– Medinat al Zahara – a Brilhante – é património Mundial da Humanidade !

* Alandalus — Myriam de Carvalho @ 12:55 pm

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Parabéns à Espanha!
Medinat al Zahara – a Brilhante – é património Mundial da Humanidade
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‘Adoro’
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Parabéns, também, a todos quantos amamos a História do nosso Passado arábico-andalus 

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É com a maior emoção que partilho este vídeo, a partir do YouTube:

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Medina Azahara declarada Patrimonio de la Humanidad por la UNESCO

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2018: 1 de julio. Madinat al-Zahra declarada Patrimonio de la Humanidad por la UNESCO como ejemplo único de la arquitectura, el arte y la cultura omeya en Occidente. Medina Azahara es el conjunto arqueológico de la ciudad islámica que llegó a ser capital de al-Andalus en el siglo X. Córdoba es la única ciudad del mundo con cuatro declaraciones de Patrimonio de la Humanidad. 1996. La ciudad palatina de Medina Azahara de Córdoba protagoniza el reportaje “La ciudad efímera”. Madinat al-Zahra es el fastuoso y misterioso palacio que según la leyenda Abd-al Rahman III (Abderraman) mandó construir para su favorita Azahara. Es la crónica de la historia de amor y de destrucción de una ciudad abandonada setenta años después, por las guerras de Al-Andalus. En 1985 el monumento, el yacimiento arqueológico más grande de España, pasó a depender de la Junta de Andalucía y fue declarado Conjunto Arqueológico. El reportaje refleja también la polémica entre la Junta y el ayuntamiento de Córdoba por la protección del monumento y la construcción de viviendas en las inmediaciones del recinto. Declaraciones de Antonio Vallejo Triana (director conservador de Medina Azahara), Carmen Calvo Poyato (consejera de Cultura) y Luis Martín (teniente alcalde de Urbanismo del ayuntamiento de Córdoba). Es un reportaje de Pedro Moreno, locutado por Lola Álvarez y presentado por Agustín del Olmo. [Programa “Los reporteros” 296, 6 de octubre de 1996, Canal Sur Televisión]. Otras fechas clave: El 7 de octubre de 2003 concluyen los trabajos de restauración del yacimiento de Medina Azahara. 2016: 10 de febrero al 13. Congreso internacional en el Museo y Sede Institucional del Conjunto Arqueológico Madinat al-Zahra de la ciudad califal de Medina Azahara, con el objetivo de ser incluida en la lista de Patrimonio Mundial de la UNESCO. 1996: 15 de febrero. Presentado el Plan de Protección de Medina Azahara de Córdoba. 18 de abril. Día Internacional de los Monumentos y Sitios. Fue aprobado por la UNESCO en 1983 para tomar conciencia acerca de la diversidad del patrimonio cultural de la humanidad, de su vulnerabilidad y de los esfuerzos que se requieren para su protección y conservación. 2007: 5 de mayo – Nueva excavación arqueológica en Medina Azahara (Córdoba) para descubrir la muralla sur. 2012: 19 de mayo. Reconocimiento del museo de Medina Azahara de Córdoba como Museo Europeo del año 2012, por su excelencia y el alto nivel de calidad. 1923: 12 de julio. La ciudad de Medina Azahara, Córdoba, es designada Monumento Nacional. 2009: 9 de octubre. Inauguración de la sede institucional del Conjunto Arqueológico de Medina Azahara en Córdoba. 2010: 24 de noviembre. El Centro de Interpretación de Medina Azahara de Córdoba consigue el Premio de Arquitectura Aga Khan, galardón que se otorga a los principales trabajos arquitectónicos, urbanísticos o paisajísticos del mundo musulmán. Medina Azahara, misteriosa y polémica ciudad efímera de Córdoba (1996).

