanto, actualmente, esta “maioria” esquece que estes “de fora” nasceram em territórios que, em tempos ainda próximos de nós, estavam sob administração portuguesa e que “os de cá” consideraram prolongamento do território nacional – e que por isso são portugueses.

Segundo a nossa Constituição, não há “portugueses de primeira” nem “portugueses de segunda”.

É mais do que tempo que as forças responsáveis deste país olhem para esta realidade com “olhos de ver” e reúnam todas as energias para pôr mãos à obra, discutir o problema até à exaustão e proporcionar a estas populações toda a atenção e oportunidades a que elas têm direito.

Como muito bem diz a vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, Marta Mucznik (2), o problema do racismo não pode restringir-se a uma bandeira das Esquerdas. Deve ser assumido como um problema nacional.

E já agora, não posso deixar de perguntar-me, como se sentiriam essas vozes da “maioria” se se vissem reduzidas a viver, eles, seus filhos, e seus netos, nas condições em que vivem os habitantes de tantos bairros periféricos.

Há um sentimento que se chama “revolta”. E só se sente “revoltado” quem se sabe objecto de injustiça.

___________

(1) Orlando Neves (1935-2005) – escritor, poeta, dramaturgo e encenador. Jornalista. Tradutor. Autor de literatura para crianças.

(2) Marta MucznikMentora para o Diálogo Intercultural, Reach Alliance Global Network; Assessora para a Inclusão, o Diálogo Intercultural e a Acção Social no Gabinete de Vereação do PSD na Câmara Municipal de Lisboa

No Observador, em 24/1/2019:

https://observador.pt/opiniao/o-que-a-polemica-do-bairro-da-jamaica-abafa/

.

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 27 de Janeiro de 2019, pelas 13h

.

.

 

Lazarim, 24 de Janeiro de 2019

Ser HUMANO não é rentável… Os acontecimentos no bairro da Jamaica

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:26 pm
 .
.
De facto, ser HUMANO não é rentável.
.
É esta a minha conclusão, após a leitura deste artigo que alguém partilhou no FB:

El ser humano frente al algoritmo: por qué el futuro necesita más Artes y Humanidades (1)

.
Tenho visto com a maior atenção os acontecimentos no bairro da Jamaica, tanto na TV como na Net.
E não chego a nenhuma conclusão neste particular:
– Alguém chamou a Polícia?
– E se chamou, quem foi que chamou?
Em primeiro lugar, o vídeo inicial, o que chamou a atenção, mostra uma realidade que a maioria de nós de facto ignora – mostra uma zona habitacional que não é um “bairro” – o que vemos é um “NÃO-BAIRRO” – será que há pessoas a viver naqueles prédios inacabados e arruinados?
.
Tenho tido sempre a maior admiração pela Câmara do Seixal. Mas será que ainda ninguém olhou, ou reparou, ou pensou que há pessoas ali a viverem em condições degradantes?
.
E como se pretende que essas pessoas actuem perante situações em que se agitam os ânimos?
.
Porque é que a Polícia é mal acolhida num bairro como o Bairro da Jamaica?
E o facto de alguém ter atirado uma pedra justifica a brutalidade que o vídeo testemunha?
.
Por maior que seja o meu respeito pelos agentes da Polícia, não posso considerar-me solidária com este tipo de actuações.
.
No meu entendimento, no subconsciente destes acontecimentos, está uma questão de território.
Para os habitantes daquela zona, aquele “território” é deles, ali, é o seu espaço. Logo, as desavenças terão que ser resolvidas entre “eles”.
Para a Polícia, representante da Ordem nacional, aquelas pessoas estão ali por alguma espécie de acidente, no fundo não pertencem ali, estão ali por uma benesse do destino , e têm que se “portar bem”. Quando a Polícia actua como vemos no vídeo, ela está a mostrar “quem manda”.
.
Num dos noticiários, mostrando a manifestação que decorreu e se juntou salvo erro no Marquês (em Lisboa), uma jovem denunciava “Chamam-nos macacos”.
.
E é isto que eu não compreendo:
No século XXI?!
Que é que tem sido feito pelas pessoas que vieram dos territórios de África, seja no tempo colonial, seja depois?
.
No tempo colonial, nas suas terras de origem, o Colono e as leis coloniais reduziram as populações africanas a condições de inferiorização. Dizer-se que éramos um país igualitário era pura fachada. Todos o sabemos. Não há como escamotear essa verdade.
.
E continua a vigorar essa mentalidade.
.
Que é que tem sido feito?
Que é que se faz a nível educativo?
.
Tudo isto tem que ser falado – falado até à exaustão – e para além dela!
Tem que haver um empenho nacional de re-educação geral.
E tem que se acabar com os guettos.
Tem que haver um esforço nacional de re-educação e de integração, com respeito total pelas diferenças culturais!
.
De facto, os estudos de Humanidades são essenciais.
Vislumbra-se bem qual a utilidade actual de apagar o conhecimento da História. A ignorância favorece a manutenção dos interesses instituídos, e o comodismo da manutenção dos preconceitos.
Com a manutenção dos preconceitos, quem se considera na “mó de cima” tem sempre razão; e não admite discussão.
.
E é tudo isto que temos que discutir.
.
=================
NOTA:
Esta noite, nas Notícias da SIC:
Uma breve reportagem sobre o Bairro da Jamaica.
E
Entrevista a um elemento da Câmara do Seixal, que disse que estão a fazer o realojamento das famílias daquele bairro.
_
 (1)
Link do artigo:
https://www.equaltimes.org/el-ser-humano-frente-al-algoritmo?lang=en&var_ajax_redir=1&fbclid=IwAR2_CnH1qEmLuUtkSiqon3BXn8KG8kd_I2dPkpbrahMcGTW-syJoo2vXV68#.XEcYzdPFJjT
.
.
Publicado por
© Myriam Jubilot de Carvalho
Dia 22 de Janeiro de 2019, pelas 13h 22m
.
.

