Verão

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 5:18 pm

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Verão

Tempo de viagem

Liberdade

Encontro

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Viagens no espaço,

no tempo,

ou no Eu interior

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Encontro contigo

Encontro comigo

Abrigo e Calor

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Texto e foto de Myriam Jubilot de Carvalho

Inédito

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 25 de Julho de 2013, pelas 13h 35m

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A “nossa” democracia está uma casa vazia

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 9:58 am

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mandela21

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Não seria necessária esta citação de Nelson Mandela para tomarmos consciência de que a “nossa” democracia tem sido a derrapagem para a casa vazia em que hoje nos encontramos…

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A seguir ao 25 de Abril, muita gente (à minha volta) se insurgia contra a mudança. criticando a “liberdade”, alegando que “agora tudo é permitido”…

E muitas vezes tive que me insurgir contra tal opinião redondamente errada.

A Liberdade é política, diz respeito à igualdade de Direitos, ao respeito pelos Direitos Humanos que nos garantem que sejamos todos iguais perante a Lei.

Para haver Democracia, tem que haver Lei. E esta tem que ser universal. Nada do que se tem verificado entre nós. Com mais ou menos exagero, sou da opinião de que, ao longo dos últimos 38 anos, fomos regredindo até à mentalidade anterior à revolução de 1820 e à guerra civil que implementou o regime constitucional. Nestas últimas décadas, temos assistido à implementação da lei-do-mais-forte, à lei dos oportunistas do tira-rapa- e nada deixes.

Actualmente, há quem reclame por novas eleições…

…E eu pergunto-me: votar em quem, se não se salvaguardaram valores?!

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Tinha pensado que neste meu espaço-web, só haveria lugar para Poesia, Literatura, um pouco de História…

Mas não posso ficar indiferente quando o mundo se desmorona – ou se desmoronou – à nossa volta…

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Sobre a imagem, consultar:

Nelson Mandela monument, by Marco Cianfanelli

http://www.designboom.com/art/nelson-mandela-

monument-by-marco-cianfanelli/

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 19 de Julho de 2013, pelas 10h 55m

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18 de Julho – Dia Internacional Nelson Mandela

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 12:41 am

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Nelson Mandela International Day:

Tempo para acção e reflexão a favor dos Outros

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Vai neste sentido, “Acção a favor dos Outros”, o apelo de Ban Ki-moon, Secretário Geral das Nações Unidas.

Realça ainda Ban Ki-moon que assim como toda a gente celebra a vida pública de acção em prol dos Outros, de Mandela, dedicando-lhe os melhores votos de boas-melhoras, assim deverá tornar esses votos verdadeiramente tangíveis, desenvolvendo acções em prol da comunidade e do Planeta.

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Deixo uma pequena amostragem do que era ser “negro” – ou antes, “não ser branco” – na África do Sul do Apartheid, retirada da pág 152 da autobiografia de Mandela –  “Nelson Mandela – Um Longo Caminho para a Liberdade”:

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“Ser advogado na África do Sul significava singrar por entre um sistema judicial iníquo e um corpo de leis que não valorizava a igualdade, antes pelo contrário. Um dos exemplos mais rebarbativos era o Population Registration Act, que estipulava essa desigualdade.

Uma vez advoguei o caso de um mestiço que fora classificado como negro por engano. Durante a Segunda Guerra Mundial tinha combatido pela África do Sul no Norte de África e em Itália, mas depois do seu regresso um burocrata branco reclassificara-o como negro.

Era o género de casos, nada invulgares na África do Sul, que nos apresentavam um complexo quebra-cabeças moral. Eu não era adepto do Population Registration Act, nem sequer reconhecia a sua legitimidade, mas o meu cliente precisava de quem o representasse e tinha sido objecto de uma classificação errada. Havia muitas vantagens de ordem prática em ser classificado como mestiço e não como negro. Basta referir que os mestiços não tinham de apresentar o passaporte obrigatório.

Em nome do meu cliente, apelei à Comissão de Classificação, que tinha autoridade sobre os casos emergentes do Population Registration Act. A comissão era composta por um magistrado e dois funcionários, todos brancos. Apresentei provas documentais irrefutáveis para sustentar a pretensão do meu cliente e o procurador público declarou formalmente que não se opunha ao recurso. Contudo, o magistrado não pareceu interessar-se nem pelas provas nem pela não objecção do procurador. Olhou para o meu cliente e ordenou-lhe em tom brusco que se voltasse de costas. Depois de lhe ter examinado os ombros, que eram bastante descaídos, fez um sinal com a cabeça aos dois vogais e deu provimento ao recurso.

Na opinião das autoridades da época, os ombros descaídos eram um estereótipo físico dos mestiços.

E assim aconteceu que o curso da vida daquele homem foi determinado exclusivamente pela opinião de um magistrado quanto à estrutura dos seus ombros.”

