Dois poemas de Luiz Goes

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 7:38 pm

 

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Luiz Goes

1933 – 2012

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HOMEM SÓ, MEU IRMÃO
(1968)
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Tu, a quem a vida pouco deu
que deste o nada que foi teu
em gestos desmedidos…
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Tu, a quem ninguém estendeu a mão
e mendigas o pão dos teus sentidos
homem só, meu irmão!
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Tu, que andas em busca da verdade
e só encontras falsidade
em cada sentimento
inventa, inventa amigo uma canção
que dure para além deste momento,
homem só, meu irmão!
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Tu, que nesta vida te perdeste
e nunca a mitos te vendeste
— dura solidão —
faz dessa solidão teu chão sagrado,
agarra bem teu leme ou teu arado,
homem só, meu irmão!

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SANGUE NOVO
(1972)
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Ao ouvir a voz do povo
é que se aprende a verdade;
quem ama nasce de novo
e vive sem ter idade.
Levar a vida a lembrar
Um triste passado morto,
é como querer navegar
num mar sem água nem porto.
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Ao ouvir a voz do povo
é que a verdade aparece;
amor novo é sangue novo,
até na velhice aquece.
Levar a vida a lembrar
um triste e morto passado,
é como querer habitar
um lar sem chão nem telhado.

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Foto:

http://multimedia.fnac.pt/multimedia/PT/images_produits/PT/ZoomPE/0/2/5/5604931146520.jpg?201006161528

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Dia 18 de Setembro de 2012, pelas 20h 40m

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Vultos que nos honram

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 4:37 pm

 

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“Tudo o que é belo não é de vender”.

Luiz Goes, “Cantiga para quem sonha”

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“Nunca vendi a minha alma” –

Luiz Goes, na sua última entrevista à RDP, em 2006 – hoje recordada.

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Maria Teresa Horta, no dia em que se recusa a receber o Prémio D. Dinis das mãos do Primeiro-Ministro:

«Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos – pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país», explicou Maria Teresa Horta à Lusa.

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Fotos:

http://3.bp.blogspot.com/_uXW2viiI_O4/TSTOUbBmICI/AAAAAAAACvA/fDowz_CTpoo/s1600/Luiz_Goes.jpg

http://3.bp.blogspot.com/-PLmA3R6-eww/T5GnG8yPK_I/AAAAAAAACSI/i1AnDq1W_rM/s1600/Maria+Teresa+Horta+9.BMP

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Dia 18 de Setembro de 2012, pelas 17h 30m

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Alandalus – Poemas a Lisboa – 10

* Alandalus,* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 7:07 am

Página em construção

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Os Povos Peninsulares e suas Línguas e Literaturas

I

Algumas pessoas têm perguntado qual a razão da existência deste tipo de poema, a MOAXAHA.

Resolvi-me a publicar aqui um esquema que fiz para uma sessão na Biblioteca da Escola Ibn Mucana, em Alcabidexe.

O esquema ficou muito explícito, mas como não tenho conhecimentos técnico-informáticos suficientes, não consigo transpô-lo aqui para o blogue…

Também dispendi bastante tempo a procurar mapas da Península que mostrassem as zonas de ocupação pelos seus primeiros habitantes – mas não consegui imagens disponíveis que pudesse reproduzir aqui.

Atrevo-me, pois, a fazer a apresentação que segue – igualmente breve, igualmente esquemática – mas mais descritiva, e menos visual

II

1- Os IBEROS vindos do Norte de África, instalam-se na Península por volta de 3000 aC; instalam-se no lado oriental, o lado mediterrânico.

Ainda hoje, tanto no vocabulário português como no espanhol, há palavras que têm origem na Língua de povos bascos desta época recuada:

esquerdo/izquierdo; arroio/arroyo; manteiga/manteca; sapo/sapo; e palavras terminadas em -rro, como: bezerro/becerro; bizarro/bizarro; cachorro/cachorro; zorro/zorro. Os nomes Xavier, Iñigo

– Os CELTAS começam a atravessar os Pireneus e a instalar-se na Península por volta de 1000 aC.

