Chuva

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 3:37 pm

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Chuva

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O céu desaba neste pranto silencioso

mas constante

Escondeu-se não sei onde o belo canto

concertante das aves habitantes das árvores

da rua

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Hoje não há céu azul lá no alto

Apenas este fundo cinzentão

e dentro dele se desenham

os prédios vermelhos do outro lado

da rua

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Uma gaivota poisa estática sobre uma

chaminé

As antenas sobre os telhados

continuam a ligar os pequenos lares

à amplidão do vasto mundo

E os carros continuam a passar

a correr indiferentes e ruidosos

na solidão

da rua

.

A chuva inunda as nossas almas

de solidão e de isolamento

As roupas que enxugavam nos arames

sob as janelas suavemente baloiçam

no vento

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Os prédios ficam todos lavados

por fora

Enquanto lá dentro continuam

os mesmos dramas e os mesmos

movimentos

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As breves plantinhas dos breves jardins

erguem-se nos caules frágeis

com renovado brilho

e seu brando vigor

chega aqui até mim

© Myriam Jubilot de Carvalho

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 4 de Março de 2018, pelas 15h35m

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