E viva a Primavera

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 10:05 am

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A Poesia da Natureza

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Imagens:

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http://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Nb90227eb/5259265_EvsBd.jpeg

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Publicado por Myriam Jubilot de carvalho

Dia 27 de Maio de 2013, pelas 11h 15m

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Ao gosto orientalista

* Alandalus,* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:31 am

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Este quadro é um flagrante  exemplo de como, no séc XIX, Românticos e Belle Époque combinaram o gosto “orientalista”  e o apreço pelos afrescos de Pompeia.

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Albert Joseph Moore

Red Berries, 1884

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Imagem:

http://2.bp.blogspot.com/_dLSVgS5AxBI/TH9FUDH83dI/AAAAAAAAzXU/

gJZKBAkvJhs/s1600/RedBerries_Moore.jpg.

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho
Dia 25 de Maio de 2013, pelas 12h 30m
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Ainda o livrinho das Moaxahas a Lisboa

* Alandalus,* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 10:59 am

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Na sessão do lançamento, muito concorrida, foi-me pedido que fizesse uma introdução ao tema que ali nos reunia. No essencial, disse as mesmas coisas que já figuram neste blogue, e que resumidamente constam do texto da contra-capa, que aqui deixo hoje, como encerramento a este assunto.

Nesta sessão, cada um dos participantes leu o seu poema. Eu li o texto da poetisa brasileira Ilda Maria Costa Brasil, que tanto empenho demonstrou em homenagear a terra dos seus antepassados.

Na minha vez, preferi ler a MOAXAHA DE YUÇUF, que figura no penúltimo post.

Quanto ao aspecto gráfico deste trabalho, nunca será demais salientar o óptimo trabalho do Designer Ernesto Matos – excelente!

Para encerrar este assunto, deixo aqui o texto que compus para a contra-capa, e que figura sob o título

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Alandalus

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O Alandalus deixou-nos como legado uma extensa produção poética da qual, de algum modo, ainda podemos usufruir. Na Península arabizada surgiu, a partir do séc IX, um tipo de poema que constituiu uma inovação em relação à Poesia Árabe que até então se praticava. Trata-se das MOAXAHAS, escritas tanto em Árabe, como em Hebraico.

A inovação revestia-se de vários aspectos:

– construção estrófica (5 a 7 quintilhas, precedidas por uma “entrada”, e terminando cada uma delas por um refrão);

– variação da rima de estrofe para estrofe;

– o poema devia terminar por uma “finda” – em árabe, JARCHA -, uma estrofe final desgarrada do corpo do poema – e que era uma estrofe colhida da poesia tradicional da população ibero-romana!

As MOAXAHAS revestem-se, assim, de dois aspectos igualmente marcantes: por um lado, a JARCHA é um testemunho da persistência da velha cultura ibérica que irá mais tarde revelar-se nas Cantigas de Amigo. Por outro lado, esta composição poética testemunha da coexistência das diferentes culturas que na Idade Média coabitavam na Península.

É este tipo de poema que hoje tentamos reconstituir, em moldes aceitáveis:

Solicitámos pequenos poemas formados por uma “entrada”, por duas quintilhas com o seu refrão, e sugerimos que a Jarcha fosse constituída por uma citação de um Poeta Português conforme o gosto e a escolha de cada participante.

Sob o pretexto de celebrarmos  a nossa Cidade, recordamos a nossa origem de povo compósito, multi-racial, que actualmente continua aberto ao contributo de outras culturas – alimentando a esperança de com esta iniciativa estarmos a contribuir para o alargamento do interesse pelo estudo dos diferentes  contributos culturais que ao longo dos séculos foram forjando o povo que somos.

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Imagem:

http://4.bp.blogspot.com/-46pJBm_C4qY/TrgJwp0nxQI/AAAAAAAAAOU/CAYDQDNMj3o

/s1600/BXK8813_castelo_de_sao_jorge_lisboa800.jpg

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Publicado por Myriam Jubilot de carvalho

Dia 22 de Maio, pelo meio-dia

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Moaxaha dos Povos de Lisboa

* Alandalus,* Poesia — Myriam de Carvalho @ 1:01 pm

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Pintura  ao gosto da Belle Époque, de

Rudolf Ernst, pintor do estilo ORIENTALISTA (Viena de Áustria,  1854 – Paris, 1932)

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É esta a minha MOAXAHA no livrinho “33 Moaxahas a Lisboa”

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Moaxaha dos Povos de Lisboa

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Velha Lisboa, longa vida, doutros tempos

Diversos povos? Sim! E vários foram seus talentos!