ORQUESTRA NEOJIBA

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 6:26 pm

.

ORQUESTRA NEOJIBA
.
Chamou-me a atenção esta orquestra, que acabo de ver no Mezzo, pela sua composição – jovens músicos mestiços de todas as proveniências. Não é comum ver-se grupos artísticos de proveniências tão diversificadas.
Então, vim pesquisar, aqui na Net.
E obtive a resposta:
A orquestra é fruto de um projecto social de recuperação e apoio a crianças e jovens:
.
Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia
.
” Acreditamos que a prática artística é um meio de desenvolvimento humano que deve estar ao alcance de todos. Esta convicção é o que nos move desde 2007, quando fundamos os Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (NEOJIBA), com o objetivo de promover o desenvolvimento e a integração social prioritariamente de crianças, adolescentes e jovens em situações de vulnerabilidade por meio do ensino e da prática musical “
.
Sempre acreditei no papel da ARTE na educação. E cada vez as diferentes vertentes da Arte estão mais afastadas da nossa Educação oficial…
É altamente condenável que tal continue a acontecer. A Arte, sob todas as suas formas e manifestações – as artes – educa a sensibilidade, as qualidades que fazem de nós seres humanos, e não autómatos para trabalhar em cadeias de montagem escutando a voz dos donos.
.
Quem quiser, pode consultar o site deste projecto:
coletivos.https://www.neojiba.org/
.

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 8 de Janeiro de 2019, pelas 13h

.

.

 

“Gaspar, Belchior & Baltasar”

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 10:48 am

Um belo conto de natal
.
de Michel Tournier:
“Gaspar, Belchior & Baltasar”
.
A edição portuguesa manteve o título original (em francês):
“Gaspar, Belchior & Baltasar”
Esta obra teve a sua primeira edição na Gallimard, em 1980:
A publicação portuguesa data de 1984, tendo sido feita pela Dom Quichote.
.
Quem eram os reis magos?
Michel Tournier recria as suas histórias. Após as suas viagens, Gaspar de Meroe, Baltasar de Nippur, Belchior de Palmira, encontram o Menino.
Mas o Autor introduz um quarto rei, um rei de quem não reza a história, Taor de Mangalore.
.
Michel Tournier (1924-2016) dá vida ao mito, e fala-nos de Herodes, o Grande, a par do burro e do boi.
As histórias dos três reis são muito interessantes, mas a história do quarto rei é deveras surpreendente.
Vale a pena ler!

.

Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 23 de Dezembro de 2018, pelas 10h 47m

.

.

