Crónica 19 – Vultos esquecidos da História

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 10:33 am

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Crónica 19 de MYRIAM JUBILOT de CARVALHO para o jornal «O AUTARCA» de Moçambique.

O Autarca – Jornal Independente, Quarta-feira – 22/07/15, Edição nº 2922

Crónicas Lusitanas no Feminino (quinzenais).

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Crónica 19 por Myriam Jubilot de Carvalho.  Página 3/4

SÉCULO XX: VULTOS ESQUECIDOS DA HISTÓRIA. 

Foram comemoradas recentemente as datas da independência das ex-colónias portuguesas. Tanto a Liberdade política individual, como a Liberdade dos povos, são direitos inalienáveis. A obtenção dessas liberdades exigiu o sacrifício da Liberdade individual e da própria vida a muitos cidadãos-cidadãs generosos, que se tornaram exemplo pela abnegação e entrega à causa justa como fontes de inspiração universal. Aqui recordámos alguns desses vultos que agiram para a mudança em três continentes: em África, na Europa e na América do Norte.

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De diferentes origens sociais e de tipos de formação intelectual, de diferentes religiões ou sem religião, a acção social destes vultos que seleccionamos desenvolveu-se em mundos adversos. Mas cada qual a seu modo, todos eles, lutaram contra o poder opressor do preconceito e das ditaduras. Aqueles que mais abertamente afrontaram o “mainstream” dos seus países, em épocas em que não se entrevia o mais ténue sinal de mudança nesses regimes políticos, sabiam que corriam o risco da privação da liberdade e da punição pela tortura. Mas foram fiéis ao ideal que abraçaram. – “Nós tínhamos um ideal!” Tal como dizia Jorge Amado (1912-2001) certa tarde, aqui em Lisboa, num encontro Ibero-Americano (na Casa Fernando Pessoa). A acção pedagógica – que se projecta para o público – só é eficaz quando indissociável da coerência do comportamento quotidiano – que é do foro privado. É decorrente desta coerência que advém a nossa admiração. Aqui enumeramos alguns deles por ordem cronológica de países.

ÁFRICA DO SUL

NELSON ROLIHLAHLA MANDELA – 1918-2013 (República da África do Sul).
Era um príncipe Xhosa. Sabendo que o regime do Apartheid estava para durar, e que não cederia a uma oposição pacífica e democrática, optou pela via da luta activa. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua, por terrorismo. A sua notoriedade advém da sua capacidade de diálogo com o opressor, após a saída do regime prisional a que foi submetido durante 27 anos. Foi com Mandela que a República da África do Sul assumiu o regime democrático.

STEVE BIKO -1946-1961 (República da África do Sul).
(República da África do Sul). Activista desde a juventude, foi expulso da escola secundária que frequentava, e depois da universidade. Formou-se, no entanto, em Medicina. Chegou a ser proibido de falar com mais do que uma pessoa de cada vez. A sua filosofia centrava-se na cura da auto-confiança. Mas foi preso, e torturado até ao fim.

ARGÉLIA

FRANTZ FANON – 1925-1961 (Martinica colónia de França).
Nasceu na ilha de Martinica, então colónia francesa (na América Central), onde foi aluno e amigo do poeta e dramaturgo Aimé Césaire (1913-2006), muitas vezes referido como “o pai do movimento da Negritude”. Fanon formou-se em Medicina, especialidade Psiquiatria. Foi colocado na Argélia, como médico num hospital psiquiátrico. E foi nessas circunstâncias que melhor se inteirou de como a propaganda colonial afecta psicologicamente o modo de pensar e de sentir das populações identificadas como “negras” a quem não é permitido o acesso à cultura.
Publicou obras que ficaram célebres: Em 1952, “Peau noire, masques blancs “(Pele negra, máscaras brancas); em 1961, “Les Damnés de la Terre” (Os Condenados da Terra), prefaciado por Jean-Paul Sartre (1905-1980). A França considerou-o “o filósofo maldito.”
Mas Sartre foi seu admirador, assim como a esposa Simone de Beauvoir (1910-1986).