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Aos Mouros, deu, Afonso, a Mouraria

E aos Judeus pelo Castelo espalharia:

Deles todos se exigia boa paz e harmonia

– E assim, nessa Lisboa doutros tempos,

Diferentes povos semearam seus talentos

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Povos diferentes, outros usos, outras cores,

Outras formas de viver os seus amores,

Deixaram-nos, séculos fora, o eco dos seus rumores!

Mudaram-se as vontades porque mudam os momentos,

Vão uns, e outros vêm! E renovam-se os talentos!

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Estrelas no céu que o meu olhar, subindo,

extasiado fixou pela primeira vez:

Estrelas coroai meu sonho Português!

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Jarcha:

Do final do poema “Patriotismo”, de Afonso Lopes Vieira

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Imagem:

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/57/The_Moorish_Bazaar.jpg/438px-The_Moorish_Bazaar.jpg

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 19 de Maio de 2013, pelas 14h 10m

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MOAXAJA DE YUSUF

* Alandalus,* Antologia — Myriam de Carvalho @ 12:07 pm

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Simplesmente encantador, este poema, testemunho do convívio estreito entre as diferentes culturas que se cruzaram no Alandalus. Na verdade, somos fruto de profundas mestiçagens, não só de sangue como – porventura principalmente – de crenças, técnicas, e cultura humanística. O racismo não se compreende nem tem cabimento.

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A imagem mostra o texto deste poema, escrito em aljamiado; ou seja, o texto moçárabe registado em caracteres árabes. Por outras palavras, mais um exemplo do melting pot cultural que foi o Alandalus.

As JARCHAS – o remate das MOAXAHAS – eram escritas em aljamiado; daí a dificuldade que actualmente representa a sua interpretação.

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Moaxaja de YUSUF

Hallada en Córdoba, en casa de mis antepasados

Lourdes Rensoli

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Esta noche, el secreto
de las estrellas, pesa en los sentidos
de la amante, y la invita
a susurrar su queja
al amigo que escucha
apoyado en la amable celosía:

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Amo a Yusuf, el de los ojos negros,
de la rauda palabra,
de la sonrisa llena de promesas
y osadas sugerencias, tentaciones
que me hacen retirarme ruborosa
a mi balcón cerrado.

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A ti, amigo,
que sabes recoger mi confidencia,
a ti te cuento todo:
Yusuf ha trastornado mis días y mis noches
pero ya no lo veo por mi calle.
Añoro sus cantares
y su gallardo andar.

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Al escucharlo estallo
en una risa nueva, incontenible
como la dicha que el Creador ha dado
a bienaventurados y elegidos.
El me mira y sonríe
pero a poco se esfuma
sin contemplar mis lágrimas que brotan
cuando lo veo alejarse.

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La gracia de Yusuf es tan preciosa
como mil bendiciones, su mirada
me hace temblar, y temo despojarme
del pudor que protege a la doncella
y lanzarme en sus brazos y decirle:
«¿Acaso no comprendes que te aguardo
y que te pertenezco?»

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Amigo, me consumo
por lo que no recibo,
un beso de Yusuf sería mi muerte
y mi vida a la vez.
No sé cómo decirle con miradas
lo que callan mis labios,
pero Yusuf ha huido de mi puerta.

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Temo que este dolor devore mi alma
y acabe con mis días,
porque sé que Yusuf teme mi encuentro
aunque ha puesto sus ojos muchas veces
en mi rostro y mi cuerpo tembloroso.

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Quizás le han dicho que se perdería
si amara a una cristiana
de ojos azules y cabellos sueltos
que reciben el beso de la lluvia y el aire
y que lee los libros de los sabios.

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Dile a Yusuf que el Creador nos hizo
semejantes a todos,
que Su Ley no conoce diferencias
entre pueblos y razas. Que el Profeta
aceptó los consejos de Khadija,
que no escuche a quien llena su corazón de dudas,
que si ronda mi puerta nuevamente
la encontrará entreabierta.

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Oh, Yusuf, mi señor,
esta triste gacela padece por tus besos,
consuélala, acude a su llamado
o hazle al menos saber que no la olvidas.

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Fonte:

http://es.wikipedia.org/wiki/Moaxaja

Imagem:

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/83/Poema_de_Yusuf.jpg

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 17 de Maio de 2013, pelas 13h 15m

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MOAXAHAS A LISBOA – Finalmente, o lançamento! Dia 18, pelas 20h 30m

* Alandalus,* Notícias e Entrevistas — Myriam de Carvalho @ 12:35 pm

 

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Unknown.

AMIGOS!

