A árvore, segundo Susanna Tamaro

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:19 pm

 

A árvore

… “Desde que desponta até que morre, está sempre parada no mesmo sítio. As raízes fazem-na estar mais perto do coração da terra do que qualquer outra coisa, a copa fá-la estar mais perto do céu. A linfa corre no seu interior de cima para baixo, de baixo para cima. Expande-se e retrai-se em função da luz do dia. Espera pela chuva, espera pelo sol, espera por uma estação e depois por outra, espera pela morte. Nenhuma das coisas que lhe permitem viver depende da sua vontade. Existe e mais nada. Compreendes agora porque é belo acariciá-las? Pela sua solidez, pela sua respiração tão longa, tão tranquila, tão profunda. Algures na Bíblia está escrito que Deus tem as narinas largas. Embora seja um tanto irreverente, sempre que tentei imaginar uma parecença para o Ser Divino veio-me à ideia a forma de um carvalho.

Na casa da minha infância havia um, tão grande que eram precisas duas pessoas para lhe abraçar o tronco. Aos quatro ou cinco anos, já gostava muito de ir ter com ele. E lá ficava, sentia a humidade da erva debaixo do traseiro, o vento fresco nos cabelos e na cara. Respirava e sabia que havia uma ordem superior das coisas e que eu estava incluída nessa ordem juntamente com tudo aquilo que via. Embora não soubesse música, algo cantava dentro de mim.”

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in Vai até onde te leva o coração

de Susanna Tamaro

Editorial Presença

11ª edição, Lisboa, Novembro 1998;

pág 41

Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 25 de Junho, pelas 00h 18m

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Mais faz quem quer

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 5:17 pm

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Mais faz quem quer do que quem pode – diz um provérbio português.

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Este considerando confirma-se através das iniciativas de pessoas maravilhosas que levaram a cabo iniciativas que podem mudar o futuro do planeta.

Referimo-nos às iniciativas de recuperação dos solos sujeitos a desertificação quer por causas naturais quer pela desordenada acção humana.

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Já aqui falámos da criação do GREEN BELT MOVEMENT, pela queniana WANGARI MAATHAI, prémio NOBEL DA PAZ em 2004 e INDIRA GANDHI PEACE PRIZE em 2006.

A partir da sua iniciativa de criação de uma cintura verde em volta das cidades e outras povoações, nasceu a criação de uma zona de floresta na faixa sul do Sahara, uma floresta que se vai expandindo como tampão à desertificação.

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Outra iniciativa de projecção mundial é a do casal LÉLIA WANICK SALGADO e SEBASTIÃO SALGADO, que fundaram o Instituto Terra, no Brasil.

Na ausência de Sebastião Salgado, frequentemente em viagens de reportagem fotográfica pelo mundo, Lélia Wanick Salgado empreendeu a reflorestação da vasta propriedade que o casal herdara do pai do famoso fotógrafo.

Esta iniciativa ganhou tais proporções que o casal teve que solicitar o apoio do Estado, e assim nasceu o INSTITUTO TERRA.

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Recentemente, tive conhecimento da atribuição do RIGHT LIVELIHOOD AWARD 2018, o chamado prémio Nobel Alternativo, ao agricultor YACOUBA SAWADOGO, que pacientemente perseverou na utilização de métodos tradicionais de plantio de árvores e assim foi recuperando terrenos que se tinham tornado áridos.

“Desde 1980, durante um período de seca severa, Sawadogo deu vida entre Burkina Faso e Níger a mais de 40 hectares de florestas em terras anteriormente estéreis e abandonadas. Hoje, mais de 60 espécies de árvores e arbustos prosperam. Esta é, sem dúvida, uma das florestas mais diversificadas plantadas e geridas por um agricultor do Sahel.”

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Wangari Maathai era bióloga, e Lélia Salgado é arquitecta. Mas que eu saiba, Yacouba Sawadogo não tem estudos universitários. Yacouba Sawadogo baseou-se nos conhecimentos tradicionais para reter as águas das chuvas e com esses procedimentos preservar a humidade dos terrenos. Yacouba Sawadogo confiou nos conhecimentos acumulados pela experiência prática dos seus antepassados!

A lição que eu tiro daqui, é que precisamos de olhar com AMOR para o ambiente em que vivemos. Para o preservarmos. E assim deixarmos uma herança positiva aos nossos descendentes.

 

Fontes:

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Sobre o GREEN BELT MOVEMENT e a sua criadora:

https://www.greenbeltmovement.org/who-we-are

ou

https://www.nobelprize.org/prizes/peace/2004/maathai/biographical/

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Sobre o INSTITUTO TERRA e a acção do casal Lélia e Sebastião Salgado:

Sebastião Salgado e Lélia Wanick Salgado contam a história do Instituto Terra

https://www.youtube.com/watch?v=W12TjUIkjMY

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Sobre YACOUBA SAWADOGO:

https://educezimbra.wordpress.com/2018/12/19/yacouba-o-agricultor-que-semeou-o-deserto-ganha-o-nobel-alternativo/?fbclid=IwAR2RhclV3ZRsdkFmZxXFDOSrTdh-pQxohara9k2UI86_4fZ-31qSWJY2hd4

ou:

https://www.greenme.com.br/informar-se/agricultura/1911-replantar-o-deserto-recuperando-fertilidade-solo

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 22 de Junho de 2019, pelas 18h 19m

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Arqueologia

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 2:59 pm

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Arqueologia

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Somos o resto de uma civilização perdida

Rastejamos no solo à procura de restos,

indícios da sabedoria de ouro de antigos sábios

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Abrimos buracos nas grutas ocultas

Escavamos na terra preciosa os ossos de antanho

Nas pedras eloquentes, nos papiros amarelecidos

procuramos registos da vida passada

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Enquanto sem futuro nos destruímos

A Terra nos deu

A Terra nos engole. E de vez em quando

renascemos, e rastejamos…

Rastejamos, sempre

até nos perdermos novamente

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Quase à beira da morosa

conquista de uma sabedoria

Quase a ponto

de aceitarmos a nossa origem remota

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E quase a ponto de nova destruição

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© Myriam Jubilot de Carvalho

18 de Janeiro de 2018

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 16 de Junho de 2019, pelas 16h

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