Crónica Nº 25

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 10:02 pm

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Crónica 25 – in O AUTARCA, Jornal Independente, !uarta-feira – 18/11/2015;

Edição Nº 2990; Páginas 3 e 4.

Transcrição da introdução em destaque:

Esta crónica é extraordinária. Estivemos ausentes desde 19 de setembro. A última crónica, a nº 24 – Poesia no Mundo Globalizado. 1 .

As próximas crónicas, embora extremamente sucintas, serão dedicadas aos Estudantes, nomeadamente aos que gostam de escrever bem, seja em que idioma for – africano, europeu ou outro.

Quanto a nós, o para que serve a escrita literária”, ou por melhores palavras – qual a sua “função” – será talvez a grande questão filosófica que deveremos colocar-nos não só sobre a Poesia, mas sobre toda a criação artística… Surge assim, essa questão: afinal para que servem a Arte e a Literatura, num mundo cada vez mais materialista?

Segue-se o texto

Agora já sei como redigir a minha Tese, anteriormente aqui publicado

no passado dia 16 deste mês.

Crónica 25 Agora Já Sei Redigir Uma Tese 1

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Crónica 25 Agora Já Sei Redigir Uma Tese 2

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 20 de Novembro de 2015, pelas 22h.

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O preço

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 1:26 pm

 

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O preço

Ao Poeta Desconhecido

Vê-se de longe

como brilha

o alto do campanário

.

Todo o brilho

é solitário

.

A vida nos confere

seus adereços

– E com as nossas mãos,

pagamos o preço

.

Águas

e ventos se entre

laçam nos caminhos

Bifurcações –

ramais – rústicas esteiras –

rasteiras – suspensões

.

Inesperados, surpresos –

suspensos ais

ilustram os cruzamentos

.

– E como desertar nos é vedado,

teremos de ficar, continuar

a cumular (grátis) de

talentos

o condado –

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© Myriam Jubilot de Carvalho

 Depois de uma reunião, 17 de Abril de 1994

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Imagens retiradas deste link,

com a devida vénia:

https://stockfresh.com/royalty-free-stock-photos/transportation+icons

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 19 de Novembro de 2015, pelas 13h 15m

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João Craveirinha na imprensa da cidade da Beira – Moçambique

* Notícias e Entrevistas — Myriam de Carvalho @ 5:37 pm

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O doutoramento do meu Amigo João José Craveirinha Jr – repercitiu-se na cidade da Beira e em todo Moçambique.

Recordo que João Craveirinha é um multi-facetado artista e investigador moçambicano, pintor, poeta, dramaturgo, jornalista-politólogo, autor de romance-crónica, e de contos para crianças. Mas este talento notável não se fica por aqui. É igualmente investigador em História e Sociologia.

Defendeu a sua tese de doutoramento no passado dia 10 deste mês, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Apesar do apreço que lhe demonstraram três dos membros do júri e igualmente a sua própria orientadora, a sua tese, um documento com mais de 500 páginas, com conceitos inovadores, sofreu tentativa de depreciação por parte do primeiro arguente. Coisas da mesquinha lusa-atenas.

Enquanto esperávamos pela avaliação do júri, os inúmeros amigos que ali estávamos não podíamos calar o comentário de que mais uma vez tínhamos presenciado uma manifestação de racismo e de espírito inquisitorial.

Finalmente, no termo de uma hora que pareceu demasiado longa, saiu a esperada aprovação, com Distinção.

Aqui registo os meus sinceros parabéns ao João, a sua esposa, e aos seus filhos! Com os maiores votos de felicidades e que uma nova página se desenrole em seguida, com novas oportunidades de nos brindar com o brilho do seu valor intelectual e humano.

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João Craveirinha é descendente de um colono português em Moçambique, pelo lado paterno.

Pelo lado materno, é descendente da realeza Ronga.

Pelo coração, todo o seu Amor está no seu País natal, Moçambique.

A família Craveirinha desenvolveu papel proeminente no processo que levou à Independência de Moçambique.

Colaborador dedicado do jornal da Beira, O AUTARCA, as suas crónicas são devidamente apreciadas em todo o mundo dito lusófono.

