Vozes fátuas

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:15 pm

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Erguem-se vozes porque o Reitor da Universidade de Coimbra definiu que não haja carne de vaca na Cantina da Universidade.
Vozes que são por um lado conservadoras-comodistas quanto aos velhos hábitos e recusando olhar seriamente para o Presente, e o Futuro ameaçado, preferem continuar nas suas vidas despreocupadas.
Vozes por outro lado preocupadas com os prejuízos económicos que uma conscientização mais eficaz possa provocar.
E vozes que devendo ser responsáveis, vão dando “uma no cravo e outra na ferradura”, fazendo humor da forma mais banal e irresponsável ridicularizando um tema tão grave.
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E no entanto, TODOS temos a obrigação premente de saber que há urgência em renovarmos os nossos comportamentos.

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© Myriam Jubilot de Carvalho,

22 de Setembro de 2019, pelas 14h 14m

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Homenagem a Greta Thunberg

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 12:17 pm

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Os Antepassados e o Presente

Homenagem a Greta Thunberg

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Re-encontrámos alguns dos elos que 

têm andado perdidos!

Ignorávamos até que tivessem existido

E no entanto, eles têm continuado vivos! 

Ficaram em marca indelével no nosso ADN! 

Neandertais entre nós, Europeus…

Denisovianos, entre Asiáticos e Oceânicos…

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Se os Tibetanos resistem à altitude,

e os Inuits aos gelos,

devem-no aos seus antepassados 

Denisovianos….

Ninguém morre,

poisnada se perdeu –

E isto me fascina!

–Esta é a nossa Eternidade!

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A marcha da Humanidade tem sido 

feita a partir de um ponto zero?

Talvez…

Civilizações desapareceram?

Talvez… E em seu lugar, 

outras surgiram…

Talvez…

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Agora, porém, caminhamos para 

um fim…

Não uma finalidade, não qualquer coisa como

um objectivo…

…Mas um fim, um final, 

– um terminus

bem definido – Nós,

nós não vamos deixar nada…

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E são as Crianças, oh Deuses, são as Crianças

que se erguem em todo o Mundo para

lembrarem aos adultos 

(adultos?)

que precisam de espaço para terem “futuro”!

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© Myriam Jubilot de Carvalho, 20 de Setembro de 2019

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho, em 22 de Setembro de 2019, pelas 13h 17m

Publicado igualmente no FB e em Recanto das Letras

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Mais um poema de Rumi

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 10:07 am

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RUMI, poeta persa do séc XIII, grande mestre espiritual., exprimiu-se através da Poesia. E os seus poemas não têm idade

Poema de Rumi (1207-1273)

    “Aquele que quer contemplar a glória de Deus 

contempla uma rosa vermelha; 

e da mesma forma que a realidade última 

pode ser percebida na contemplação imóvel 

duma rosa vermelha, 

assim também quando uma flor delicada encanta o coração, 

sentimo-nos de novo por um instante 

como uma planta. 

O místico vê Deus no jardim, 

e vê-se a si próprio na erva.”

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho, em 17 de Setembro de 2019, pelas 11h 06m

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Greta Thunberg

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:58 pm

Esta Menina comove-me duplamente:

=Por um lado, encontrou maneira de converter o seu handicap em energia e actividade positiva;

=Por outro lado, iniciou uma luta maior do que ela e que nos compromete a todos nós!

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho, em 11 de setembro de 2019,

pelas 16h.

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Doce Caparica

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 10:43 am

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Mais um poema dos meus arquivos.

Doce Caparica 

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Não se faz ouvir a cava rouquidão das ondas

A maré está calma e o mar azul claro

está chão, apenas afagado pelo vento.

Não há céu.

Apenas o brilho esbranquiçado

da neblina. E a linha do horizonte é uma estreita faixa 

fosforescente donde

se destaca o vulto impreciso dos petroleiros

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Estou como sempre 

nesta larga esplanada 

separada da praia

pelo paredão.

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Metade da cidade 

vem para aqui 

gozar-se deste perverso

sol de inverno

que não deixa chover

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Jovens e velhos. Famílias inteiras. Crianças que correm 

desforrando-se

da prisão dos infantários,

guinchando de alegria.

Cães puxam os donos 

pela trela.

Desportistas e

aleijados.

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E cada vez é mais avantajado

o punhado de mulheres sós

onde me incluo.

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Jovens trazem os livros de estudo

e resolvem os TPCs.

As velhotas trazem

as revistas do coração

e os homens,

os semanários.

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…Mas com livros pesados, talvez romances, e folhas A4 –

só me verás a mim…

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O sol desce.

É um sol de ficção.

Um sol de Fim dos Tempos…

Apenas uma auréola coada 

pela estufa…

…Mas como diria o Poeta, 

continua a espelhar-se na superfície 

azul mate ondulada pela brisa…

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E chega a apoteose do meu dia solitário!

…O céu tinge-se de vermelho!

…E eu pago a despesa e

vou andando pois 

a noite é falsa e

não tenho companheiro nem

cão de guarda

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© Myriam Jubilot de Carvalho

No antigo Café do Mar – Costa, 29 de Janeiro de 2005

Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho, em 4 de Setembro de 2019

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