Um poema de Ano-Bom

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 11:15 am

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A todos os meus Amigos/as,

e todas as pessoas que visitarem este blogue

dedico este poema,

com os meus melhores votos

de um Ano Novo muito feliz!

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De Li Bai a Omar Khayyam

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Revoadas vermelhas encobrem o relvado

verde-seco dos parques da cidade.

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É o Vento. Intrépido, ou cirúrgico ou absurdo, o

duro vento outonal. Que arrebata,

arranca

a folhagem seca, morta, que outrora ornava

a primavera dos plátanos.

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Mas hoje, é, tenho, sempre, perene, esta

certeza que não espera –

acredita! – nas quimeras

eternas do Sol da Primavera!

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A vida, a minha, a tua, dedilha num só acorde a Harpa

eterna

do Universo

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Myriam Jubilot de Carvalho

Inédito

Myriam Jubilot de Carvalho

31 de Dezembro de 2012

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Imagem:

http://blog.lovinghut.fr/files/2010/12/pere-noel.jpg

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Dia 31 de Dezembro, pelas 11h 15m

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Reflexões, na entrada da Era de Aquário

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:43 pm

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Um santo Natal, na entrada da era de Aquário

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Chega o Natal. Esta época generosa em que todos partilhamos os bons votos pelos quais toda a gente deseja a toda a gente um Natal muito feliz, na companhia da família, com trocas de prendas com o que este gesto encerra de demonstração de ternura! É um gosto ver recordados os poemas dos grandes poetas, e divulgados os poemas de imensa gente de boa-vontade. É nesta quadra do ano que aproveitamos para lembrar relacionamentos que o movimento do dia-a-dia deixa cair num moderado esquecimento. É esta quadra do ano em que os afectos reassomam ao primeiro plano das nossas preocupações quotidianas, e os demonstramos com prazer! Por muito dessacralizada que tenha sido, esta quadra do Natal continua a manter um toque de amorosa magia.

O que de certo modo me crispa a alma, nesta época, é a menção ao santo Natal… Porquê santo?

Quanto a mim, uma noção de santidade pressupõe uma auto-vigilância constante, não preocupação delimitada por um intervalo sazonal…

Além de que pressinto, pelos interstícios de certas mensagens, a verdade única, dogmática, o posicionamento intransigente marcado pela arrogância religiosa de quantos se sentem possuidores de uma única verdade e de um único dogma. Custa-me ver tanta mensagem de Natal centrada na tradição europeia dita cristã. “Dita cristã”, pois que a considero uma auto-definição abusiva, uma vez que tem sido a Europa, na sua História, uma tremenda demonstração de arrogância étnica e politica, motor de guerras e violência, que acoitou sob uma capa de “defesa da religião”.

Actualmente, celebra-se a figura de Francisco Xavier, jesuíta que se dedicou a pregar – e a converter os gentios – pelas antigas regiões da Índia e Japão, e recorda-se o quantum de conversões que promoveu! Por que não pararmos para pensar, para nos perguntarmos mesmo que ao de leve, qual o direito que nos assiste de fazermos tal tipo de comemorações? Eu compreendo que foi o espírito de épocas do Passado  que levou a um tal tipo de expansionismo.

Mas actualmente?! Actualmente que continuamos a presenciar, impotentes, o intrincado enleio entre interesses expansionistas políticos e económicos, actualmente em que um imbecil presidente de um poderoso pais dividiu o mundo entre dois eixos, o do Bem e o do Mal?!

A instituição religiosa que predomina (pré-domina) na Europa mostra-se na sua ambiguidade, com os seus eternos dois pesos e duas medidas: por uma lado celebra figuras que se dedicaram a disseminar a sua vertente religiosa – que não tolera diferenças – entre povos que tinham a sua própria visão do mundo; por outro, diz que promove o diálogo inter-religioso e a tolerância.

As diferentes religiões são apenas diferentes modos de se atingir o Todo universal, o único propósito do Ser Humano, que deveria ser atingir o Amor, a Luz, a Paz. Lembro a propósito que a palavra deus vem de uma raiz sânscrita para designar luz; raiz que deu em Grego antigo a palavra Zeus, em Latim, Jupiter, etc. Não há um deus à espera de cada credo! Deus não é propriedade de nenhuma fé específica.

