Homenagem

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 1:29 am

 

José Afonso

Homenagem sentida ao Mestre que marcou a minha vida para sempre:

José Afonso – o Dr Cerqueira, que foi meu professor de Francês em Faro, nessa mesma época em que se estreou na televisão, cantando fados de Coimbra.

No dia seguinte ao dessa emissão, era um alvoroço na escola (a Escola Industrial e Comercial de Faro) – um alvoroço pelas turmas, nomeadamente entre as alunas (em dialecto algarvio – entre as moças). Para as adolescentes que nós éramos, ele era LINDO – bonitão, aquele ar doce meio triste, o tom de pele moreno-romântico, o timbre quente, velado e grave da voz… Simples. No tempo em que os professores iam para a escola de fato e gravata (foi há mais de 50 anos…), ele usava calças não sei se cinzentas se castanhas – mas a minha memória visual diria que eram cinzentas, casaco desportivo, tipo jogador de polo, com cotoveleiras – e – meu deus! – alpergatas (ou seja – sapatilhas – hoje diríamos ténis)… E na verdade, nessa época ainda tão formal, a sua aparência definia-o como um marginal… Que me lembre, só a Maria Almira Medina, a poetisa e artista plástica, nossa professora de Português, era amiga dele… Lembro-me de uma professora, bem colocada na hierarquia da escola, se lhe referir com um encolher de ombros “…Aquele… esse que canta…” Eu não tinha razões para gostar desta última senhora – mas referir-se ao meu ídolo com tamanho desdém… nunca lhe perdoei!

Já no fim do ano lectivo, quando o programa já estava dado, fazia-nos ditados criando textos de improviso, que eu levava orgulhosa e entusiasmada para casa por ter um professor tão extraordinário que inventava aqueles textos onde incluía os verbos e os casos de gramática estudados – mas com um toque muito existencial, meio non sense, textos que ele ia esticando para preencher a aula e que de tanto esticar, iam evoluindo de sentido… até o perderem de todo… mas não o sentimento! E quando eu os mostrava à minha mãe, era aquele balde de água fria, porque ela olhava para eles com indiferença, torcendo o nariz, aquilo a ela não fazia vibrar nenhuma corda sensível… Coitada, como eu a lamentava…

Lembro-me de ele contar como, na tropa, tinha iludido os superiores hierárquicos: ele dava a entender que uma pessoa nunca verga. Então, espingarda que lhe mandassem desmontar para limpar, nunca mais nas suas mãos voltava a ser espingarda – sobravam-lhe sempre peças! E para despistar ainda mais aquela engranagem que ele rejeitava, fazia-se passar por parvo. Dizia-nos ele que praticava auto-sugestão. De tal modo que os superiores chegavam a ficar na dúvida quanto à sua credibilidade mental… Lembro-me de ele próprio comentar que tinha levado a sugestão longe de mais, pois por fim ele já se sentiria um tanto confuso no meio da performance tão realista que montara… Se bem me lembro, a tropa desistiu dele, acho que o mandaram embora por incapaz…

…Não sei como terminar esta evocação… Dizer que todas as alunas estávamos apaixonadíssimas por ele? – não andarei longe da verdade…

…Dizer o óbvio? Que a Vida me deu o privilégio de ter sido sua aluna, de o ter conhecido antes da fama, numa idade em que os professores ou são adorados, ou detestados? Dizer que ainda hoje o oiço com comoção religiosa, como quem ouve o seu gurú?

Sei que não exagero se disser que ele viveu a Arte e a Vida com a coerência dos santos… E isso, todos o sabemos. Além disso, se é um facto que devemos o 25 de Abril a todo o tipo de lutadores, verdadeiros heróis, que deram o corpo e a liberdade pessoal à causa da Liberdade, não poderemos esquecer que ao Zeca devemos o peso da vanguarda, ele foi o grande corredor de fundo.

…E aqui entraríamos noutro tipo de considerações: como a Arte e a Vida, na vida dos grandes Artistas, dos grandes criadores, são inseparáveis… E, claro, tive outros mestres – mais um ou dois… Mas hoje só falo deste, o Zeca Afonso.

