A hora dos pardais

* Contos — Myriam de Carvalho @ 4:33 pm

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É a hora dos pardais

Acordo com o chilrear da passarada do largo, canto desenfreado, anúncio de que a hora das trevas já passou. Nem sequer falo das trevas habitadas pelas presenças incómodas, indesejáveis, que povoam a noite escura. Falo das trevas que nos habitam, atormentam, e tiram o sono, essas sim, as mais temíveis. Penso que falo de mim.

O Sol ainda não rompeu completamente atrás dos prédios do outro lado do largo. As brumas que eu tanto gosto de absorver com os olhos, ainda envolvem as distâncias que encobrem o Rio, o Barreiro, e toda a margem do Mar-da-Palha. O Rio é ainda esse calmo espelho horizontal vagamente sulcado pelas miniaturas de paquetes da CP. Os guindastes da Lisnave ainda não se animaram para outras oito horas intensas de esforço e de suor.

É a hora dos pardais! Do seu canto estonteado, neste seu diário hino à vida. Como se possuíssem os segredos dos seus destinos. Ou como se este momento fosse o último. Como trinam estas gargantinhas minúsculas.

Todos os dias os oiço. Sempre com esta mesma comoção. Porque assim que o Sol finalmente se erguer, eles vão calar-se, vão retirar-se nem se sabe para onde, vão andar pelas ruas à procura de migalhas, sujeitos aos atropelamentos dos carros e às arremetidas dos gatos vadios.

…E eu fico sem saber. Se a hora das trevas passou por hoje, ou se vai agora começar…

© Myriam Jubilot de Carvalho

 1989

Publicado no Boletim Nº36,

da Associação de Prof. de Almada,

de Março de 2015

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 30 de Junho de 2015, pelas 17h 30m

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Três poemas para o MidSummer

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 12:16 pm

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Falando com o medo

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Elas, e eles, cauterizam o medo no desafio e na aventura

Enquanto eu falo com o meu

por dentro da ternura

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E a roda da fortuna vai e volta,

sobe e desce –

E tudo à minha volta adormece e anoitece

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No desafio e na aventura se esmorece

Enquanto eu, no interior

da ternura é que se cresce

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O animal que vai dentro de mim sob controlo

só no ser humano – cujo sou – encontra solo

onde lançar raízes, ramos, folhas,

frutos

Convertendo em poemas todos os

minutos

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Mansão do sonho

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Ficou pata trás uma vela, na regata, a meio

do Rio:

Ficou para trás

não por desleixo, nem por falta de

brio.

Grávida de mar, de céu e de sonho – ninguém

se deixe iludir:

.

A vela que no Rio ficou para trás,

encontrou uma fronteira, uma outra

última, e derradeira.

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A vela que desistiu da regata não

vai voltar ao lugar da frente:

Não espera nenhum volte-face, nem

nenhum resgate;

Entrou na Mansão do Sonho

onde qualquer progresso

é aparentemente

um retrocesso

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Sabedoria tradicional

Na lareira familiar,

apagou-se o fogo

no toro sobrevivente

que ficou sozinho

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Para que a chama desponte

outra vez,

e noite fora se mantenha,

sabe-o a cozinheira

.

Encosta-se um toro a

outro, lado a lado,

E vão-se virando, um a um,

em perpétuo movimento

.

Nem sozinho,

nem parado

Toro de esperança

Toro encantado

© Myriam Jubilot de Carvalho

Inéditos de 1993

1ª Foto:

https://volovecto.wordpress.com/2012/06/07/midsummer-in-sweden/mid-sommer-festival-3/

2ª Foto:

http://swedenstore.biz/index.php?main_page=product_info&products_id=374

3ª Foto:

http://www.zazzle.com/midsummer_eve_summer_solstice_fire_night_photo_postcard-239936468126704001

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 21 de Junho de 2015, pelas 13h 30m

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Crónica Nº 16 – Pedagogia e Sociedade

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 8:05 am

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Pedagogia e Sociedade

Em qualquer país do Mundo, o Estado forma a população estudantil para o modelo de sociedade que pretende fazer durar. Se se pretende um mundo mais justo, a Pedagogia será uma. Se se pretende perpetuar as desigualdades, a pedagogia será forçosamente outra. A tragédia a que assistimos actualmente na travessia desesperada do Mediterrâneo, fez-nos recordar um episódio da nossa infância que, porque remonta à década de 1950, em plena Ditadura, ilustra bem a inter-relação entre o Ensino e a Sociedade.