Então, para que o meu Natal seja abrangente, lembro aqui diferentes vertentes de pensamento que convergem para esse mesmo único fim, que é o Amor Universal:

Evangelho de Lucas, 6:36

“Sede misericordiosos, tal como vosso Pai é misericordioso.”

Corão, 12:64

“Para aqueles que demonstram compaixão, Deus é o mais compassivo.”

Buda

“Ensinem a toda a gente esta tripla verdade – um coração generoso, um discurso generoso, uma vida de serviço e compaixão – são as coisas que renovam a Humanidade.”

Lao Tsé

“Só tenho três coisas a ensinar: simplicidade, paciência, compaixão. Estas três são os vossos maiores tesouros.”

Albert Schweitzer

“O propósito da Humanidade é servir, e mostrar compaixão e vontade de ajudar os outros.”

Dalai Lama

“A compaixão pode-se pôr em prática desde que se reconheça o facto que todo o ser humano é membro da humanidade e da família humana, independentemente das diferenças de religião, cultura, cor e credo. No fundo, não há diferenças.”

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Sócrates

“Não sou ateniense nem grego. Sou um cidadão do mundo.”

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Por que escolho uma papoila como ilustração?

Porque a papoila simples do campo me recorda as palavras de Jesus: Olhai os lírios do campo, que não semeiam nem colhem e nem Salomão em todo o seu esplendor se lhes poderia comparar. (Mateus, 6:24; ouLucas, 12:20)

Porque me recorda, igualmente, os tempos da minha infância, na querida aldeia de Alte, no meio de cerros e de várzeas cultivadas. E as bermas das estradas, bordadas de flores silvestres,

Porque o meu companheiro Jack Judaken me falava muitas vezes dos campos de papoilas da Flandres, e da memória que representam: as papoilas tornaram-se um símbolo dos mortos nas guerra. Fui agora procurar algumas imagens sobre os campos de papoilas da Flandres, e encontrei a página que refiro abaixo.

Uso pois aqui a papoila como símbolo do meu voto pelo entendimento e harmonia para todo o Planeta, toda a Natureza, e toda a Humanidade.

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Bibliografia:

* Jesus e Maomé – Palavras Comuns, de Joey Green; Edit Estrela Polar, 1ª ediç, 2005; pág 40

* Compassion Quotes (na Net)

* Sobre a origem e significado dos campos de papoilas na Flandres:

Hazebrouk Hoflandt Météo

Protection de l’environnement et du cadre de vie

http://www.hazebrouck-hoflandt-nature.com/HoflandtNature/coquelicot.htm

* Imagem:

http://2.bp.blogspot.com/-iCpz1aVLpuY/TXPOnG-8PdI/AAAAAAAAAnk/q5WQz5rUFNg/s1600/Flora%25255Cpapoila1.jpg

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Myriam Jubilot de Carvalho

Natal de 2012

Dia 23 de Dezembro de 2012, pelas 13h 45m

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Uma interessante mensagem

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 12:58 pm

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Do meu amigo Jorge Castro, recebi esta mensagem de Natal e Ano Bom tão interessante, que lhe pedi autorização para a publicar aqui.

Ainda por cima, abrilhantada com o seu recurso à Língua Mirandesa, nossa também Língua Nacional:

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Muito além das boas festas…

Amizades,

Cá somos chegados a mais uma época natalícia. Ou, se melhor quisermos, a uma nova celebração do solstício de inverno, ondo tudo e todos se aprestam a um novo recomeço ou ao eterno retorno da espiral de Vida onde vamos viajando…

Do novo ano, quando ele findar, queremos esperar que, apesar das incertezas e, porventura ainda mais, das certezas – que sabemos, entretanto, sempre efémeras – nos deixe saudades e felizes recordações.

No fundo e pelo meio da conversa abstrusa da desesperança que nos é «vendida» por tão elevado preço, que nos fique a garantia de sermos quem somos. E isso, como é óbvio, depende muito de cada um de nós.