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João Craveirinha na imprensa da cidade da Beira . Moçambique

Jornal O AUTARCA

Nº 2989 –Terça-feira, 17 de Novembro de 2015

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Actualizado no dia 20 de Novembro, pelas 22h 30m

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Escolhas do meu amigo Fernando Reis Luís, poeta algarvio

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 10:53 am

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Vai quase fazer dois anos,

o meu Amigo Fernando Reis Luís referenciou-me na sua página do FB, CICLO DE POETAS ALGARVIOS,

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…E hoje, tive a grata surpresa de ver a repetição do mesmo post, que aqui reproduzo com as fotos que o acompanham.

Fernando R. Luis comentou uma publicação de 20 de Janeiro de 2014.”

Para si, Fernando, vai um abraço amigo!

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CICLO DE POETAS ALGARVIOS, Nº. 50

TAVIRA

MYRIAM JUBILOT DE CARVALHO

Maria de Fátima de Oliveira Domingues, nasceu em Tavira, em 1944. É licenciada em Filologia Românica. Foi professora no 2º Ciclo. Das suas obras literárias constam contos, poesia, estudos, teatro para crianças e artigos em diversos jornais e revistas literárias. Faz parte do Anuário de Poesia da Assírio & Alvim, 1987.
Algumas obras:
– Cinco Vezes Cinco 25 Poemas;
– E no Fim Era a Poesia

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AS VELHAS DO RESTELO
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As velhas do Restelo
Não desembarcam no Mindelo
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Com diábulus e brúxulas embar
cam num rabelo
Dançam de ródula até
ao Cabedelo Galáxias in
têirulas Nuas e em pêlo
A cavalo num cabelo
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Oh Velhas do Restelo
Ficade-vos para aí Marrando
num escalpelo
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Este poema foi publicado no jornal Correio Beirão, no suplemento
NAVE, Nº 13, de 17 de Dezembro de 1992,

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VERÃO

Verão
Tempo de viagem
Liberdade
Encontro
*
Viagens no espaço,
no tempo,
ou no Eu interior
*
Encontro contigo
Encontro comigo
Abrigo e Calor
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O DESEJO
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O desejo é um ser vivo, animado de propósitos e vontade
O desejo é um ser autónomo, independente do Sujeito e do Objecto
O desejo é um monstro voraz
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Há momentos em que morre
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Há momentos em que acorda. Então, abrem-se as bocas todas do corpo, a alma bate as asas e voa para longe do Sujeito, e quer emborcar de um trago como um copo-de-três a alma do Objecto, quer inocular-lhe o veneno que letalmente o anule e o ponha à sua inteira disposição
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E no entanto, se estivesse ao pé de ti, ficaria muda e queda, cautelosa, observadora, medindo os teus gestos, palavras, e olhares e temperatura da pele e do sorriso e do arco das sobrancelhas
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Ficava à espera que tomasses a iniciativa, avançasses e falasses do sol e do tempo, me pegasses a mão devotamente como um adolescente tímido e me convidasses para um passeio ao pé do mar
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O desejo é uma poção traiçoeira, directa, apontada ao peito – a dissolver-me na imensidão da areia
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O desejo renova a juventude, deixa-me leve, flutuante, sinto-me mais alta
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(Faz-me sentir segura, imponente, triunfante, como uma estátua equestre)
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O desejo é uma espada de harakiri – a apear-me dos meus pés de barro
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O desejo é hermafrodita – é pai e mãe da Arte, e da Escrita
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© Myriam Jubilot de Carvalho

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Publicado por

Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 17 de Novembro de 2015, pelas 10h 55m

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Sagres

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 1:41 pm

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Sagres

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Sentimos que passamos

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Que sabemos, nós, de

origens e destinos?

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Sentimos que

passamos

E com isso nos

ferimos

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Feliz seja quem diz saber

de tudo, e sobre tudo,

de origens, e de destinos

…Viagens de vida, inocentes?

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Cretinos!

