Esta expressão “Amar como um bicho” – 3

* Antologia,* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 1:37 pm

VINICIUS de MORAES

O soneto do Amor total, na voz do próprio Poeta:

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Marcus Vinicius da Cruz e Mello Moraes

Nasceu em 1913, no Rio de Janeiro;

Em 1946, assumiu o seu primeiro posto diplomático como vice-cônsul, em Los Angeles;

O seu valor literário começou a ser prestigiado com a peça “Orfeu da Conceição” (1956).

Os seus grandes parceiros musicais foram o maestro António Carlos Jobim, na década de ’60,

e na década seguinte, o violinista Toquinho.

O poeta viveu numa época difícil da História do Brasil. Foi destituído das suas funções no corpo diplomático quando se encontrava em Lisboa, a dar espectáculos com Chico Buarque e Nara Leão, tendo sido invocada a justificação de que “o seu comportamento boémio o impedia de cumprir as suas funções”. Esta posição do Governo brasileiro de então foi posteriormente rectificada, em 1998, rectificação que o poeta já não pôde presenciar, pois o seu falecimente tinha ocorrido na manhã de 8 de Junho de 1980.

A sua carreira artística começou na década de ’20.

Foi mais tarde, o iniciador da Bossa Nova, já no fim da década ’50.

Recordo até a emissão da RTP onde ele foi introduzido ao público português! Infelizmente, não encontro essa emissão ho YouTube.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 29 de Outubro de 2016, pelas 14h 30m

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Esta expressão “Amar como um bicho” – 2

* Antologia,* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 11:42 am

Nota biográfica sobre  RENATO DE MATTOS MOTTA1 –

A nota biográfica que encontro na Net, sobre este poeta e artista gráfico, não indica a sua data de nascimento. Mas conforme se diz que “os Anjos não precisam de ter asas, pois são anjos”, também poderemos dizer que “os Artistas não precisam de idade, pois são eternos”.

No entanto, calculo que tenha nascido na década de 50, do século XX.

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RENATO DE MATTOS MOTTA — Nasceu e vive em Porto Alegre.

É publicitário, poeta, faz xilogravuras, fotografias e histórias-em- quadrinhos, além de já ter trabalhado em teatro. Atuou nas peças “De como Raízes Transformam-se em Asas” de Cairo Trindade e “A Casa da Suplicação”, de Carlos Carvalho, 2º lugar em Conto no I Concurso Mario Quintana de Literatura DCE/ADUNISINOS; publicou “Pau de Poemas”, álbum de poesias ilustradas em xilogravura; “Salamanca”, adaptação para quadrinhos de uma lenda recolhida por J. S. Lopes Neto; além de uma coleção de fotopoemas e da “Coleção Fogo do Verbo” – caixas de fósforos com poemas. Junto com Alexandre Brito e Cláudia Gonçalves, criou a República da Poesia, sarau aberto ao público que acontece mensalmente. Participa como apoiador além de realizar leituras e oficinas nos festivais Porto Poesia e Porto Alegre dá Poesia.

Aqui deixo dois exemplos do seu sentido de humor:

renato_de_mattos_motta4

XEQUE

Quando a vida ia me dar um xeque-mate,

a gata pulou sobre o tabuleiro!

Fez a maior bagunça!

Saiu pela casa

com o rei adversário

transformado em joguete

entre suas patas.

Foi aí que me dei conta

que a vida

é um cheque…

em

branco!

SONETINHO SOLITÁRIO

Sem ti, a vida

não tem graça

não tem graça

não tem graça

não tem graça

não tem graça

não tem graça

não tem graça

não tem graça

não tem graça

não tem graça.

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Sem ti,

a vida

é só desgraça.

Fonte:

A fonte de toda a informação que aqui transcrevo, encontra-se no site

Poetas do Brasil

cujo link não se deixa copiar:

No entanto, é fácil de encontrar na pesquisa do Google.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 29 de Outubro de 2016, pelas 14h

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Esta expressão “Amar como um bicho”… – 1

* Antologia,* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 11:31 am

A expressão que considero muito forte e por isso, muito expressiva, erótica e apaixonada – “amar-te como um bicho” – encontrei-a nestes dois poetas: Vinicius de Moraes e Renato de Mattos Motta.

