PROFESSORES A MAIS?!

* Educação e Criatividade,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:13 pm

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PROFESSORES A MAIS?!
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ESTA GENTE DIZ CADA UMA!
Já algum deles deu aulas a 30 miúdos ou jovens, todos na mesma sala, cada turma com a sua percentagem de mal-educados e desinteressados?! Com programas e métodos por vezes, desajustados. Sem lugar para a criatividade quer na Escrita, quer  nas Artes visuais, na Música, na Expressão corporal…
SABEM do que FALAM?
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O ENSINO PÚBLICO é para ser ACARINHADO, É o FUTURO do País que é posto em causa! Não pode nem deve ser AMESQUINHADO!
O Ensino Público é um investimento inestimável cuja rentabilidade não é visível no imediato. Esta afirmação é tão notória e evidente que até poderíamos dizer que já o Senhor de La Palice diria o mesmo!
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Já diminuíram os programas de Humanidades! Como se fosse possível formar jovens sem lhes apresentar a marcha cultural da Humanidade…

No actual retrocesso a que o Ensino está a ser sujeito, só conta o Ensino técnico baseado no domínio da Informática?

HOJE, tal como ONTEM – De que valem a informática ou qualquer outra Técnica – se o seu utilizador não tiver a sua sensibilidade educada?!

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Por que não pensam os políticos em diminuir as suas rendas ou ordenados? Se há famílias inteiras a sobreviverem com os miseráveis 600€ por mês, porque não se pensa que certas carreiras auferem demasiado?
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Por que motivo não se oferecem os livros escolares, vendidos a preços exorbitantes, a todos os níveis de Ensino? Vi reportagens na TV em que vários casais afirmavam que poupavam durante todo o ano (!) para poderem adquirir os livros escolares dos filhos…
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Por que é que as Artes e os Artistas, a Investigação Científica e os Investigadores, não têm melhor protecção e incentivos?
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Há países em que os Professores e o Ensino são objecto de verdadeiro respeito!
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Sempre tive tanta consideração por Rui Rio, mas por vezes, desilude-me.

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VER:

Rui Rio. “Temos de emagrecer, se possível, a Administração Pública”

https://sol.sapo.pt/artigo/666118/rui-rio-temos-de-emagrecer-se-possivel-a-administracao-p-blica-

“Ou seja, é preciso avaliar a Administração Pública, perceber onde há carências ou não. E até deu exemplos: “Há professores a mais, infelizmente, o que significa que temos um problema de natalidade”.”

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Publicado aqui no Blogue e no FB, por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 25 de Julho de 2019, pelas 14h 12m

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Mais uma “reforma” no Ensino?

* Educação e Criatividade — Myriam de Carvalho @ 11:42 am

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Novas ameaças sobre o Sistema Educativo?