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Partilhado a partir do YouTube

Dia 2 de Julho de 2018

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Sobre a Associação Cultural ‘SOL XXI’

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 11:09 am

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Várias vezes, Luísa Andrade Leite e eu falámos da necessidade de escrevermos a história da Associação Cultural SOL XXI. Mas morávamos longe, cada uma tinha as suas actividades, e o tempo foi passando. Até que há cerca de uns dois anos, Luísa adoeceu gravemente, e a partir daí tornou-se impossível trabalhar com ela.

Ela partiu. E ficou-me um terrível peso na consciência por não ter posto de lado a inércia e não ter posto à frente de tudo a elaboração de um memorial sobre essa associação que foi tão importante.

Então, agora, tive que fazer tudo sozinha… Mas está feito . E tenho o gosto de partilhar este artigo que foi gentilmente publicado pela revista online Triplov.

Junto também os comentários de dois Amigos:

= Olá, Fátima. Gostei do que li. É importante que o nome da Luísa fique na memória. O seu a seu dono. Como bem dizes uma parte importante da Sol XXI foi a Luísa. As questões práticas e estratégicas repousavam sobre ela. Sem ela não teria sido possível essa maravilhosa aventura que foi a Sol XXI. Obrigada amiga por pores os pontos nos is.”

= Obrigado, por me teres refrescado a memória, permitindo-me viajar no tempo, regressar a tempos e lugares com gente muito boa, de dias felizes e culturais. um abraço. muito obrigado.

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A Associação Cultural SOL XXI

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Homenagem a Orlando Neves, Vítor Wladimiro e, muito em especial, a Luísa d’Andrade Leite

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1- A Associação Cultural SOL XXI

A SOL XXI foi uma Associação Cultural, fundada e dirigida pelo grande poeta e cidadão que foi Orlando Neves.

Orlando Neves foi o seu fundador e presidente, e Luísa d’Andrade Leite sempre desempenhou a função de secretária da associação.

A Associação Cultural SOL XXI viveu cerca de 20 anos, sendo os primeiros 10 de intensa actividade. Não “usufruindo de apoios de nenhuma espécie”, tinha por objectivo “dar voz e presença” aos poetas portugueses, tanto aos consagrados como àqueles em princípio de carreira, como àqueles que “radicados na chamada Província raramente têm acesso à comunicação, num tempo em que os jovens de poucos estímulos dispõem para iniciar o seu percurso criativo” – conforme as palavras de Orlando Neves na NOTA DE ABERTURA da Revista Nºs 1 e 2, em Setembro de 1992. Pelo que congregava poetas de todo o País.

Produzíamos uma revista mensal ou, por vezes, bi-mensal; tínhamos um encontro anual, nacional, com o patrocínio de alguma Câmara que nos quisesse acolher. Houve encontros destes em Vila Viçosa (vários), em Albufeira, em Condeixa, vários também em Moimenta da Beira…

Tínhamos ainda, aqui em Lisboa (neste caso para os residentes em Lisboa e arredores e todos os que viessem a comparecer) um almoço mensal ou com periodicidade equivalente.

A Associação tinha um órgão mensal, a Revista Literária Sol XXI, que era feita com toda a seriedade. Integrava ensaio, produção poética e em prosa, e recensão de livros publicados.

Havia quem se queixasse (ou acusasse) que a produção (literária) publicada era por vezes de nível literário ‘inferior’. Mas Orlando Neves sempre defendia que:

“São todos sócios, pagam as quotas, têm o direito de ver os seus textos publicados.”

2 – Como nasceu a SOL XXI. Orlando Neves

Orlando Loureiro Neves (1935-2005), nome prestigiado de poeta, romancista e ensaísta, também dicionarista, ligado ao teatro e ao jornalismo, tinha feito parte da Associação Amigos dos Castelos e, simultaneamente, tinha fundado a Associação Património XXI, ligada especificamente à Literatura. Mas a certa altura, algumas das exigências legais não estavam a ser preenchidas como devido, como por exemplo, a manutenção de um livro de actas

Sem grandes alternativas, deu-se por extinta a Património XXI, e deu-se início, com todos os RR e FF à sua sucessora, a Associação Cultural SOL XXI.