Ensino e “status quo”

No antigo Ensino Técnico, a disciplina de Português (no 1º e 2º anos do Ciclo Preparatório) chamava-se “Língua e História Pátria”. Tínhamos dois livros de estudo – a par do livro de “Leituras”, tínhamos o “Portugal Gigante”, uma interessante selecta de textos de grandes historiadores sobre a História de Portugal, mas inapropriada para crianças de 11 anos estudarem por ela…

Naquela manhã, íamos ter teste de Português: interpretação de um breve texto, gramática, e História de Portugal. E a ansiedade de sempre antes de entrar na sala de aula, e sempre as mesmas perguntas: Estudaste?… Aquilo não se entende nada…

Mas, surpresa bendita, a professora faltou. As meninas que nós éramos, congratulámo-nos. Em média, o grosso da turma éramos garotas de 11 ou 12 anos, mas havia miúdas repetentes de quinze, dezasseis anos, pouco interessadas em batalhas e Descobrimentos…

No inverno, quando chovia, e não se podia ir saltar à corda nos pátios, juntávamo-nos num dos vestiários da Sala das Alunas, um rectângulo aconchegado, onde havia dois bancos ao longo das paredes mais longas. As nossas colegas, sobretudo as mais velhas, faziam roda à nossa volta… “Myri, a batalha de Ourique!” – “Myri, quem passou o Cabo Bojador?” E todas agradeciam que nós lhes explicássemos indefinidamente aquelas áridas matérias.

O teste que não tivemos nessa aula, tivemo-lo na aula seguinte. E todas tivemos “BOM”! As nossas colegas, sobretudo aquelas que não passavam do “Medíocre”, exultavam… Mas a professora zangou-se. Forte e feio! Pensou que as alunas mais ‘fracas’ tivessem estudado com a nossa ajuda, e considerou isso muito incorrecto: “Isto não volta a repetir-se!” E anulou os resultados daquele teste: era preciso fazer outro! Foi um desânimo geral. As nossas colegas voltaram a ter os fracos resultados que tanto as entristeciam. E ficaram extremamente revoltadas porque a nossa colaboração não tinha sido benvinda… E mais ninguém lhes “traduzia” para uma linguagem acessível, aquela matéria que não tinha sido escrita a pensar nelas…

Que quer dizer este episódio?

A curva de Gauss diz que o gráfico das classificações dos alunos deve fazer um arco: notas más do lado esquerdo: por exemplo, uns 2% dos estudantes; notas boas do lado direito, apenas uns 2% dos estudantes; e notas medianas para o grosso da turma. Quer dizer, na Pedagogia tradicional, a Escola, a turma, deve ser um exemplo da Sociedade, onde será normal haver “pobres” e “ricos”, e onde o ideal será o grosso da sociedade numa mediania estável, sem ambições e sem revoltas. E onde se suporta a Caridade (que ajuda a manter o status quo) mas não a Solidariedade (que ajuda a resolver os problemas).

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Crónica Nº 16, em O AUTARCA, Primeiro jornal electrónico editado na cidade da Beira

Ano XVI, Nº 2899 – Quarta-feira, 10 de Junho de 2015

Cidade da Beira, em Moçambique – cidade Capital do Centro e das Pescas

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 16 de junho de 2015, pelas 9h 10m

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Crónica Nº 15 , Imigrantes ou Refugiados?

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 11:25 am

Jornal O Autarca, Ano XVI, Nº 2889, Quarta-Feira, 27 de Maio de 2015

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Crónica Nº 15 – Imigrantes ou Refugiados?

O mundo dito “ocidental” reclama-se da herança do Cristianismo, como se a vida espiritual da Humanidade tivesse começado com o nascimento de Cristo. Muitos sábios, profetas, e pensadores ou filósofos apareceram, tanto antes, como depois de Cristo. E todos compartilhando com os seus seguidores a mesma mensagem de respeito e compreensão entre todas as pessoas.

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Na estação de metropolitano junto à ‘cidade universitária’, em Lisboa, há um painel de azulejos que recorda ao passageiro desprevenido uma máxima de Sócrates (séc V aC), recolhida por Plutarco – “Não sou ateniense nem grego, sou cidadão do mundo”. Usamos esta estação com relativa frequência, e sempre nos deixamos emocionar por esta afirmação, antiga de cerca de 2.500 anos! Mais ou menos pela mesma época (os historiadores diferem nas datas da sua vida), o príncipe Gautama Shakyamuni, dito Buda, aconselhava os seus seguidores a olharem os seus semelhantes com compaixão – “compaixão” no sentido original da palavra – “com + paixão”, ou seja “sentimento partilhado”.