Poesia Tradicional . 2

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:06 pm

.

Arte Tradicional e Arte dita erudita

.

É salutar divulgarmos o que vamos encontrando sobre a Poesia Tradicional, que, pelo seu valor intrínseco, sempre tem sido grande fonte de inspiração para os poetas ditos “cultos”. Numa “acção de formação” onde participei, nos já distantes anos ’70, um poeta chileno afirmava que “quando a Arte se encontra em ponto de ruptura, os artistas voltam-se para a tradição popular e aí encontram novos motivos de inspiração”.

.

Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 28 de Novembro de 2018

Pelas 14h 05m

.

.

 

A Igreja e a pena de morte 

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:40 pm

.

.

A Igreja e a pena de morte 

.
Felizmente, chegámos à Actualidade! No entanto, o combóio da Santa Madre Igreja chega atrasado.
Teve aqui na Península uma boa estação, nos séculos XV a XVIII… – e não parou…
…Aliás, teve muitas outras estações do mesmo tipo, em épocas mais recuadas, mas ia em alta velocidade, não entendeu a paisagem. Nem mesmo em Montagu, quando foi lançado fogo à igreja com as pessoas lá dentro…
.
Muito pelo contrário, descarrilou pelos Orientes, pelas Américas, e por lá deixou marcas da sua ígnea passagem…
Embora tenha tido filhos de muito boa vontade! Houve quem protegesse os Índios – claro, desde que se despersonalizassem e se convertessem aos mistérios da Cruz. Mas enfim, protegeram-nos…
.
Pelas Áfricas, fez-se mais pacata. Mandou os seus emissários a amansarem as criaturas que encontrassem, e lhes pregassem a boa nova da instalação dos iluminados. Depois, os governos seus aliados enviaram os exploradores.
.
Mas os tempos foram mudando… Surgiram os “traidores”, os filhos das “seitas”! Esses alfabetizavam, curavam, eram eficazes, e quando a ocasião surgiu, solidarizaram-se com quem lutou pela Santa Liberdade. Na América Latina, excomungou a Filosofia da Libertação.
.
Enfim, é difícil traçar uma ideia da linha férrea que a Santa Madre Igreja tem percorrido… Por vezes surgiram excepções, e até conheceu bons condutores… Este último até é simpático. Talvez por ser menos ortodoxo.
.
Só mais uma ínfima gota de água neste oceano turbulento: nunca entendi, embora num plano mais laico, por que razão a nossa Liberdade foi Santa – e a dos outros… foi crime…

© Myriam Jubilot de Carvalho

5 de Agosto de 2018

.

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 19 de Agosto de 2018, pelas 14h 45m

.

.

 

 

O Papa Francisco e a Pena de Morte

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 8:49 am

.

O Papa Francisco e a Pena de Morte

ÚLTIMA NOTÍCIA, dia 2 de Agosto de 2018

.

Papa Francisco declara pena de morte ‘inadmissível’ em todos os casos

Antes, igreja não excluía a pena se fosse o “único caminho possível” para defender vidas “de agressor injusto”. Agora, texto diz que execução “atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa” (Rede BRASIL Atual)

*

Papa declara pena de morte inadmissível em todos os casos

Francisco aprova nova versão do Catecismo, que afirma que pena capital “atenta contra a inviolabilidade e a dignidade” humana. Texto indica que Igreja está comprometida a impulsionar abolição da prática mundo afora. (Deutsche Welle)

*

Papa modifica catecismo e declara pena de morte inadmissível

02/08/2018

O papa Francisco decretou nesta quinta-feira, 2, que a pena de morte é inadmissível em todas as circunstâncias e que a Igreja Católica deve trabalhar para seu fim. Francisco aprovou uma mudança no Catecismo da Igreja Católica – a compilação do ensino católico oficial – para dizer que a pena capital constitui um “ataque” à dignidade dos seres humanos e e não há justificativa para execuções patrocinadas pelo Estado.

*

Anteriormente, o catecismo dizia que a igreja não excluía o recurso à pena capital “se esta fosse a única forma possível de defender efetivamente vidas humanas contra o agressor injusto”. O novo ensinamento, contido no Catecismo Nº 2.267, diz que texto anterior está desatualizada, que existem outras maneiras de proteger o bem comum e que a Igreja deve se comprometer a trabalhar para acabar com a pena de morte.