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Sagres, 9 de Abril de 1994

Imagem retirada com a devida vénia da página:

http://hubpages.com/health/Megalomania-and-its-Causes-Can-it-be-Cured

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 16 de Novembro de 2015, pelas 13h 35m

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Já sei como vou redigir a minha Tese

* Contos — Myriam de Carvalho @ 3:24 am

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JÁ SEI COMO VOU REDIGIR A MINHA TESE
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Para redigir a minha Tese, eu vou seguir à risca os ensinamentos da Menina Lourdinhas, no início dos anos 50. A Menina Lourdinhas já tinha 44 anos de idade. A Menina Lourdinhas era a nossa professora primária. A Menina Lourdinhas foi a nossa professora, da 1ª à 4ª classe. A Menina Lourinhas dizia assim:
– Concêçanita, vem ao quadro!
A Concêçanita ia ao quadro e pegava no giz. A Concêçanita era muito magrinha e transparente porque tinha fome. A Concêçanita, de verão e de inverno, usava o mesmo vestido de chita da tabela muito apertadinho e muito curtinho, de mangas curtas, porque tinha crescido uns quantos centímetros e o vestido não tinha. Acho que a Concêçanita também tinha frio. A Concêçanita andava sempre descalça, porque naquele tempo as crianças que vinham dos montes em volta da aldeia não tinham sapatos. Mas alguns rapazes usavam botas cardadas. E tapavam-se da chuva com uma saca de batatas vazia por cima da cabeça.
A Menina Lourdinhas dizia:
– Meninas, vamos treinar a redacção para o exame. Concêçanita, escreve!
A Concêçanita escrevia no quadro, e as outras meninas copiavam nos seus cadernos..
A menina Lourdinhas ditava assim:
-Concêção, escreve aí, ao meio do quadro:
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REDACÇÃO DO CÃO
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“O cão é um animal doméstico porque vive na companhia do homem.
“O cão tem o corpo coberto de pêlos para ser macio.
“O cão é o melhor amigo do homem porque guarda a casa. O cão também ajuda os pastores a guardar os rebanhos.
“O cão é muito útil porque ajuda os ceguinhos a atravessarem a rua.
“O cão é bom companheiro porque gosta de brincar com as crianças e acompanha os homens à caça.
“Nós devemos estimar os nossos cães.”
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A Menina Lourdinhas contava:
-Quantas linhas já temos? 6? Então já chega.
No dia seguinte, a Menina Lourdinhas mudava o tema da redacção. A Menina Lourdinhas chamava:
-Mari’míla, vem ao quadro.
A Mari’míla, um tanto desajeitada, levantava-se da sua carteira, sacudia umas ancas um pouco avantajadas, arrastava os pés descalços, subia o estrado com ar contrariado, e ficava em frente do quadro.
A Menina Lourdinhas dizia:
-Meninas, hoje vamos treinar a redacção da vaca. Mari’míla, escreve o título, aí, bem ao meio do quadro:
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REDACÇÃO DA VACA
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“A Vaca é um animal doméstico porque vive na companhia do homem.”
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…Aqui, levantava-se um problema filosófico:
A vaca não vive na companhia do homem. A vaca vive num estábulo…
A Menina Lourdinhas corrigia-se:
-Mari’míla, apaga. Temos que dizer doutra maneira:
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“A vaca é um animal doméstico porque vive num estábulo ao fundo da quinta do dono, para não cheirar mal.
“A vaca é muito útil porque dá os bezerrinhos, e dá o leite para a nossa alimentação.
“A vaca dá a pele e os chifres…
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(Aqui, levantava-se outro problema…)
-Mari’míla, apaga. Não pode ser. Agora, escreve:
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“A vaca é muito útil porque, depois de morta, nos dá a pele e os chifres para fazer os cabos dos talheres.”
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***

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Penso que assim, com as linhas bem contadas, nem muitas nem poucas; e a estrutura linear da frase de Sujeito + Predicado, sem profusão de complementos, sem arquitecturas filosóficas, sem conceitos inovadores, sem rasgos de espécie alguma, a minha Tese vai ficar dentro do figurino!

Vou propor-me a Coimbra, à Universidade do Portugal dos Pequeninos, mimoso enquadramento do nosso jardim à beirinha do formoso Atlântico, que é sempre calmo desde que o vento não levante ondas.

