Um poema de Emily Dickinson

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:05 pm

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Um poema de Emily Dickinson
(poema 1510)
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How happy is the little Stone
That rambles in the Road alone
And doesn’t care about Careers
and Exigencies never fears –
Whose Coat of elementar Brown
A passing Universe put on,
And independent as the Sun,
Associates or glows alone,
Fulfilling absolute Decree
In casual simplicity – 
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Tradução de António Simões,
na sua Antologia de Poesia Anglo-Americana
Edição Campo das Letras, 2002
pág 338:
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Como é feliz a Pedrinha
Rola pla Estrada sozinha,
Sem ter cuidados de Emprego,
Dos Desafios não tem medo – 
Sua Castanha Roupagem
Veste Universo de passagem;
Como o Sol, independente,
Brilha só ou conjuntamente,
Cumpre a divina Vontade
Com toda a simplicidade – 
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Emily Dickinson (1830-1886)

Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho,

dia 27 de Outubro de 2019, pelas 23h

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Brandos Costumes e Xenofobia

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:13 am

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ESTA onda de xenofobia desorienta.
Sei que o País dos Brandos Costumes, de “brando”, não tem nada.
…Mas tanto?!
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Até me sinto ridícula em afirmar que estou do lado de Todo-o-Mundo!
E mais, sendo Mulheres, estamos todas ao mesmo nível – Somos todas alvo dos mesmos movimentos machistas, exclusivistas, e ainda por cima, um sector do Todo Feminino que formamos, é vítima desta desenfreada xenofobia.
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Mas estamos unidas, e a Razão, a pura Razão, há-de estar do nosso lado. Não as desconfianças.
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Como pode um sector dos Portugueses/Portuguesas, sentir ressentimento para com os Afro-Europeus?
Quem foi que tingiu de sangue e sofrimento os litorais africanos? 
…E não me venham com o argumento estafado de que os “africanos vendiam o seu povo”. A ganância e a crueldade são de todas as latitudes e de todos os tempos. 
O que é de “lamentar” – oh, como as palavras são insuficientes – o que é de repudiar, é que no século XXI ainda haja uma camada da nossa população que se mostra desorientada ao ver que todos temos o direito de nos cruzarmos na rua, na praça, nas lojas, nas universidades ou na vida política, todos e todas à mesma altura, e todos e todas com os mesmos direitos.
Só existe uma realidade na vida – o Ser Humano.
Sejamos todos Humanos! No sentido mais elevado e mais nobre do termo. Não me entendam mal: não é por caridade. É porque é de Direito.

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho, aqui e no FB. Em 14 de Outubro, pelas 3h 12m

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Renovação no Parlamento português

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:55 pm

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Novos rostos no Parlamento português

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O resultado das eleições do passado dia 6 deste mês vem imprimir uma grande renovação à nossa sociedade.
Estas três deputadas, recém-eleitas, são Afro-Europeias. 
Africanas pela ascendência e cultura materna, mas também Europeias pela Cultura adquirida no país onde vivem, quer pelas suas vivências pessoais, quer pelos seus estudos universitários. 

Estamos todos de parabéns, porque a sua eleição representa um avanço na actualização e modernização do nosso viver colectivo. 
Isto é, no século da Globalização, ficam para trás, felizmente, as considerações de origem geográfica que nos inferiorizavam a todos.
Esperamos que a sua presença no Parlamento traga o contributo que nos faltava para a total abertura da mentalidade colectiva à presença dos Afro-Europeus no país colonizante que fomos, e que ainda não deixámos completamente de ser.
Senão, como se compreenderá que uma das praças públicas mais belas da nossa capital ainda continue a ser designada como “Praça do Império”?

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho,

em 8 de Outubro de 2019, pelas15h 55m

Igualmente no FB

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A sabedoria dos provérbios

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 11:31 pm

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Só esta noite vi o último Eixo do Mal (programa da SIC Notícias, quintas-feiras à noite) – um programa que muito aprecio e que em geral não perco.
Na última parte do programa, os convidados referiram-se, com indignação e muito bem, ao modo insultuoso com que um certo segmento da opinião pública tem acolhido a activista Greta Thunberg.
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Isto eles não disseram, mas eu digo:
Esse falejar indignado deve-se a dois aspectos:
1- As actividades de defesa da Natureza e do Planeta incomodam as grandes indústrias. Toda a gente percebe isso.
2- As pessoas comuns incomodam-se só de pensarem que têm de mudar os seus hábitos. E é isto que as pessoas não querem perceber.
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Bruce Chatwin cita o provérbio indiano:
Life is a bridge. Cross over it, but build no house on it.
Na tradução portuguesa – “Canto Nómada” – vem na pág 219 – “A vida é uma ponte. Atravessa-a, mas não construas nela nenhuma casa.”
Jesus Cristo, segundo rezam as crónicas, também disse, no famoso e magistral Sermão da Montanha:
“Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles.”
Mas a nossa “civilização” ultrapassou em muito esta sabedoria, e o resultado está à vista. Ainda Bruce Chatwin (na pág 164):
“O mundo, se algum futuro tem, há-de ser um futuro ascético.”

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho, em 2 de Outubro de 2019, pelas 0h 30m

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