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Imagem:

http://www.unmultimedia.org/radio/english/wp-content/uploads/2013/07/mandeladaytakeaction3.jpg

Obra citada:

Editora Planeta Manuscrito, 1ª ed, 2012

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Noite de 18 de Julho de 2013

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O desejo

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 1:24 pm

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Penso que ainda não deixei aqui nenhuma nota de poesia erótica minha – o que considero uma grave lacuna.

Então, deixo aqui hoje este inédito:

O desejo

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O desejo é um ser vivo, animado de propósitos e vontade

O desejo é um ser autónomo, independente do Sujeito e do Objecto

O desejo é um monstro voraz

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Há momentos em que morre

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Há momentos em que acorda. Então, abrem-se as bocas todas do corpo, a alma bate as asas e voa para longe do Sujeito, e quer emborcar de um trago como um copo-de-três a alma do Objecto, quer inocular-lhe o veneno que letalmente o anule e o ponha à sua inteira disposição

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E no entanto, se estivesse ao pé de ti, ficaria muda e queda, cautelosa, observadora, medindo os teus gestos, palavras, e olhares e temperatura da pele e do sorriso e do arco das sobrancelhas

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Ficava à espera que tomasses a iniciativa, avançasses e falasses do sol e do tempo, me pegasses a mão devotamente como um adolescente tímido e me convidasses para um passeio ao pé do mar

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O desejo é uma poção traiçoeira, directa, apontada ao peito – a dissolver-me na imensidão da areia

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O desejo renova a juventude, deixa-me leve, flutuante, sinto-me mais alta

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(Faz-me sentir segura, imponente, triunfante, como uma estátua equestre)

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O desejo é uma espada de harakiri – a apear-me dos meus pés de barro

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O desejo é hermafrodita – é pai e mãe da Arte, e da Escrita

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Myriam Jubilot de Carvalho

(Inédito)

Imagem:

http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/01464/plant-18_1464533i.jpg

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 17 de Julho de 2013, pelas 14h 22 m

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Love Story

* Contos — Myriam de Carvalho @ 9:35 pm

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Love Story

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Om. Por vezes, acontecem milagres. Hoje, aconteceu mais um. Acabo de salvar um pardalito.

Estava preso na lareira… Por isso que as lareiras são peças armadilhadas – as avezitas entram, descem, e ficam presas…

Ganhei o meu dia! Ele esvoaçava num canto, descontrolado, com risco de se magoar… Mas consegui segurá-lo nas minhas mãos, e senti o seu coraçãozinho a bater…

Dei-lhe beijinhos ao de leve, fiz-lhe festas na cabecita.

Levei-o até à janela: – Consegues voar?

E abri as mãos, suavemente…

Ele, ele virou para mim a cabecita, mirou-me, e esperou breves instantes…

Depois, num repentino movimento de hélice, bateu as asas e voou direito aos eucaliptos do outro lado da estrada.

Às vezes, dias que parecem nublados, têm momentos destes que me restituem à ternura da Vida

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Myriam Jubilot de Carvalho

Inédito

Imagem:

http://3.bp.blogspot.com/-djYwpcHXVU0/UHlUzmyZy2I/AAAAAAAADEY/GPI8xlOfXzc/s1600/pardais.jpg

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 3 de Julho de 2013, pelas 22h 45m

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Oh, Mãe

* Contos — Myriam de Carvalho @ 5:13 am

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Poucos contos tenho publicado aqui…

Hoje, trago um, muito pequeno, que publiquei no suplemento literário do extinto jornal Correio Beirão.

E como é Verão, é este:

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Oh, Mãe

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No meio da confusão. Guarda-sóis, toalhas, a areia levantada pelo vento soprando ora de N, ora de W, picando-nos o corpo desprotegido e arrepiado. O menino. Dois anos, dois anos e meio, não mais. Um menino. Cabelo loiro, liso, um tanto grifo. Um pouco de celta, um pouco de viking. Tacteante, assustado. Embora os meus filhos sejam morenos e já crescidos, foi a eles que eu senti na ansiedade do garoto perdido e reacendeu-se-me aquela luz vermelha sempre latente no coração das mães.

O garoto veio acolher-se nos meus braços, e antes que eu percebesse como, agarrou-se-me ao pescoço, “Mamã, mamã”. Peguei-lhe ao colo calmamente, pedindo aos deuses que ele não se assustasse. Saí da linha limítrofe dos guarda-sóis, onde me encontrava, para o areal livre, de maneira que quem o procurasse, pudesse vê-lo sem dificuldade.

Para o distrair, fui improvisando uma conversa que me permitisse ajudá-lo.

– Esta não é a mamã. Onde está a mamã do menino?

– Mamã, mamã – repetia, agarrando-se-me com mais força ao pescoço.