Vejamos os dois poemas.

Primeiramente, o de Vinicius de Moraes:

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Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude

(1)

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E agora, o poema de Renato de Mattos Motta:

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Quero beijar tua boca

Morder tua nuca

Invadir teu ventre

Penetrar teu nicho

Te amar como um bicho

(2)

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Fontes:

(1) Retirado da Net.

(2) “Pau de Poemas” – 2ª edição, Porto Alegre, Setembro de 2007

Edição do Autor.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 29 de Outubro de 2016, pelas 13h.

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WA THIONG’O, NGUGI

* Antologia,* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 1:56 pm

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Com a devida vénia, tomo nota deste artigo que analisa os temas principais da obra do escritor keniano Ngugi wa Thiong’o

e que se encontra no link abaixo:

WA THIONG’O, NGUGI

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Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 16 de Outubro, pelas 14h.55m

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O Colonialismo continua vivo, activo, e operante

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 1:46 pm

Sobre o Nobel da Literatura 2016
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Não ponho a questão se o premiado deste ano reúne as condições para um Nobel da Literatura… Penso que seria um prémio no âmbito da Comunicação de massas…
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O que me incomoda, é este olhar para o umbigo, pela Cultura Ocidental. Porque se fica em geral na auto-contemplação da sua própria imagem.
Havia mais candidatos. O japonês Haruki Murakami, e o keniano Ngugi wa Thiong’o.
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Se pensarmos que o Japão já foi contemplado, embora apenas duas vezes, porque não diversificar e escolher o autor keniano – Ngugi wa Thiong’o ?
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Porquê perder a oportunidade de chamar a atenção para realidades mais vastas, divulgando outras culturas, provavelmente outras linguagens?
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Consultando a lista de Africanos ou Afro-Descendentes, laureados com o Nobel, verifica-se que a grande percentagem foi laureada com o Nobel da Paz…
…Irónico!

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 16 de Outubro de 2016, pelas 14h 45 m

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Museu da Escravatura, em Lagos, Portugal

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 1:57 pm

2016:

O MUSEU da ESCRAVATURA, na cidade de Lagos

mercado-dos-escravos

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Finalmente. Já era tempo:

Portugal recorda a sua responsabilidade na promoção da Escravatura.
O papel de Portugal foi determinante no desenvolvimento dessa prática.
Nunca será demais lembrar que a chamada “civilização ocidental” se desenvolveu com base na prática do transplante de milhões (não foram “milhares”; foram cerca de 120 “milhões”) de seres humanos arrancados à sua vida normal – as suas famílias, as suas actividades, as suas terras, em suma, a sua liberdade e o seu direito à vida.
A promoção do chamado “Ocidente”, fez-se com base nesta barbárie.
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Dizer que foi “uma página negra” da nossa História, não faz sentido:
É necessário revermos o uso que fazemos de certos vocábulos.
A oposição “negro = mau, escuridão” / “branco = bom, luz” continua baseada em conceitos derivados do preconceito racial.
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Essa “página de barbárie” da nossa História durou séculos – e intensificou-se entre o século XV e o séc XIX. Deixando marcas profundas no nosso comportamento colectivo, marcas que só poderão ser ultrapassadas quando as identificarmos frontalmente.
O pensamento oficial português continua eivado de mitos. Mitos que importa desmontar. E essa responsabilidade cabe-nos a todos nós, intelectuais, estudiosos, investigadores, escritores, filósofos, jornalistas, artistas…
…O “povo dos brandos costumes” mostrou bem de que branduras era capaz…
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…E, afinal, a notícia da abertura deste museu, não é recente. Tem data de 9 DE JUNHO DE 2016
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Porque foi que eu não soube?
De facto, não vejo noticiário todos os dias. Mas oiço rádio, consulto a Net.
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Teria sido apenas noticiário regional?
Assim uma curiosidade folclórica de interesse local?
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Dá que pensar.
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Ai, os nossos mitos, o “povo dos brandos costumes”…
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A Inglaterra, esse grande país, tem o melhor museu do mundo sobre Escravatura…

