Ao jeito da Poesia Tradicional

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 12:36 pm

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Adoro a Poesia Tradicional, com a sua respiração de imemoriais esquemas poéticos.

Hoje, registo aqui um poema, a que chamei Balada, que nasceu numas férias, há imensas décadas, passadas no Monte Vicentes, Alcoutim, numa época em que ainda as pessoas iam buscar a água ao poço e a traziam para casa em cântaros ou qualquer outro tipo de vasilhas.

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 BALADA

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Ao fundo do nosso monte

Entre penedos e estevas

Está um poço carcomido

Onde a aldeia vem beber

As águas do velho poço

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Não venho matar a sede

Venho só para te ver

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Esqueceste já o caminho

Ou já perdeste os seixinhos

Com que marcaste o carinho

Ou surgiu aquela moura

Que encanta montes e vales

Em noites de lua cheia

Ou então deitaste sortes

E o chumbo mostrou-me feia

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Oh águas do velho poço

Onde a aldeia vem beber

Não venho matar a sede

Venho só para te ver

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As águas do velho poço

Não são espelho de me ver

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Myriam Jubilot de Carvalho,

nos “Jornais dos Terceiros Encontros de Poesia de Vila Viçosa”

de 6 a 10 de Junho de 1987

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Imagens retiradas da Net:

Ribeira do Vascão:

http://marafado.files.wordpress.com/2010/03/foto-joao-xavier-ribeira-do-vascao.jpg

Figo de piteira:

https://cidadanialusofona.files.wordpress.com/2012/06/figo.jpg

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Dia 14 de Julho de 2012, pelas 14h

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