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A Comissão Nacional para a Educação chegou à conclusão de que os chumbos são injustos para os alunos mais desfavorecidos.
Primeira preocupação:
Quando os doutos analistas se debruçam sobre as realidades do Sistema Educativo, é razão para nos preocuparmos, porque de certeza vão pronunciar um veredicto que deixará tudo muito pior do que já está.
Primeira observação:
Verificaram que só em Portugal há o um 2º Ciclo.
Ora bem. Se ele funcionar bem, qual é o problema de só em Portugal haver um ciclo intermédio entre a Primária e o Secundário?
Segunda observação
Verificaram que os orçamentos para o Ensino têm minguado.
Não seria preciso os doutos analistas terem tido tanto trabalho. Esse facto é do conhecimentos geral.
Terceira observação:
Verificaram que o Corpo Docente vai ficando envelhecido.
Observações:
1- Toda a gente está farta de saber que o Corpo Docente está desfalcado de Professores, uma vez que a carga horária de certas disciplinas diminuiu – pois programas como por exemplo o de História, uma disciplina tão importante na formação dos jovens, foram simplificados;
2- Há muitos chumbos. Pergunte-se: onde? Em que anos?
É natural que haja chumbos, por várias razões:
2.1- Primeiro que tudo e antes de tudo o mais: é preciso analisar qual o grau de objectividade das avaliações. As avaliações são feitas para dourar as estatísticas, e não para analisar o autêntico grau de aproveitamento dos alunos. Alunos que passam sucessivamente com notas “votadas”, chegam a certa altura do percurso escolar, e já não conseguem bases para se entender com matérias mais adiantadas.
Além disso, a grande facilitação nas passagens de ano – tal como é feita – cria desresponsabilização na massa discente.
Aliás, este foi um óptimo e subversivo processo para evitar os numerus clausus no acesso às Universidades… Ficam pelo caminho…
2.2- Não há lugar, nem tempo, para um ensino tão personalizado quanto necessário; pois o número de alunos por turma é excessivo. Além disso, com a facilidade de acesso à Internet, e professores sem tempo disponível para prestarem a devida orientação aos alunos, mais se acentuam a desresponsabilização e o facilitismo.
2.3- Nem alunos nem professores têm tempo para respirar, com a organização de horários tal como está: reponham os intervalos, dêem tempo às crianças para correr e brincar, e aos Professores para respirarem fundo (ao menos, de vez em quando)….
2.4- As aulas de recuperação pouco recuperam. Não é por fazer marrar num mesmo assunto que o aluno aprende. Aliás, isso só acentua o sentimento de incapacidade da criança… Além disso, as aulas de recuperação costumavam começar apenas no 2º período. Uma hora (ou duas) por semana! Juntando um punhado de crianças de várias turmas! É preciso que alguém entenda que há elementos essenciais que faltam nas nossas escolas: criatividade, alegria e respeito. Criatividade – aprendizagem, e prática, das Artes – Música, Artes Plásticas, Escrita Criativa, Expressão Corporal / Dramatização / Teatro. Educação Física com seriedade e não aulas em pavilhões onde funcionam duas ou três turmas ao mesmo tempo. Contando-se com a realidade de que a maioria dos alunos depois frequentará Clubes desportivos…
2.5.- Outra coisa que falta no nosso Ensino: O respeito pela classe docente. É gritante! Os Professores têm direito ao respeito do País! Do País, e dos Governos! São os Educadores das gerações do Futuro! São os próprios governos (o patrão) quem os desrespeita, quem os põe em situação de déficite de prestígio perante o País todo.
Por último:
É comovente ver que finalmente alguém descobre que os chumbos são uma injustiça para com os alunos de classes desfavorecidas! E esta cláusula é a mais grave de todas: Augura-se que a facilitação irá crescer…
Conclusão:
Tem que haver um sério investimento no Ensino:
Ou seja
1- O Ensino tem que ser encarado como um ponto chave no desenvolvimento do País!
2- O Ensino não pode ser encarado com hipocrisia.
3- O Ensino, tal como a Saúde Pública, não são para darem lucros nem dividendos. Nestes dois campos, tem que se investir sem as limitações economicistas do costume.

Myriam Jubilot de Carvalho

Publicado em 22 de Novembro de 2018

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Racismo e Linguagem

* Educação e Criatividade,* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 10:25 pm

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Notícia do MSN,

dia 11 de Agosto de 2016:

http://www.msn.com/pt-pt/desporto/olympics-modalidades/campe%C3%A3-atira-se-aos-racistas-macaco-saiu-da-jaula-e-foi-ganhou-o-ouro/ar-BBvvKMS?li=BBoPWjC&ocid=mailsignout

Campeã atira-se aos racistas: “Macaco saiu da jaula e foi ganhou o ouro”

A judoca Rafaela Silva, que conquistou na segunda-feira a medalha de ouro em -57 kg, categoria em que Telma Monteiro arrecadou o bronze, levantou na quarta-feira voz contra o racismo e a discriminação.

BBvvvJU

A atleta brasileira, uma mulher negra, lésbica e oriunda de uma favela, deu a cara numa campanha contra o racismo no desporto.

“Estou muito feliz por estar a realizar o meu sonho, mostrar às pessoas que me criticaram em Londres [2012], que disseram que eu era uma vergonha para a minha família, que o lugar para o macaco era numa jaula e não nos Jogos Olímpicos”, afirmou a judoca na apresentação da campanha.

Rafaela recorda a infância como uma “menina que não gostava de estudar e que nunca pensou em sair da favela” e incentiva os jovens a procurar motivação e a aproveitar as oportunidades, dando o exemplo da medalha de ouro que agora exibe e que inspira jovens e adolescentes de zonas marginais, não só do Brasil, mas de todo o mundo.

“O macaco que teria que estar numa jaula em Londres, saiu da jaula e foi campeã olímpica aqui no Rio de Janeiro”, continuou a atleta brasileira.

Rafaela lembra que vencer as resistências à condição de mulher numa modalidade como o judo não foi fácil, mas a seleção feminina brasileira deu grandes passos e conta já com medalhas de ouro olímpicas e cinco em campeonatos mundiais.

