Um poema de Han Shan

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 2:15 am

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Han Shan

Trata-se de uma figura lendária que era representada associada a uma outra, como que um seu alter-ego, Shide. Ao seu nome era associada  uma colectânea de poemas que viriam a ser mais apreciados no Japão que originalmente na China.

Han Shan, ou os poemas que lhe são atribuídos, remontarão, provavelmente, aos tempos da dinastia Tang – séc VII a X (da era cristã). São poemas que se inscrevem nas tradições Budista e Taoista.

Em Português, temos versões (poéticas) de alguns desses textos, por Ana Haterly, sobre traduções (literais) de Jacques Pimpaneau: “O Vagabundo do Darma”. Mas o poema abaixo transcrito  foi retirado de uma antologia geral de Poesia Chinesa, um poema de que gosto muito, pois glosa o velho tema da efemeridade da vida, um tema universal:

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Vive o homem a vida numa tigela de poeira

É como bichinhos dentro de um jarro

Todo o dia andando à volta

Nunca sai lá de dentro.

Não nos calha a ventura

Só temos em sorte desgraças

O tempo parece um rio

Que corre. Um dia, acordamos velhos.

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Fonte:

“Uma Antologia de Poesia Chinesa, do Shijing a Lu Xun – Segundo Milénio antes da Era Comum – séc XX”, pág 111

por Gil de Carvalho; Assírio e Alvim; 2ºEd, 2010

Imagem:

http://thebamboosea.files.wordpress.com/2010/06/han-shan.jpg.

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Publicado por © Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 21 de Julho de 2014, pelas 3h 20m

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