– Reconheces-me, é? – gracejei. – De onde?

– Mamã!

– Ai é? Quando foi?

– …

– Foi há muito tempo, foi?…

– Foi, foi há muito tempo – disse-me nítida e claramente uma voz junto ao ouvido, para minha total surpresa.

Num ápice, intuí que exploraria a situação ao máximo, antes que chegasse alguém.

– Ainda te lembras. É? Como é que eu era?

– Bonita. Eras muito bonita – e a voz veio novamente nítida e clara junto ao meu ouvido.

– E amiga? Achas que eu fui amiga, boa para ti?

– …

– Já não te lembras? E tu, quem eras tu?

– Cítaras…

– Cítaras? Eu tocava cítara? Tocava bem, era? Ou eras tu quem tocava?…

– As liras, flautas… As serpen…

– Zezinho! – um grito aflito surpreendeu-me, assustou-me… O garoto olhou a mãe e virou para ela os bracinhos trémulos, inseguros. Mamã, Mamã!

– O menino agarrou-se a mim – expliquei –, parece que pressentiu que eu percebi que ele andava aflito…

– Eu, minha senhora, eu é que tenho andado aflita. Foi um quarto-de-hora que pareceu um século!

– Calculo… – e não consegui dizer mais nada.

A mulher ia a tirar-mo do colo. Mas num gesto repentino, ele agarrou-se-me com força e uma voz irrompeu na minha mente – o mêtér! (1)

A mãe tirou-mo, ternamente. Ele agarrou-se-lhe ao pescoço, com intensidade. E começou a choramingar.

Lá se foram afastando. Ele soluçando copiosamente e ela dando-lhe beijos e fazendo-lhe festas, a acalmá-lo “meu menino, meu menino”.

Enquanto eu por ali fiquei, petrificada, no meio daquela confusão toda de gente que vai ao banho, que joga à bola num campo de futebol improvisado ou num rugby trapalhão, no meio da confusão dos guarda-sóis, das toalhas que não deixam um canto livre onde assentar sequer a unha do dedo grande. No meio da areia levantada pelo vento. Picando-nos o corpo desprotegido. E arrepiado.

Refugiei o olhar na grande massa azul que me fascina e tranquiliza. O mar, com os seus ciclos de marés, réplica da eternidade. Como eu entendo o pescador de Loti, os viajantes pacientes e solitários. Como gostaria de ter a sua coragem e enfronhar-me numa jangada, mares fora, em busca da derradeira aventura.

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As breves ondas da última fase da vazante deixam brincar os veraneantes, adultos ou crianças, numa mesma inocência. O grande mar, a sua força contida, esse seu tremendo desafio que passa despercebido na despreocupação do mês de Agosto. Percorro o horizonte e os olhos esbarram-me na faixa esbrazeante que reflecte o sol. A água e o fogo defrontando-se em poder, energia e beleza, cooperando uma e outro, em geral, competindo, por vezes, sem se darem tréguas. Quero contemplar, absorver, sorver, a faixa brilhante mas os meus olhos não o suportam, e tenho que os desviar.

O que foi que aconteceu? Havia um menino, perdido, na praia? Havia, sim. Havia. E eu? Eu, ajudei-o a encontrar a mãe. Foi isso. As coisas acontecem tal como a gente as narra, ou a gente narra-as tal como as imagina, ou como desejaria que acontecessem? O menino falou-me tal como a minha memória fixou, ou fui eu que delirei enquanto o distraía para ele não chorar? Ou então, ou então, foi aquela zona inexplorada da consciência que por momentos se reacendeu, aquela zona onde palavras ecoam dentro de nós, essa zona indefinida lá muito dentro do ouvido interno, ou do coração…

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Costa de Caparica, 30 de Agosto de 1993

(1) – Grego, mãe

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 Suplemento NAVE, Nº 28, de 31 de Julho de 1994

Assinado Fátima Oliveira

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Imagem:

http://2.bp.blogspot.com/-fnY_SZZqn74/Tj7E0JnsYKI/AAAAAAAABlM/1TggI_hpKZw/s1600/caparica.jpg.

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 2 de Julho de 2012, pelas 6h 20m

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Cravos vermelhos

* Contos — Myriam de Carvalho @ 4:48 pm

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Cravos vermelhos

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Sempre adorei cravos vermelhos. Sempre tive cravos vermelhos nas jarras, aqui e ali, pela casa. E só desisti deste gosto quando a minha economia se complicou e tive que desistir de alguns pequenos gostos que se foram assumindo como pequenos luxos.

A minha paixão por cravos vermelhos! Sempre preferi aqueles mais amplos, mais farfalhudos, mais rasgados com o peso e volume de tantas pétalas, aqueles mais vermelhões, mais escuráceos, mais esfarrapados!