Há muito que Francisco se queixa contra a pena de morte, insistindo que nunca poderá ser justificado, por mais hediondo que seja o crime. A defesa dos encarcerados é um dos pilares da vocação do papa e ele também se opõe a sentenças de prisão perpétua, as quais chamou de penas “ocultas” de morte.

Em quase todas as viagens ao exterior, Francisco visitou os presos para oferecer palavras de solidariedade e esperança, e ele ainda mantém contato com um grupo de presos argentinos aos quais ele ministrou durante seus anos como arcebispo de Buenos Aires.

Ele disse nesta quinta-feira, 2, que “há uma crescente conscientização de que a dignidade da pessoa não está perdida mesmo após a prática de crimes muito graves”. Novos sistemas de detenção e sanções foram desenvolvidos para não privar os culpados da possibilidade de redenção, acrescentou.

“Consequentemente, a igreja ensina, à luz do Evangelho, que a pena de morte é inadmissível porque é um ataque à inviolabilidade e dignidade da pessoa e trabalha com determinação para a sua abolição em todo o mundo”, diz o novo texto, que foi aprovado em maio, mas publicado apenas na quinta-feira.

A pena de morte foi abolida na maior parte da Europa e da América do Sul, mas ainda é praticada nos Estados Unidos e em vários países da Ásia, África e Oriente Médio.

Alguns na mídia social questionaram o momento do anúncio, uma vez que o Vaticano e a Igreja Católica estão novamente sob o fogo das acusações de abuso sexual clerical e como bispos em todo o mundo o encobriram por décadas. A Igreja dos EUA, em particular, está sofrendo com as acusações de que um dos mais proeminentes cardeais dos EUA, Theodore McCarrick, supostamente abusou de menores e de seminaristas adultos.

( O POVO online)

.

FOTO retirada da Net.

*

Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 8 de Agosto de 2018, pelas 9h 55m

.

.

 

O 10 de Junho e a consciência nacional

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 7:41 am

Catarina Martins

Foto: Nuno André Ferreira/ Lusa

“Virá o dia em que os discursos oficiais serão capazes de reconhecer a enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos. Até podia ser num 10 de Junho. Mas ainda não foi hoje.

Dia de Portugal. 10/07/2018, 20:48”

Tweet de Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, recolhido no FB.

@ catarina_mart

*

O 10 de Junho e a consciência nacional oficial

 

Finalmente.
Alguém no mundo da Política ergue a voz sobre este tema.
.
Na verdade, ninguém é responsável pelo Passado.
Mas mais três coisas são igualmente verdade:
Uma –
Obliterar esse Passado não esclarece as suas reminiscências no Presente, tais como comportamentos de supremacia – racismo e discriminação – que perduram.
Outra –
Permanecermos no mito da nossa imaculidade, do nosso bondoso coração, dos nossos brandos costumes, é um fechar de olhos que só tem como corolário um mar de conformismo e hipocrisia no “pensamento oficial”.
Finalmente –
A História é para ser encarada de frente. É um frente-a-frente que só pode fortalecer-nos enquanto colectivo. A Inglaterra tem feito isso, e de que maneira. Veja-se apenas como exemplo o Museu de Liverpool. Ou o Museu de Nantes, em França.

Por outro lado, há ainda que desmitificar a comparticipação da Igreja católica na expansão europeia da chamada fé cristã. Tantos séculos de Cristianismo, tanto empenho na expansão da única fé! E tanto negócio e tanto orgulho imperial, com todo o corolário de comportamentos supremacistas à sombra disso…

A transformação da má consciência em mitos, leva-nos à conservação de comportamentos opostos àquilo que temos apregoado ao longo dos séculos.

Na verdade, não passamos de um país de mitos – vivemos deleitosamente encerrados na sua redoma e, enquanto Povo, não fazemos um esforço por sair deles.
Por isso temos andado à mercê da Europa, com a cabeça debaixo da areia.

© Myriam Jubilot de Carvalho

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 14 de Jungo de 2018, pelas 8h 40m

.

.

 

« Previous PageNext Page »
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-Share Alike 3.0 Unported License.
(c) 2019 Por Ondas do Mar de Vigo | powered by WordPress with Barecity