Instalam-se na zona ocidental, a zona virada à costa atlântica.

Algumas palavras celtas:

bragas/bragas; cavalo/caballo

– Aos povos que, em extensas regiões intermédias entre Iberos e Celtas, vão resultando de mestiçagem, os historiadores designaram como CELTIBEROS.

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2) – Mercadores doutros povos fixaram feitorias, na costa da Península, e na foz de rios – como o Guadalquivir – como base para o comércio que estabeleceram com os povos que aqui viviam. Não vieram como “conquistadores”; o seu objectivo era negociar:

– os FENÍCIOS, desde cerca de 1200 aC; vinham do Líbano; eram de uma etnia semita (canaanita); é da sua Língua que deriva o Hebraico.

Fundaram Cádix e Málaga.

– os GREGOS, desde cerca do séc VI aC.

Estes mercadores – quer os FENÍCIOS, quer os GREGOS – traziam certamente os seus empregados, ou antes, os seus escravos. Talvez alguns tenham gostado destas novas terras e tenham decidido fixar-se aqui, e para isso terão trazido as suas famílias… Outros, com certeza, juntaram-se com os povos que aqui encontraram…

De forma residual, deixaram-nos crenças, hábitos, artefactos cujos restos hoje auxiliam, ou orientam, as pesquisas dos arqueólogos …

Algumas palavras derivadas do Grego (tanto em Português, como em Castelhano):

barato, cada, governar/gobernar; máquina, praia/playa;

palvras científicas, como: poema, sistema, drama, gramática, clima…

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3) – Como conquistadores, chegam os ROMANOS. Como é sabido, no séc II a.C., os ROMANOS começaram a conquista da Península Ibérica. Foi um empreendimento difícil, e levou-lhes cerca de 300 anos até que conseguissem dominar os povos que aqui viviam e heroicamente  defenderam a sua terra.

Como se sabe, os Romanos deixaram profundas marcas da sua permanência aqui. Arquitectura, Leis, modelos de vida… E procederam de tal maneira que os povos autóctones tiveram que aprender a Língua falada pelos conquistadores, o LATIM. A partir de certa altura, falar-se-ia um Latim já muito adulterado, que se foi afastando do Latim original à medida que o Tempo foi passando, ainda por cima contaminado pelas características das Línguas dos povos que o aprendiam…

Com o tempo, também, os ROMANOS adoptaram o Cristianismo.

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III

Situemo-nos agora nos séc. IV e V d. C. – Encontramo-nos agora com SUEVOS e VISIGODOS, povos de Língua germânica.

A partir do séc V, porém, toda a Península integra o Reino Visigótico.

No entanto, em relação ao todo da população, os VISIGODOS eram um grupo minoritário. Formavam a elite guerreira, a Nobreza. Detinham a administração e todos os proventos que daí advêm.

Às elites Ibero-Romanas, deixaram a administração eclesiástica – para estas, ficou o Clero, a administração espiritual (digamos assim…)

Os Visigodos que se instalaram na Península já eram cristãos. Professavam uma variante do Cristianismo a que a Igraja Católica chamou a Heresia Ariana.

…E como sabemos, a Igreja Católica perseguiu sem tréguas nem misericórdia as chamadas Heresias, até à sua extinção.

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BIBLIOGRAFIA:

Apoiei-me nos meus velhos estudos em Filologia Românica.

Uma obra de 1994:

L’Aventure des Langues en Occident, de Henriette Walter; “Le Livre de Poche”, Ed Robert Laffont

A página-web:

Los Primeros Habitantes de España, Creación de A. Robert Lauer:

http://faculty-staff.ou.edu/L/A-Robert.R.Lauer-1/SPAN4153primhabes.html

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Imagens:

http://cadernosdedanca.files.wordpress.com/2010/07/alaude.jpg

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 Obras romanescas interessantes que ajudam a perceber estes temas:

A Voz Dos Deuses, de João Aguiar – esta obra elucida muito bem sobre o tempo da Romanização, aqui na Península

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Iniciei a construção desta página no dia 12 de Setembro de 2012, pelas 21h

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