O meu contributo para esta comemoração do solstício aí vai. Fiz-me acompanhar pelo grupo mirandês Trasga, com o seu tema Al Absedo… – e para quem melhor quiser apurar o sentido da coisa, sempre lhes digo que «l absedo ye ua lhadeira birada a norte, adonde, ne ls meses de ambierno, nun bate l sol. Yé ne l absedo que nácen i se dan melhor ls buxos, ls anguelgues e las urzes, madeiras que prodúzen un eicelente sonido e con que son construídos ls strumentos musicales ousados por Trasga

Com um forte abraço, os meus votos de boas festas, então. E um ano 2013 memorável e, se possível, pelas melhores razões.

de Jorge Castro - Natal de 2012.mp3 de Jorge Castro – Natal de 2012.mp3
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 Jorge Castro

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Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 23 de Dezembro de 2012, pelas 13h

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Guilherme Martins, o Autor deste site

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 11:27 am

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Sobre o meu site, transcrevo do Google as palavras do seu Autor:

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{ 2006 09 11 }

Myriam de Carvalho


This website was created with total creative freedom, and I must confess..  I absolutely LOVE it!!!
Myriam is a new generation writer with beautiful poems about Nature, the sea, and faraway destinations.
The background photos and sound were specially made for this website.
(click on the image to enter the site)

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Sobre o Autor, Guilherme Martins, transcrevo igualmente do Google:

   About

Hi, my name is Guilherme Martins and I am a visual artist, creative coder and roboticist. I have worked for Ogilvy Interactive and YDreams as Visual Designer. Since 2007 I started to work with Rui Horta doing visual projections for dance, opera and theatre performances. In 2010 a brand called Guibot (wich is also my nickname) was born. Guibot is an open-source robotics and electronics iniciative were we intend to lift the veil and break misconceptions that surround physical computing, electronics and robotics. We believe that anyone, doesn’t matter age or background knowledge can get involved in Creative Robotics.

Guibot supplies fast learning solutions for hobbyists, students and developers with a single purpose in mind: Knowledge Massification.

No, I am not graduated.

With my friend André Almeida, we founded Artica, a startup specialized in custom electronics, robotics and all kinds of creative computing.

http://lab.guilhermemartins.net/about/

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Last but not the least:

Resta-me referir, com o máximo prazer, que Guilherme Martins, é meu filho, e que embora se diga que “santos de casa não fazem milagres”, é ele o meu apoio, o meu  braço-direito-técnico, o meu mestre!

…A aluna é que nem sempre está à altura… 🙂

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Myriam Jubilot de Carvalho

20 de Dezembro de 2012

Pelas 11h 40m

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BOM NATAL

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 1:37 pm

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VOTOS DE BOM NATAL

Para todos os meus Amigos/as, os meus votos de um BOM NATAL,

e de um feliz ANO NOVO onde o Sol da Harmonia e da Esperança

se mantenha sempre à vista!

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Myriam Jubilot de Carvalho

19 de Dezembro de 2012

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Capitão Artur Carlos de Barros Basto

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 5:41 pm

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Homenagem ao Capitão Artur Carlos de Barros Basto

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Na intenção de me aliar à homenagem que é prestada à memória desta ilustre figura do nosso Passado ainda tão recente, por alguns Amigos do Facebook que recordam hoje o aniversário de nascimento do Capitão Barros Basto, recorro ao investigador Amílcar Paulo, que em “Os Judeus Secretos em Portugal”, reproduz a história da família de Barros Basto conforme o próprio Capitão a contava. dou pois a palavra a Amílcar Paulo:

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“Segundo ele conta, num folheto de cinquenta e duas páginas, publicado em 1920 e intitulado Linhagem de Arthur Ben Rosh, é a sua família descendente em varonia de reis de Israel, tombada em desgraça com a entrada dos Romanos na Palestina. Yudah Ben-Rosh, aprisionado e feito escravo dum nobre romano, cativa a afeição do seu senhor, o qual toca lira e Kinor, entoando cânticos. O nobre seu senhor instituiu-o herdeiro de todos os seus bens, entre os quais uma villa em Espanha(*), junto a Córdova. Flávio, seu filho, vem residir nesta villa fugindo secretamente de Roma por motivo de uma insurreição na Palestina, da parte dos Hebreus contra os Romanos. No tempo do Imperador Juliano, protector dos Judeus, os Ben-Rosh distinguiram-se em Córdova. Muitos outros membros desta família ocuparam lugares de destaque quer em Granada, quer em Sevilha. No séc XIV, um seu descendente, devido a certa perseguição contra os hebreus movida pelo monge Vicente Ferrer, teve de se converter ao cristianismo – conversão aparente com que se passou a Portugal e a praticar livremente o judaísmo. Em Portugal, o apelido Ben-Rosh evoluiu para Barros. Vejamos agora a própria narração do capitão Barros Basto:

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Joseph, filho de Diogo de Barros, nasceu em Lisboa em 1452, consagrou a sua vida ao estudo da religião e da astronomia, gozando dos bens que seu pai lhe legara, vivendo em boa paz com os nazarenos e os da sua nação. Tendo morrido o rei D. João, que muito privava com a gente hebreia, sucedeu-lhe um outro de nome Manuel, que, logo que tomou o poder, ordenou que fossem mandados fora do reino todos os de nação que não quisessem ser cristãos.

