Voando com os condores

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 10:35 pm

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Depois de alguma pesquisa, encontrei informação sobre esta canção de que gosto muito:

El Condor Pasa

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El Condor Pasa est d’abord une oeuvre théàtrale musicale classée traditionnellement comme zarzuela, d’où est extraite la célèbre chanson du même nom.

La musique a été composée par le compositeur péruvien Daniel Alomia Robles et les paroles originales écrites par Julio de la Paz (Julio Baudouin) en 1913,

mais la pièce ne fut publiée qu’en 1933.

Cette musique a été reprise par plusieurs artistes dont les plus célèbres sont Paul Simon et Art Garfunkel en 1970, et bien d’autres.
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Para ouvir, deixo estes excelentes links:

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El Condor Pasa original perou (flute)

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=eBYxOi95uGA

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Uma versão de que gosto muito:

Leo Rojas

https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=75hM3mOGg70

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E mais um pouco de música dos Andes:

? INKAKIKE ~ Yeha Noha ? Andea música

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=BjNuqgzIE5k#t=34

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INKAKIKE-BLUE SKY

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Link da Imagem:

http://www.arcmusic.co.uk/shop/images/1596.jpg

 

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 28 de Outubro de 2013, pelas 22h 30m

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Rêve d’amour, nas Flautas Mágicas dos Andes

* Contos — Myriam de Carvalho @ 10:02 am

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Quem não gosta de ouvir as flautas dos Andes? Quem não se sente condor, símbolo do poder dos povos nativos dos Andes contra o intruso invasor europeu?

Quem não sente a nostalgia de poder abrir as asas de par em par, e pairar, planando, imponente, senhor silencioso do ar azul, sobre as montanhas a 4000 metros de altitude?

Quem não se sente na pele do Outro, seu Semelhante, ao escutar as melodias veladas, subtis, das flautas andinas?

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Contam as lendas dos Andes a origem das flautas. Todos os povos que fizeram pastoreio tiveram flautas, certamente. Tenho a certeza que o inocente Daphnis colheu algumas canas e nelas soprou, com maior ou menor intensidade, esforçando-se por delas tirar harmonias com que seduzisse a atenção da pequena Cloé, enquanto ovelhas e cabras do seu rebanho tosavam nos áridos arbustos de alguma encosta da Ática, donde se avistasse, azul, o Mar Egeu…

Estou persuadida que em todas as culturas primitivas terão sido preparadas flautas – tipo de instrumento tão fácil de intuir a partir da oferta da Mãe Natureza em materiais que pudessem fazer vibrar a veia inventiva do Ser Humano!

Contam as lendas dos Andes a origem das flautas. Ora eu li, em tempos de juventude, que os povos ameríndios não tinham Música, nem Poesia…

Enfim, há décadas atrás, era nestes termos levianos que grosso modo eram apresentados aos estudantes os povos não-europeus, incutindo nas mentes em formação, informação inexacta, tendenciosamente grosseira, que desde cedo inoculasse o sentimento venenoso da superioridade dos povos europeus sobre os povos dos outros continentes, apenas porque dá trabalho o esforço de perceber, e admitir, ou aceitar, que é na diferença que reside a riqueza da Humanidade.

Contam as lendas dos povos dos Andes a origem das flautas. E quando pela primeira vez li esta lenda, perguntei-me a mim própria:

“Então, uma lenda como esta – não é isto Poesia? Porque é que dizem que os povos Americanos não tinham Poesia?”

…E fiquei alerta…

Só muito mais tarde pude perceber que faltava um pormenor à descrição: “…não têm Poesia num conceito de produção individualizada, à maneira europeia…”

Mas obviamente que têm Poesia.

