Le Clézio, na TV5 Monde, falando sobre Cultura

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 3:02 pm

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Le Clézio, Nobel da Literatura em 2008, sobre Cultura, afirma:

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«  Il faut métisser la Culture; c’est la seule manière de la rendre universelle.

Dans ce monde égoïste  et cupide, tout s’exporte. Sauf l’humanisme. »

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Jean-Marie Gustave Le Clézio

Na sua participação no programa La Librairie Francophone, da TV5 Monde, no passado dia 7 de Julho de 2019.

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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 16 de Julho de 2019, pelas 16h

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A árvore, segundo Susanna Tamaro

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:19 pm

 

A árvore

… “Desde que desponta até que morre, está sempre parada no mesmo sítio. As raízes fazem-na estar mais perto do coração da terra do que qualquer outra coisa, a copa fá-la estar mais perto do céu. A linfa corre no seu interior de cima para baixo, de baixo para cima. Expande-se e retrai-se em função da luz do dia. Espera pela chuva, espera pelo sol, espera por uma estação e depois por outra, espera pela morte. Nenhuma das coisas que lhe permitem viver depende da sua vontade. Existe e mais nada. Compreendes agora porque é belo acariciá-las? Pela sua solidez, pela sua respiração tão longa, tão tranquila, tão profunda. Algures na Bíblia está escrito que Deus tem as narinas largas. Embora seja um tanto irreverente, sempre que tentei imaginar uma parecença para o Ser Divino veio-me à ideia a forma de um carvalho.

Na casa da minha infância havia um, tão grande que eram precisas duas pessoas para lhe abraçar o tronco. Aos quatro ou cinco anos, já gostava muito de ir ter com ele. E lá ficava, sentia a humidade da erva debaixo do traseiro, o vento fresco nos cabelos e na cara. Respirava e sabia que havia uma ordem superior das coisas e que eu estava incluída nessa ordem juntamente com tudo aquilo que via. Embora não soubesse música, algo cantava dentro de mim.”

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in Vai até onde te leva o coração

de Susanna Tamaro

Editorial Presença

11ª edição, Lisboa, Novembro 1998;

pág 41

Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 25 de Junho, pelas 00h 18m

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A notável intervenção da socióloga Luzia Moniz na Assembleia da República

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 3:53 pm

A notável intervenção da socióloga Luzia Moniz, na Assembleia da República, vem publicada no jornalO Autarca:

Editorial do jornal “O Autarca”:

Primeiro jornal electrónico editado na cidade da Beira – Ano XIX – Nº 3634 – Quarta-feira – 06 de Fevereiro de 2019 – página 08/09.

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Luzia Moniz é líder associativa africana, em Portugal, onde reside há décadas. Natural de Angola, foi jornalista em Maputo, Moçambique, na década de 1980. Formada em Sociologia. Tem participado em Conferências sobre os Direitos Humanos pela Europa.

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CPLP ESCOLHE ESCRAVOCRATA – RACISTA PARA PATRONO DE PROJECTO JUVENIL

por Luzia Moniz

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[Fernando Pessoa ] Aos 28 anos escreveu: “A escravatura é lógica e legítima; um zulu (negro da África do Sul) ou um landim (moçambicano) não representa coisa alguma de útil neste mundo. Civilizá-lo, quer religiosamente, quer de outra forma qualquer, é querer-lhe dar aquilo que ele não pode ter. O legítimo é obriga-lo, visto que não é gente, a servir aos fins da civilização. Escravizá-lo é que é lógico. O degenerado conceito igualitário, com que o cristianismo envenenou os nossos conceitos sociais, prejudicou, porém, esta lógica atitude.”

Em 1917, aos 29 anos, continua: “A escravatura é a lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem que cumprir-se, sem revolta possível. Uns nascem escravos, e a outros a escravidão é dada.”