E proponho aos futuros doutorandos que não se atrevam a ter um estilo próprio, não se atrevam a formular nenhum conceito que vá além da formatação ideal da redacção do cão, sob pena de serem massacrados por um elegante narciso com ganas de buldózer enraivecido com receio de se ver ofuscado pelo brilho do examinando.

Pois esta será a melhor forma de congregarmos esforços para que o nosso país se engrandeça e seja digno continuador da cagadela de mosca que tão olimpicamente vem ocupando no mupa-mundi.
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© Myriam Jubilot de Carvalho

 15 de Novembro de 2015

Imagem:

http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2012/06/ensino-primario.html

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015, pela 3h 15m

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Um doutoramento não é uma praxe

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 12:22 pm

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Um doutoramento não é uma praxe
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…Qual a função da prova pública que é um doutoramento?
…Qual a função de um professor, seja qual for o grau de ensino?
…Lembro-me muitas vezes, e na passada Terça-feira, dia 10, voltei a lembrar-me, do Inspector Fialho, nos tempos antigos, que nos dizia, nas duas ou três visitas que fez à escola onde eu estava colocada:
…-Minhas Senhoras, lembrem-se sempre disto – Só há professores porque há alunos! Se não houvesse alunos, os professores não fariam falta nenhuma.
…Nesse tempo, eu julgava-o muito mal. Ele parecia muito bruto. Porém, com o rodar dos anos, fui-lhe dando razão. É a realidade nua e crua: SÓ HÁ PROFESSORES, PORQUE HÁ ALUNOS.
…O primeiro arguente da prova de doutoramento do passado dia 10, que parece ter lido todos os livros existentes sobre a sua especialidade, não denota, no entanto, ter lido nada sobre Pedagogia. Porque se alguma vez o tivesse feito, saberia que um professor existe para estimular os seus alunos a descobrirem o melhor das suas capacidades e possibilidades. Um professor não existe para se exibir, nem para inferiorizar os alunos. Mas sim para os fazer brilhar, para lhes proporcionar a possibilidade de se auto-descobrirem.
…Para se evidenciar, o professor tem os seus próprios estudos, a sua formação contínua, a colaboração que quiser dar em publicações da sua especialidade, em comunicações em conferências em espaços públicos. E tem todo o direito a fazê-lo, com perfeccionismo e orgulho no seu trabalho.
…Mas o bom professor não sobrepõe a sua figura (personalidade) à dos alunos; mas, isso sim, proporciona-lhes usufruirem do prazer dos seus desempenhos.
…Perante a tese do Doutor João Craveirinha, o primeiro arguente só teria uma coisa a fazer. Deveria ter-lhe elogiado o trabalho, deveria ter realçado os muitos aspectos positivos, e deveria tê-lo convidado, apenas, a desenvolver algum tema à sua escolha. Mas aconteceu exactamente o contrário. O primeiro arguente notou os pontos positivos para os destruir. Destruiu a extensão da tese, desdenhou dos conceitos novos, desdenhou da profusão de ilustrações, criticou que houve demasiado recurso à informação (especializada) proporcionada pela Internet, subestimou as referências às globalizações, desdenhou dos esquemas apresentados, desdenhou da inclusão de poemas da autoria do doutorando; não referiu a qualidade do ‘power-point’, não valorizou a abrangência da pesquisa… E sendo especialista em Literatura, não reconheceu a qualidade literária do estilo do candidato…
…Eu até me sinto incomodada de referir tantas falhas a um douto professor da Universidade mais antiga do País. O primeiro arguente não percebeu que o grosso volume que folheava com visível menosprezo era uma simbiose de Etno-História com Sociologia da História, interligando pela primeira vez, que eu saiba, a comensalidade, a sexualidade, a dança e a música com a inevitabilidade da busca de Poder. Em 2008 foi publicada em Portugal a tradução da obra “A Movable Feast”, a que foi dado o título, em português, de “Uma História Saborosa do Mundo – Dez Milénios de Globalização Alimentar”, do especialista Kenneth F. Kiple, catedrático da Universidade Estatal de Bowling Green e que foi bolseiro da Fundação Guggenheim. Pois bem, a mencionada obra, apesar de todo o interesse e vasto saber, não me parece tão abrangente como a tese do Doutor João Craveirinha.
…Felizmente, os outros três membros do júri, e a professora orientadora, tiveram outra postura e valorizaram o estudo em análise. Foi salientado o talento múltiplo do candidato, o seu vasto saber (“um pesadelo para um orientador”), a sua extraordinária capacidade de investigador.
…Uma prova de doutoramento deve ser entendida como o culminar solene de uma carreira; como um momento de celebração na vida do doutorando. Mas na verdade, o primeiro arguente confundiu a prova a que teve a honra de dar início, com uma deplorável praxe estudantil no seu estilo mais perverso e cruel.
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© Myriam Jubilot de Carvalho