Nesse tempo, Joseph e seu filho Daniel foram feitos cristãos á força, e desta arte conservaram seus benefícios, porém, em seu coração, continuaram a servir ao senhor Deus de seus pais.

Depois destes sucessos, como Joseph tivesse casa e outros bens em terras de Basto, tomou para si e para a sua família o nome de Barros Basto.”

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(*) Subentenda-se – Hispânia

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in: Amílcar Paulo, “Os Judeus Secretos em Portugal”, Editorial Labirinto, 1985

pág 40/41

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Imagem retirada do artigo:

Barros Basto, o Capitão Mal Amado

http://www.rtp.pt/rtpmemoria/?t=Barros-Basto

-o-Capitao-Mal-Amado.rtp&article=2898&visual=2&layout=19&tm=48.

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Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 18 de Dezembro de 2012, pelas 17h 40m

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“Era Escuro”, canção Sefardita

* Alandalus,* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:41 am

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A minha paixão pela literatura medieval inclui a Música, como nem poderia deixar de ser. Actualmente, podemos usufruir a sua magia através das múltiplas restituições tentadas pela musicologia contemporãnea e pela tecnologia que a serve.

Gosto muito deste grupo, Les Fin’Amoureuses que, aliás, esteve recentemente em Lisboa. Do seu CD, Marions les Roses, Chansons et Psaumes, de la France à l’Empire Ottoman, encontrei na Net esta canção, Era Escuro

Nathalie Waller conta-nos que abordam estas canções sefarditas e turcas, inventando as suas próprias harmonizações e acompanhamentos, inventando a sua própria linguagem. E cita Amin Maalouf: “On ne se définit pas par des racines, mais par des routes.”

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http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=pIwT_AInql8#t=5s

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Transcrevo este poema em Ladino e em Francês, pois por vezes escapa-me o sentido em Ladino…

Era escuro

Era escuro como la medianoche

quando la luna esclarciendo estava

todo kayado, todo estava em silencio

como la nueve a la escuridad

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Miseravle porque vienes agora

a recordarme del mal que yo pasi

a recordarme de toda la mi vida

y estas palavras ya le avli.

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Il faisait sombre

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Il faisait sombre comme à minuit

Quand la lune envoyait sa lumière blanche

Tout se taisait, tout était silencieux

Comme le ciel dans le noir

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Misérable, pourquoi ne viens-tu que maintenant?

Pour me rememorer les peines que j’ai vécues,

Pour me rémémorer toute ma vie.

Cês mots te sont destines.

Imagem:

http://oxidesign.ca/wp-content/uploads/2011/06/Fleurs-montreal-o.xide-deisgn-saipua.jpg

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Myriam Jubilot de carvalho

Dia 18 de Dezembro de 2012, pelas 11h 50m

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Yemanjá

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 5:29 pm

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Yemanjá

Para a minha Amiga Ilda Brasil,

com os meus melhores votos de Feliz Natal

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Enchi o teu regaço de pétalas e de conchas e alumiei lamparinas de cera de abelha. E pendurei do teu pescoço os colares das minhas dores, como anémonas do mar. E pintei o meu rosto do mesmo azul do teu vestido, Mãe das águas salgadas como as lágrimas.

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Mãe dos pescadores de vitórias, mãe das alegrias que em ti buscamos em cantatas e oratórias, mãe doce das nossas esperanças, mãe de misericórdia, mãe dos aflitos que ouves o meu desfeito e aleijado grito.

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Oh, Mãe! Eu encho a minha boca e os pulmões com esta palavra suave, mãe, e sinto o teu sorriso harmonioso dentro do meu corpo. As tuas mãos têm o toque cintilante das noites de luar e os teus olhos negros estão aí para me escutar.

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Oh, Mãe, eu que mãe não tive, sei que quem te encontra, é em ti que vive!