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25 de Abril de 2012, pelas 2h 30m

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25 de Abril – Fascismo Colonialismo Nunca Mais

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 11:53 pm

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25 de Abril de 1974 / 2012

Paz – Pão – Habitação – Educação – Justiça – Saúde – Liberdade de Opinião

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As primeiras narrativas

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 1:45 pm

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Dia Mundial do Livro

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À Dulce Teixeira e à Manuela Caeiro,

Colegas e Amigas que se dedicam à divulgação do Amor à Leitura e ao Livro,

dedico esta página como testemunho do meu apreço!

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As primeiras narrativas para a posteridade

terão sido visuais –

Seriam mais formativas e instrutivas

…ou simplesmente, mais interessantes…

que as tele-novelas?

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Histórias de Deuses e de Heróis

Ao alcance da compreensão de qualquer um,

Que nos falam do Homem eterno, do Homem de todos os Tempos

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Imagens:

disponíveis na Net

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Dia 23 de Abril de 2012

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Dia Mundial do Livro

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:35 pm

Ibn Abdun (Alandalus)

* Alandalus,* Antologia — Myriam de Carvalho @ 7:04 pm

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Ibn Abdun, de Évora (Alandalus) *

1050 / 1135

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Duas traduções para o poema

JOGO DO DESTINO

 ***

Tradução de A. Borges Coelho:

Aflige o Destino, depois do olhar, com marcas.

Porquê chorar agora por sombras e quimeras?

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Cuidado! Tem cuidado! Nunca é demais lembrar-te:

Entre o dente e a garra do leão não adormeças!

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Não deixes que a vida te iluda e entorpeça,

Se o condão dos seus olhos é vigiar sem trégua.

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Oh, noites! Queira Deus afastar-nos do seu ócio,

Noites! Que a sorte muda, com mão traiçoeira.

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O seu prazer engana: é flor que traz no seio

A víbora que ágil se atira a quem a colhe.

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De tanta dinastia que Deus favorecera

O que ficou? Há rastos? Pergunta à tua memória!

 ***

Tradução de Doina Zugravescu

In: ROSA DO MUNDO, pág. 613

No golpe e suas marcas dá o Destino aflição.

Por que chorar agora quimera e ilusão?

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Cuidado! Tem cuidado! Não canso de lembrar-te:

Não durmas entre a presa e a garra do leão!

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Não deixes que te engane o torpor desta vida,

Pois têm seus olhos sempre da vigília o condão.

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Noites! – Deus nos perdoe! – Mas o que resta delas,

Noites que a Sorte muda com traiçoeira mão?

.

O seu prazer só engana – cálice donde, ágil,

A víbora se atira a quem colhe o botão.

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Tanto rei que servira por divinos favores

Algo deixou? Procura em tua recordação!

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Imagem:

A imagem acima foi copiada do blogue da Universidade de Sevilha:

http://aulaexperiencia10.blogspot.pt/2011_10_01_archive.html

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Dia 21 de Abril de 2012, pelas 20h

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Sócrates

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 10:01 pm

Ontem falava eu de desapego a propósito do poema de Moshe Ibn Ezra, e referi a lenda sobre a serenidade do sábio Bias… A propósito referi que grandes filosofias e ou religiões nos ensinam o desapego, tal como foi o caso de Jesus, tal como foi o caso de Buda, tal como acontece com o Sufismo…

À noite, por acaso, ou talvez porque a ideia estivesse no meu subconsciente, apeteceu-me – ou aconteceu-me – e vim rever um filme antigo, de Roberto Rossellini, sobre a biografia de Sócrates…

E aqui fica um link para o filme:

**Sócrates* <http://www.saudadeeadeus.com.br/filme66.htm>*

O filme completo também está disponível no Youtube,

e existe em DVD.

*

Talvez que alguém que me visite através destas notas, goste igualmente de o ver. Além do mais, também é um filme de antologia!