11 de Novembro de 2015

Post também publicado na minha página do FB.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 14 de Novembro de 2015, pelas 12h 21m

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Rotina e conservadorismo na Faculdade de Letras de Lisboa

* Notícias e Entrevistas — Myriam de Carvalho @ 3:44 am

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DIA 10 de NOVEMBRO de 2015

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DOUTORAMENTO DE JOÃO CRAVEIRINHA, na Faculdade de Letras de Lisboa.

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A Sala de Actos está cheia de pessoas amigas, tanto portugueses e moçambicanos, como angolanos, sãotomenses, guineenses, goeses, caboverdianos, brasileiros, e em peso, funcionários seniores da Embaixada de Moçambique em Lisboa.

Mas demoro a trazer aqui o meu testemunho de apreço pelo candidato, pois seria injusto calar a denúncia de como decorreram alguns aspectos da sessão.
Lamento que dois dos membros do júri não tenham reconhecido o valor do trabalho de investigação revelado pelo candidato. Aliás, é costume o primeiro arguente começar a sua intervenção por um louvor à tese analisada – o que não aconteceu. O primeiro arguente entrou a matar, e em nome de algo como “o espírito académico”, excedeu o seu tempo com críticas despropositadas, chegando ao exagero de afirmar que o candidato não fazia “as pontuações” correctas.

Referiu o poeta José Craveirinha, que não vinha ali a propósito nem era a sua obra que estava naquele momento a ser avaliada.

Os conceitos novos apresentados na tese foram referidos como inúteis, as ilustrações foram consideradas demasiadas, a homenagem aos Pais como inapropriada, os esquemas (da autoria do candidato) como desnecessários. Como nota em aparte, refiro que a família do candidato não era uma família qualquer, pois pelo lado materno, o candidato é descendente da realeza Ronga, e em última análise, no seu conjunto, foi uma famíiia que se encontrava no cerne dos ventos de mudança que se viviam nas últimas décadas de Moçambique colonial.

O próprio estilo, que demonstra aquela abertura de espírito que caracteriza o seu autor, pois a tese está escrita num estilo de largo fôlego, e é indício da sua excelente capacidade de comunicação, foi confundido com “falta de espírito académico”, e subestimado como sendo um “estilo jornalístico e de crónica”, e o auto-conhecimento do carácter inovador da investigação desenvolvida foi confundido com “imodéstia”.
O primeiro arguente chegou a levantar a voz, para, segundo me pareceu, pois o meu espanto petrificou-me, para dizer que o candidato advogava o uso de termos e conceitos como “raça”, e invocou que este confundia pós-colonialismo e independência – argumentos inesperados se pensarmos que o autor da tese foi lutador pela independência do seu amado país natal.
Limitei-me aos pontos mais relevantes desta argumentação no mínimo
infeliz.
No final, a presidente do júri insurgiu-se contra a ilustração ao vivo de matéria constante da tese, considerando agastada que se tratava de “jornalismo”, que não tinha sentido académico!
À saída, enquanto angustiados esperávamos pela avaliação do júri, muitas pessoas estavam indignadas e falou-se de “racismo” e do espanto que é, “ainda nos dias de hoje, esta permanência do espírito inquisitorial na mentalidade portuguesa”. Um Amigo comum afirmava “Isto é mais que racismo; isto é a raiva ao nome da (esta) Família”.
Quanto a mim, além disso, o que esteve em causa, foi o desajuste que se verifica tantas vezes, entre a “inteligência racional”, fria e sem alma, e os tipos de “inteligência artística” e “inteligência emocional”. O que ontem esteve em evidência, foram o choque e o desajuste entre estes pólos, que na vida prática tantas vezes se revelam antagónicos. Segundo estes dois professores, o “espírito académico” deverá ficar eternamente espartilhado no estilo seco – mortiço, enfadonho e desinteressante – dos calhamaços de antanho.
No final, tudo se saldou por uma “aprovação com distinção, por unanimidade” – uma unanimidade que levou cerca de uma hora a conseguir…
Deixo aqui a minha homenagem aos outros membros do júri, e à excelentíssima Professora Orientadora, que reconheceram o valor do candidato!