Foram seus fundadores ‘oficiais’ o marido de Luísa d’Andrade Leite – Vítor Manuel Manique da Silva Neves, e Margarida Lucena Sampaio Sanches, declamadora e membro do Grupo Dizer (posteriormente, Jograis SOL XXI), pois foram eles quem subescreveu todos os documentos oficiais. Um pró-forma. Orlando Neves continuou a ser a alma da Associação, de que foi o primeiro presidente e grande dinamizador.

A tarefa burocrática de organização dos livros oficiais de contabilidade e registo de actas ficou a cargo de Luísa d’Andrade Leite, bem como todo o contacto com os sócios; e depois da fundação da Revista, os contactos com as tipografias, analisando preços e prazos, propiciando depois o seu envio a todos os sócios.

Orlando Neves gostava de se ver rodeado de amigos. Essa foi uma das razões para o surgimento da mencionada Revista. Reunia os amigos em sua casa, na Rua do Sol, ao Rato (em Lisboa). Desse convívio nascia algo de visível e útil – a “Sol XXI – Revista Literária”.

Aí aconteceram grandes serões de trabalho, muito informais, com discussão de propostas e de opiniões. E éramos vários – Luísa de Andrade Leite, João Orlando Travanca-Rêgo, José Manuel Capêlo, José do Carmo Francisco, Margarida Sanches, eu própria. Mais tarde, também Ulisses Duarte. Mas apesar de serem ouvidas e ponderadas as opiniões e sugestões de todos os participantes, o expert era Orlando Neves, e num acordo tácito, ele tinha o respeito, admiração e confiança de todos, e a última palavra.

Os diferentes pelouros da redacção de uma revista eram atribuídos aos nossos nomes:

Director: Orlando Neves

Directores-adjuntos – António Rebordão Navarro e J. O. Travanca Rêgo

Editor: Henrique Madeira

Chefe de redacção – José do Carmo Francisco

Redactor principal – José Fernando Tavares

Editores artísticos – Pedro Massano e Ulisses Duarte

Redactores – Fátima Oliveira (nome com que eu assinava, nessa época), Luísa d’Andrade Leite, Leonilda Alfarrobinha, Inês Sousa Gomes, Ulisses Duarte

Secretária de redacção – Fátima Oliveira

Como disse atrás a propósito da refundação da Associação, tudo isto eram pró-formas. As reuniões decorriam em óptima camaradagem. E o trabalho duro ficou sobre os ombros de Luísa Leite. Era ela quem chamava Orlando Neves a baixar à realidade e a manter os livros oficiais em dia. Quanto à planificação da Revista, decorria pelas mãos de ambos.

Ainda da mesma NOTA DE ABERTURA, cito estas palavras de Orlando Neves:

“Num tempo em que os demais órgãos de imprensa pouco relevo dão à literatura e em que, sobretudo, não abrem as suas páginas à publicação de ficção, poesia, teatro […] surge SOL XXI com intenção de ser (até onde puder) veículo de divulgação e local de acolhimento, sem quaisquer baias limitativas que não sejam as de uma qualidade minimamente defensável, se bem que, absolutamente, discutível. SOL XXI é tão só isso – espaço amplo, incensurado e não sectário, à disposição de todos os que escrevem.”

Ainda no âmbito da SOL XXI, Orlando Neves conseguiu uma página literária no jornal “Correio Beirão”, de Moimenta Beira, para onde a certa altura mudou a sua residência, e onde os sócios puderam publicar contos, ensaios, e poesia.

3- A dinamização e o secretariado. Luísa d’Andrade Leite

 Como atrás ficou dito, a actividade da Associação traduzia-se nos encontros anuais, e na produção da Revista.