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ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

MALCOLM X – 1925-1965 – seu nome civil, Malcolm Little; seu nome muçulmano, el-Hajj Malik el-Shabazz (Estados Unidos da América do Norte). “Malcolm X” é pseudónimo. Malcolm considerava que “Little” era nome de escravos. Assim, o X passou a simbolizar a sua origem africana desconhecida, como um constante lembrete de acusação contra a escravatura e o racismo. Teve uma infância difícil, e aos 21 anos foi preso por roubo. Na prisão, aproveitou para completar os estudos. Converteu-se ao Islamismo, “a única religião que não é racista”(dizia). Tornou-se um activista dos direitos humanos. A sua brilhante capacidade de comunicação arrastava multidões. Fez uma peregrinação a Meca, que transformou a sua maneira de ser e de pensar: passou a dirigir-se a todos os americanos / as, e não apenas aos descendentes africanos. Despertou as atenções do FBI e a inveja do antigo ‘mestre.’ Foi assassinado.

MARTIN LUTHER KING JR. – 1929-1968 (Estados Unidos da América do Norte). Outro grande e reconhecido lutador pelos direitos cívicos dos afro-americanos nos EUA, violentamente discriminados. A sua acção chamou a atenção do mundo, e recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1964. Ficou célebre o seu discurso “Eu Tenho Um Sonho”. Também foi assassinado.

PORTUGAL

BENTO DE JESUS CARAÇA – 1901-1948 (Portugal). Tocada pela inteligência brilhante deste menino, a sua educação foi custeada pela patroa de seus pais. Formado em Matemática, em 1929 já era professor catedrático. Tomou parte no MUD (“Movimento de Unidade Democrática”, formado em 1945, com autorização do governo de então, mas ilegalizado em 1948).
Um dos principais objectivos da sua acção cívica foi a divulgação do Conhecimento. Para isso, desenvolveu a linha editorial da colecção Biblioteca Cosmos, cujos livros eram de preços módicos, e criou as Universidades Populares. Em 1946 Bento de Jesus Caraça é preso pela PIDE. Perseguido pela ditadura salazarista é afastado do lugar de professor catedrático do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG), o que lhe acarretou dificuldades económicas e graves problemas de saúde dos quais viria a sucumbir de doença cardíaca. (MJdC para O Autarca)

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 23 de Julho de 2015, pelas 11h 30m

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Renascer

* Contos — Myriam de Carvalho @ 11:45 pm

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Renascer

Nem PROSA nem POESIA – E não lhe chamem “prosa poética”, que eu não gosto!!! Apenas um texto, informe, como um embrião antes de ser feto, como um corpo antes de ser húmus, como um balanço antes de ser voo –

Alguns textos são assim, um ensaio antes da estreia, uma criança a encher um balão antes de se convencer que não tem força bastante e vai ter que pedir ajuda ao adulto mais próximo –

Alguns textos são assim. Papa-açorda antes de ser assado, coisa nenhuma nos limbos do mistério… E um dia, se vida houver, serão luz!

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Tenho sono. Meu corpo está cansado. Julgava-me a transcorrer o imenso túnel do deserto imenso… E de repente, o túnel terminou.

Saio à luz. Meus olhos de morcego choram de ofuscados. Tenho medo, fico à deriva de mim. Hesitante, vacilante, os olhos piscos – quem sou eu?

Não tenho bengala. As pontas dos dedos passam-me por qualquer coisa… Tento apoiar-me….

São picos! Agarrei-me a uma piteira –

Cobro ânimo. Abro os olhos à luz intensa que mos fere. Onde estou?

Começo a distinguir o meu novo caminho. No fundo mais fundo do limitado desfiladeiro, escoltada por rochedos acerados, enraivecidos, ancilosados, com suas farpas arrancadas às cabeleiras das eríneas –

…Lá em cima, um mar de luz!

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Respiro fundo, cobro ânimo.