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Contam as lendas dos Andes que havia, no tempo antigo, um casal de pastores, unido por um tal sentimento de Amor tão profundo, se é que se pode comparar, como as fundas ravinas entre as agrestes montanhas. Eram jovens, alegres, e enquanto as cabritas pastavam, o jovem enamorado colhia corolas com que fazia coroas à sua gentil esposa, ou deitavam-se ambos na sombra de alguma rocha, de algum arbusto, sobre as mantas coloridas, vendo o correr das nuvens brancas, brilhando ao sol…

E os dias passavam, serenos como o voar do condor.

Acontece que a jovem adoeceu. E não houve remédios capazes de a curarem, nem os mais sábios xamans conseguiram identificar o estranho mal que a enfraquecia, e minava… Inexplicavelmente, a jovem foi perdendo as forças, foi desistindo de se agarrar à vida, e acabou por falecer.

…Mas a vida era impossível sem aquela companheira! Sem a sua bela esposa, o pastor não podia sobreviver! Os dias, e as noites, a montanha, e o céu azul, o rebanho e as ravinas, e tudo era um desespero, um desespero mudo, um desespero sem expressão possível nem alívio, uma solidão insustentável, e o futuro apresentava-se como uma gruta profunda no íntimo das montanhas onde o sol não tinha entrada…

…Então, certa tarde, ao declinar do dia, quando as sombras se alongam e a solidão com elas cresce, o jovem  retirou uma tíbia ao corpo amado, e amorosamente, lavou-a na água fresca da ribeira que descia a encosta…

…Depois, sentou-se… Pacientemente, abriu no osso uns pequenos orifícios… E levou-o a aflorar-lhe os lábios, enquanto delicadamente obliterava ora um ora outro dos pequenos buraquinhos, impedindo a saída do ar ora por um, ora por outro… E não é que belos sons começaram a desprender-se-lhe daquele mágico instrumento?… Belos sons começaram a delinear-se na sua frente, e era a esposa amada que voltava à sua presença…

Em todas as épocas os poetas e os músicos, e todos os artistas,  se serviram das palavras, dos sons, das cores, para manterem a seu lado a presença perene e eterna da amada que o destino lhes arrebatara…

…Pelas encostas, pelas ravinas, pelas nuvens, pelo céu azul, a jovem pairava num voo planado, lado a lado com os condores, ou vinha em seguida repousar junto dele, calmamente, serenamente, muda para não interromper a doce melodia que se desprendia daquele instrumento em tão boa hora criado que a trazia a ela de novo à vida, e a ele restituía a doçura da sua companhia…

…E tudo o mais, à sua volta, tudo o mais para além deles, tudo o mais para além da melodia saída daquela flauta mágica, era um lugar vazio…

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…E se a celebração do Amor não é Poesia – o que o será então?…

Poesia, e Amor, são universais.

O resto, é que continua a haver quem estude Literatura, quer Oral e Tradicional, quer escrita ou dita erudita, numa postura formal, presa de preconceitos e sem sensibilidade poética nem artística, e pior ainda, sem aquele sentimento de Liberdade e Respeito que, penso eu, faz a única ponte possível entre as diferentes culturas!

…Mesmo o Amor cristão me deixa perplexa e de sobreaviso… O Cristianismo continua a sentir-se a si próprio como a única verdade possível, que olha caritativamente para o lado, lamentando quem ainda não teve a sorte da conversão…

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Bibliografia:

= Native American Songs and Poems; Edited by Brian Swann – Dover Publications, Inc.; Mineola, New York

= The Sky Clears, Poetry of the American Indians – by A. Grove Day; University of Nebraska Press. Lincoln

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Imagens:

http://1.bp.blogspot.com/_r74vxoo9V2U/TCS6vc7tmKI/AAAAAAAAA6k/                                                                                                                                                                                                            XuBr7tugIHs/s1600/condor_vuela.jpg

http://www.firsthdwallpapers.com/uploads/2013/09/condor1.jpg

http://4.bp.blogspot.com/-dgr7N1iFSfE/UXrfbsVD3uI/AAAAAAAABhs                                                                                                                                                                              /EDc9MkuUhE0/s1600/Cravos+vermelhos.jpg

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 28 de Outubro de 2013, pelas 10h

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Poema do puro aço inoxidável

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 9:00 am

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Poema do puro aço inoxidável

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Hoje é dia 10 18

Data que me traz à rija têmpera

das palavras,

das mais doces às mais duras

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As minhas palavras são temperadas

como ouro, como

o aço

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As minhas palavras são entidades consagradas,

da linhagem dos sentimentos os mais puros, mais

profundos, mais complexos, mais

sentidos

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Que as palavras são para ser amadas!