No entanto, a SOL XXI nunca teria existido ou sobrevivido se não tivesse sido o apoio contínuo, dedicado e competente, da Vice-Presidente, a poetisa Luísa d’Andrade Leite. Ela secretariava tudo – as reuniões, os livros oficiais, a tesouraria, os contactos com a tipografia para a publicação da Revista, os contactos com os sócios. E também a distribuição da Revista estava a seu cargo…

Entretanto, Orlando Neves mudou de casa e as reuniões passaram a efectuar-se em casa de Luísa d’Andrade Leite. O grupo redactorial alargou-se, e já não sou capaz de reproduzir de memória quantas pessoas nos juntávamos em volta da ampla mesa da sala de Luísa Leite. Na verdade, as reuniões de trabalho continuavam a traduzir-se em tardes de tertúlia extremamente agradável.

Luísa sempre nos acolheu com delicadeza inexcedível. Tinha sempre um mimo para o lanche. Era tudo tão natural que nem se reparava na sua gentileza… Um belo dia apercebi-me da nossa ingratidão, e passei a levar alguma contribuição para esse chá que a todos sabia tão bem.

Nunca será demais salientar que a SOL XXI não teria vivido tantos anos de actividade intensa sem a abnegação generosíssima de Luísa Leite. Na verdade, repito, ela desempenhava-se de todo o trabalho pesado – todos os livros oficiais estavam à sua responsabilidade, todo o contacto com as tipografias, avaliando preços, qualidade dos serviços e pontualidade, todo o contacto com os sócios, a organização dos almoços mensais.

Apenas para a organização dos encontros anuais, Orlando e ela pediam a colaboração a alguns sócios mais próximos e disponíveis.

No depoimento do seu grande amigo que foi Cândido da Velha, Luísa Leite foi “uma excelente pessoa, intelectual de muito valor, amiga do seu amigo”. Uma das características mais marcantes que definiam Luísa Leite, era a sua modéstia. Depois da renúncia de Orlando Neves à direcção da Associação e da Revista, várias vezes muitos Amigos sugeriram que fosse Luísa Leite a assumir a direcção. Alegando que “não se sentia competente bastante para o cargo e para as funções”, Luísa sempre recusou a direcção da associação.

No entanto, a sua modéstia não a impediu de que se propusesse elaborar uma antologia de poesia. Um projecto que lhe ocupou os últimos vinte anos da sua existência e que, infelizmente, dada a sua elevada exigência de perfeição, não deixou concluído.

Maria Luísa Leite Gonçalves da Silva Neves nasceu a 14 de Janeiro de 1934, em Angola. Aos 10 anos veio para um colégio interno, em Benfica. Contava ela que nunca foi a férias – “as outras meninas iam a férias, tinham família; tinham natal, tinham férias de verão; eu era como se não tivesse ninguém, ficava sozinha no colégio”… Só voltou a Angola quando atingiu a maioridade. Formou-se em Educação Física, e deu aulas no Liceu de Luanda. Tinha um ginásio particular para aulas de ginástica correctiva.

Casou. Não teve filhos. Mas adoptou e educou uma sobrinha – que foi a sua acompanhante ao longo da sua vida.

Depois da Independência, ela e o marido recusaram a ideia de vir para Portugal. Mas isso acabou por acontecer, e instalaram-se em Lisboa em 1979. Devido à sua situação de regressada de um país em guerra, Luísa pôde ter a sua “reforma antecipada”.

Já em Lisboa, fez cursos de ourivesaria, pintura, cerâmica, no IADE e no ARCO. Muitas revistas, e algumas capas, têm ilustrações da sua autoria.

Luísa Andrade Leite publicou vários livros de poesia. Era dotada de um muito subtil sentido de humor, tendo-nos deixado uma amostra desse seu dom em “Dicionário Proveta”.