Aos 40 anos consolida a sua ideologia racista, escrevendo: “Ninguém ainda provou que a abolição da escravatura fosse um bem social”. E ainda: “Quem nos diz que a escravatura não seja uma lei natural da vida das sociedades sãs?”

Fernando pessoa, dono desse ignóbil pensamento, é a figura escolhida pela CPLP para patrono de um projecto de intercâmbio universitário no Espaço de Língua Portuguesa.

Essa iniciativa, cópia do programa europeu Erasmus, visa a educação, formação e mobilidade de jovens do espaço de língua portuguesa, oferecendo-lhes oportunidades de estudo, aquisição de experiência e voluntariado por um período curto num dos países da CPLP à sua escolha.

Que Portugal, país onde a mentalidade esclavagista fascista ainda é dominante, tenha escolhido promover, branquear essa figura sinistra não me espanta.

Agora, o que verdadeiramente me deixa perplexa é a aceitação pelos países africanos, as vítimas da escravatura.

Se foi para isso que Portugal fez a guerra para assumir o secretariado exclusivo da CPLP, tudo indica que a coisa começa mal.

Denunciei isso mesmo, esta quarta-feira na Assembleia da república de Portugal, durante a cerimónia de abertura do ano da CPLP para a Juventude, onde estavam deputados portugueses, governantes dos estado da CPLP, jovens, activistas, intelectuais e académicos afrodescendentes, brasileiros, portugueses e africanos.

Não sei se Pessoa é ou não bom poeta. Isso pouco interessa para o caso. A minha inquietação é o uso da CPLP para branquear o pensamento de um acérrimo defensor do mais hediondo crime contra a Humanidade: a escravatura.

Atribuir o seu nome a um projecto que envolve jovens, descendentes dos escravizados, configura um insulto fascista.

Na AR alguém, para tentar justificar o injustificável, alegou que as convicções esclavagistas fascistas de Pessoa reflectem o pensamento da Época, ignorando que, por exemplo, Eça de Queirós, contemporâneo de Pessoa, era contra a Escravatura e que quando pessoa escreve tais alarvidades já a escravatura tinha sido abolida oficialmente. Outros diziam que precisamos de olhar para o futuro, esquecendo o passado. Como se Pessoa fosse futuro. Como construir um futuro salutar sem olhar para os erros do passado?

E se nos cingirmos apenas ao “pensamento de Época” qualquer dia, temos o nome de outro colonialista-fascista António de oliveira Salazar atribuído ao Conselho de Finanças da CPLP, com o argumento de que “tinha as contas em ordem” e de que foi “fascista à Época”.

Se se pretende criar uma comunidade envolvendo as populações e não se limitando aos políticos, mais ou menos distraídos, é imperativo que o nome de Fernando Pessoa não figure em projectos comuns. Em sua substituição sugeri Mário Pinto de Andrade, académico, um dos mais brilhantes intelectuais do espaço de língua portuguesa. Angolano que iniciou o seu percurso académico em Angola, passando por Portugal antes de ser ministro da Informação e Cultura na Guiné Bissau, que teve passaporte cabo-verdiano e deu aulas em Moçambique.

Dos países africanos membros espera-se que revertam essa situação, opondo-se ao nome de Fernando Pessoa, mesmo que com esse digno gesto se crie um novo irritante. Os irmãos de Cabo Verde, que neste momento presidem a CPLP, têm uma responsabilidade acrescida nesta questão.

Se Portugal olha para a CPLP como um instrumento de dominação dos outros, cabe-nos a nós, africanos, impedir que isso aconteça.

Da minha parte, estou aqui, em nome dos meus antepassados e protegendo o futuro dos meus descendentes. Luzia Moniz

(Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2019; Lisboa, Assembleia da República Portuguesa, sessão da manhã).

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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 11 de Fevereiro de 2019

pelas 16 horas

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Miguel Torga, o Solstício de Inverno, e o Natal

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 12:48 am

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Este poema de Miguel Torga – um belo poema, como todos os poemas deste Poeta que tanto admiro.

