Colaboração na revista online AlmadaForma nº 13

* Educação e Criatividade — Myriam de Carvalho @ 11:06 pm

A Directora do Centro de Formação AlmadaForma solicitou-me um artigo para a revista do Centro, que estava “mesmo a encerrar”.

Na emergência, enviei este artigo que já fora publicado no jornal O AUTARCA.

Figura aqui, na página 38 – basta folhear!

 

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 24 de Junho, pelas 24h 5 minutos.

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Crónica 32 – Mulheres da Mesopotâmia

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 12:47 pm

É da Mesopotâmia que temos notícia da primeira autora a assinar os seus textos.

A princesa Enheduanna é a primeira de todos os autores conhecidos – pelo menos, até à presente data… Pode acontecer, de um momento para o outro, que as pesquisas arqueológicas revelem outro nome, noutras paragens…

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Mulheres da Mesopotâmia

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Os direitos da mulher não são uma conquista do séc XX. Houve sociedades antigas em que a mulher usufruía de uma cidadania mais satisfatória do que poderíamos imaginar. Da antiga Mesopotâmia (palavra grega que significa “entre os rios”, neste caso, o Tigre e o Eufrates) chegam-nos testemunhos de como viviam as mulheres da longínqua Idade do Bronze, há cerca de 4.000 anos.

Nesse tempo recuado, muitos mercadores da cidade-estado de Assur (perto da actual Mossul, no Iraque) emigravam para a Anatólia central (região da Turquia) para expandirem os seus negócios. Aí, no sítio arqueológico correspondente à antiga cidade de Kultepe, os Assírios possuíam uma “feitoria”, no “bairro” de Kanesh. E aí, a partir das pesquisas arqueológicas iniciadas em 1948, têm sido trazidas à luz do dia pequenas placas de argila cozida, com mensagens registadas em escrita cuneiforme, contendo a correspondência mantida entre esses mercadores e suas mulheres – esposas, filhas, mães – ao longo de cerca de 300 anos.

Através dessas mensagens, vemos que quem geria o comércio de Assur eram as próprias famílias, não o governo da cidade; e que as mulheres gozavam de uma notável independência, podendo gerir a sua pequena empresa, reclamar uma pensão, negociar o divórcio. Algumas saberiam mesmo escrever, e há mensagens por elas assinadas.

Bem entendido, não era assim em toda a Mesopotâmia. Sabe-se que em Babilónia, uma mulher que pedisse o divórcio seria condenada à morte…

É da Mesopotâmia que temos notícia da primeira autora de Literatura. Trata-se da princesa Enheduanna (2.300 aC), filha do rei Sargão. Foi grande sacerdotisa, e a primeira poetisa conhecida da História, isto é, é a primeira autora que assina os seus textos. Eram em geral hinos sacerdotais.

O grande especialista em História e Literatura da Suméria é o professor americano Samuel Noah Kramer (1897-1990) – University of Pennsylvania.

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Enheduanna 

Enheduanna foi uma princesa e grande sacerdotisa. Foi também a autora (conhecida até agora) dos primeiros textos assinados da História humana. É a primeira de todos os escritores da História .

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A partir da versão inglesa apresentada no link abaixo indicado, preparámos esta versão em Português, para os leitores do AUTARCA:

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A primeira-dama da sala do trono

Aceitou a canção de Enheduanna.

Inanna, a deusa, ama-a novamente.

O dia foi bom para Enheduanna,

pois ela estava vestida em jóias.

Ela estava vestida com beleza feminil.

Como os primeiros raios da lua no horizonte,

Ai com que luxo ela estava vestida!

Quando Nanna, o pai de Inanna,

Fez a sua entrada

O palácio abençoou a mãe de Inanna, Ningal.

E da soleira da porta do céu veio a palavra:

“Bem vinda”.

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http://www.transoxiana.org/0108/roberts-enheduanna.html#ref_pie

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 23 de Junho de 2016, pelas 13h 45m

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Onde encontrar as crónicas publicadas no AUTARCA

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 1:09 pm

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Onde encontrar estas crónicas publicadas no AUTARCA

TODAS as CRÓNICAS publicadas no AUTARCA,

jornal independente da cidade da Beira, em Moçambique,

estão igualmente publicadas no FaceBook

Aí, podem ser vistas,

com todos os COMENTÁRIOS que lhes têm sido dirigidos.

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A temática começou por ser centrada nas

RAÍZES CULTURAIS DA PENÍNSULA IBÉRICA,

meu tema de eleição,

mas tem-se tornado mais abrangente,

ajustando-se ao devir dos interesses que o dia-a-dia vai solicitando.