Não sei como conheceu Orlando Neves. Mas foi ele quem a convidou para a Património XXI.

Maria Luísa Leite Gonçalves da Silva Neves faleceu em 2 de Maio de 2017. Luísa d’Andrade Leite foi o nome que adoptou para assinar a sua obra.

Luísa Leite tinha a paixão dos gatos. Tinha sempre três ou quatro. Se algum morria, resgatava do abandono da rua mais um infeliz, e tratava-os a todos com cuidados mais que maternais.

4- A segunda fase da Associação e da Revista. Vítor Wladimiro Ferreira

E os anos continuaram a passar. Ao fim de dez anos de estar à frente da Associação, somando os anos anteriores de actividade, Orlando Neves abdicou da Presidência. Dada a recusa de Luísa Leite em lhe suceder, Orlando convidou outra grande figura cultural de reconhecido prestígio, Vítor Wladimiro Ferreira.

Vítor Wladimiro Ferreira (1934-2012), da Faculdade de Letras de Lisboa, onde era professor de História da Cultura Portuguesa Moderna e Contemporânea, e com valiosa obra publicada. E um homem igualmente generoso.

Orlando Neves escolheu bem o seu sucessor, e a direcção de Vítor Wladimiro foi igualmente muito importante. Mas com o somar dos anos, os sócios foram-se cansando, talvez tenham surgido novos desafios; as dificuldades económicas da associação foram-se agravando, e a SOL XXI foi chegando ao fim…

Vítor Wladimiro Ferreira dirigiu a Associação desde Setembro de 1998 até 2007. Quanto à revista, a ficha técnica apontou Vítor Wladimiro como seu director até ao número 27, de Dezembro de 1997. A partir do número 28, a sua direcção é assumida por ambos, Vítor Wladimiro Ferreira e Luísa d’Andrade Leite.

O editorial da revista nº 28/29/30 é revelador quanto às causas do esmorecimento desta publicação. Aí se diz que as “dificuldades [económicas] crescem como nuvens encastelando-se”. E que assim, “resolveu-se, depois de ouvir quantos connosco falam mais frequentemente, passar a editar apenas dois números anualmente, com um maior número de páginas”.

Na revista 38/39, ambos os directores apontam para a impossibilidade de encontrarem sócios que se propusessem apresentar uma nova lista para os corpos gerentes, pelo que têm que dar por extintas tanto a associação como a revista, propondo-se contudo elaborar um índice de toda a colaboração recebida desde o numero 1.

Esse índice foi realizado, e foi publicado em 2007, sob o número de Revista Nº 40.

A capa da revista nº 36/37 é da autoria da artista Ana Maria Castelo Branco, descendente de D. Ana Plácido, e esposa de Vítor Wladimiro.

5- A concluir

 Agora, desapareceram do nosso convívio. Primeiro, Orlando Neves (1935-2005). Algum tempo depois, Vítor Wladimiro Ferreira (1934-2012).

Por último, em Maio passado, faz agora um ano, Luísa d’Andrade Leite…

Muitos outros nomes desapareceram. António Rebordão Navarro, Mário Machado Fraião, Joaquim Evónio, Ulisses Duarte, António Vera, Manuel Madeira… Também o meu excelente amigo, João Orlando Travanca-Rêgo…

A Associação Cultural SOL XXI foi muito importante. Durante cerca de quinze anos funcionou como um ponto de encontro, único – um local de diálogo –, pois congregou poetas de todo o País. Encontrávamo-nos todos virtualmente, nesse órgão de comunicação, a Revista. Não havia censura. E tínhamos esses encontros anuais, de dois ou três dias, onde quem queria apresentava as suas comunicações sobre algum tema proposto pela Direcção ou do agrado individual do participante. Nos almoços mensais, muito concorridos e animados, encontrávamo-nos os residentes em Lisboa e cercanias. E se alguém quisesse levar um convidado, seria sempre bem-vindo.