Olhar para trás, para o túnel percorrido, refúgio que foi opaco, na noite escura? Para quê – Já lá não estou –

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Eu sei que agora, só tenho este caminho. Cerca-me o silvo das serpentes, o farpear das faenas loucas dos rochedos –

…Mas há silêncio dentro de mim. Um silêncio feito dos cânticos da luz que se expande, lá em cima –

Presa ao chão, terei que prosseguir. Mas as feridas, de tão fundas e sangradas, já não doem, já não maçam.

…Presa ao chão. E no entanto, a fénix relança o voo! E sobe, sobe, e passa além das nuvens. Não há calor que lhe dissolva as asas, é preciso procurar a fonte desta luz!

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Costa de Caparica, 13 de Novembro de 1989

Texto publicado no Boletim da APCA, o Profalmada,

Nº 33, em Março de 2014

Foto é dos álbuns de Anne Geddes, que tanto admiro:

http://pruneviolette.unblog.fr/category/fond-ecran-bebe/

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 18 de Julho de 2015, pelas 00.45

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Crónica 18 – Moçambique, 40 Anos de Independência

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 11:40 am

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O AUTARCA – JORNAL INDEPENDENTE, Quarta-feira – 08/07/15, Edição nº 2914 – Cidade da Beira, Moçambique

Crónicas Lusitanas no Feminino (quinzenais). Crónica 18.

 

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MOÇAMBIQUE – 40 ANOS DE INDEPENDÊNCIA (1975-2015) – Página 3/4:

Foi com este programa que a RTP África celebrou o dia 25 de Junho de 1975, dia da Declaração da Independência de Moçambique (foto 1):

«Bem-vindos (IV) 40 Anos da Independência de Moçambique. (Episódio 87 de 235. Duração: 120 min.) Nesta quinta-feira celebramos o 40º aniversário da Independência de Moçambique. Estaremos à conversa com dois antigos guerrilheiros que contribuíram para a conquista da liberdade e com o escritor Delmar Maria Gonçalves. Saiba ainda tudo sobre o percurso e trabalhos da artista plástica Ângela Ferreira. Como habitual teremos música no palco do Bem-Vindos, Malenga que atua ao vivo. Por fim não perca a estreia da rubrica de dança Ultimate Kizomba com os bailarinos Joana Machado e Avelino Chantre.»

É evidente o lamentável descaso com que a celebração da Independência de Moçambique era referida na programação da RTP África do passado dia 25 de Junho: “dois antigos guerrilheiros”. Os dois guerrilheiros convidados não têm nome? Não arriscaram a vida, a saúde, a segurança, a sobrevivência, pelo seu País?

Como foi que as Colónias portuguesas conseguiram a sua independência? Não foi certamente pela magnanimidade da potência colonial. Então, não se honra devidamente quem deixou tudo e tudo arriscou pela dignidade do seu País?

O primeiro entrevistado, foi o enfermeiro Paulino Alface. O segundo entrevistado, é uma figura incontornável da cultura moçambicana – pintor, escritor, cronista, ensaísta, poeta, investigador, o Dr. João Craveirinha (Mphumo). E nem sequer foi referido que João Craveirinha foi o autor do grande painel comemorativo que figura na cidade de Maputo, na Praça dos Heróis.

Outra nota de descaso, o jovem escritor convidado chama-se realmente, Delmar Maia Gonçalves, e não Delmar Maria.

Por fim e para cúmulo, o programa ‘Bem-vindos’ inaugurou uma rubrica de dança com uma demonstração de Kizomba, música angolana; mas pela leitura visual e contextual da apresentação, a demonstração de Kizomba estava incluída na celebração de Moçambique…’como’…Marrabenta – emblemático ritmo e dança genuinamente urbanos de Moçambique, que ouvíamos em Lisboa, anterior à independência em 1975, e à moda da Kizomba neste século XXI.

Inclusive lembrámo-nos dos nossos tempos de estudante em Lisboa, quando os luso-angolanos andaram a plagiar a Marrabenta afro-moçambicana na década de 1960-1970.