Entrego-me ao poder das palavras

como àquele único amante que me eleva

às âncoras onde se fundem corpo e alma

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As palavras são para ser amadas!

Com as palavras se salva ou se condena,

Com as palavras se escraviza, ou se liberta,

Com as palavras se louva, ou se despreza,

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ou se ama

Com as palavras se escolhe o destino –

A vida – ou a morte –

Como quem faz a cama

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Forum Romeu Correia, dia 18 de Outubro de 2013

Perante um painel com um poema onde se dizia que as palavras não valem nada…

Poema Inédito

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Imagem:

http://static.ddmcdn.com/gif/care-antique-books-1.jpg

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 19 de Outubro de 2013, pelas 10h

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Malala Yousafzai

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 10:54 am

635485396685298904-GTY-456995908.

Notável, esta jovem –

Mesmo que as palavras que se seguem, sejam  um pouco a posteriori, já a sangue frio, já depois de passado o perigo – não são por isso menos corajosas, ou menos lúcidas, ou menos sábias!

“Even if there was a gun in my hand and he was standing in front of me, I would not shoot him [referring to the member of the Taliban that shot her in October of 2012].

This is the compassion I have learned from Mohamed, the prophet of mercy, Jesus Christ and Lord Buddha. This the legacy of change I have inherited from Martin Luther King, Nelson Mandela and Mohammed Ali Jinnah. This is the philosophy of nonviolence that I have learned from Gandhi, Bacha Khan and Mother Teresa.

And this is the forgiveness that I have learned from my father and from my mother. This is what my soul is telling me: Be Peaceful and Love Everyone.”

– Malala Yousafzai

= Sobre a IMAGEM

Consultar:

I Am Malala: Nobel Peace winner’s quotes

http://www.usatoday.com/story/news/nation-now/2014/10/10/malala-yousafzai-quotes-nobel-peace-price/17032929/

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 16 de Outubro de 2013, pelas 12h

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Bibliotecas Escolares

* Educação e Criatividade — Myriam de Carvalho @ 9:52 pm

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Com este início de  um novo ano lectivo, preparo-me para mais algumas “acções educativas” nas escolas onde Amigas minhas, bibliotecárias, me convidam a colaborar!

É sempre bom, gratificante, voltar a ter alguns alunos na nossa frente, sobretudo na presente fase da minha vida, em que já não tenho responsabilidade alguma no tocante a realização de programas e avaliações!

É como ter netos! Amamo-los apenas – e as responsabilidades são dos pais!

Bem, não será bem a mesma coisa. Nos últimos anos da minha vida profissional, tive realmente alguns “netos” – os filhos de antigas alunas!!!

Seja como for, “netos” ou não! – é um rejuvenescimento para mim contactar com as crianças, um verdadeiro prazer para a alma! E de um modo geral, as crianças apreciam as minhas sessões, colaboram com segurança e interesse, e à-vontade,

Tudo isto quer dizer, muito resumidamente:

Nesta fase da vida, o que realmente é bom, é este entrar numa escola a título informal, numa desportiva – como soía dizer um Aluno meu, o Dunga, num displicente jeito de mãos. Já não tenho paciência para regulamentos, normas, reuniões disto e daquilo com dias lindos a correr lá fora… Cheguei finalmente à idade do prazer!

Regressei também às minhas aulas na Universidade Sénior! Este ano elaborei um programa numa base de Literatura Comparada. Os resultados, como em qualquer ramo de Ensino, dependerão do ajustamento que houver que fazer entre as minhas intenções e objectivos, e os conhecimentos destes alunos… Estas turmas são sempre muito heterogéneas… É um grande desafio!