Deixo este registo, como homenagem a esses Amigos que tinham por lema usarem o seu tempo livre numa actividade com utilidade para a comunidade. Mas sobretudo a Orlando Loureiro Neves, Vítor Wladimiro Ferreira, e Luísa Andrade Leite.

Deixo como testemunho da minha participação na SOL XXI, dois editoriais. A revista nº 18, de Setembro de 1996 apresenta a despedida de Orlando Neves e a entrada em funções de Vítor Wladimiro Ferreira.

No entanto, não posso deixar de sublinhar três pormenores de relevo.

O primeiro – Orlando Neves foi grande amigo de Luísa Leite e sempre reconheceu o seu desempenho como suporte efectivo de toda a actividade da Associação. É no entanto constrangedor ver que no seu editorial de despedida, ele não tenha uma palavra de gratidão e reconhecimento para com a sua grande colaboradora. E a razão já foi apontada acima – na sua extrema modéstia, Luísa Leite apagava-se, não se fazia sobressair. A sua actividade e presença eram tão naturais como o ar que se respira – eram um dado adquirido.

O segundo – Orlando Neves apresenta em traços largos uma avaliação da actividade e importância da SOL XXI.

O terceiro – a interessante definição de Cultura, aqui apresentada por Vítor Wladimiro.

Em 2000, um amigo de Orlando Neves – o Dr. Jorge Monteiro, seu antigo companheiro nas lides da Associação dos Amigos dos Castelos – promoveu um último encontro dos associados da SOL XXI, em homenagem a Orlando Neves. Nunca, que eu saiba, alguém se lembrou de homenagear Luísa Andrade Leite.

Fica aqui então o editorial de Orlando Neves na revista Nº 18, Setembro de 1996 (mantendo-se os sublinhados do autor):

EDITORIAL

O projecto imaginou-se. O projecto fez-se.

Num tempo (que ainda hoje continua), em que a cultura e, mais especificamente, a literatura, estava entregue ao juízo e tirania de vários grupelhos cosmopolitas, sectários, herméticos e fanáticos da sua verdade, auto-inventada, surgiu a revista Sol XXI /Setembro de 1992) para dar voz e presença aos excomungados por essas facções. Literalmente esmagados, silenciados, postergados, muitos escritores jovens ou não, da província ou das duas cidades mais importantes, não tinham um órgão de imprensa que os acolhesse e estimulasse.

A Associação Cultural SOL XXI inscrevia entre as suas finalidades iniciais a publicação de uma revista.

Ela surgiu, mercê de inúmeras boas-vontades. O ter surgido não é fenómeno invulgar. Quantas dezenas de revistas literárias não apareceram e desapareceram em períodos breves de tempo?

SOL XXI entra no 5º ano de edição. Mantendo, em 18 números, uma média de 100 páginas, pode afirmar-se que é um caso único no panorama literário português deste século, pelo menos. Porque SOL XXI nunca recebeu qualquer apoio das instituições que tinham a obrigatoriedade de a apoiar, nunca se baseou numa estrutura comercial, fundacional ou universitária. Os 700 exemplares que regularmente tirou em cada número foram adquiridos pelos sócios, fundadores e amigos da Associação espalhados por todo o país e por vários países estrangeiros. Esta regularidade, esta tiragem, os mais de 400 colaboradores que acolheu exigiriam que as entidades culturais oficiais deste país a tivessem auxiliado e divulgado. Não o fizeram. Uma cabala montada pelas mencionadas seitas ignorou a sua existência, com algumas excepções. Mesmo assim, muitos nomes das nossas Letras, dos que têm nome feito, aqui colaboraram.

Não tenho a menor dúvida de que o tempo mudará as coisas e que, no futuro, muitos dos que se estrearam nesta revista ou nela firmaram algum do seu prestígio se lembrarão do acolhimento aberto, livre, democrático que aqui tiveram.