A composição moçambicana ‘Elisa Gomara Saia’ foi a vítima preferencial, aliás, comprovativo, ainda disponível no YouTube. (MJdC para O Autarca)

( VER: Blog Macua: RTPÁfrica, João Craveirinha e Paulino Alface, 25/06/2015.http://www.rtp.pt/play/p1824/e199606/bem-vindos )

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O AUTARCA – JORNAL INDEPENDENTE, Quarta-feira – 08/07/15, Edição nº 2914 – Página 4/4

Moçambique tem História. Tem Povos, e Línguas próprias (não “dialectos” como tantas vezes se diz); tem Literatura, Arte, e Música próprias. Tem universidades e intelectuais. Teve, em tempos não muito recuados, uma História de resistência à ocupação portuguesa. Os líderes dessa resistência eram “reis”; não eram “régulos”, como desdenhosamente se dizia no Portugal colonial. Gungunhana, ou antes, o Imperador Mdungaze Nxumalo (2), reinava sobre um território maior que ia da margem direita do Rio Zambeze até à Zululândia, e desde as serras de Manica até ao mar.

Na nossa infância e juventude, ensinava-se às crianças e jovens portugueses (como nós) que o território português era europeu e ultramarino. Muita gente aprendeu isso, e ficou por aí. Mas muitos outros, por uma questão de sensibilidade e exigência de Justiça Social, tomámos posição, e, cada qual a seu modo, apoiámos a justiça da libertação dos povos submetidos ao colonialismo.

Os territórios africanos ocupados por Portugal precisariam de uma longa década de guerra (e mais), para conseguirem a sua libertação. No entanto, ainda que tenham surgido conflitos internos pós-independência, nesses novos países africanos, não invalida o direito dos mesmos povos à sua independência, tal qual como nós, em Portugal, nossos antepassados portugueses, por diversas vezes lutaram de armas na mão contra o jugo castelhano, e depois contra a invasão francesa, napoleónica.

Olivença, em 2015, na fronteira luso-espanhola, ainda é uma cicatriz muda, desses tempos da nossa resistência lusa contra Castela e luta armada pela independência. (MJdC para O Autarca)

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Por outro lado, adoramos Portugal, foi aqui que nascemos, e o Português é a nossa Língua-Mãe. Por isso, temos o maior respeito e veneração por todos (todos, todas) quantos amam os seus Países, e sobremaneira pelos que lutaram pela dignidade e libertação. Os que já partiram, devem ser recordados e honrados. Cada país tem o seu processo histórico doloroso. Os que permanecem entre nós, ao nosso lado, devem ser tratados com o devido respeito. Cada país tem o dever de honrar os seus grandes nomes – seja quem deu a vida na luta armada, sejam os professores, cientistas, ou artistas, ou todo e cada um dos membros da população que no dia-a-dia de seus misteres, honram os seus Países.

Que saibamos, a RTP África não passou nem uma reportagem, nem um filme condigno que recordasse o esforço dos Moçambicanos e Moçambicanas pela sua independência (3). Nem uma reportagem que mostrasse paisagens, cidades e gentes. Nem deu uma ideia do que seja a Educação e os estudos universitários. Foi apenas uma efeméride a que não conferiu relevância nem dignidade… Quanto a nós, a par de uma má política, tratou-se de incompetência. (MJdC para O Autarca)

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Fotos

Foto 1, pág. 4: Capital de Moçambique – Estádio da Machava, Declaração da Independência a 25 de Junho de 1975.

Foto à esquerda (2): o Imperador Mundungaze Nxumalo, dito Ngungunyame (Gungunhana): Créditos RTP Memória / Fernando Magalhães 1997.
http://www.rtp.pt/rtpmemoria/…

Foto 3, pág. 5, mudança de testemunho nos destinos políticos, e de bandeiras – a portuguesa pela moçambicana.

