Dia da Diversidade Cultural, da UNESCO

* Educação e Criatividade — Myriam de Carvalho @ 7:13 pm

No passado dia 21 de Maio, teve lugar a celebração do Dia da Diversidade Cultural, por recomendação da UNESCO.

Com a coordenação da Professora Bibliotecária, a minha Colega e Amiga Isabel Braga, a Escola Secundária do Monte de Caparica promoveu actividades muito diversificadas, que muito e bem assinalaram e desenvolveram as sugestões e intenções da UNESCO.

E porquê, aqui, esta notícia? Porque essa mesma Colega, amiga já antiga de outras escolas, me convidou a desenvolver uma actividade com uma turma de alunos do curso de Artes, do 10º ano. Claro que o tema que ambas escolhemos foi relativo ao Alandalus – “Memórias do Alandalus – Uma História de Amor”.

Assim, comecei por assinalar como os povos peninsulares de hoje, somos o resultado de uma grande convergência de povos de várias origens geográficas, e diferenciadas culturas, que se radicaram na Península ao longo dos séculos.

Depois, saiu o prato forte da sessão: a história de Amor!

Falei da história de Ibn Zaydun e da Princesa Wallada, e do seu triste desfecho. A propósito, fomos lendo e comentando alguns poemas, fomos falando da terra das Três Culturas, também referi o poeta Moshe Ibn Ezra que defendia a ideia da igualdade de todos os povos peninsulares, enfim…

Enfim, vivi uma manhã muito feliz, com aqueles jovens, rapazes e raparigas, que me rodearam com imenso interesse, e de bom gosto colaboraram na leitura dos poemas! Eu adoro os jovens! E quando me ouvem com tanta receptividade, sem esforço, sem enfado, com aquele sorriso de agrado, aqueles olhos bem despertos a reterem todo aquela matéria que desconheciam, durante cerca de duas horas ou mais, e quando no fim um deles sai da sala com um poema que fez ali mesmo, e outro me pede licença para tirar uma foto comigo – que mais posso eu desejar?! Para Vocês todos, turma do 10º ano, vai o meu grande abraço!

E claro, para a Colega de Filosofia, que disponibilizou a sua aula para que esta actividade pudesse ter lugar! E que depois, ali permaneceu, junto dos seus alunos, enquanto a actividade se desenvolveu! Era visível o bom entendimento entre a Professora e a Turma, Alunos e Alunas! Uma manhã maravilhosa!

E por fim, e porque os últimos serão os primeiros – um grande abraço para ti, Isabel! Confirmando o nosso projecto de que havemos de continuar!

Aqui deixo a foto-montagem do blogue da Biblioteca, da Escola Secundária do Monte de Caparica.

Deixo também o Link para o Blogue da Biblioteca:

http://bibliotecaesmontecaparica.blogspot.pt/

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 Dia 30 de Maio de 2012, pelas 20h.

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Ibn al-Arabi (Alandalus)

* Alandalus,* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:17 am

IBN al-ARABI

(Alandalus – Murcia, 1165 / Damasco, 1240)

ash-Shaaikh al-Akbar Muhyid’Din ibn’Arabi, foi um filósofo sufí, o maior representante do monoteismo panteista muçulmano. Para ele, todas as religiões são manifestações de Deus. Escreveu mais de 300 obras de teologia e direito. É de notar que influenciou o Ocidente, através da influência que teve nas obras de Raimundo Lulio e na Divina Comédia, de Dante.

Hoje deixo aqui a tradução (1) do seu famoso poema

(EU SIGO SÓ A RELIGIÃO DO AMOR)

*

pombas que frequentais a ramaria

sede clementes!

não aumenteis com as vossas dores as minhas,

tende piedade!

não reveleis com o vosso lamento

o meu canto secreto

a minha silenciosa tristeza.