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Myriam Jubilot de Carvalho

Inédito

7 de Junho de 2012

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ILDA BRASIL,

Poetisa brasileira. O nosso conhecimento mútuo ficou a dever-se ao gosto pela Literatura Árabe, nomeadamente a do Alandalus!

http://www.portalbvec.net/Ilda_Brasil/

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Imagem:

Imagem de Yemanjá na Barra do Rio Chuí, Rio Grande do Sul, Brasil

http://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/22247697.jpg

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Dia 14 de Dezembro de 2012

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Conversando com CANTO HONDO

* Notícias e Entrevistas — Myriam de Carvalho @ 9:56 pm

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CANTO HONDO

Encontro-me com Tânia Cardoso e Rodrigo Crespo após um espectáculo a que assisto. Apesar de cansados, disponibilizam-se a trocarmos algumas palavras sobre o seu trabalho. Quanto a mim, estou surpreendida com o leque de Poetas que escolhem, tanto medievais como modernos, com a variedade dos temas e épocas que abordam, com o tratamento musical dos poemas que seleccionam, com a conjugação que fazem entre Poesia e Tradição Oral, por um lado através do canto, por outro, através da narrativa dramatizada de contos tradicionais!

Peço a Rodrigo Crespo e Tânia Cardoso que me definam o seu projecto, que o caracterizem, que me digam como surgiu:

Tânia Cardoso:

O CANTO HONDO é um projecto de música e poesia, a que dou a voz e a que o Rodrigo dá o som, através da guitarra. É um projecto que nasceu em 2011. E temos vindo a realizar espectáculos em diversas associações culturais, museus e auditórios…

A vossa música…

Rodrigo Crespo:

A nossa música é composta por temas originais, compostos por mim, e recriações de temas tradicionais de influência árabe, flamenca, e portuguesa…

…re-criações compostas por si…

 

Rodrigo Crespo:

Sim, sim, o trabalho musical é sempre meu.

Tânia Cardoso:

Como a Myriam viu, para lá das raízes do cancioneiro tradicional português, cantamos as palavras de poetas portugueses como Fernando Pessoa, David Mourão Ferreira, Alves Redol, de poetas andaluzes como Federico Garcia Lorca…

…e poetas árabes peninsulares da Idade Média…

Tânia Cardoso:

Oh, sim, poetas árabes do Al-Andalus, como Ibn Sara, Ibn Ammar, Al-Mutamid…

Quanto a mim, é um projecto muito abrangente! Vocês abarcam um leque variado de autores, épocas!, temáticas, formas!…

Rodrigo Crespo:
A nossa Música, e Poesia, situam-se numa zona de miscigenação entre as várias culturas que se cruzaram no sul da Península Ibérica na Idade Média, e nas manifestações culturais e populares dessas culturas nos dias de hoje:

Com o CANTO HONDO, aliamos a música árabe ao flamenco, ao fado, às músicas raianas peninsulares (Beira Baixa, Alentejo, Trás-os-Montes), bem como aliamos os antigos poetas luso-árabes ao Lorca, ao Pessoa… Procuramos pontos em comum entre estes universos – a taberna, o canto, o vinho, os romances, a terra!

Tânia Cardoso:

À nossa maneira, tentamos um certo recriar duma unidade cultural entre Portugal, a Andalusia, e o norte de África…

…uma certa unidade que já existiu…

Tânia Cardoso:

Sim, já existiu politicamente, por muitos séculos, como sabemos! E ainda existe ao nível das raízes culturais.

Rodrigo Crespo:

Exactamente. É por isso que, para além de criarmos temas musicais novos, com estas influências ancestrais – e sempre actuais -, também tocamos os cantos da terra, os romanceiros, os embalos, os cantos do trabalho – numa re-interpretação que consideramos muito própria…

…e contemporânea…

Rodrigo Crespo:

Sim, com certeza, é uma re-interpretação contemporânea! – nossa – dessa música que conta histórias, e que diz tanto do nosso Povo.

Rodrigo acrescenta:
Nessa tarefa de recriação dum universo, e de contadores de histórias, tem um papel importante a encenação dos cantos por parte da Tânia, que como a Myriam sabe, é cantora e actriz de profissão. A Tânia tranforma cenicamente cantos como a “Linda Pastorica” ou “La Molinera”.

Esta faceta teatral do seu trabalho está mais presente nos cantos tradicionais, nos romances medievais, ou nas palavras de Alves Redol – que contam histórias!

