Tagore e a Índia colonizada

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:36 pm

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Tagore e a Índia colonizada

Encontrei na Net o seguinte poema de Rabindranath Tagore, e achei-o tão apropriado ao nosso momento colectivo, que o traduzi para Português.

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Where the mind is without fear and the head is held high;

Where knowledge is free;

Where the world has not been broken up into fragments by narrow domestic walls;

Where words come out from the depth of truth;

Where tireless striving stretches its arms towards perfection;

Where the clear stream of reason has not lost its way into the dreary desert sand of dead habit;

Where the mind is led forward by thee into ever-widening thought and action – Into that heaven of freedom, my Father, let my country awake.

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Minha versão para Português:

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Onde a mente é sem medo e a cabeça erguida;

Onde o conhecimento é livre;

Onde o mundo não foi quebrado por estreitas paredes domésticas;

Onde as palavras brotam da profunda verdade;

Onde o esforço incansável lança os braços para a perfeição;

Onde o claro rio da razão não se perdeu no deserto sombrio dos hábitos sem vida;

Onde conduzes a mente para um pensamento e acção cada vez mais latos – Na direcção desse céu da liberdade, meu Pai, mantém o meu país acordado

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Fontes:

http://anzaholyman.com/2011/04/27/gitanjali-song-offerings/

Fonte da Imagem:

Consultar:

Rabindranah Tagore

https://www.biographyonline.net/poets/tagore-rabindranath.html

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Publicado por © Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 1º de Junho de 2014, pelas 0h 38m

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Coisas que se procura esquecer?

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:56 pm

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Coisas de que não se fala

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A cultura portuguesa do oficial cala aquilo que considera incómodo recordar, ou divulgar.

Apesar disso, nas comemorações do 25 de Abril, é comum vermos quem refira, com o devido repúdio, o campo de concentração do Tarrafal ou algumas das prisões políticas do regime anterior. Porém, não tenho ideia de alguma vez ter visto ou ouvido mencionar mais prisões políticas para além do referido Tarrafal, e das que existiam no território “continental”.

Porque além dessas prisões portuguesas, nomeadamente as do Aljube, Peniche, Caxias e Açores, o regime salazarista, ao longo do seu meio-século de existência, criou vários outros campos de concentração, consideravelmente longe da vista de possíveis observadores, para onde enviava os seus opositores mais activos… De alguns desses campos, lugares tenebrosos donde em geral não se voltava, eu nem sequer tinha ainda ouvido falar, mas uma pequena pesquisa pela Net foi bastante esclarecedora. Eis o que encontrei:

Em Moçambique: Machava, São Machilde e Mabalana,

Em Cabo Verde: Tarrafal de São Nicolau e Tarrafal de Santiago,

Em Angola: São Nicolau, Missombo e Bié,

Na Guiné-Bissau: ilha das Galinhas,

e Timor-Leste: Viqueque e Ataúro.

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Ao todo, foram 11 campos. Se dissermos que os prisioneiros eram  tratados desumanamente, diremos pouco; os opositores ao regime eram condenados a morte lenta. Basta ler relatos e artigos de quem por lá passou.

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Actualmente, verifica-se que as forças de Direita manifestam visível efervescência pela Europa. Pensemos bem, e perguntemo-nos que direito têm de existir, estas forças marcadas por ódios racistas, pela defesa do direito do mais-forte e consequentemente, do emprego a baixos salários, pela difusão de uma cultura de massas sem horizontes para além do comer, do divertimento e do sexo, e consequente combate a um ensino estatal condigno para todos, pelo retrocesso ao  conceito da mulher-objecto, pela inoperância da Justiça?

Seríamos levados a pensar que a Liberdade de expressão constitui um temível  perigo para a Democracia.

Mas o caminho da repressão do direito à livre expressão das ideias não será o caminho certo. O único caminho certo, será o de reforçar o bom funcionamento das instituições, manter uma Justiça operante, independente do poder político. Dinamizar a Economia, o Emprego. A Educação! A Educação é a garantia do progresso, em todas as frentes sociais e económicas, não só porque dinamiza o Conhecimento científico e humanista, mas também porque confere a consciência dos direitos e dos deveres!

O bom funcionamento das instituições é o único garante da Democracia!

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Referências:

http://www.jornalnoticias.co.mz/index.php/recreio-e-divulgacao/5649-campos-de-concentracao-portugueses-historiadores-sugerem-listagem-no-patrimonio-da-humanidade

= Tarrafal, Testemunhos; Editorial Caminho, Lx, 1978

= São Nicolau, Tarrafal angolano; de Emílio Filipe; África Editora, 1975

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Publicado por © Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 17 de Maio de 2014, pelas 15h 55m

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