Um outro Relvas

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 5:12 pm

 

José Relvas, conforme informação que pode ser confirmada por quem quer que visite o museu “Casa dos Patudos”, não consentia que o tratassem por Sr Dr; era simplesmente, o Sr. Relvas…

.

.

Imagens:

http://causamonarquica.files.wordpress.com/2010/01/propaganda21.jpg

.

 Dia 14 de Julho de 2012, pelas 18h

.

 

O Sr. Dr – Palavras ocas

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:25 pm

.

“Nunca norteei a minha vida por esse objectivo (de ter uma licenciatura), norteei a minha vida pela simplicidade da procura do conhecimento permanente. Sou uma pessoa mais de fazer do que de falar.”

Miguel Relvas – em 12-07-2012.

Citação colhida no Blogue:

http://jumento.blogspot.pt/2008/08/pesca-da-sardinha-ao-largo-de-monte_11.html

.

Dia 14 de Julho de 2012, pelas 15h

.

 

Ao jeito da Poesia Tradicional

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 12:36 pm

.

.

Adoro a Poesia Tradicional, com a sua respiração de imemoriais esquemas poéticos.

Hoje, registo aqui um poema, a que chamei Balada, que nasceu numas férias, há imensas décadas, passadas no Monte Vicentes, Alcoutim, numa época em que ainda as pessoas iam buscar a água ao poço e a traziam para casa em cântaros ou qualquer outro tipo de vasilhas.

.

.

 BALADA

.

Ao fundo do nosso monte

Entre penedos e estevas

Está um poço carcomido

Onde a aldeia vem beber

As águas do velho poço

.

Não venho matar a sede

Venho só para te ver

.

Esqueceste já o caminho

Ou já perdeste os seixinhos

Com que marcaste o carinho

Ou surgiu aquela moura

Que encanta montes e vales

Em noites de lua cheia

Ou então deitaste sortes

E o chumbo mostrou-me feia

.

Oh águas do velho poço

Onde a aldeia vem beber

Não venho matar a sede

Venho só para te ver

.

As águas do velho poço

Não são espelho de me ver

.

.

Myriam Jubilot de Carvalho,

nos “Jornais dos Terceiros Encontros de Poesia de Vila Viçosa”

de 6 a 10 de Junho de 1987

*

Imagens retiradas da Net:

Ribeira do Vascão:

http://marafado.files.wordpress.com/2010/03/foto-joao-xavier-ribeira-do-vascao.jpg

Figo de piteira:

https://cidadanialusofona.files.wordpress.com/2012/06/figo.jpg

.

Dia 14 de Julho de 2012, pelas 14h

.

.

Uma Celebração da Poesia

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 1:35 am

 

Há bastante tempo que não publico aqui nenhum poema meu. Mas esta noite é Lua-Cheia, tudo pode acontecer! Então, é boa altura para lançar aqui um dos poemas com que participei na última colectânea de Poesia da editorial Minerva.

Do conjunto de poemas a que chamei “Celebrações da Poesia”, deixo esta “celebração”:

.

images

21 de Março de 2005

*

A noite não é minha inimiga. Embora eu tema o bater desbragado do sangue contra as veias da nuca, as insónias, os pesadelos, ou as imagens de algum amor passado. Cavalos selvagens à desfilada sobre a orla da baía da memória, desordeiros, exército de maltrapilhas.

**

 A noite é minha irmã pelo ínsulo silêncio desta casa. Agora apenas povoada pelos gatos (trazidos pelos filhos) à espera do seu jantar castrado ou que eu termine o meu próprio, para saltarem para cima da minha mesa e se aninharem nos meus braços enquanto vejo a novela ou um qualquer canal sete.

A noite é minha irmã, não pela escuridão de breu das noites de inverno – mas pelo brilho das estrelas ou pelos reflexos do luar de janeiro e de agosto, ou qualquer dos outros, sobre a incessante mobilidade das águas do rio.

A noite é minha irmã porque, irmã – nunca tive e a única que tive me traíu a sangue frio como quem mata a galinha para o jantar da consoada.

A noite é minha irmã porque detesto a solidão e ela oferece-me companhia no vento que corre e assobia rua abaixo e me entra em casa fazendo ranger os batentes das portas; na chuva das profecias de fim de milénio que tudo destrói e arrasta pela frente sem dó nem piedade; mas também tudo lava, até o capô do carro – excepto as almas bravias que infectam, conspurcam a Terra, fazendo-a tremer de pânico sob os seus pés.

***

A noite é minha irmã, enfim, porque os filhos levantaram seus próprios voos e posso finalmente erguer minhas asas e planar lá no alto como as aves de arribação e de rapina.

Porque eu quero arrebatar-te e submeter-te. Fazer-te minha amiga ou inimiga, minha Deusa e meu Deus, minha Musa e meu Amor – Poesia – Figura do meu estilo – Único possível inteligível confronto com a realidade – Única medida da plenitude –  A partitura total – com todas as vozes – todos os naipes – todos os intérpretes – todas as brumas.

E todos os sóis

.

.

“Poética” vol. I

Editorial Minerva

Junho de 2012

*

Imagem:

http://images.paraorkut.com/img/papeldeparede/1024×768/n/noite-4459.jpg

.

 4 de Julho de 2012 – pelas 2horas

.

 

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-Share Alike 3.0 Unported License.
(c) 2019 Por Ondas do Mar de Vigo | powered by WordPress with Barecity