A atleta assumiu-se também como uma feminista: “Estamos a conseguir conquistar o nosso espaço e temos que aproveitar isso, porque temos ficado muito tempo esquecidas e espero que outras mulheres possam ter esta iniciativa, continuar o legado e que o feminismo cresça no Brasil”.

Para a secretária brasileira de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Luislinda Valois, os feitos da população negra são o resultado de “muita luta, muitos sacrifícios, muitas mortes e sofrimento”, um país onde 52 por cento da população é negra.

Os Jogos Olímpicos são um “grande espelho” e “uma oportunidade extraordinária”, disse Valois.

Rafaela Silva ainda acrescentou: “Geralmente, quando sai um tema acerca da raça negra é só para falar de que um negro assaltou alguém. Agora não é um negro que está a assaltar alguém, mas sim a dar uma alegria ao povo brasileiro.”

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Meu comentário, que publiquei no FB…

Só um pormenor está aqui desadequado:

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Não somos “brancos” nem “negros”, pressupondo-se que essa designação aponta para uma diferenciação velhinha como o Matusalém: que uns serão “superiores” e outros “inferiores”. Nunca é demais reafirmarmos que pertencemos, todos, à mesma Espécie Humana, e que temos que ser vigilantes connosco próprios, e reconvertermos o nosso vocabulário!
Porque as diferenças que possam existir, para além de questões de hereditariedade e de genética, tanto podem existir na população europeia, como na população de origem africana. E são consequência das diferentes condições sociais:
1º Primeira e mais importante: uns têm alimentação condigna desde que nascem e outros não;
2º Com má alimentação, o aproveitamento escolar é, em muitíssimos casos, (natural e forçosamente) inferior;
3º Onde não há hábitos de estudo e de esforço intelectual por parte dos pais, não há ‘modelos’ que estimulem os estudantes; embora, felizmente, haja excepções;
4º Numa habitação sem condições de sossego e higiene, como estudar?
5º Se mesmo com a escolarização básica conseguida em circunstâncias aceitáveis, permanece grande iliteracia e ausência de consciência social e as pessoas ficam tão sujeitas aos efeitos das propagandas disto e daquilo, como não será a escolarização nas favelas, nos bairros periféricos? Claro que há excepções. Há tempos, a comunicação social mostrava o menino que estudava à luz dos lampiões de iluminação pública… Então, comovem-se os corações, e toda a gente quer dar bolsas de estudo!
6º E depois há a questão crucial da Linguagem! Os alunos das favelas ou dos bairros periféricos não usam a linguagem da escola… O seu vocabulário é consideravelmente mais limitado, ou diferente. Assim, não descodificam a informação com a mesma naturalidade que os alunos urbanos… Ou seja, a descodificação não acompanha o débito da informação.
Um aparte:
Foram as dificuldades de comunicação, devidas ao diferente domínio da Linguagem ‘padrão’, que propiciaram, em grande medida, o Colonialismo e a convicção de que o nativo colonizado era de inteligência inferior à do colono…
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É para mim sempre motivo de reflexão, ver o número de atletas ou jogadores de futebol de origem africana, e o último jogo do Europeu foi um exemplo flagrante:
E fico a pensar:
Se estes jovens têm uma inteligência tão dinâmica, e rápida, para analisarem as necessidades do jogo e as movimentações necessárias com esta velocidade, como não seriam notáveis e criativos, se tivessem seguido uma carreira científica, ou literária, ou outra?…
Recordo sempre o capítulo “Descobridores de Génio”, pág 251, da obra “As minhas estrelas negras” (e lá caímos nós outra vez no tremendo adjectivo…) – de Lilian Thuram (Tinta da China, 2013)
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Os meus parabéns à campiã de judo Rafaela Silva, ” a menina que não gostava de estudar”… E que orientou a sua inteligência e todas as suas capacidades para aquilo que conseguiu fazer tão excepcionalmente bem – dominar a revolta, a agressividade, e orientá-las para uma finalidade onde finalmente conseguiu tão grande êxito!

 

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… e o meu Amigo, a quem agradeço a atenção, Doutor Mphumo João Craveirinha acresentou:

A contundente ironia da resposta dessa campeã brasileira de judo, Rafaela Silva, revela uma forma descomplexada e empírica de verbalmente devolver o insulto com o mesmo insulto. Muito psicológico e elevado para certas cabecinhas de raciocínio de ervilha.