*

Sobre Sócrates, gostei muito de ler:

“Os Ensinamentos Espirituais de Sócrates – Um Mestre Zen na Grécia do séc IV a.C.”,

de Mark Forstater

Estrela Polar / Oficina do Livro, 2005

ISBN: 972-8929-01-3

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Dia 19 de Abril de 2012, pelas 23h 30m

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Moshe Ibn Ezra (Alandalus)

* Alandalus,* Antologia — Myriam de Carvalho @ 2:06 pm

Depois de algum tempo por fora, empenhada em várias actividades, regresso ao meu território favorito – o Alandalus!

 

 

 

Moshe Ibn Ezra foi um poeta que nasceu em Granada (Gharnata), por volta de 1055, e que depois de perturbações que aconteceram na sua vida, teve que se refugiar nas zonas de domínio cristão, onde nunca mais fixou residência em parte alguma, tendo-se tornado um viajante sempre saudoso do seu Alandalus. Terá morrido depois de 1138.

Gosto muito do poema que vou transcrever, pois trata de forma muito pessoal um tema muito caro à Poesia Árabe, e também à do Alandalus, o tema dos jardins. Não se trata, porém, de um erótico jardim de delícias, mas de uma metáfora onde o refrigério da alma se encontra num outro jardim – a própria Poesia -, e onde as flores serão os próprios poemas. Talvez tenha até um tom irónico, pois ao dirigir-se aos “homens que amargamente choram”, o Poeta convida-se a si próprio a refugiar-se no seu mundo interior – a sua Poesia, e os seus poemas..

*

Este poema traz-me ainda à memória uma aula do meu professor de Grego, com a história de um dos sete sábios da Grécia:

O navio onde Bias (penso que fosse Bias) navegava estava a naufragar, e o comandante mandou que toda a gente se desfizesse das suas bagagens e mercadorias, e deitasse tudo ao mar. E o Filódofo continuou muito sereno, acocorado junto de um mastro. Perguntou-lhe o comandante: -Então, tu aí! não te mexes?! Ao que o velho sábio teria respondido: – Tudo o que tenho, transporto comigo.

Há outras variantes para esta história: Em vez de naufrágio, seria a ameaça de que tropas romanas se estariam a aproximar de Priene, a cidade do sábio Bias. Toda a gente se pôs em fuga, levando o máximo que podia de teres e haveres. Só Bias atravessava as portas da cidade, sem nada nas mãos. E quando lhe terão perguntado – “Então, e tu, não levas nada?!” ele terá respondido: -“Tudo o que tenho, levo comigo”…

A filosofia contida nesta célebre frase, será a mesma deste poema de Moshe Ibn Ezra: tudo o que possuo, é a minha riqueza interior, a minha sabedoria, neste caso, a minha Poesia…

…E a frase que passou à História é esta: “Omnia mea mecum porto!”

Esta simplicidade, ou desapego, será a mesma que se encontra nos ensinamentos de Jesus, nos ensinamentos do Budismo, do Sufismo… – sei lá, deve fazer parte integrante da Sabedoria Universal…

*

Como é tão ingrato traduzir Poesia, deixo a versão em Inglês, sobre a qual baseio a minha tentativa de dar um equivalente em Português:

*

Moshe Ibn Ezra

*

Gharnata (Granada), c.1055 / Qurtuba (Córdova) -?, dep. 1138

*

 THE GARDEN (1)

*

 All who are sick at heart, and whose cry is bitter:

—moan and sigh no longer.

Enter the garden of my poems and find

—balm for your sorrow, and joy in song.

Honey beside their taste is sour;

—their scent makes myrrh’s the foulest odor.

Through them the deaf man hears, and speech comes to stammerers;

—the blind see and the lame race forth,

Men who grieve and despair in them rejoice

—and all who are sick at heart and whose cry is bitter.

 *

O JARDIM

 *

Ó homens que estão tristes nos vossos corações, e amargamente choram:

—não mais se aflijam, nem se lamentem.

Entrem no jardim dos meus poemas e descubram

—o bálsamo para as vossas dores, e alívio na canção.

Ao lado do seu sabor, é o mel amargo

—junto ao seu aroma, tem a mirra o pior odor.

Com eles, o surdo já ouve, e as palavras ocorrem ao gago facilmente;

—o cego vê e o coxo corre com toda a rapidez,

Ó homens que sofrem e desesperam, regozijem-se com eles

—e todos os que choram e no coração só têm amargura.