Créditos: Governo da República de Moçambique (1) e jornal DN de Lisboa (3). http://150anos.dn.pt/…/como-mocambique-viveu-aindependencia/

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© Myriam Jubilot de Carvalho

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 11 de Julho de 2015, pelas 12h 40m

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Crónica Nº 17 – Um Poeta do Al-Andalus

* Alandalus,* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 12:04 am

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Regressando à temática do Al-Andalus (ou Alandalus) com um Poeta que muito aprecio, eis a Crónica Nº 17 no  Jornal O AUTARCA, da cidade da Beira, em Moçambique:

O Autarca – Jornal Independente, Quarta-feira – 24/06/15, Edição nº 2907 – Página 4/4

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UM POETA DO AL-ANDALUS [crónica 17]

[Os territórios que hoje integram Portugal e Espanha, nos tempos recuados da Idade Média eram habitados por populações que, embora de diferentes origens geográficas, e portanto diferentes tradições culturais e linguísticas, tinham em comum um vínculo a um mesmo antepassado que, remotamente, estava na origem das três religiões aqui professadas – o Cristianismo, o Judaísmo, e o Islamismo: ABRAÃO. Durante 8 (oito) séculos, a presença muçulmana foi de grande importância cultural, tendo conhecido o seu auge cultural e político entre os séculos VIII e XII.]

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Tal como os Árabes, a comunidade judaica desempenhou um papel de relevo na vida cultural da área geográfica ocupada pelo al-Andalus. Embora falassem a Língua Árabe, os Judeus dessa época tanto escreviam em Língua Árabe como em Língua Hebraica.
MOSHE IBN EZRA nasceu em Granada, cerca de 1055, e terá morrido depois de 1138. Perturbações que aconteceram na sua vida, de que não conhecemos os pormenores, fez refugiar-se nas zonas de domínio cristão, tendo-se tornado um viajante sempre saudoso doseu Al-Andalus.
O nosso apreço por este Poeta deve-se a dois factores: um, a qualidade da sua Poesia; outro, o facto de que, nesses tempos recuados, ele acreditava que todos os povos são iguais. Moshe Ibn Ezra escreveu
poesia religiosa e profana, e dois importantes tratados em prosa.
O poema que vamos transcrever, trata de forma muito pessoal um tema muito caro à poesia Árabe
do Al-Andalus – a celebração da beleza das flores e dos jardins. Não se trata, porém, de um ‘erótico’ jardim
de delícias, mas de uma metáfora onde o refrigério da alma se encontra num outro jardim – o da própria
Poesia.
Talvez tenha até um tom irónico, pois ao dirigir- se aos “homens que amargamente choram”, o Poeta convida-se a si próprio, refugiar-se na sua riqueza interior, na sua sabedoria – a sua Poesia, e os seus poemas. (©Myriam Jubilot de Carvalho)

O JARDIM (poema transposto do inglês):

/ Ó homens que estão tristes nos vossos corações, e amargamente
choram: / Não se aflijam, nem se lamentem. / Entrem no jardim dos meus poemas e descubram /o bálsamo para as vossas feridas, e alívio na canção. /Ao lado do seu sabor, o mel parece amargo, / junto ao seu aroma, a mirra tem o pior odor. / Com eles, o surdo já ouve, e ao gago as palavras ocorrem facilmente; / o cego vê, e o coxo corre com toda a rapidez. / Ó homens que sofrem e desesperam – e todos os que choram / e no coração só têm amargura, regozijem-se com eles. /

Referências:

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COLE, Peter (2007, 125). THE DREAM OF THE POEM. USA: Princeton University Press.
http://press.princeton.edu/titles/8349.html
(Fonte da imagem: The West Ville Synagogue. Beth Hamedrosh
Hagodol – B’Nai Israel: http://www.westvilleshul.org/dream_of_the_poem)

 

©Myriam Jubilot de Carvalho

 (Professora aposentada e investigadora no CLEPUL:

Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias

na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)

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Publicado por

©Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 1º de Julho de 2015, por volta da 1h.

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