Isto é…o que vem no antigo testamento judaico também adoptado por cristãos e muçulmanos – do ‘olho por olho…dente por dente’ tem sido uma constante no dia-a-dia deste mundo. Foi assim que essa campeã brasileira terá crescido para sobreviver… num país construído sobre o esforço do ‘transplantado’ escravo africano e do extermínio dos guaranis (‘ameríndios’) e afins.

Os descendentes dos imigrantes europeus oitocentistas acentuariam essa clivagem estereotipada ainda que se miscigenando com outros. O resultado dessa mestiçagem resultando num clareamento de cor de pele terá induzido em miopia daltónica social.

Por outro lado, quem nunca sofreu na pele esses preconceitos estereotipados jamais poderá compreender… exceptuando alguma pessoa de espírito elevado, sensível e lúcido, como a poetisa e estudiosa portuguesa, Myriam Jubilot de Carvalho, e outras pessoas, que se indignam contra estas discriminações estúpidas.

Mesmo não concordando com essa estratégia de denunciar o racismo ironicamente «assumindo o insulto» para o devolver numa desconstrução sociológica… a cultura a que ela a campeã Rafaela Silva tem tido acesso, não deu para melhor reacção, para além da medalha de ouro.

Ela, Rafaela Silva, é uma sobrevivente numa sociedade ainda de complexos coloniais e super-machistas como a sociedade brasileira onde se vive da dualidade da aparência falsa de ‘branco e negro’ para caracterizar capacidades congénitas…

Na realidade uma falácia científica, pois não existem brancos e negros de cor de pele, e amarelos e vermelhos, e nem raças. Quem estuda pintura figurativa sabe disso também.

O racismo de ‘branco versus negro’ é produto de pressupostos de hierarquização de capacidades construídas através da história num processo contínuo de incapacitação. Tudo para dominação social. O passado nunca deixou de estar presente… faz parte do curriculum das nações.

Porém, sobre essa matéria do racismo, reinará muita imbecilidade na interpretação e compreensão geral, em particular, no modo como certa comunicação social aborda o assunto sem conteúdo formativo.

A questão torna-se também axiomática para quem tem consciência pesada de algum passado recente pessoal ou histórico ainda que negue ser racista. No Brasil e em Portugal, infelizmente, muitos não querem compreender. A cegueira de raciocínio é dramática e viral, por ser muito pobre e redutora nas ferramentas culturais de apoio à lucidez.”

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 11 de Agosto, pelas 23h 25m

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Colaboração na revista online AlmadaForma nº 13

* Educação e Criatividade — Myriam de Carvalho @ 11:06 pm

A Directora do Centro de Formação AlmadaForma solicitou-me um artigo para a revista do Centro, que estava “mesmo a encerrar”.

Na emergência, enviei este artigo que já fora publicado no jornal O AUTARCA.

Figura aqui, na página 38 – basta folhear!

 

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 24 de Junho, pelas 24h 5 minutos.

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Criatividade

* Educação e Criatividade — Myriam de Carvalho @ 10:53 pm

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A CRIATIVIDADE é uma coisa difícil para quem vive com ela como sujeito, ou para quem vive na sua companhia, na sua presença.

Na verdade, os alunos criativos propõem muitos problemas, quer aos próprios pais, quer aos professores. Mas são uma delícia! E os resultados de um ano de trabalho com eles, são surpreendentes. Além disso, saber usar a criatividade dos alunos a seu próprio favor, é terapêutico para muitos desajustes emocionais e de dificuldades de integração social.

wheel (1)

VER:

Este esquema foi retirado do site:

http://creativityresearch.blogspot.pt.

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 29 de Janeiro de 2015, pelas 23 horas.

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Humanismo, a única resistência

* Educação e Criatividade,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 9:20 pm

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“Orientalism is a tool to justify Colonialism”

 

VER a série de vídeos sobre Edward Said e a sua posição sobre o tema:

https://www.youtube.com/watch?v=vdE18Hdfani

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 29 de Outubro de 2014, pelas 21h 20m

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Prémio Nobel da Paz 2014

* Educação e Criatividade,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 5:12 pm

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Prémio Nobel da Paz para uma Menina e um Educador

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Foto: ONU/ Mark Garten – Jenny Rockett

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Não é só no Paquistão ou na Índia que a Educação mete medo às forças conservadoras.