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Prayer book for the Jewish New Year and Yom Kippur with religious girdle poems written by Judah ha- Levi (1075-1141) and Moses ibn Ezra (1055-1138).

Manscript from Catalonia, ca 1280. (Jewish National and University Library, Jerusalem)

http://www.thirteen.org/edonline/teachingheritage/lessons/lp2/*

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(1) – In:

“The Dream of the Poem – Hebrew Poetry from Muslim and Christian Spain, 950/1492”,

de Peter Cole, Princeton University Press, 2007 –

página 122

*

Dia 18 de Abril de 2012, pelas 15h 6m

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À margem do Encontro dos Escrit.s Moçamb.s

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 12:27 pm

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RUI KNOPFLI – 1932/1997

Poeta Moçambicano; fez os seus estudos na Rep. da África do Sul; com a guerra civil, veio para Portugal, mas continuou a considerar-se moçambicano.

*

Na sequência da comunicação de Jorge Viegas sobre RUI KNOPFLI, vim reler alguns livros que aqui tenho. De “O Escriba Acocorado” (Círculo de Poesia, Lx, 1978; página 16) – destaco este poema, que certamente nos fala da luta do Artista/Artífice contra a efemeridade da vida…

*

O MESTEIRAL DE ILIUM

 .

A obscuridade alcançara-o em meio

da empreitada, mas a candeia indecisa

recuperou o indispensável palmo de luz.

Espectadores silenciosos na treva da oficina,

sombras, ângulos, esquinas e arestas,

.

formas, objectos e panejamentos

ganhavam dimensão e vida própria.

O buril colheu o veio da madeira

e feriu-a, da cunha até ao encaixe,

levando no fio o fio do destino.

.

Com a lembrança ténue do mar,

a brisa trazia em surdina o tinido

dos metais intercalando vozes indistintas.

Largo, o portal abria para a noite

e a distancia, acesas de luzeiros vagos.

.

Dobrado para trás, o corpo em arco tenso,

percebeu no firmamento a Via Láctea,

cascata lenta de cristais giratórios

tombando derramada para lá do horizonte.

Um instante se suspendeu, conjecturando

.

se espaço e terra e ele,

elos da mesma continuidade cósmica,

pulsando em iníssono, constituíram

fracções de um acabado e unívoco todo.

De côncavo, o céu tornara-se convexo

.

e mais próximo. Retalhadas no burel

grosseiro da noite, as estrelas delineavam

grandes olhos fixos ardendo

impiedosos na lava coruscante

de um fogo frio. Compreendeu:

.

tentativa, mas inexoravelmente, Sábios,

os tentáculos luminosos procuravam-se.

Edificação imemorial, porém exausta

e ameaçada de ruína, a abside

rompia, deflagrando solene e morosa.

.

A prazo indeterminado o gelo insuportável

de uma luz eterna substituiria o modular

das estações, o ritmo pendular

dos dias precedendo as noites. O seu tempo

seria, ou não, um segmento ínfimo

.

daquele tempo outro, imensurável,

que se consumia indiferente nas pupilas

de um excessivo e vítreo olhar vazado.

Por tal motivo retomou a ferramenta

e voltou com afinco à tarefa interrompida.

*

Dia 17 de Abril de 2012, pelas 13h 26m

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Archibald MacLeish

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:03 am

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– De Archibald MacLeish, 1892/1982, encontrei o famoso poema Ars Poetica, na Net (1). Tentei a sua versão para Português, no passado ano lectivo de 2010/2011, para as minhas aulas de Oficina da Literatura, na Universidade Senior de Almada. Aqui ficam o original em Inglês (EE UU) e essa minha versão em Português (2).

Ars Poetica  

*

A poem should be palpable and mute

As a globed fruit,

.

Dumb

As old medallions to the thumb,

.

Silent as the sleeve-worn stone

Of casement ledges where the moss has grown –

.

A poem should be wordless

As the flight of birds.

*

A poem should be motionless in time

As the moon climbs,

.

Leaving, as the moon releases

Twig by twig the night-entangled trees,

.

Leaving, as the moon behind the winter leaves,

Memory by memory the mind –

.