Um poema que celebra o Solstício de Inverno, que o Cristianismo converteu em celebração do nascimento de Jesus Cristo.

Por mim, sou fiel à celebração pagã, mais autêntica, fiel aos ciclos, ou ritmos, da Natureza.

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Solstício de Inverno

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Aqui estou de novo a festejá-lo

À fogueira dos meus antepassados

Das cavernas.

Neva-me na lembrança.

E sonho a primavera

Florida nos sentidos.

Consciente da fera

Que esses tempos idos

Também era.

Imagino um segundo nascimento

Sobrenatural

Da minha humanidade.

Na humildade

Dum presépio ideal,

Emblematizo essa virtualidade.

E chamo-lhe Natal.

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Só não sei a que obra pertence… Procuro na NET, mas embora o encontre reproduzido em diferentes páginas, em nenhuma o vi identificado…

Programa de Luís Caetano, na noite de 26 de Dezembro de 2018, na Antena 2

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Noite de de 26 para 27 de Dezembro de 2018, pelas 00h 47m

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Tarde de vento

* Antologia,* Poesia — Myriam de Carvalho @ 2:04 pm

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Tarde de vento

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É o vento da nossa estação.

Ladeira abaixo, assobia, espalha brasas, pingos de chuva, pólenes tresmalhados, pétalas que voam.

É um vento hostil. Eu sei. Sei muito bem. Afia as unhas na carpete como um gato selvagem nas folhas caídas, nas cascas desgastadas dos troncos mortos da floresta húmida.

É um som surdo. Como o das unhas dos gatos nos sofás de veludo de seda, nas pernas das cadeiras de pau-rosa, nos pés das mesas de laca da China, nas minhas mãos de âmbar dos Bálticos.

Se eu soubesse donde vem o vento…

Só sei que é o vento do entardecer. Levanta as ondas, as areias da praia, as unhas dos peixes, as garras dos tanques sobre as casas de adobe dos montes sagrados… Sobre as pedras do deserto… Se eu percebesse donde vem este vento…

Mas há um outro! Um vento sem idade. Todo ele a imaginação, a liberdade, a capacidade de sonhar e dar as mãos. Um vento-brisa, vento-aragem, vento-leve, a crescer em espiral, a direito, para o alto. Vento mágico, sim, um ventinho-brisa-aragem que me toma a alma e leva por aí, turista espacial a ver tão de cima, tão do alto, que o mundo é mesmo uma bola azul, azul e púrpura, madre pérola, e jade… Quer dizer, o nosso mundo é um milagre.

…Há, de facto, vários ventos… Porque lá vem esse que arrasa as casas do deserto.

Quem pode ficar indiferente às casas desventradas, um pé aqui, uma cabeça decepada, os mortos enterrados à pressa no jardim público? É este o vento que me faz asma, bloqueia o coração num aperto sem palavras e afunda crateras à minha volta…

Se eu pudesse mandar nesses ventos de morte, mandava-os ir buscar o arco-íris. Mandava-os repetir, repetir mesmo, palavra-por-palavra, letra-a-letra – “O arco-íris é o símbolo da aliança entre Deus e os homens e as mulheres e as crianças, os jovens e os idosos”. Mas olho para as nossas mãos de granito – pouco importa –, e já lá não está, já se perdeu essa aliança de ouro…

Há um vento terrível. Sem tempo, senhor dos exércitos, também dos predadores…

… Mas ainda há jardins. Jardins de rosas. Rosas-mãos de todas as cores. Basta erguê-las no ar, e aí está o seu perfume.

“Nós somos rubis

no meio do granito,

definhamos nesta prisão de poeira.

Por que não nos tornarmos frescos

da gentileza da primavera do coração?

Por que não espalhar

perfume

como uma rosa?”

Poema atribuído a Rumi.