Não é porque a investida contra a Educação não usa armas de fogo ou não tenta matar a tiro, que é menos grave. Entre nós, o ataque à Educação usa armas poderosas, usa o desemprego, e consequentemente a fome. Subestima o Sistema Nacional de Saúde. Difama os Professores e dificulta o seu trabalho. A programação de TV, nomeadamente as novelas, não tem suficientemente em conta a sua função educativa – exige-se mais exigência! Nomeadamente nas novelas, a mulher volta a ser remetida a uma situação de objecto – de forma encapotada: não pelas personagens em si, mas pelo vestuário, insidiosamente dito ‘moderno’. O ataque à Educação precisa desvalorizar a Mulher – não propriamente para voltar a uma machização da sociedade, mas para pôr uma faixa da população fora dos interesses económicos – um ‘objecto’ não precisa, por exemplo, de consumir cultura, não precisa de ambições…

Procurei um vídeo sobre Malala Yousafzai, para postar aqui – mas fui verificando que avantajado número de títulos insiste no “ataque dos Taliban”… Uma boa maneira de deslocar a atenção dos incautos para o que se passa lá longe, esquecendo o nosso panorama real e próximo.

Acho que, neste momento, a melhor homenagem que presto aos dois contemplados com o Nobel da Paz deste ano, é postar esta reflexão sobre o que se passa entre nós em matéria de Educação, em matéria de ataque à nossa Educação Pública.

Acho que é esse o sentido do Nobel da Paz – provocar a reflexão sobre a realidade onde podemos, e devemos, actuar.

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Malala Yousaftzai nasceu em 12 de Julho de 1997. Teve o privilégio de ter um pai que acreditava no seu talento, e, apesar de tão novinha, a estimulou a manter um blogue onde falava da sua vida sob condições desfavoráveis. Seu pai era proprietário de uma cadeia de escolas, mas é também poeta.

Malala poderia ter-se deixado intimidar. Mas não. Depois do atentado que a trouxe para a ribalta das atenções mundiais, esta menina continuou a lutar pela educação das crianças. nomeadamente, pelo direito das Meninas à educação.

Quando reflicto sobre estes factos, comparo as crianças que, por esse mundo, fazem tantos sacrifícios para seguirem a sua escolaridade por vezes em condições tão adversas. E comparo-as com o desinteresse com que o meu País trata e subverte a educação pública. Em países cheios de dificuldades, crianças e suas famílias desenvolvem esforços sobre-humanos para que as suas crianças possam estudar. No nosso País, por seu lado, a intenção oficial é degradar o Ensino Público, relegando a Educação para o nível de mais um negócio rentável.

Admiro Malala Yousaftzai, em parte, por uma certa projecção pessoal… Porque, na minha infância, houve alguma reserva em eu prosseguir os estudos, pois temia-se que o orçamento familiar não fosse suficiente para as despesas com a educação de dois filhos… Assim, a rapariga seria sacrificada em favor do irmão… Não é, pois, apenas pela sua história de denodada coragem que admiro Malala, mas pela sua defesa dos direitos das meninas à Educação.

Kailash Satyarthi é um engenheiro de 60 anos. É menos conhecido que a menina que com ele compartilha o Nobel da Paz deste ano. No entanto, por volta dos seus 35 anos, ele abandonou a carreira de professor para se dedicar à causa da sua vida – a luta contra o trabalho infantil.

No mundo ocidental, na nossa sociedade de desperdício, de bens recicláveis para manter a economia a correr, esquecemo-nos do verdadeiro significado de trabalho infantil. ‘Trabalho infantil’ não significa ajudar a mãe a limpar o pó! Continua a haver por esse mundo fora sítios onde as condições de vida são tão miseráveis que a vida dos filhos é avaliada num negócio de compra e venda.

Kailash Satyarthi nasceu em 1954. Em 1980, fundou o Bachpan Bachao Andolan, cujo nome podemos traduzir por “Salvem o Movimento das Crianças”, e a acção desta instituição já se estende a 144 países. 

Entre outras medidas e actividades, e funções internacionais, Kailash Satyarthi estabeleceu a Rugmark – actualmente já conhecida como Goodweave – um sistema de certificação de que não houve trabalho infantil na confecção de tapetes, e que tem desenvolvido campanhas para alertar o consumidor para a sua responsabilidade social na escolha dos artigos que adquire.