Finalmente, publicado pelo Departamento de Acção Cultural da Câmara Municipal de Lisboa,
vai ser o lançamento do livrinho das MOAXAHAS dedicadas a Lisboa
Integrado nas celebrações do DIA DOS MUSEUS – 18 de Maio –
no CASTELO DE SÃO JORGE
Lançamento do livrinho MOAXAHAS A LISBOA, às 20h30, na SALA OGIVAL
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Várias actividades:
Também na SALA Ogival – Danças Medievais e Renascentistas
No Jardim Romântico – demonstração de Cavaleiros, Escudeiros, Besteiros, Armas, e Falcoaria
Visitas ao Sítio Arqueológico
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E por fim, o CORTEJO DA MEIA-NOITE!
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Lembro que a partir das 20h, é entrada livre
Mas para o lançamento do livro, tem que se tirar bilhete à entrada – é grátis mas tem que ter bilhete (bilhete grátis)
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Não faltem! Vai ser uma noite memorável!
 moaxahas 1 (Large).
   moaxahas 2 (Large)
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Last but not least:
Foi por sugestão minha que a Câmara de Lisboa está a realizar esta iniciativa, pelo que estou muito grata e satisfeita.
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E por fim, realço que todo o trabalho artístico e organizativo é do designer Ernesto Matos!
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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho
Dia 14 de Maio de 2013, pelas 13h 40m
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Um poema do ALANDALUS, sobre a Ausência

* Alandalus,* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:11 am

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Al-Turtusi – juriata e poeta, nasceu em Tortosa, como aliás o nome indica, em 1059. Tal como era costume na sua época, viajou em busca de mestres que lhe proporcionassem Conhecimento, e a sua demanda levou-o a Damasco, Alepo, Cairo, e Alexandria, e nesta última cidade, por sua vez, também exerceu a sua função de mestre, ensinando numa escola. Morreu em 1127.

Esta informação biográfica encontra-se na Wikipedia, e é repetida (provavelmente copiada) noutros sites e blogues. É que, de um modo geral, a informação que chegou aos nosso dias é muito reduzida, pois os antologiadores árabes medievais, quer orientais quer andaluses, centravam-se nas obras dos poetas, não fornecendo dados sobre as suas vidas.

Deste autor ainda dispomos da sua obra mais famosa, Siraj al-Muluk.

Este poema sobre a ausência é muito belo, pelo que o reproduzo aqui. Adalberto Alves, in “O Meu Coração É Árabe” não apresenta poemas deste autor, pois cinge a sua divulgação aos poetas nascidos em solo que mais tarde seria português.

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Ausência

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Sem cessar, percorro os céus com os olhos

a tentar ver a estrela que estás contemplando.

Interrogo os viajantes de todas as terras

na esperança de encontrar

alguém que tivesse

aspirado a tua fragrância.

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Quando os ventos sopram,

procuro recebê-los no rosto,

como se a brisa me trouxesse

notícias tuas.

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Errante vou pelos caminhos,

sem rumo nem meta:

talvez uma canção

me recorde o teu nome.

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Furtivamente, miro,

sem necessidade,

quantas pessoas encontro,

tentando avistar um rasgo

da tua formusura.

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In:

“Ladrões de Prazer”, p. 95

Poemas arábigo-andaluzes

Editorial Estampa; Lisboa, 1991

Imagem:

http://1.bp.blogspot.com/_poiyNPoxWJg/SRX7CJ6lt7I/AAAAAAAAAHM/qqiHXXtT5r0/s320/far_away_from_home__by_wredna.jpg

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 10 de Maio de 2013, pelas 12h 10m

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Balanço

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 10:55 pm

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Há muito que não publico aqui um poema meu; então hoje deixo este … balanço…

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Balanço

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Bates-me à porta. Somos amigos de infância

Mas meu coração fechado não pode ouvir-Te bater

Trazes-me flores. Dizes que são para o meu noivado

E eu não as quero receber

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Bates-me à porta, insistes, chamas por mim

Dizes que vens de longe e precisas de descansar

Mas eu refugio-me nas frescas sombras do jardim

Só para Te evitar

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Bates, bates… insistes mais e mais

Até que cansado por fim lanças-me um repto

Que Te vais embora para o reino de nunca mais

Reino donde nunca terei coroa nem ceptro

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Poderia eu de algum modo a porta Te ter aberto

Se eu estava já noiva a sair para o altar?

Poderia eu ter fugido à travessia do deserto

Só por Te amar?

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Joanesburgo,  Janeiro de 1998

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Publicado anteriormente, na

Revista da SOL XXI, Nº 34-35, no ano 2000.

Imagem:

http://www.artrepublic.com/attachments/image/918/9918/9918.jpeg

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Myriam Jubilot de Carvalho

Publicado em 04 de Maio de 2013, pelas 24h

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