Durante algum tempo ainda havia quem conhecesse este meu gosto, e me oferecesse um ou dois pelos anos! Mas agora já nem isso acontece, e há imenso tempo que não tenho cravos em casa – ainda por cima, nem sequer é planta que se dê nas varandas…

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Certa vez até me aconteceu um episódio interessante, que guardo na memória com carinho.

Eu tinha uma turma com rapazinhos muito distraídos, mexericos, desatentos… Nessa época, ainda não havia boxeurs provocadores nas turmas. Os problemas eram mais centrados no aproveitamento. Eu falava com as mães e elas queixavam-se que eram elas sozinhas a educar os filhos, que os maridos não ligavam, quer elas pedissem ajuda quer não… E havia uma mãe, magra, envelhecida precocemente, já com brancas; usava um vestuário pingão a manifestar um desinteresse evidente pela vida… Queixava-se que se pedisse alguma ajuda ao marido, ele daria uma tareia de correia ao rapazinho…

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Caraças, o que é que eu faço no meio disto? Os putos não têm controlo. Não há motivação que os dinamize, nada mos sossega. Poças, o que é que eu faço?!…

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E o ano lectivo ia avançando, e as notas não melhoravam como eu queria…

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Bem, respirei fundo e resolvi-me. Convoquei uma Reunião de Pais. A convocatória era clara, dizia que eu queria na Escola os Pais e as Mães, que ambos eram necessários e essenciais à educação dos Filhos.

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…Bem… Chegou a tarde marcada e eu estava um tanto insegura, como é que a reunião me iria correr…

…E fiz as minhas invocações ao Altíssimo, e disse-Lhe que estava a precisar de ajuda, que cuidasse de mim e pusesse as palavras adequadas na minha boca… “Fala Tu por mim! Toca-lhes no coração!”

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Já havia muita gente na sala, e eu resolvi-me a entrar.

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Então, qual não é o meu espanto, quando vejo, sobre o tampo da secretária, um cravo vermelho, vermelhão, farfalhudo, grosso, fresco, viçoso, as pétalas a transbordar do cálice!

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Foi a tremer de emoção que me aproximei da secretária. Peguei no cravo. Mentalmente, agradeci! E disse comigo Obrigada, meu Deus, vai correr tudo bem! E não mais larguei a flor, que mantive na mão durante aquela hora que para mim correu com alguma desusada lentidão, e de certo modo penosamente. Pois a sala estava à cunha. Nunca fiz uma reunião de pais tão concorrida. E não deixa de ser intimidante, ter tantos olhos pouco disponíveis postos em nós ao mesmo tempo…

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Sempre com o meu cravo na mão, lá disse o que tinha a dizer, que a Educação dos filhos é da responsabilidade do casal, de ambos – Pai e Mãe –, que os Pais não se podem alhear da atenção a dar aos Filhos… E claro tive que mencionar o ponto crucial daquela tarde: que não é pelo medo nem pela ameaça que se educa, mas pelo diálogo, pela persuasão, pela compreensão, pelo estímulo… E certamente, pelo exemplo.

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Alguns dos Pais, entenda-se, alguns dos homens, reagiram. Então foi para isso que a Senhora nos chamou aqui? Então foi para isto que nos incomodou? E houve um que lançou o rastilho que fez algum eco nos outros, nos outros homens: Eu quero é ir para casa. Hoje é Dia do Pai, é dia de jantar com os Filhos, não tenho que me demorar mais aqui… Isto foi repetido e glosado por mais uns dois ou três. Entretanto, as Mães, as mulheres, estavam mudas, caladas, imóveis, em suspense…

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Não os macei mais. Já tinha dado o meu recado, tinha feito o que na minha consciência devia fazer. O resto é com a Vida. Dei por encerrada a reunião, e agradeci a presença de todos, sempre agarrada ao meu cravo, meu mastro de salvação.

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Cá fora, à entrada da Escola, havia pequenos grupos a comentar, muito agitados, revoltados com o meu tema. Mas ninguém me apupou, ninguém se me dirigiu nem por bem nem por mal. E eu saí nas calmas.

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Durante muito tempo guardei aquele cravo, numa caixinha, na gaveta da minha mesa de trabalho. Até que já era só pó, e foi fora. Nem interessa, porque da minha memória, nunca se apagou. Continua tão vivo como no momento em que o vi sobre o tampo da secretária, no contra-luz sob o janelão da sala.

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Perguntarão: E viste algum resultado dessa démarche?

Certamente, que já não sei. Já não me lembro se as notas, ou os comportamentos, melhoraram ou não. Já não sei. Só sei que acredito que uma pessoa lança os seus próprios cravos ao Universo! E é a ele que cabe o milagre, a multiplicação dos pães.

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 1º de Julho de 2013, pelas 18h

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