A poem should be motionless in time

As the moon climbs.

*

A poem should be equal to:

Not true.

.

For all the history of grief

An empty doorway and a maple leaf.

.

For love

The leaning grasses and two lights above the sea –

.

A poem should not mean

But be.

*

Archibald MacLeish – 1892 / 1982

 *

     Ars Poetica  

 .

Um poema devia ser tangível e mudo

Como um fruto redondo e maduro,

.

Taciturno

Como velhos medalhões num dedo polegar,

.

Silencioso como o mármore usado

Do caixilho das janelas onde o musgo já cresceu –

.

Um poema devia ser sem palavras

Como o voo e o planar dos pássaros.

*

Um poema devia ser sem movimento no tempo

Enquanto a lua ascende,

.

Despedindo-se, enquanto a lua desprende

Rebento por rebento as árvores emaranhadas,

.

Soltando, como a lua atrás da fria bruma,

Memória por memória, a mente –

.

Um poema devia ser sem movimento no tempo

Enquanto a lua ascende.

*

Um poema devia ser igual a:

Não verdade.

.

Para toda a história de todos os fracassos

Um umbral vazio e a folha de um ácer.

.

Para o amor

As relvas definhando e a lua sobre o mar –

.

Um poema nada devia significar

Mas ser.

***

Imagem:

http://richardgilbert.files.wordpress.com/2011/03/macleish-archie1.jpg

*

(1) – http://www.poets.org/viewmedia.php/prmMID/15222

(2) – Nota da Net

Aparentemente, neste poema, há um edifício muito antigo. Parece que MacLeish quer que visualizemos um local vazio, ou arruinado, que ainda mantém marcas da actividade humana. A linha sleeve-worn stone é de difícil interpretação, mas orienta-nos na interpretação do poema: parece tratar-se da orla do caixilho de uma janela, usada por as pessoas nela se apoiarem. Lembremos que há pedras macias, como é o caso do mármore, que apresenta as marcas do uso – como se vê, por exemplo, em escadas de mármore. Por outro lado, parece haver uma intertextualidade com o poema de Eliot, “love song of J. Alfred Prufrock”, quando este diz “lonely men in shirtsleeves, leaning out of windows”.

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Dia 16 de Abril de 2012, pelas 12h 20m

*

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Ascênsio de Freitas – V Encontro dos Escritores Moçambicanos (4)

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 1:01 am

Ascêncio de Freitas

*

O escritor Ascêncio de Freitas foi o grande homenageado deste V Encontro, tendo sido nomeado Presidente Honorário do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora.

Dele apresento um conto – um conto que lhe ouvi citar várias vezes, e pelo qual eu própria tenho grande predilecção. Ao ler este conto, recordo um vizinho meu, que trabalhou em Moçambique numa plantação de algodão de uma firma holandesa, segundo me recordo de ouvir dizer. Eu era muito novinha, não sei exactamente quais teriam sido as suas funções, mas actualmente posso imaginar que tenha ocupado um alto grau administrativo, pois ele de lá voltou “muito bem na vida”, como então se dizia…

Ao lermos certos relatos, sobretudo relatos como este marcados por uma profunda identificação do Narrador com o seu semelhante que se encontrava na mó de baixo, é fácil compreender a razão do anseio dos povos colonizados, pela independência. Quanto a mim, magistralmente, este conto dá-nos uma imagem das relações entre o Poder colonial e o grosso da População Nativa, aos dois níveis – o individual, aflorando em traços largos mas concisos, a relação entre Judita e sô Pulino; e o social, descrevendo o desenvolvimento do problema do preço do algodão. Igualmente notável, é que o relacionamento de Judita com sô Pulino – a “negra”, e o “branco”, segundo a linguagem de então – por muito “humana” que fosse, não consegue resgatar o crime sem perdão perpetrado naquela ocasião pelos representantes do Poder Colonial. Através deste paralelo – o Narrador mostra-nos como, por vezes, as boas intenções e os bons comportamentos individuais ficam submersos pelo caos da perversidade do comportamento político. É ainda de notar que Ascêncio de Freitas documenta como a língua portuguesa nunca foi totalmente assimilada pelas populações colonizadas. Aliás, o facto de as populações nativas falarem ‘mal’ o ‘português’, denotava dois sintomas: um, o ensino oficial não era extensivo à totalidade dos territórios dominados; outro, o ensino oficial era muito mais moroso para a população africana do que para a população europeia. Mas estes temas poderão ser desenvolvidos mais tarde, noutro apontamento.