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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 9 de Junho de 2016, pelas 14h

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Crónica 31 – O “Amor” na Poesia Antiga (Mesopotâmia)

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 10:49 pm

 

Crónica Nº 31

Mais uma vez, como é habitual, o grafismo é do meu generoso Amigo, o artista gráfico Kraveirinya Mphumo…

…Que, enquanto escritor, poeta, jornalista, assina como Mphumo João Kraveirinya.

É bom recordar que se trata de um investigador em matérias de Sociologia da História, da Alimentação, dos chamados Descobrimentos Portugueses, da Escravatura…

Enfim, um perfil multímodo, riquíssimo, a quem sempre agradeço a colaboração!

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Crónica Nº 31, no jornal independente O AUTARCA, da cidade da Beira, em Moçambique.

Edição nº 3087, de Quarta-feira – 08/06/16 – Página 4/4.

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Crónica Nº 31

O “Amor” na Poesia antiga (Mesopotâmia)

Hoje apresentamos breves excertos de poemas de amor da cultura do antigo Médio Oriente (Mesopotâmis, Egipto, Palestina), na chamada Idade do Bronze, entre 3.200 aC e 1.200 aC. Curiosidade: os namorados tratam-se por “irmão” e “irmã”.

Diálogo à porta

(Este excerto de um poema da Suméria mostra-nos um diálogo entre a deusa Inana, a deusa do Amor e Fertilidade, mas também uma deusa guerreira, e Dumuzi, o Pastor, uma rei anterior ao Dilúvio. E aqui podemos ver como a garridice feminina é de todos os tempos!)

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(diz o “irmão”)

Minha irmã, por que razão te fechaste em casa?

Minha pequenina, por que razão te fechaste em casa?

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(a “Irmã”)

Lavei-me, esfreguei-me com sabão,

Na bacia pura me lavei,

Esfreguei-me com sabão no vaso de pedra branca,

Deleitei-me com o bom óleo do vaso de pedra,

Pus vestido de gala, trajes de senhoria.

Por isso me fechei em casa.

Pintei meus olhos com carvão, (…)

Deixei cair (?) minhas tranças,

Meu bordão de fazer bom seu reinado, a ele dei a conhecer.

Meus lábios recurvos fiz direitos, minhas tranças soltas ajuntei,

Até ao extremo da nuca deixei-as cair.

Um anel de ouro pus na mão,

Continhas pus ao pescoço, aos tendões do colo as fixei.

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(o “Irmão”)

Irmã, ante teu coração eu trago mel,

Ao teu coração trago o coração amado. (…)

Minha irmã, deixa-me levar isto à tua casa,

como ovelha deixa-me levar cordeiros, (…)

Como cabra deixa-me levar cabritos, (…)

Sejam os cabritos multicolores como cabras!

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(a “Irmã”)

Agora que meu seio está erguido,

Agora que pêlos cresceram no meu sexo,

Indo para o regaço do meu noivo,

Rejubilemos,

Dancemos, dancemos.

(…)

Dancemos, dancemos,

Até ao fim, nisso terá deleite, nisso terá deleite.

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Vida é a tua vinda

(Este excerto faz o elogio do noivo, o “barco-magur” era um tipo de barco sumério, para transporte de mercadorias: o “pai” É Nanna/Sin, ou seja, deus-Lua, venerado na cidade de Ur.)

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Tu és o nosso irmão,

Tu és o irmão versátil (?) do palácio,

Do barco-magur és capitão, do carro o superintendente,

Da cidade és o pai e o juiz.

Irmão, tu és o genro do nosso pai,

Tu és o mais nobre dos genros,

Provês a nossa mãe de todos os bens.

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Vida é a tua vinda,

Tua vinda para a casa da abundãncia,

Estar deitada a teu lado é o meu gozo maior…

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Retirado de:

“Cantigas de Amor do Oriente Antigo”

Estudo e tradução de José Nunes Carreira

Edições Cosmos, Lisboa 1999

Primeiro texto: pág 132 (poema 8)

Segundo texto: pág 140 (poema 12)

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NOTA:

Naqueles tempos, o tratamento de “irmão” e “irmã” poderia reflectir alguma necessidade de mútuo respeito, sobretudo do namorado para a namorada. Em princípio, a proximidade familiar cria laços mais estreitos e não de opressão. Proximamente, veremos alguns pormenores sobre a situação da Mulher na Mesopotâmia.

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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 8 de Julho de 2016, pelas 23h 48m

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Crónica Extra – Os novos grafismos

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 1:57 am

Jornal O AUTARCA, da cidade da Beira, Moçambique

Edição Nº 3074, de 18-05-2016; pág 4/4.