*

dirijo-me a ela, ao cair da tarde

e quando ela vem,

com o grito do enamorado

e com a queixa de quem tem sede de amor,

os espíritos guerreiam-se na floresta

vergam os ramos sobre mim,

sufocam-me.

oh  nostalgia violenta, paixão e evidências

dúbias

pudesse eu voltar aos lugares queridos!

eles rodam devotamente em meu coração,

uma vez e outra,

e beijam as colunas que os sustentam

como um fiel devoto que circundou a Kaaba

de razão alterada

e osculou as suas pedras

como o mais alto dos Profetas.

será comparável a condição de um templo

à dignidade de um homem?

quantas promessas e juras de constância!

porém, quem se adorna e não cumpre promessas?

maravilha é a da formosa que usa véu

e mostra o desenho da tinta nos seus dedos.

ela faz sinais com o olhar

e tem em seu coração a pastagem.

oh  a beleza de um jardim entre o fogo

dos incêndios!

*

meu coração alberga qualquer forma:

é prado onde passeiam as formosas

claustro de monges

templo dos idólatras

Kaaba do peregrino

tábua da Tora e Alcorão.

eu  sigo a religião do Amor.

para onde quer que as montadas se encaminhem

a lei do Amor será sempre meu credo

e minha fé!

e, assim, vou, ao jeito dos amantes.

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Notas ao poema: Na página 46 de “O Sufismo”, diz William Stoddart (2):

“Não há, certamente, testemunho mais belo da unidade transcendente das religiões do que a declaração comovente de um dos grandes mestres islâmicos da “gnose”,

ash-Shaaikh al-Akbar Muhyid’Din ibn’Arabi, que viveu na Andaluzia  nos finais do século XII, princípios do século XIII:

“O meu coração abriu-se a todas as formas: é um pasto para gazelas, um claustro para monges cristãos, um templo para idosos, a Caaba do peregrino, as tábuas da Tora e o livro do Corão. Eu pratico a religião do Amor; qualquer que seja a direcção em que a sua caravana avance, a religião do Amor será a minha religião e a minha fé.”

Na nota de roda-pé, acrescenta:

“No que diz respeito à utilização que Ibn Arabi faz da expressão “a religião do Amor”, Frithjof Schuon comenta o seguinte:

“Não se trata de uma questão de mahabba no sentido psicológico ou metodológico, mas de uma verdade vivida e de uma ‘atracção’ divina. O ‘amor’ opõe-se aqui às formas que são consideradas ‘frias’ e ‘mortas’. S. Paulo diz também que ‘a letra mata, mas o espírito vivifica’. O ‘espírito’ e o ‘amor’ são aqui sinónimos.”

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(1) – Tradução de Adalberto Alves, in  “No Vértice da Noite”,  ArgusNauta, Novº 2007

(2): Col Esfinge, Edições 70

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Imagens retiradas da Net; sendo a segunda, um pormenor do túmulo de Al-Arabi.

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 Dia 8 de Maio de 2012, pelas 12h 50m

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Dia da Mãe

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 4:52 pm

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Neste Dia da Mãe, presto aqui homenagem à cidade que me foi berço –

a bela TAVIRA,

deixando esta quadra de um seu ilustre filho,

fundador do jornal “POVO ALGARVIO”, o poeta e jornalista

ISIDORO MANUEL PIRES

(1894 / 1958)

*
Maria toma cuidado

vê onde pisas o chão!…

se dás um passo mal dado

pisas o meu coração.

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Dia 6 de Maio de 2012, pelas 17h 50m

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Miguel Portas

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 10:47 pm

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Miguel Portas

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Não vou dizer que foi uma voz que se calou. Vozes como a de Miguel Portas deixam um eco, que continuará a actuar.

Não vamos deixá-lo esquecer.

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Dia 1º de Maio de 2012, pelas 23h 53m

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Democracia e Imagem

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 12:26 pm

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   Umberto Eco:

“Uma civilização democrática só se salvará se fizer da linguagem da imagem um estímulo à reflexão crítica, não um convite à hipnose.”

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“Talvez que a missão daqueles que amam a humanidade seja fazer com que as pessoas se riam da verdade, pois a única verdade consiste em nos libertarmos da paixão insana pela verdade.”

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Dia 1º de Maio de 2012, pelas 13h 30m

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