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Publicado por

   © Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 12 de Outubro de 2014, pelas 18h, 25m

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Voo

* Educação e Criatividade,* Poesia — Myriam de Carvalho @ 4:22 pm

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Hoje levanto voo, e a minha viagem alonga-se até aos extremos do Oriente.

…E a foto que trago é para já, um Haikai (*), um género que cultivo pouco.

Cultivar formas poéticas muito rígidas tem o inconveniente de treinar o cérebro num certo ritmo e estrutura, o que afecta a liberdade criativa. É por isso que não cultivo a MOAXAHA com mais frequência. O mesmo acontece com o SONETO, ou simplesmente com as QUADRAS.

Como professora de Português, a única regra cuja observância eu exigia dos meus Alunos, era que evitassem as quadras… As crianças viciam-se nessa forma mínima, e depois “vale tudo”, seja com métrica ou sem. Por vezes, apercebia-me que algumas mães tinham cadernos de poesia – isto é, de quadras, e que os alunos as copiavam inocentemente, como se fossem deles … “A S’tora não gosta de quadras?… – Gosto, claro que gosto! Mas Vocês fazem poemas muito mais bonitos! Esqueçam as quadras, e dêem largas à imaginação!” Para eles, QUADRAS e POESIA eram, simplesmente, sinónimos.

O mesmo acontecia a respeito da RIMA. Em geral diz-se que a criança gosta de rimar, é um jogo, é muito engraçado, elas divertem-se, etc…Nas minhas aulas, a RIMA estava interdita. S’tora, então como é que se faz poesia sem rimar?  -Vocês digam as frases mais bonitas que souberem! Digam as palavras mais bonitas que souberem! Façam comparações raras – e depois, tal como já treinámos, tirem a palavrinha como! E depois a gente vai ver se precisamos de rimar, ou se podemos dispensar as rimas…” As crianças sorriam pouco convencidas, mas a S’tora mostrava-se tão segura de si, que acediam. …E ficavam maravilhadas com os textos lindos que eram capazes de criar!

Uma vez, um rapazinho dos seus 14 anos, mais velhinho que a média das idades do 6º ano e com história de vida mais complicada que a da maioria, perguntou a meia-voz, timidamente: S’tora, e pode-se falar de sexo? -Claro que sim, faz parte da vida, não faz? Então, qual seria o problema? A gente pode falar de tudo ! Mas claro que depende da maneira como se fala. – Oh S’tora, é com respeito! Lembro-me que saiu um poema muito interessante, com um toque filosófico muito profundo!

A Poesia está para além da forma. Actualmente, vejo páginas de Poesia no FB, em que os textos são formalmente poéticos  – simplesmente na medida em que não chegam ao fim da linha – mas que na essência têm a estrutura formal, lexical, e gramatical da Prosa… E fico triste… São textos aparentemente ousados… mas de linguagem dura, directa, conotativa;  e em que não se olha à musicalidade da Língua… – confundindo-se RIMA com Música….

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Voo

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És um voo

– riscando o azul

como um fio de ouro

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(*) A adaptação da denominação japonesa deste tipo de poesia, comummente aceite, é Haiku, no singular, e Haikai para o plural, sendo nos dois casos, o acento tónico na primeira sílaba.

No entanto, como há muita gente pouco sensível à estética da Língua de que nos deveríamos honrar, e que deveríamos dignificar, há muito quem pronuncie a palavra Haiku com o acento tónico na última sílaba.

Então, para obviar a esse inconveniente estético, passei a usar o plural, Haikai.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Inédito

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Linkss das fotos:

= http://www.baixaki.com.br/imagens/wpapers/BXK18502_cerejeira-japao800.jpg.

= http://www.rentokil.co.uk/blog/wp-content/uploads/2011/06/iStock_000006156706XSmall.jpg.

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Publicado por © Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 3 de Julho de 2014, pelas 17h 23m

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O acesso à Educação

* Educação e Criatividade,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 11:45 am

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O acesso à Educação

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Garantir a educação da população é considerado um dever das democracias modernas.

1- O abandono escolar sempre tem sido combatido. Mesmo na época salazarista, de escolaridade reduzida, o abandono escolar era combatido. O abandono escolar não é um facto aceitável por si. Regra geral, é um fenómeno pontual, é individual. E é considerado como sintoma de um mal-estar que é preciso compreender para resolver:

Quando acontece, tem que ser analisado pelos técnicos de educação – professores, direcção da escola, psicólogo de apoio na escola – juntamente com os encarregados de educação; quando estes em conjunto são impotentes para resolver o assunto, há recurso aos serviços competentes de apoio à educação e juventude em risco; por exemplo, o Tribunal de Menores – embora este último por vezes se revele impotente para resolver problemas, certamente por falta de pessoal especializado face à procura.