© Myriam Jubilot de Carvalho,

5 de Maio de 2002

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 4 de Dezembro de 2018, pelas 14h 10m

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Poesia Tradicional .1 – As DÉCIMAS

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 1:39 pm
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Sobre as DÉCIMAS 
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A Poesia Tradicional é uma das minhas paixões.
Sobre as DÉCIMAS alentejanas, encontrei o texto que a seguir transcrevo, num antigo livro de leitura da antiga 4ª classe. 
O texto fala de Lázaro Beirão, o Potrapoeta popular alentejano, do século XVIII.
Tentei encontrar alguma referência sobre esse nome, mas até agora, ainda não descobri mais nada.
Assim, a única referência que encontro a este poeta popular do Alentejo é esta que aqui deixo e tenho o gosto de partilhar com quem estiver interessado na Poesia Tradicional.
O episódio narrado passa-se entre o referido poeta alentejano e o bispo D. Manuel do Cenáculo. O texto não indica a autoria nem a fonte da narrativa. Apenas informa: “Colhido da Tradição Oral”
***
Sobre D. Manuel do Cenáculo, colhi estas breves notas na Wikipedia:
Manuel do Cenáculo de Vilas-Boas,
nascido Manuel de Vilas-Boas Anes de Carvalho,
Lisboa, 1 de Março de 1724 – Évora, 26 de Janeiro de 1814:
foi religioso franciscano, bispo de Beja e arcebispo de Évora.
***
Voltando ao livrinho de leitura, páginas 28 e 29:

“Livro de Leitura”

da 4ª classe

actualizado segundo os novos programas para o ensino primário

Oficialmente autorizado o seu uso

7ª edição

1968.

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O Bispo e o Poeta Popular

Manuel do Cenáculo, bispo de Beja, vulto de grande ciência, era um exímio poeta e amantíssimo de tudo quanto à poesia dizia respeito.

Havia nessa época, nas cercanias de Beja, um pastor, poeta campestre de grande e justa fama – o Potra (1).

O bispo, tão sábio como bondoso e popular, desejava conhecê-lo.

Certo domingo, em que o pastor se dirigia, em companhia de alguns colegas, para a igreja do Salvador, a fim de ouvir missa, ao passar em frente do Paço Episcopal, um clérigo reconheceu-o e disse ao prelado:

– Vai ali o Potra, Senhor Bispo.

– Ide pedir-lhe que suba. Desejo falar-lhe.

O humilde camponês subiu a escadaria, e Cenáculo não se fez esperar:

– Como te chamas, pastor?

– Potra, servo de Vossa Reverendíssima!

– Tu é que és o tal poeta que faz versos a torto e a direito?

– Começam tortos, mas acabam direitos, às vezes, como se costuma dizer…–

– Muito bem. Mandei pedir-te que aqui viesses, pois desejo ouvir-te. Fazes-me uns versos?

– Ora, meu senhor! Sua Rev.ma está-se a divertir comigo… mas por ser a primeira coisa que me pede… vá lá. Venha o mote.

O bispo fita-o de frente e, com certa ironia, diz-lhe:

– “Nós ambos somos pastores

Logo o Potra, de improviso:

Senhor meu, batei as palmas

que nós não somos iguais.

Vós sois o pastor das almas

e eu, pastor de animais!

Sofro frio e sofro calmas,

sinto do tempo os rigores;

vós brilhais entre os doutores,

servindo aos sábios de exemplo;

eu no prado e vós no templo,

nós ambos somos pastores.

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O Bispo pasmou ao ver confirmado, tão proficientemente, o que lhe afirmavam. Abraçou-o comovido, deu-lhe algumas moedas e disse-lhe que, quando fosse à cidade, desejava vê-lo, pois muito se alegrava todas as vezes que abraçava os colegas…

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(1) – Lê-se “Pôtra”. Era a alcunha do poeta popular Lázaro Beirão.