…Mas como é que uma pessoa poderia viver sem desafios?!

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Imagem:

http://static.guim.co.uk/sys-images/Books/Pix/pictures/2009/7/1/1246446081153/School-library-001.jpg
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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho
Dia 15 de Outubro, pelas 22h 45m
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Dia Mundial contra a Pena de Morte – 10 de Outubro

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:29 pm

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Os Direitos Humanos e a Pena de Morte

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Novamente, a Amnistia Internacional apela ao despertar da consciência dos países onde se pratica – ou onde a sua prática está a ser retomada.

A Pena de Morte não constitui solução para a criminalidade!

A solução está na EDUCAÇÂO para todos, na JUSTIÇA SOCIAL – eficaz, e igual, para todos os cidadãos, na disponibilidade de TRABALHO e EMPREGO com remunerações condignas… E no acesso, divulgação, criação, usufruto e vivência! – da CULTURA – entendida no seu sentido mais amplo, desde a desportiva à humanística!

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Como não dizê-lo mais uma vez?

Não é crime o baixar do nível de rendimentos, de educação, de protecção social aos mais desfavorecidos?

Não é crime uma Justiça que não funciona , ou que funciona mal?

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A Europa e a civilização dita Ocidental derivam para soluções de Direita…

Entendo-o como o fruto duma eterna busca de soluções… Ou mesmo da luta entre o ideal e a perversão – sendo o IDEAL o bem-estar geral, a todos os níveis, para o geral das populações do mundo; e a PERVERSÃO, a subversão do acesso geral aos recursos disponíveis, fazendo-os regressar – ou estacionar – às mãos de uns poucos…

,,,Mas também me assusta a falta de memória colectiva. A busca de soluções simples denota esta impotência em que a Humanidade se vê e sente manietada, de um lado, o medo de convulsões sociais, e um legítimo apego a situações estáveis já alcançadas – na verdade, à custa de tantos sacrifícios, adiamentos e esperas… – por outro lado, o egoismo, a curteza de vistas das oligarquias…

…Mas é neste terreno fértil que lança raízes o discurso da Demagogia… Lança raízes, deita árvores, rama, frutos… A opinião pública esquece que a Paz e a Estabilidade prometidas pela Direita são sinónimos de Submissão, Exploração, Escravização, Miséria…

Virá um novo dia em que será necessária outra Revolução Francesa…

Por enquanto, nós, vamos regressando pacatamente aos tempos de D. Miguel – donde afinal mal chegámos a emergir…

…Por alguma razão se reduzem, no Ensino, os programas de Humanidades, e o estudo/ensino da História, da Literatura, das Artes…

Teresa Pina, diretora-executiva da Amnistia Internacional em Portugal, comenta evolução da pena de morte em todo o Mundo.

Link

http://cmtv.sapo.pt/opiniao/detalhe/teresa-pina-comenta-evolucao-da-pena-de-morte-no-mundo.html

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Texto de Myriam Jubilot de Carvalho

Publicado no dia 10 de Outubro de 2013, pelas 15h

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Prestes João

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 11:16 pm

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Passando os olhos por velhos papéis,

encontrei este poema de que gosto muito:

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Prestes João

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A minha canoa

é uma nau

à toa

(grande nau grande

tormenta

– dizem as velhas daninhas)

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Já percorreu céus

e mares

em demandas e

altares

e, de candeia na mão

– Vistes o Prestes João?

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E o Prestes João

estava

em Lisboa

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Myriam Jubilot de Carvalho,

Poema de 1986

Inédito

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Link para o mapa:

http://3.bp.blogspot.com/-dlAahLVAXzA/TcFJ5siRkAI/AAAAAAAAADE/3vYWyiDaP3E/s320/africa_mapa%255B1%255D.jpg

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 3 de Outubro de 2013, pelas 23h 50m

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