As Mulheres e a Educação – Crónica Nº 7

* Alandalus,* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 11:43 am

.

Por duas vezes, a crónica sobre a Poesia de Língua Hebraica, no Al-Andalus, foi adiada. Mas não por ser de menor interesse. As razões para esse adiamento foram de peso: a atribuição do Prémio Nobel da Paz 2014, e estas considerações ao direito das mulheres à Educação, a propósito da desproporção entre os números conhecidos de poetas e de poetisas.

As antologias de Poesia do Al-Andalus que conheço, ou se debruçam sobre a poesia de Língua Árabe, ou sobre a de Língua Hebraica. O que compreendo pois quem é especialista numa dessas Línguas, provavelmente não o será na outra.

Mas nós, como estudiosa apaixonada da Cultura dessa época, procuramos informação sobre ambas.

Já se falou nestas crónicas sobre a grande inovação das Moaxa’has, mas há ainda imenso para dizer! Nem sequer tenho a pretensão de esgotar um tema tão rico. O meu objectivo é ir despertando o interesse doutros estudiosos para este tema.

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 31 de Outubro de 2014, pelas 11h 45m

.

.

Humanismo, a única resistência

* Educação e Criatividade,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 9:20 pm

.

 

.

 

“Orientalism is a tool to justify Colonialism”

 

VER a série de vídeos sobre Edward Said e a sua posição sobre o tema:

https://www.youtube.com/watch?v=vdE18Hdfani

.

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 29 de Outubro de 2014, pelas 21h 20m

.

.

Uma sugestão que deixei no FB

* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 1:20 pm

.

.

Reproduzo aqui esta mensagem que deixei no FB:

Esta mensagem vai em especial para os Amigos Moçambicanos e Brasileiros, ou outros, e também a Marina Tadeu, que se mostraram interessados em experimentar e fazer MOAXA’HAS!
.
No passado dia 21 deste mês, publiquei no meu blogue, mais umas poucas notas a propósito deste tipo de poesia.
Poderão ver no Google, em
Myriam Jubilot de Carvalho
www.myriamdecarvalho.com
.
No entanto, eu daria uma sugestão:
Porque não começarem a fazer um levantamento de poesia ou contos tradicionais, ou lendas, das vossas regiões?
Seria muito interessante, não acham?
Faríamos com isso um interessante intercâmbio! Ou então, veríamos o destino a dar aos resultados desse trabalho! Dêem sugestões!

.

Publicado por

   © Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 25 de Outubro de 2014, pelas 14h 15m

.

.

Crónicas Nºs 5 e 6 – Moaxa’has; e O Mundo e Nós

* Alandalus,* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 7:46 pm

.

Península Ibérica, uma imemorial encruzilhada de Culturas. Termina aqui, na Crónica Nº 5, o tema das Moaxa’has. É no entanto, um terminar provisório, pois sobre elas haverá sempre muito que dizer!

Este tema tem colhido muito agrado da parte de alguns leitores, que me comunicam que pretendem começar a praticar este tipo de composição! Desde já, atrevo-me a prevenir que nem sempre é fácil encontrar tantas rimas!

Comecei  a criar MOAXA’HAS, em primeiro lugar, para ter uma ideia mais concreta do que seriam estes poemas… Depois, entusiasmei-me, e tenho escrito bastantes. Para além da estrutura estrófica e do esquema das rimas, não me prendo com métrica. Não pratico poemas contemporâneos com sílabas contadas à maneira da Poesia Clássica. Esta não-observação de uma estrutura métrica rígida, na minha opinião, dá-me maleabilidade aos poemas. Em compensação, dou todo o valor aos aspectos musicais  da Linguagem – as minhas palavras são escolhidas, grandemente, em função do som, ou seja, da música que se estabelece entre elas!

Faço Poesia muito artesanalmente, pois observo certas normas, algumas um tanto convencionais, outras que eu própria vou criando e desenvolvendo para meu uso. Essencialmente, posso dizer que me baseio numa exigente escolha das palavras, e observo atentamente o ritmo que se cria entre elas! Os meus Amigos, Fernando Pinto Ribeiro (infelizmente já falecido) e Fernando Grade, foram quem primeiro e mais em profundidade comentou que na minha prática poética “não há nem uma palavra a mais”.

*

A Crónica Nº 6, como sempre no jornal ‘O Autarca’ – da cidade da Beira, em Moçambique – foi dedicada ao Prémio Nobel da Paz 2014.

Nem poderia ser de outro modo, já que o Nobel da Paz deste ano foi dedicado ao direito à Instrução, que deve ser “pública”, isto é, da responsabilidade do Estado: igual para todos – Meninas e Meninos – e portanto, independentemente de classe social, e de género.

Em Português, distingue-se entre Educação, e Instrução pública, que deve ser a cargo do Estado. A Educação, como se dizia tradicionalmente, “vem de casa” – isto é, é da responsabilidade da Família.

10365845_848226115227929_1893951395984646521_n

..