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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 28 de Novembro de 2018, pelas 13h 40m

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“A verdade tem duas caras”

* Antologia,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 10:55 am

 

Ontem, de um lado, celebraram 70 anos da fundação do estado de Israel…
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Do outro lado, lamentaram 70 anos de ocupação da Palestina…
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O colonialismo é sempre igual, procede sempre com a mesma crueldade, seja onde for…
…E condena sempre aqueles que com razão se revoltam

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A verdade tem duas caras

e a neve é negra 
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A verdade tem duas caras e a neve é negra na nossa cidade.

Já não somos capazes de desespero como antes, e o fim caminha para

a muralha, com passos firmes,

sobre este azulejo molhado de lágrimas, com passos firmes.

Quem baixará as nossas bandeiras: nós, ou eles? E quem

nos lerá “o acordo de paz”, ó rei da agonia?

Tudo está preparado, quem arrancará os nossos nomes

da nossa identidade: você ou eles? E quem semeará em nós

o discurso da arrogância: “Não conseguimos romper o cerco,

entreguemos as chaves do paraíso para o ministro da paz, e salvemo-nos…”

A verdade tem duas caras, o lema santo era uma espada para nós e

sobre nós, e então o que você fez do nosso forte antes desse dia?

Você não lutou porque temia a morte, mas o seu trono é um caixão,

carregue então o seu caixão para salvar o trono, ó rei da espera.

Esta paz fará de nós um punhado de pó….

Quem vai nos enterrar os dias depois que tivermos ido: você ou eles? Quem

levantará as bandeiras deles sobre as nossas muralhas: você ou

um cavalheiro sem esperanças? Quem pendurará os sinos em cima da nossa partida:

você ou um guarda miserável? Tudo está preparado para nós,

então por que delonga a negociação, ó rei do agonia?
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Mahmud Darwish ou Mahmoud Darwich
(Al-Birweh, 1942 – Houston, 2008),
Poeta e escritor palestino. A vila em que nasceu foi inteiramente arrasada pelas forças de ocupação israelenses, em 1948, durante a Nakba, e a família do poeta refugiou-se no Líbano, onde permaneceu por um ano. Voltou clandestinamente ao seu país e descobriu que o vilarejo onde nasceu fora substituído pela colônia agrícola israelense de Ahihud. Mahmoud Darwish foi preso diversas vezes entre 1961 e 1967, e a partir da década seguinte passou a viver como refugiado até ser autorizado a retornar à Palestina, para comparecer a um funeral, em maio de 1996. Darwish é o autor da Declaração de Independência Palestina, escrita em 1988 e lida pelo líder palestino Iasser Arafat, quando declarou unilateralmente a criação do Estado Palestino. Membro da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), afastou-se do grupo em 1993, por discordar dos Acordos de Oslo. Darwish é considerado o poeta nacional da Palestina. Seu trabalho foi traduzido em mais de 20 línguas.
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Poema e biografia retirados de:
ZUNÁI – Revista de poesia & debates

http://www.revistazunai.com/editorial/23ed_mahmouddarwish.htm

A foto do Poeta é retirada de:

 

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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 15 de Maio de 2018, pelas 11h 40m

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James Baldwin e uma questão ainda não respondida

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 12:07 pm

As coisas que eu encontro apenas por acaso:
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Uma pergunta feita em 1963, e que ainda não teve resposta…
Na entrevista, uma lúcida comparação entre Malcolm X e Martin Luther King. Continua actual.
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Do YouTube:
“Reportagem do Dr Kenneth Clark com James Baldwin em 1963.
A reportagem toda é incrivelmente lúcida e a última pergunta, a última pergunta está ainda sem resposta”
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James Baldwin (August 2, 1924 – December 1, 1987) was an American writer and social critic.
His essays, as collected in Notes of a Native Son (1955), explore palpable yet unspoken intricacies of racial, sexual, and class distinctions in Western societies, most notably in mid-20th-century America.
Some of Baldwin’s essays are book-length, including The Fire Next Time (1963), No Name in the Street (1972), and The Devil Finds Work (1976).
An unfinished manuscript, Remember This House, was expanded and adapted for cinema as the Academy Award-nominated documentary film I Am Not Your Negro.
(Wikipedia)