Mas a ideia de Justiça é anterior quer ao mundo clássico dos Gregos quer à época de Buda. As civilizações mais antigas tinham ideias assentes sobre ordem social e Justiça, embora o conceito de ordem social tenha sido sempre um instrumento a favor dos poderosos. Por isso preferimos fundir os dois conceitos no termo mais abrangente e rigoroso de Justiça Social.

Se nos cingirmos apenas ao séc XX, temos grandes figuras de pensadores e activistas sociais, como Mahatma Gandhi, Martin Luther King ou Madre Teresa de Calcutá. No entanto, e como sabemos, a ideia de Justiça não ficou retida no mundo dos pensadores a que chamaremos “espirituais”. Laicizou-se. E assim, dentre os filósofos que se interessaram pela condição humana, mais próximos do nosso tempo, citaremos Karl Marx, que viveu na passagem do séc XIX para o XX e, mais próximo ainda, Jean Paul Sartre, que já no séc XX, marcou a geração de ’60. Mas a que se deve a existência de tantos místicos, e filósofos, que se sentem na necessidade de chamarem a nossa atenção para a grandeza da solidariedade e da partilha, perante a fragilidade da vida? Não precisaremos de grandes indagações. Uma ideia de Justiça Social, a sério, torna-se tão incómoda que os seus defensores são ostracizados e etiquetados como “revolucionários”…

Entretanto, a Europa esquece que tem deveres para com a História. A Europa construiu o mundo de hoje, à custa do sacrifício de gentes que deslocou de um para outro continente, das guerras que ateou e continua a atear em territórios alheios, da opressão das suas elites sobre os seus próprios subordinados. Agora, não tem o direito de ignorar as consequências. Quer à luz desse Cristianismo que invocou para se construir, quer à luz laica do Direito e da Justiça, pois somos todos “cidadãos deste mesmo mundo”.

© Myriam Jubilot de Carvalho

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Image: Italian Navy

VER em:

Mediterranean Sea Tragedy: 300 Migrants Missing

http://navaltoday.com/2015/02/11/mediterranean-sea-tragedy-300-migrants-missing/

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 14 de Junho de 2015, pelas 12h 25m

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Crónica 14, dedicada às crianças

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 11:10 am

Na falta do jpg correspondente, limito-me a deixar aqui o texto da Crónica Nº 14:

Jornal O AUTARCA, ANO XVI, Nº 2879, Quarta-feira, 13 de Maio de 2015

Recordo que este jornal é um jornal independente, editado pelo jornalista Falume Chabane, na cidade moçambicana da Beira, Capital do Centro e das Pescas de Moçambique.

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Crónica 14 – dedicada às crianças

– O Leãozinho e os Cisnes –

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Os contos a que chamamos “contos orientais” pertencem à sabedoria das civilizações mais antigas da Humanidade. Não são contos inventados só para divertir, mas sim para os anciãos (as pessoas mais idosas de uma povoação) transmitirem a sua sabedoria sobre a vida e as pessoas, às gerações mais jovens

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 O Leãozinho e os Cisnes

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Era uma vez um Leãozinho que vivia num belo palácio rodeado de parques imensos onde aqui e além havia zonas ajardinadas, ou então límpidos lagos onde passeavam elegantes cisnes.

Nas suas horas livres, o Leãozinho adorava vaguear ao acaso pelos amplos parques e muitas vezes, dirigia-se para a borda de um pequeno lago que só ele conhecia e sentava-se na margem, admirando os belos cisnes que por ali costumavam nadar. Certa tarde, depois dos estudos, lá voltou ele uma vez mais para se deleitar a admirar os cisnes. Então, de brincadeira, o Leãozinho pôs-se a lançar pedrinhas ao lago. Ao verificar que em volta do sítio onde a pedrinha mergulhara, se desenvolviam pequenas ondas, concêntricas, que sucessivamente se iam expandindo até atingirem a margem relvada, o Leãozinho ficou deveras admirado. Ainda maior foi o seu espanto ao notar que após atingirem a margem, essas ondas começavam a voltar para trás, em direcção ao ponto onde a pedra inicialmente caíra.

Encantado com a sua descoberta, o Leãozinho repetiu a brincadeira durante toda a tarde… E no dia seguinte, lá voltou ele para confirmar que as ondinhas se dirigiam à margem do lago e que, logo em seguida, regressavam suavemente à sua origem…

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Então, os belos cisnes vieram ter com ele. Saíram da água e sentaram-se na relva da margem, e começaram a conversar com ele.