De momento, o que vem a propósito deste conto, é que a população nativa tinha um conhecimento precário da língua do dominador; por outro lado, os esquemas de pensamento e de estrutura social eram diametralmente diferentes; por outro lado, o português falado pelos nativos era vinculado às estruturas linguísticas das suas línguas originais – tal como acontece com qualquer europeu que aprenda uma língua estranha: em geral, começa-se por usar vocabulário da língua que se está a aprender sobre as estruturas da própria língua materna; e por fim, como os colonos eram na sua maioria ignorantes, não tendo entendimento algum sobre Sociologia, História, e muito menos, sobre Linguística, o facto de ouvirem aquele ‘português’ esquisito levava-os a pensar que os nativos eram estúpidos e incompetentes.

Ascêncio de Freitas capta com respeito a expressão linguística dos nativos, em tons de verdadeiro lirismo.

Sublinho que este conto terá tido por base chamar a atenção para o massacre que foi perpetrado em Moeda, na província de Cabo Delgado, em Moçambique, em 16 de Junho de 1960. A população, ingenuamente e de boa fé, manifestou ao representante local da administração portuguesa o seu desejo de independência, pois os impostos que pagava eram pesados e os rendimentos auferidos pelo seu trabalho nas plantações de algodão, reduzidos. O administrador local disse que não tinha resposta para tal desejo, e que tinha que informar “o patrão”. A “resposta” chegou e a população foi convocada para uma reunião. Segundo o meu Amigo Doutor João Kraveirinya Mphumo, os chefes envergaram os seus trajes de gala na perspectiva de que iriam receber a solene comunicação de adesão ao seu pedido. Mas a comunicação foi feita à bala, e o diálogo foi o massacre de cerca de 600 pessoas… Ainda hoje não se sabe ao certo quantas pessoas terão morrido. Foi este acontecimento arrepiante que acelerou a detonação da luta pela independência da colónia.

A designação de  “províncias ultramarinas” atribuída pela ideologia colonial aos “territórios sob administração portuguesa” ou, melhor dizendo, sob “domínio económico, ideológico e social português”, era como sabemos – mas ainda hoje muitos ignoram – pura hipocrisia.

*

Não posso deixar de citar, a propósito do uso da linguagem e, no sentido muito mais lato do uso do poder, este breve poema da Prémio Nobel Wislawa Szymborska:

A Mão

Vinte e sete ossos,

Trinta e cinco músculos,

cerca de duas mil células nervosas

em cada uma das pontas dos cinco dedos.

É quanto basta

para escrever Mein Kampf

ou A Casinha do Ursinho Puff  …. (1)

Fica aqui, então, o conto de Ascêncio de Freitas

*

E As Raiva Passa Por Cima

Fica Engrossar Um Silêncio

 *

Vida parece é as micaia, com pico que tem. E quando que gente fica com o coração dele contente, pronto, logo vem os pico fica picar. Tem hora assim, tem, coração está bater cutum, cutum, cutum, gente está sentir ele até nas palmas de sua mão. E gente assim fica está querer-bom com todo gente, vagaroso, não quer nem sol que vai andar com força caminho dele. Uma pena, quando que vida parece é as micaia.

Aquele dia, todo gente pensa é dia-festa, daí que vem as alegria, dente das pessoa todo é brilho, rir sem nada, um com os outro, parece tudo está ensinado bonito como aqueles dia que gente ia nos camião que vinha buscar pra ir na cidade bater palma e falar viva sô vernador, viva sô carmona, viva sô caetano, viva portugar, viva os branco, viva tudo, subir nas voz e com as bandeirinha pra depois levar nas palhota e dar com criança pra eles brincar também – simple que era, festa, assunto verdadeiro, mesmo que panha grande castigo quando que não quer ir nos camião. Mas só que vida às vez tira pra o outro lado.