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Crónica EXTRA

Em 2014 juntei-me aos colaboradores pro-bono do?Jornal “O AUTARCA” de Moçambique, a colega paulista Silvya Gallanni e o Professor Adelto Gonçalves também de São Paulo, Brasil.??Chegou o momento de homenagearmos o seu editor-chefe-fundador, Sr. Falume Chabane, que sempre acolheu a nossa colaboração com a maior simpatia, bem como o pessoal dos bastidores do jornal – o repórter, o redactor, e pela parte que nos diz respeito, em particular o grafista dos três cabeçalhos aqui representados, o artista plástico, sociólogo?e pesquisador académico,?escritor e jornalista ‘Mphumo’ João Craveirinha, aliás Kraveirinya Mphumo na pintura e poesia.?(Apoia o jornal desde 2004).

Fruto do seu exigente sentido estético, e generosidade, ‘Mphumo’ João Craveirinha tem vindo a renovar o grafismo do cabeçalho e ‘layout’ das nossas colunas? – ?a de Silvya Gallanni desde 2011, e a do Professor Adelto Gonçalves desde 2015. Outras vezes funcionando como um “chefe da redacção” na solicitação de encurtamento de texto para caber nas colunas,?fazendo?ainda, a pesquisa da imagem adequada.

(Tradição de família? Apurámos que na década de 1950,?seu?pai foi chefe de redacção do irmão poeta-jornalista no jornal ‘O Brado Africano’ na então capital da colónia portuguesa da África Oriental).

Por outro lado é forçoso reconhecer que este trabalho gráfico exige muitas horas, muito esforço de olhos, muita atenção, muito rigor. Quem mais é que se empenharia a dar (oferecer) tempo e Arte a uma coluna de jornal??Quem é que faz ideia do que custa em esforço criativo, que é intelectual, emocional e físico, um trabalho de Arte? Foram necessárias diferentes variantes até chegar às últimas performances que em nossa opinião, estão insuperáveis. Obviamente, quem fica a ganhar, são as nossas crónicas, com o relevo que este Artista lhes dá!

De uma conversa muito recente com o moçambicano ‘Mphumo’ João Craveirinha, falando sobre o seu trabalho gráfico e empenhamento, citamos:?«Uma reprodução fotográfica, na maquetização ou ‘layout’, numa revista ou?jornal, pode?ajudar em muito a leitura dos textos. Mas a criatividade, a experiência gráfica e plástica do artista são fundamentais nesse trabalho de fundo a que se chama ‘art work.’»

Pela nossa parte, muito e re-muito obrigada!?(MJdC.)

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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

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Crónica 30 As “formas” da Poesia Antiga

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 1:56 am

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Crónica 30 – Poesia e globalização (5)

As “formas” da Poesia antiga (Mesopotâmia)

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Como teria sido a criação verbal, nos seus primórdios? O acto de “criar” pelo uso da palavra, a capacidade de “narrar” ou “inventar”, ter-se-ia tornado possível quando o ser humano conseguiu ter vida espiritual, ou seja, quando o ser humano conseguiu confrontar-se com a sua sensibilidade e relacionar-se com os seus próprios sentimentos, os ciclos da Natureza, o Medo, o Mistério, o Desconhecido…

Da mais alta Antiguidade nos chegam testemunhos de criação artística, na pintura, na arquitectura, na poesia. Sabe-se que também havia arte musical… Nesse tempo, acreditava-se no “convívio” entre deuses e humanos. Os namorados tratavam-se por “irmão” e “irmã”, num sentido de proximidade , talvez não de incesto, mas devido à falta de vocabulário amoroso.

Num excerto de um poema da Suméria, intitulado “Diálogo à porta” – vemos uma conversa entre Inana, deusa do amor, da fertilidade e também guerreira, e Dumuzi, “o Pastor”, um rei anterior ao Dilúvio.

No poema, poderemos ver vomo o gosto feminino pela elegância é de todos os tempos!

Na próxima crónica, apresentaremos breves excertos de poemas de amor da cultura do antigo Médio-Oriente (mesopotâmia, Egipto, Palestina), na chamada Idade do bronze, entre 3.200 e 1.200aC. (MJdC).

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As ilustrações; Fontes:

À esquerda: 

Representação da “Porta da Deusa Ishtar” no Iraque., tal como a imaginamos. A reconstrução por Saddam Hussein foi interrompida pela guerra:

https://www.pinterest.com/pin/567031409310737548/?from_navigate=true

À direita:

Representações escultóricas de “Deuses da Suméria”:

https://www.google.pt/search?hl=en&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1565&bih=902&q=gods+of+sumeria&oq=gods+of+sumeria&gs_l=img.3…4743.15955.0.16248.0.0.0.0.0.0.0.0..0.0….0…1ac.1.64.img..0.0.0.UeY6ae-J_Kc#imgrc=yEMSsnEzCySh5M%3A

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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

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