Solstício de Inverno

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 1:14 am

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Dedico este poema a todos e todas quantos visitarem esta página – e a todo o Mundo.

Com votos de Festas Felizes e FELIZ  2019

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Solstício de Inverno

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Ritmos da Natureza

Ritmos da nossa vida

Onde a riqueza da Terra

é digna de ser vivida

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Solstício de Inverno

Longos segredos da noite invernosa

Despiram-te da ancestral plenitude

de magia milagrosa

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Mentiram-nos uma verdade

e voltámos-te as costas

Ficou mais pobre a Humanidade

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Eu ergo a eterna candeia

de chama pagã

A essa perene ideia

de que a Terra é minha irmã

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“Finda”:

Eu sou devedor à Terra

E a Terra me está devendo

A Terra paga-me em vida

E eu pago à Terra em morrendo

 © Myriam Jubilot de Carvalho

Noite de 26 para 27 de Dezembro de 2018

 

Nota: A quadra que compõe a Finda –

encontrei-a no cancioneiro de Serpa

 

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Noite de 26 para 27 de Dezembro de 2018

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Miguel Torga, o Solstício de Inverno, e o Natal

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 12:48 am

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Este poema de Miguel Torga – um belo poema, como todos os poemas deste Poeta que tanto admiro.

Um poema que celebra o Solstício de Inverno, que o Cristianismo converteu em celebração do nascimento de Jesus Cristo.

Por mim, sou fiel à celebração pagã, mais autêntica, fiel aos ciclos, ou ritmos, da Natureza.

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Solstício de Inverno

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Aqui estou de novo a festejá-lo

À fogueira dos meus antepassados

Das cavernas.

Neva-me na lembrança.

E sonho a primavera

Florida nos sentidos.

Consciente da fera

Que esses tempos idos

Também era.

Imagino um segundo nascimento

Sobrenatural

Da minha humanidade.

Na humildade

Dum presépio ideal,

Emblematizo essa virtualidade.

E chamo-lhe Natal.

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Só não sei a que obra pertence… Procuro na NET, mas embora o encontre reproduzido em diferentes páginas, em nenhuma o vi identificado…

Programa de Luís Caetano, na noite de 26 de Dezembro de 2018, na Antena 2

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Noite de de 26 para 27 de Dezembro de 2018, pelas 00h 47m

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“Gaspar, Belchior & Baltasar”

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 10:48 am

Um belo conto de natal
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de Michel Tournier:
“Gaspar, Belchior & Baltasar”
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A edição portuguesa manteve o título original (em francês):
“Gaspar, Belchior & Baltasar”
Esta obra teve a sua primeira edição na Gallimard, em 1980:
A publicação portuguesa data de 1984, tendo sido feita pela Dom Quichote.
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Quem eram os reis magos?
Michel Tournier recria as suas histórias. Após as suas viagens, Gaspar de Meroe, Baltasar de Nippur, Belchior de Palmira, encontram o Menino.
Mas o Autor introduz um quarto rei, um rei de quem não reza a história, Taor de Mangalore.
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Michel Tournier (1924-2016) dá vida ao mito, e fala-nos de Herodes, o Grande, a par do burro e do boi.
As histórias dos três reis são muito interessantes, mas a história do quarto rei é deveras surpreendente.
Vale a pena ler!

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 23 de Dezembro de 2018, pelas 10h 47m

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Tarde de vento

* Antologia,* Poesia — Myriam de Carvalho @ 2:04 pm

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Tarde de vento

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É o vento da nossa estação.

Ladeira abaixo, assobia, espalha brasas, pingos de chuva, pólenes tresmalhados, pétalas que voam.

É um vento hostil. Eu sei. Sei muito bem. Afia as unhas na carpete como um gato selvagem nas folhas caídas, nas cascas desgastadas dos troncos mortos da floresta húmida.

É um som surdo. Como o das unhas dos gatos nos sofás de veludo de seda, nas pernas das cadeiras de pau-rosa, nos pés das mesas de laca da China, nas minhas mãos de âmbar dos Bálticos.

Se eu soubesse donde vem o vento…

Só sei que é o vento do entardecer. Levanta as ondas, as areias da praia, as unhas dos peixes, as garras dos tanques sobre as casas de adobe dos montes sagrados… Sobre as pedras do deserto… Se eu percebesse donde vem este vento…

Mas há um outro! Um vento sem idade. Todo ele a imaginação, a liberdade, a capacidade de sonhar e dar as mãos. Um vento-brisa, vento-aragem, vento-leve, a crescer em espiral, a direito, para o alto. Vento mágico, sim, um ventinho-brisa-aragem que me toma a alma e leva por aí, turista espacial a ver tão de cima, tão do alto, que o mundo é mesmo uma bola azul, azul e púrpura, madre pérola, e jade… Quer dizer, o nosso mundo é um milagre.

…Há, de facto, vários ventos… Porque lá vem esse que arrasa as casas do deserto.

Quem pode ficar indiferente às casas desventradas, um pé aqui, uma cabeça decepada, os mortos enterrados à pressa no jardim público? É este o vento que me faz asma, bloqueia o coração num aperto sem palavras e afunda crateras à minha volta…

Se eu pudesse mandar nesses ventos de morte, mandava-os ir buscar o arco-íris. Mandava-os repetir, repetir mesmo, palavra-por-palavra, letra-a-letra – “O arco-íris é o símbolo da aliança entre Deus e os homens e as mulheres e as crianças, os jovens e os idosos”. Mas olho para as nossas mãos de granito – pouco importa –, e já lá não está, já se perdeu essa aliança de ouro…

Há um vento terrível. Sem tempo, senhor dos exércitos, também dos predadores…

… Mas ainda há jardins. Jardins de rosas. Rosas-mãos de todas as cores. Basta erguê-las no ar, e aí está o seu perfume.

“Nós somos rubis

no meio do granito,

definhamos nesta prisão de poeira.

Por que não nos tornarmos frescos

da gentileza da primavera do coração?

Por que não espalhar

perfume

como uma rosa?”

Poema atribuído a Rumi.

© Myriam Jubilot de Carvalho,

5 de Maio de 2002

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 4 de Dezembro de 2018, pelas 14h 10m

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