2- O desinteresse que leva ao abandono escolar por parte dos jovens revela de factores que radicam, em geral, na psicologia comportamental do jovem, muitas vezes como resultado de um cumular de dificuldades de aprendizagem cujas primeiras manifestações não foram detectadas em devida altura; ou nas características da escola – em geral, o crescente número de alunos por turma, o que acaba por impedir um ensino individualizado.

3- É um dado da sociologia da educação que a escolaridade obrigatória foi sendo alargada para manter os jovens ocupados, à medida que a sua inserção no mercado de trabalho ia sendo adiada – o alargamento da escolaridade obrigatória não aconteceu de forma gratuita, isto é, não obedeceu a nenhum idealismo, nem a nenhum ideal dito de Esquerda; foi um recurso para manter os jovens ocupados, afastando-os o mais possível da delinquência.

No entanto, convém recuar no tempo, e observar a evolução do ensino e da sociedade portuguesa na segunda metade do séc XX:

O sistema de ensino da época salazarista, a seguir a um tronco comum  – a escola primária – dividia-se em dois ramos, como é sabido:

O ensino liceal, que era frequentado por quem podia “seguir os estudos” e tinha garantido o financiamento de um curso universitário (dito “superior”); e era como também é sabido, um ensino intelectualizante, que se baseava no domínio verbo-conceptual, ou seja, naquilo que na linguagem vulgar se chama “a cultura” (as Humanidades).

O ensino técnico, frequentado por quem não tinha hipóteses financeiras de aspirar à frequência do ensino “superior”; e que era, ao fim e ao cabo, um ensino técnico-profissional. Aqui, o âmbito dos programas da área das Humanidades era aliviado de detalhes certamente “inconvenientes” (por exemplo, a História não focava pormenores que levassem a uma consciência de classes; as Línguas eram apenas as bases para poder minutar cartas comerciais…)

Deste breve apontamento se conclui que o sistema de ensino da época salazarista se destinava a perpetuar a distinção entre as classes sociais – o ensino liceal destinava-se à educação da classe média e média-alta, bem como da aristocracia; o ensino técnico, destinava-se à classe trabalhadora (média baixa).

Havia ainda um ramo de ensino a que recorriam as classes sem recursos, o ensino religioso levado a cabo nos seminários da igreja católica que, na sua angariação de agentes (padres) praticava um ensino de internato gratuito. Os rapazinhos eram entregues ao seminário, e quanto mais tempo aguentassem o regime do internato, maiores seriam as hipóteses de saírem com estudos mais avançados. Lembremos que dois dos nossos grandes escritores do séc XX tiveram esses começos (Miguel Torga e Vergílio Ferreira).

O sistema do ensino salazarista destinava-se a manter as classes nos seus termos e limites. Assim, diziam as estatísticas, apenas 4% dos jovens oriundos das classes trabalhadoras (as classes “baixas”) conseguiam aceder ao ensino universitário ou “superior”. O ensino liceal formava quadros dirigentes; o ensino técnico formava assalariados.

4 – A Revolução dos Cravos, com intenção de acabar com esse ensino elitista, e de acabar com a “distinção de classes” fez a unificação dos dois primeiros ramos de ensino referidos, criando o Ensino Unificado. E isso viria a revelar-se um erro. Não porque o sistema salazarista fosse bom, mas porque as pessoas não aprendem todas da mesma maneira, nem aprendem todas ao mesmo ritmo. Há filhos das classes “favorecidas” que não têm jeito para as Humanidades e sim para as Técnicas, e há filhos das classes “baixas” que não têm jeito para as Técnicas e sim para as Humanidades… E entre uns e outros, há quem aprenda ao ritmo desejável (os alunos que “passam” todos os anos), e há um certo número, felizmente reduzido, que aprende a um ritmo mais lento (e a estes o sistema de ensino não oferece melhor solução do que a “selecção”, e dá-lhes o estatuto de “repetentes”).

Havia, pois, escolas muito boas, com oficinas bem montadas e apetrechadas, onde se fazia um ensino profissionalizante de muito boa qualidade, cujos recursos foram ignorados e desaproveitados.