– Sabes – disse por fim o belo cisne negro, erguendo a sua bela cabeça, como fazem os velhos sábios – a Vida é como este lago. Cada acção que a gente faz, boa ou má, tem consequências que se expandem sem fim.

E o cisne branco, igualmente belo e igualmente sábio, acrescentou:

– Às vezes, até nos esquecemos das coisas que fizemos… Finalmente, tal como estas ondinhas que tanto te divertiram, que se deslocavam até à margem e depois voltavam ao centro, que é que tu vês?

– O Leãozinho pensou um pouco, e respondeu:

– Eu vejo que as pedrinhas são como os nossos actos…

– E as ondinhas? – perguntou o cisne negro.

– As ondinhas… – respondeu o Leãozinho – As ondinhas são os efeitos dos nossos actos… que acabam por regressar ao seu autor…

(Adaptação de © Myriam Jubilot de Carvalho)

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As imagens são retiradas da Net:

1ª imagem:

https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTwmLhj

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2ª imagem:

http://johnhayesphotography.files.wordpress.com/2013/02/

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 14 de Junho de 2015, pelas 12.10

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O comboio da noite

* Contos — Myriam de Carvalho @ 8:47 pm

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O comboio da noite

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Eles apanham o comboio da noite. Este, o ronceiro, que transporta mercadorias e gado. E gente cansada. Cheirando ao suor das horas extraordinárias, feitas sem encanto, nem sonho, nem paixão.

O rápido saiu de manhã cedo, com o erguer do sol. Enquanto eu estudava, na larga praia, as mensagens ocultas nos ecrãs da Natureza. Saiu engalanado, ledo e lesto. Apinhado de turistas descontraídos, dos que se contentam com a paisagem fugidia para chegarem ao hotel a tempo de tomarem duche antes do jantar.

O foguete partiu ao meio-dia. É um comboio-expresso. Híper, híper-veloz. Eu tinha-me refugiado na biblioteca, a estudar as mensagens de ouro dos livros sábios. É o comboio dos executivos, suas pastas prenhes de negócios e contratos. Donde o segredo e urgência são a chave do lucro e garantia de êxito. Galga a mesma distância dos outros, em metade do tempo. Suas-Excelências aproveitarão o caminho em encontros casuais de futura utilidade. Jantarão com tranquilidade aparente. E do mesmo modo adormecerão, preparando durante o sono a reunião da manhã seguinte.

Gastei o dia. Procurei nos olhares enigmáticos das pessoas com quem me cruzava, um sinal, ainda que indistinto, de um grão de luz. Mas gastei as mãos em dádivas sem retorno.

Sempre pensei que na minha praia, o sol não se pusesse nunca. Mas também aqui o sol se pôs, indiferente à minha procura. E a noite desceu sobre mim, como sobre tudo o mais!

A escuridão encontrou-me igual a um grão de areia batido pelas ondas, ou uma gota de espuma fundindo-se no ar.

Vou, pois, apanhar, eu também, o comboio da noite. O ronceiro. O mais barato. Este que transporta mercadorias e gado. E gente tão cansada, semblante fechado, carregado, inóspito.

Daquilo que sempre procurei, já não me lembro. Daquilo que sempre me inquietou, já não quero saber.

Sei apenas que já não me assombras pelas sendas da noite, pelos caminhos incógnitos da longa viagem. Sei que poderei descer em qualquer estação, olhar as estrelas do céu sem fim (as estrelas sem fim do céu), esperar sozinha pelo amanhecer.

Sei que já não me acompanharás…

… poderei talvez aspirar enfim o esplendor nascente do sol. Inspirando o oxigénio livre da montanha que desce até à praia. Poderei ir ao mercado, e comprar provisões. Poderei esperar novamente a noite, e retomar a viagem.

Retomar a viagem, quantas vezes forem precisas. Pelas sendas esquivas da noite? E há outras? Caminhos incógnitos da longa viagem.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Inédito

Junho de 1991

Imagem, ver:

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3609819.html

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 6 de Junho de 2015, pelas 21h 45m

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O drama das migrações

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 11:21 am

Com a devida vénia, dou a conhecer este site que encontrei ao procurar informação sobre o drama das migrações que o mundo vive actualmente:

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.Darrin Zammit Lupi/Files/Courtesy Reuters

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Europe’s Migration Crisis

Author: Jeanne Park, Deputy Director

http://www.cfr.org/migration/europes-migration-crisis/p32874

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    © Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 3 de Junho de 2015, pelas 12h 20m

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