Coube-me a mim assumir a direcção de SOL XXI, com António Rebordão Navarro e J. O. Travanca-Rêgo, além dos outros membros da redacçãoo. Fi-lo com entusiasmo e com prazer. Permitir que estas páginas estivessem ao dispor de todos os escritores portugueses, sobretudo dos ignorados, esquecidos, mal tratados ou no começo de carreira, foi o único lema a que obedeci. Julgo que o fiz, com as minhas próprias limitações.

Saio, a partir de hoje, da ficha técnica de SOL XXI, por razões ponderosas de saúde. E de mágoa, também. Dificilmente perdoarei aos que se apregoam solidários, democratas e utópicos – como convém na “coisa cultiral” – e depois se negam, se furtam e pior, injuriam e caluniam.

Mas não saio do projecto, nem da Associação, nem da revista. Talvez até possa, agora, nela escrever (o que sempre evitei) para, com clareza, denunciar a podridão do nosso meio literário.

Sucede-me no cargo um homem de cultura. Vítor Wladimiro Ferreira, escritor e historiador literário, prosseguirá os fins da SOL XXI. E virá, pletórico de vontade e exaltação. Que, em mim, estavam a fenecer.

Um apelo aos sócios, colaboradores e amigos: continuem o vosso apoio. SOL XXI será, no futuro, um marco da história literária do nosso tempo e continuará a ser a vossa porta sempre aberta.

De Vítor Wladimiro Ferreira, as “PRIMEIRAS PALAVRAS”:

Duas linhas apenas.

Vamos, todos, tentar continuar uma obra que tem a marca de um Homem, Orlando Neves, distante das teias intelectuais que quase sempre pouco têm a ver com a ideia de Cultura, um oceano sem limites em que deveria ser possível navegar sem troncos perdidos nem barcos abandonados, sem vagas poderosas nem icebergues.

No projecto SOL XXI, somos poucos, unidos num mesmo objectivo, com as nossas páginas abertas à colaboração de quantos comungam do afecto à Língua e à Cultura Portuguesa, a teia que nos juntou e nos faz caminhar em frente contra os que, derrotistas , nunca acreditam ser possível viver som o esteio de grupos económicos e/ou “lobbys” intelectuais só por si redutores e violadores dum campo que não pode ter fronteiras.

Conto, portanto, com um apoio constante e firme de todos os sócios da SOL XXI, com o conselho, mesmo que telefónico, de quantos fazem parte da nossa estrutura artesanal e em que é indispensável destacar os nossos Amigos Luísa de Andrade Leite, Joaquim Evónio, Luís Dantas, e a insubstituível visão crítica de Orlando Neves.

Vamos continuar a simplicidade e força da nossa Associação e, para tal, há que retomar e reforçar uma velha e decidida expressão: Vamos a isto!

6 – Finalmente

Orlando Neves e Vítor Wladimiro Ferreira estão documentados na Internet. Sobre Vítor Wladimiro Ferreira, nomeadamente, há o tocante mas objectivo testemunho de seu Filho, no blogue “Combustões”.

Sobre Luísa Leite não existe nada. Por isso aqui deixo o essencial que pude coligir da sua biografia, e uma foto recente.

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Publicações de Luísa de Andrade Leite ou Luísa d’Andrade Leite

País-Raíz – Colecção SOL/POESIA, 1988

Anquinha de Moringa – Colecção SOL/POESIA, 1991

Livro de Horas e Eternidades – Colecção SOL XXI, 1993

O Ser Único e Outros – Colecção SOL XXI / FICÇÃO, 1994

RÉQUIE por uma Flor Colecção SOL /POESIA, 1994

Dicionário Proveta – dicionário-bébé de matéria confusa – Colecção SOL XXI / FICÇÃO, 1998

por

Myriam Jubilot de Carvalho

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 1º de Julho de 2018, pelas 11h 55m

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