5- Foi preciso o acalmar dos ânimos revolucionários, para se perceber que os dons das pessoas não se manifestam segundo as classes sócio-económicas, mas sim aleatoriamente! Só no fim dos anos 80 é que o Instituto do Emprego e Formação Profissional começou a recuperar o ensino técnico-profissional e os recursos que proporcionava.

6 –  As últimas décadas têm encorajado o acesso das classes “médias” e “baixas” ao ensino “superior”. Daí, a criação dos numerus clausus para restringir e controlar esse acesso. Mas ao contrário do que provavelmente poderão pensar observadores desprevenidos, apesar da falta de oportunidades que actualmente se verificam no acesso à vida profissional, as pessoas não abandonam os estudos. Muito pelo contrário, prolongam-nos!

7– A concluir este breve apontamento, perguntarei:

Para que servem as revoluções?

Conforme se verifica, as revoluções servem, em última análise, para deslocar as classes no poder da sua situação de privilégio, e criar oportunidades para que outras lhes ocupem o lugar. Foi o que aconteceu, mais uma vez. Nestes últimos 40 anos, desde o 25 de Abril até agora, deu-se o re-agrupamento, a re-organização, tanto das antigas aristocracias como das que se foram formando por via deste referido acesso às universidades. São estes os “técnicos” que agora ocupam lugares de decisão política e vão sucessivamente dificultando as condições de trabalho no nosso Ensino.

8 – Para concluir, cito Nicolau Santos

“Durante a II Guerra Mundial, quando o esforço militar consumia todos os recursos das ilhas britânicas, foi sugerido ao primeiro-ministro Winston Churchill que cortasse nas verbas da cultura. O homem que conduziu a Inglaterra à vitória sobre a Alemanha recusou peremptoriamente. “Se cortamos na cultura, estamos a fazer esta guerra para quê?” Mutatis mutandis, a mesma pergunta poderíamos fazer hoje: se retiramos todas as verbas para a cultura, estamos a fazer este ajustamento em nome de quê? Mas esta, claro, é uma questão que nunca se colocará às brilhantes cabeças que nos governam.” ( Nicolau Santos )

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Imagens:

* Illustration of Émile from Émile; or, On Education (1762), by Jean-Jacques Rousseau.

   Credit: © Photos.com/Jupiterimages

* Program on Education for Social Responsibility

  http://www.psysr.org/about/programs/education/.

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 12 de Janeiro de 2014, pelas 11h 45m

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Bibliotecas Escolares

* Educação e Criatividade — Myriam de Carvalho @ 9:52 pm

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Com este início de  um novo ano lectivo, preparo-me para mais algumas “acções educativas” nas escolas onde Amigas minhas, bibliotecárias, me convidam a colaborar!

É sempre bom, gratificante, voltar a ter alguns alunos na nossa frente, sobretudo na presente fase da minha vida, em que já não tenho responsabilidade alguma no tocante a realização de programas e avaliações!

É como ter netos! Amamo-los apenas – e as responsabilidades são dos pais!

Bem, não será bem a mesma coisa. Nos últimos anos da minha vida profissional, tive realmente alguns “netos” – os filhos de antigas alunas!!!

Seja como for, “netos” ou não! – é um rejuvenescimento para mim contactar com as crianças, um verdadeiro prazer para a alma! E de um modo geral, as crianças apreciam as minhas sessões, colaboram com segurança e interesse, e à-vontade,

Tudo isto quer dizer, muito resumidamente:

Nesta fase da vida, o que realmente é bom, é este entrar numa escola a título informal, numa desportiva – como soía dizer um Aluno meu, o Dunga, num displicente jeito de mãos. Já não tenho paciência para regulamentos, normas, reuniões disto e daquilo com dias lindos a correr lá fora… Cheguei finalmente à idade do prazer!

Regressei também às minhas aulas na Universidade Sénior! Este ano elaborei um programa numa base de Literatura Comparada. Os resultados, como em qualquer ramo de Ensino, dependerão do ajustamento que houver que fazer entre as minhas intenções e objectivos, e os conhecimentos destes alunos… Estas turmas são sempre muito heterogéneas… É um grande desafio!

…Mas como é que uma pessoa poderia viver sem desafios?!

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Imagem:

http://static.guim.co.uk/sys-images/Books/Pix/pictures/2009/7/1/1246446081153/School-library-001.jpg
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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho
Dia 15 de Outubro, pelas 22h 45m
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