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Notícia neste link:

www.sulinformação.pt

Lagos abre museu para que não se apague memória do «legado terrível» da escravatura

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 13 de Outubro de 2016, pelas 15h

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Dia Internacional das Raparigas

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 7:56 am

11 de Outubro – Dia Internacional das Raparigas

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” O dia 11 de outubro foi instituído, em 2011, como o Dia Internacional das Raparigas,

através daResolução 66/170, da Assembleia Geral das Nações Unidas,

com o intuito de promover uma maior consciência relativamente à situação das raparigas em todo o mundo,

de forma a tentar quebrar o ciclo de discriminação e violência

e promover a proteção dos seus direitos. “

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Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 11 de Outubro de 2016, pelas 9h.

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Homenagem a Tomas Tranströmer

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 9:52 pm

A reading of the poem “After A Death” by Tomas Transtromer.

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TRADUTTORE – TRADITORE…

Na década de ’80, muito antes da atribuição do Prémio Nobel a Tomas Tranströmer – o grande poeta sueco -, o editor Robert Hass convidou os tradutores
Robert Bly
Robin Fulton,
May Swenson,
Samuel Charters,
John F. Deane,
Joanna Bankier,
Eric Sellin,
e outros,
a conjugarem as suas versões – todas elas diferentes – dos poemas de Tranströmer, com o objectivo de encontrarem uma versão única e o mais próxima possível dos poemas originais.
Saiu a obra


“Selected Poems” – Edited by Robert Hass
Harper Collins Publishers
1987.

Do grande poeta que tanto admiro, transcrevo um poema.

…Estou a vê-lo sentado à mesa de um café, numa esplanada junto ao Lago Mälaren, puxando de papel e caneta e registando as suas impressões e reflexões do momento…

…tal como eu própria tenho o hábito de fazer…
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ESPRESSO
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Black coffe at sidewalk cafés
with chairs and tables like gaudy insects.
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It is a precious sip we intercept
filled with the same strength as Yes and No.
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It is fetched out of gloomy Kitchens
and looks into the sun without blinking.
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In daylight a dot of wholesome black
quickly drained by the wan patron…
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Like those black drops of profundity
sometimes absorbed by the soul
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that give us a healthy push: Go!
The courage to open our eyes.
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(Obra citada, pág 55).

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Não resisto ao desafio, e deixo a minha versão. Aliás, foi um pouco difícil encontrar equivalentes em português para uma ou duas palavras. Mas consegui, e espero ter apanhado a alma do poema…

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Café Espresso

Café preto nos cafés da esplanada

com cadeiras e mesas como insectos garridos.

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É um precioso golo que interceptamos

cheio com a mesma força que Sim e Não.

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Encontrado em cozinhas sombrias

e olha para o sol sem se encandear.

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Na luz do dia um ponto preto salutar

rapidamente drenado pelo sombrio cliente…

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Como essas gotas pretas de profundidade

por vezes absorvidas pela alma

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que nos dão saudável impulso: Vai!

A coragem de abrirmos os olhos.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 2 de Outubro de 2016, pelas 22h 445m

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Magia dos Contos Orientais

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:53 am

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A magia dos contos orientais.

Baseados numa profunda observação psicológica, os seus temas são eternos.

magiaoriental

A Chave da Felicidade

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Um conto oriental
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Deus sentia-se muito só. Para superar a sua solidão, tinha criado uns seres que lhe faziam companhia. Mas esses seres sobrenaturais encontraram a chave da felicidade e fundiram-se com o Divino, que voltou a ficar só e sumido no seu triste sentimento de solidão. Reflectiu demoradamente. Era Deus mas não queria estar sozinho. Pensou que tinha chegado o momento de criar o ser humano, mas intuiu que este poderia encontrar a chave da felicidade, que descobriria o caminho até Ele e com Ele se fundiria.