Esse tratamento dramatizado valoriza essas narrativas…

Rodrigo:

…Mas é óbvio que não seria adequado aos temas baseados na poesia de Pessoa, que é mais introspectiva, ou aos temas da poesia do Al-Andalus, que é mais filosófica, mais ligada à relação do homem com o Cosmos, e com a sua mortalidade.

Tânia Cardoso:

Com o Pessoa, com os poetas luso-árabes, com os “nossos” Poetas! – assumimos esse aspecto que a Myriam define como mais intimista!

Rodrigo Crespo, a concluir:

E assim se explica a heterogeneidade do CANTO HONDO, a nível das escolhas poéticas e musicais. É um critério, como diz o Pessoa, “plural como o universo”, procuramos traduzir o que nós somos hoje, com base no que nós já fomos um dia…

Vejo como Tânia e Rodrigo estão a necessitar de repousar. O seu dia já foi suficientemente longo! Despedimo-nos até a um próximo encontro.

Resta-me reafirmar, a concluir, que foi um prazer para os olhos, o excelente trabalho a que assiti! Não só para os olhos. Foi um prazer estético, sim, mas também intelectual, e espiritual. Pelo que é de toda a justiça desejar o maior sucesso a estes jovens que nos brindam com o seu reportório tão invulgar e original, como intimista e simultaneamente forte e exuberante! Um espectáculo seguro da sua diferença!

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No próximo dia 13, Quinta-feira, pelas 22h,

CANTO HONDO actuará no Café Tati, em Lisboa,

– Rua da Ribeira Nova, 36 –  Telef- 213461279

(1200-376 LISBOA) –

***

Sobre CANTO HONDO: www.cantohondo.pt

Sobre o Café Tati:

http://www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/desenvRegArtigo.asp?reg=428743

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Myriam Jubilot de Carvalho

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Publicado em 10 de Dezembro de 2012, pelas 21h 55m

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CANTO HONDO – Uma agradável surpresa

* Notícias e Entrevistas — Myriam de Carvalho @ 3:54 pm

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CANTO HONDO

Dois Jovens de hoje divulgam a Poesia do Al-Andalus e de sempre

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A propósito do projecto “Moaxahas para Lisboa”, dos serviços culturais da Câmara Municipal de Lisboa, recebi um convite de um grupo musical que eu desconhecia, para um concerto no restaurante-bar Duetos da Sé, a realizar no passado dia 23 de Novembro. Tratava-se de um conjunto que se auto-apresentava por incluir no seu reportório, composições sobre poemas de poetas luso-árabes do Alandalus! Escusado será dizer que foi cheia de curiosidade, entusiasmo, e interesse que juntei algumas amigas e nessa noite de 23 de Novembro fui ver do que se tratava!

Vejo com imenso agrado como nos dias actuais se vai amplificando e diversificando o gosto por áreas da Poesia Peninsular ainda tão ensombradas por preconceitos histórico-raciais e religiosos, que urge desmontar e ultrapassar!

Saliento como gostei deste conjunto musical, para mim surgido do nada pois nunca tinha ouvido falar deles…

*

Quem são?

Trata-se do conjunto CANTO HONDO. Integrado por TÂNIA CARDOSO e RODRIGO CRESPO – cantora e actriz, ela, e ele compositor e guitarrista. Por vezes com a colaboração do percussionista JOAQUIM DE BRITO.

Melhor do que qualquer apresentação que eu possa fazer, eles próprios se apresentam no seu site:

http://www.cantohondo.pt/

Em primeiro lugar, trata-se de dois jovens de talento e iniciativa, com a coragem de formular um programa que a mim me parece divergir, e muito, do gosto comum. TÂNIA CARDOSO e RODRIGO CRESPO juntam, num mesmo espectáculo, composições sobre poemas do Al-Andalus com outras sobre poemas de Garcia Lorca, Fernando Pessoa ou David Mourão-Ferreira, com apresentações dramatizadas de contos da Tradição Oral ou também de Alves Redol – num programa heterogéneo, variegado, e por fim, cheio daquele encanto que alia força e delicadeza, elementos com que transfigura e transpõe essa heterogeneidade formando um espectáculo uno, uno e raro, intimista e original!

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Tânia Cardoso e Rodrigo Crespo, dois jovens de talento, cultura, e com a coragem de inovar e sair dos ditames da moda e da facilidade!

Deixo aqui ainda a sua página do Facebook:

http://www.facebook.com/photo.php?v=350417608372342

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Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 10 de Dezembro de 2012, pelas 16h

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