Enfim, não poderei deixar de acrescentar mais este detalhe:
Professores mais familiarizados com a matéria da tese, vindos do estrangeiro (Suíça, Moçambique ou Brasil) não puderam ser convidados como arguentes, porque a miséria dos orçamentos oficiais não permite tais intercâmbios… Como nota adicional, refiro ainda que estes Actos requerem uma sala condigna, não um vão-de-escada que só recebe luz por uma clara-boia, e com as condições exigíveis à correcta projecção dos “power point”;  e que a falta de uma sala de espera onde os convidados dos doutorandos possam aguardar condignamente os resultados das avaliações obriga estes a encostarem-se às paredes ou a sentarem-se nas escadas…

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Finalmente, ao doutorando, pela sua excelente tese, os meus parabéns, com os mais vivos votos de que com ela se encete uma nova etapa na vida do seu autor! João Craveirinha, o meu apreço, e o meu abraço!

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© Myriam Jubilot de Carvalho

11 de Novembro de 2015

Post também publicado na minha página do FB

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Noite de 11 para 12 de Novembro de 2015, pelas 3h 45m

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De Albert Camus a António Costa

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 11:26 am

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O diálogo e o entendimento sociais são sublimes, quando marcados pelo respeito pelo Outro, pelo reconhecimento de que os bens sociais são para garantir uma vida condigna a todos os cidadãos, sem excepção, e que as diferenças sociais só se compreendem a partir de uma base comum de dignidade.

Não é o diálogo de novos-ricos empertigados e ambiciosos de riqueza fácil e rápida, de fartar vilanagem, que tem marcado a actual Direita, com mentalidade arrogante à D. Miguel.

Com o diálogo que tem desenvolvido com os partidos de Esquerda, António Costa encetou uma grande viragem na mentalidade portuguesa, ainda marcada pela tradição inquisitorial do “quem não é por mim, é contra mim”. Daí a estranheza e desconfiança com que a sua iniciativa é vista por diferentes sectores da informação social, inclusive de certos membros do seu próprio partido.

Penso muitas vezes na obra “A Peste”, de Albert Camus, provavelmente o maior dentre os “livros da minha vida”. Camus pinta uma situação de caos numa cidade atacada por uma epidemia de peste. E só quando a desgraça parece invencível, os seus habitantes descobrem que a salvação está na concertação de esforços e na união de boas-vontades, pois a salvação é um objectivo maior e de interesse colectivo.

Para António Costa e os líderes partidários que têm acolhido de boa-vontade a sua iniciativa de diálogo – os meus melhores votos de sucesso! Que não regridam num objectivo tão alto como este, de trazermos o nosso País a uma vida condigna, e não esta vida de subsistência precária generalizada que nos tem sido imposta.

Para eles, todo o nosso apoio! O diálogo social e o entendimento não podem ser uma utopia. Têm que ser trazidos à prática diária, para se tornarem uma realidade de que nos possamos orgulhar.

© Myriam Jubilot de Carvalho

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Fontes das imagens:

Albert Camus: 

Na página: “A Secular Saint”:

http://americamagazine.org/secular-saint

António Costa:

Da página: “DIÁRIO DE CAMPANHA”:

http://costa2015.pt

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Domingo, 8 de Novembro de 2015, pelas 11h 25m

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Foto sugestiva

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 1:41 pm

 

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Encontrei esta foto na Net, há muito tempo… Não sei quem é o seu autor.

Mas é tão inspiradora!

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Link da imagem:

http://4.bp.blogspot.com/_BbdN53heDW8/SxjkalUfDUI

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Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 7 de Novembro de 2015, pelas 13h 38m

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