Não, não queria ficar só outra vez.
Perdurou no seu pensamento e perguntou-se onde poderia esconder a chave da felicidade para que o Homem não a pudesse encontrar. Não era fácil. Primeiro pensou ocultá-la no fundo do oceano, depois numa caverna nos Himalaias, depois noutra galáxia. Mas estes lugares não o satisfaziam.
Passou a noite em claro, perguntando-se onde seria o lugar mais seguro para esconder a chave da felicidade. Sabia que o ser humano acabaria por descer ao oceano mais abismal e que a chave não estaria segura aí. Também não estaria segura numa gruta nos Himalaias porque, mais cedo ou mais tarde, o Homem escalaria até aos cumes mais elevados e encontrá-la-ia. Nem sequer estaria segura noutra galáxia, já que o Homem chegaria a explorar os vastos universos.
Ao amanhecer, continuava a perguntar-se onde ocultá-la. E quando o Sol começava a desvanecer a bruma matutina com os seus raios, de súbito ocorreu-lhe um lugar no qual o ser humano nunca procuraria a chave da felicidade: dentro de si mesmo. Criou então o ser humano e, no seu interior, colocou a chave da felicidade.
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In
Os Melhores Contos Espirituais do Oriente (pág 20)
por Ramiro Calle
Tradução de Margarida Cardoso de Meneses
Ed A Esfera dos Livros, 4ª ed, 2010
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Notas:
1- Na minha transcrição, abri alguns parágrafos para dar respiração à mancha gráfica do texto. No original não há parágrafos.

2- A imagem inicial deste post foi retirada de:

https://aoikuwan.com/

3- A magia dos contos orientais começou a seduzir-me desde que, ainda muito nova, em tempos da faculdade, um grande amigo me ofereceu as “Histórias Maravilhosas do Oriente”, uma colectânea de contos orientais organizada por Pearl Buck (Livros do Brasil).Também Marguerite Yourcenar se interessou e divulgou esta sabedoria milenar, publicando “A Salvação de Wang Fô e Outros Contos Orientais” (Biis).

Sobre o alcance psicológico e psicanalítico da sabedoria milenar do Oriente há grandes estudos, nomeadamente a “Psicanálise dos Contos de Fadas”, de Bruno Bettelheim (Bertrand).O multifacetado artista chileno-francês Alejandro Jodorowsky (1929) reúne em “Sabedoria dos Contos” (Pergaminho), uma série de contos orientais e sufis, judeus, indianos, chineses, budistas, e as inevitáveis histórias de Mulla Nasrudin, dando-nos no final de cada conto uma interpretação ou antes, uma aplicação psicanalítica que poderemos pensar e integrar no nosso complexo de considerações sobre nós próprios e a vida em geral.

As próprias fábulas atribuídas a Esopo (final do séc VII ou inícios do VI aC) pela tradição ocidental, e depois transpostas para Latim por Fedro (séc I dC), enraízam-se nessa sabedoria que abrangia o mundo da Antiguidade numa larga faixa territorial que abrangia da Índia e Pérsia ao Médio Oriente. A tradição das fábulas prolongou-se na cultura europeia, não sendo necessário recordar o papel que nessa voga teve Jean de Lafontaine (1621-1695).

Por outro lado, a famosa recolha árabe das “Mil e Uma Noites”, que só se tornou conhecida no ocidente a partir da tradução francesa de 1704, do orientalista Antoine Galland, foi iniciada no séc IX, e também contém histórias de várias origens, incluindo a Índia, a Pérsia e a própria Arábia.

Por comodidade, retiro a informação do site da FNAC:(…) ‘Os mestres espirituais da Índia foram os primeiros a servirem-se da narrativa, para instruir espiritualmente os seus discípulos. A maioria destas narrativas é milenar e anónima e foi sendo transmitida de forma oral, de mestre a discípulo, durante séculos. Em poucas palavras, estes contos partilham conhecimentos fundamentais e profundos que abrem a mente e o coração, e podem ser interpretados consoante a perspicácia e o grau de maturidade mental de quem os escuta. O autor (Ramiro Calle) fez mais de setenta viagens à Ásia onde recolheu os melhores contos orientais. ‘

http://www.fnac.pt/Os-Melhores-Contos-Espirituais-do-Oriente-Ramiro-Calle/a149220

9789896260217

 

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 2 de Outubro de 2016, pelas 12h 50m

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