Publicado por

     © Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 21 de Outubro de 2014, pelas 20h 45m

.

.

.

Prémio Nobel da Paz 2014

* Educação e Criatividade,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 5:12 pm

 .

Prémio Nobel da Paz para uma Menina e um Educador

.

 

Foto: ONU/ Mark Garten – Jenny Rockett

.

Não é só no Paquistão ou na Índia que a Educação mete medo às forças conservadoras.

Não é porque a investida contra a Educação não usa armas de fogo ou não tenta matar a tiro, que é menos grave. Entre nós, o ataque à Educação usa armas poderosas, usa o desemprego, e consequentemente a fome. Subestima o Sistema Nacional de Saúde. Difama os Professores e dificulta o seu trabalho. A programação de TV, nomeadamente as novelas, não tem suficientemente em conta a sua função educativa – exige-se mais exigência! Nomeadamente nas novelas, a mulher volta a ser remetida a uma situação de objecto – de forma encapotada: não pelas personagens em si, mas pelo vestuário, insidiosamente dito ‘moderno’. O ataque à Educação precisa desvalorizar a Mulher – não propriamente para voltar a uma machização da sociedade, mas para pôr uma faixa da população fora dos interesses económicos – um ‘objecto’ não precisa, por exemplo, de consumir cultura, não precisa de ambições…

Procurei um vídeo sobre Malala Yousafzai, para postar aqui – mas fui verificando que avantajado número de títulos insiste no “ataque dos Taliban”… Uma boa maneira de deslocar a atenção dos incautos para o que se passa lá longe, esquecendo o nosso panorama real e próximo.

Acho que, neste momento, a melhor homenagem que presto aos dois contemplados com o Nobel da Paz deste ano, é postar esta reflexão sobre o que se passa entre nós em matéria de Educação, em matéria de ataque à nossa Educação Pública.

Acho que é esse o sentido do Nobel da Paz – provocar a reflexão sobre a realidade onde podemos, e devemos, actuar.

.

Malala Yousaftzai nasceu em 12 de Julho de 1997. Teve o privilégio de ter um pai que acreditava no seu talento, e, apesar de tão novinha, a estimulou a manter um blogue onde falava da sua vida sob condições desfavoráveis. Seu pai era proprietário de uma cadeia de escolas, mas é também poeta.

Malala poderia ter-se deixado intimidar. Mas não. Depois do atentado que a trouxe para a ribalta das atenções mundiais, esta menina continuou a lutar pela educação das crianças. nomeadamente, pelo direito das Meninas à educação.

Quando reflicto sobre estes factos, comparo as crianças que, por esse mundo, fazem tantos sacrifícios para seguirem a sua escolaridade por vezes em condições tão adversas. E comparo-as com o desinteresse com que o meu País trata e subverte a educação pública. Em países cheios de dificuldades, crianças e suas famílias desenvolvem esforços sobre-humanos para que as suas crianças possam estudar. No nosso País, por seu lado, a intenção oficial é degradar o Ensino Público, relegando a Educação para o nível de mais um negócio rentável.

Admiro Malala Yousaftzai, em parte, por uma certa projecção pessoal… Porque, na minha infância, houve alguma reserva em eu prosseguir os estudos, pois temia-se que o orçamento familiar não fosse suficiente para as despesas com a educação de dois filhos… Assim, a rapariga seria sacrificada em favor do irmão… Não é, pois, apenas pela sua história de denodada coragem que admiro Malala, mas pela sua defesa dos direitos das meninas à Educação.

Kailash Satyarthi é um engenheiro de 60 anos. É menos conhecido que a menina que com ele compartilha o Nobel da Paz deste ano. No entanto, por volta dos seus 35 anos, ele abandonou a carreira de professor para se dedicar à causa da sua vida – a luta contra o trabalho infantil.

No mundo ocidental, na nossa sociedade de desperdício, de bens recicláveis para manter a economia a correr, esquecemo-nos do verdadeiro significado de trabalho infantil. ‘Trabalho infantil’ não significa ajudar a mãe a limpar o pó! Continua a haver por esse mundo fora sítios onde as condições de vida são tão miseráveis que a vida dos filhos é avaliada num negócio de compra e venda.

Kailash Satyarthi nasceu em 1954. Em 1980, fundou o Bachpan Bachao Andolan, cujo nome podemos traduzir por “Salvem o Movimento das Crianças”, e a acção desta instituição já se estende a 144 países. 

Entre outras medidas e actividades, e funções internacionais, Kailash Satyarthi estabeleceu a Rugmark – actualmente já conhecida como Goodweave – um sistema de certificação de que não houve trabalho infantil na confecção de tapetes, e que tem desenvolvido campanhas para alertar o consumidor para a sua responsabilidade social na escolha dos artigos que adquire.

.

Publicado por

   © Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 12 de Outubro de 2014, pelas 18h, 25m

.

.

.

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-Share Alike 3.0 Unported License.
(c) 2019 Por Ondas do Mar de Vigo | powered by WordPress with Barecity