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 5 de Dezembro de 2017, pelas 13h

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Ai Qing, dois poemas

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 12:03 pm

Ai Qing

1910-1996
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Dois poemas:
Um poema que nos diz que tanto podemos ser um como o outro destes dois marinheiros…
E outro que nos fala de trabalho infantil:

o menino ergue no céu do entardecer, a foice que lhe ceifa a infância, e o futuro…

Em ambos, um exemplo do despojamento de palavras da Poesia Chinesa.

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Aspiração
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Um marinheiro diz-nos
Que gosta da espuma branca
Provocada pela âncora quando sobe…
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Outro, diz-nos
Que lhe agradam mais os tinidos
Da corrente de ferro da âncora quando desce…
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Um, anseia pela partida.
E o outro, pela chegada.

(Changai, Março de 1979)
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Menino ceifeiro
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O Sol poente avermelha o prado
Mas o menino ainda ceifava em silêncio:
Cabeça inclinada, de costas para o céu, entregue ao trabalho,
Movia-se lentamente de um lado para o outro…
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Ervas abundantes devoravam-lhe o corpo:
Por entre o maciço de ervas,
Uma cesta de bambu, com alguns molhos ceifados, à vista.
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E uma foice a brilhar no ocaso.
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“Poesia Escolhida de Ai Qing”
Escolha, tradução, prefácio e notas de Jin Guo Ping
Revisão literária de António Manuel Couto Viana
Instituto Cultural de Macau, 1987
Poemas das páginas 171 e 323, respectivamente.

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Fontes das fotos:

1ª foto: foto de 1029, em Paris:

https://en.wikipwdia.org/wiki/Ai_Qing

2ª foto: 

www.readchina8.com/Literatureitems.php?Passid=DAA77819-AER4-401C-472F-8C61C0F34525

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Publicado por:

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 1º de Dezembro de 2017, pelas 11h 47m

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Clássicos de outros tempos – Ibn Jafáya

* Alandalus,* Antologia — Myriam de Carvalho @ 5:58 pm

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Ibn JAFÁYA


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Ibn Jafáya (1058-1139) foi um dos maiores poetas do Al-Andalus.
Era natural de Alzira, na taifa de Valência, na época Almorávida.

Em certa medida, foi contemporâneo de Mio Cid (1040-1099).
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Ibn Jafáya: chamaram-lhe “o jardineiro” por tão bem cantar e descrever flores e jardins.
O seu estilo era tão admirado que influenciou manifestamente os poetas da sua época e seguintes.
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Encontram-se no You Tube, poemas seus, musicados.
E também basta um breve recurso à Net para se encontrarem traduções de poemas da sua autoria.
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Tento aqui uma versão, em português, de um pequeno poema:
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“Que felicidade a vossa, ó gentes do Al-Andalus!
Essas sombras ridentes, os regatos sonolentos,
esses rios, essas folhagens, esses lugares abençoados –
todos trazendo à nossa terra os jardins do Éden.
Pela sua excelência, seria esta a região que eu escolheria.
Não vos assusteis, amanhã, de entrar nestas terras de calor:
Nem o paraíso esmoreceria perante tanta incandescência”
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“Le Chant d’al-Andalous” – une anthologie de la poésie arabe d’Espagne.
Édition bilingue.
Traduit de l’Arabe (…)
Éd. Sindbad – 2011
ISBN 978-2-7427-9518-5
– página 181
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Publicado aqui, e igualmente no FB, por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 20 de Maio de 2017, pelas 19h

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