A Edvard Munch

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 11:42 am

Quer se trate dos incêndios ateados por mão criminosa em Portugal,

ou da devastação da Amazónia,

ou da destruição da Palestina,

O GRITO de EDVARD MUNCH continua actual.

 

100 anos depois
.
A Edvard Munch (1893)

Boca escancarada,
a criança grita –
Grita – sozinha na noite.
.
Por muito que a boca abra – ninguém
a ouve.
É apenas seu grito
um gesto impotente.
Nem aviso – nem premonição –
nem queixa.
Nem acusação.
Apenas reacção inconsequente
a atrapalhar o expectador da galeria.
Apenas um gesto
impotente.
.
Não está perdida na noite,
não.
Quem a possa ouvir
está oculto
na escuridão.
Não virá dar a cara
nem a mão à palmatória.
Avança
com os tanques, conduz os canhões,
alimenta os fornos.
.
E não apodrece nas prisões.
.
– Pintaste um grito inútil!
Um grito fútil.
Pintaste apenas o teu medo,
ou o meu.
.
Nem Deus te ouviu –
Deus não ouve os pacifistas
– E até dizem que morreu.
.
Mas esse teu Grito continua a ecoar
pelos quatro cantos dos sete céus!
Talvez um dia Deus acorde…
E ponha pimenta na língua
de todo o cão tinhoso que – escondido – morde

© Myriam Jubilot de Carvalho, 2004

.

Publicado – tanto neste Blogue como no FB –

Dia 25 de Julho de 2019, pelas 12h 45m

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