Quando que veio aquele novidade pra todo gente poder falar na Mistração sobre de preço de algodão que companhia está pagar com gricultor, xi!, nem vão de motivo que tinha, não, pra pensar tudo ia ser outro modo diferente, e noite foi festejar forte, mesmo, até chegar de manhã, os bichos xidôco está fazer sempre aquele seu cicil mas ninguém que está ouvir, só dançar com batuque, friozim de madrugada nem que está morder, gente fica suar com dança e com cabanga e nipa que está beber. Sô Mistrador falou: – “Gente vem na Mistração pra falar aumentar pagamento de algodão. Sô Vernador há-de que chegar até aqui pra ouvir e falar preço novo”.

Uns até que gritaram muito, e cantaram, todos os dente se rindo, engolir os ares de alegria, todos que está tão contente com aquele novidade pra poder falar preço de algodão é maningue barato – gente precisa ganhar mais pouco com trabalho de cultivar algodão pra vender com companhia. Assim é direito, mesmo, sô Mistrador está falar bem, porque tem gente está trabalhar até um ano, cultivar algodão pra companhia, e nem que recebe nem nota inteiro de cem escudo quando chega tempo de mercado. Cem escudo?… Um ano inteiro?… Uá! assim não tem maneira, não, cem escudo é pouco. Como vai comprar cabedula pra criança? E os pano novo pra mulher, as capulana? E como que vai pagar imposto de palhota?… Não pode. Nem uma vez que vai na cantina, logo vai cabar aquele cem escudo. Apâna, cabar logo.

Mas aquele festa já nem que não vai contecer mais outro vez, sobre de gente todo está ficar com medo. Medo de medo, o medo mais antigo, coisa que está no dentro dele, voltar atrás nos tempos de antigamente. Agora. Quem que não tem medo?

Faz de conta o madala sô Zico, cocuana de grandes idade – filha dele é aquele Judita, ficou tirar filho xiguba com sô Pulino, que é branco e está trabalhar no jornal que está chamar diário, aquele onde que fica muitos padre. Não lembra?… Mais nada madale sô Zinco, ele tem saber das coisas, com muita astúcia. De aí, ele falava, descobrindo: – “Os branco não que um dia vai mais guentar ficar nosso terra quando gente muda os mando das pessoa”. De primeiro sô Pulino não dava pra entender, e sô Zico estava explicar pra ele, assim: -“Passarinho que come carne não tem papo, não”.

Desatadamente, não pensando nem com as palavra, regra dele, sô Pulino sempre que queria saber das coisa: – “Então como é? Nosso é branco…” Palavra de conversa deles, parece é semente estar cair no fundo do chão de areia: -“Pois. Sô Pulino está que tratar bem com minha filha, sô Pulino até que fica branco direito, tem coração bom com os preto, está judar nosso terra fica nos mando da gente, mas assim não pode que vai existir bem, que os cacimba não guenta ficar com tempo de sol, sempre sucedido, precisa que ir embora”. E sô Pulino, insistindo, fantasia de tantas palavra: – “Nosso é família com você”.

Isto. Mas as conversas é como quem quer, conformemente, as madrugadinha de tudo que era – sô Zico não vai ceitar que uma, sozinha, são as palavra que vai fazer cunhepa pra ele: – “Família… Família, mas pra tempo de agora. Quando que tudo vai cabar e os branco vai-se embora, nosso gostava mais ver filha Judita com gente de meu raça”.

De quando, é as funda estrada da vida – e as curva das ideia maluca caminhando nas boca da gente? Sem querer. Ou as micaia, que está picar. Sô Pulino falou, exclamando: “Pai Zico és que és racista!…” – demiração de sô Pulino, cadavez mais as raiva dele, causa de ser branco e cocuana sô Zico está falar sua palavra também sem falar sô Pulino é muito bom. Ou o quê, então?

E assim sô Zico está contar aquelas coisa de festa pra ir na Mistração pra falar preço de algodão, cada um quilo que está vender nos mercado, com companhia. Salaz dessas coisa que sempre fica mexer na ideia – os cajueiro bundantezinho todos em volta com Mistração, maningue bonito suas fresquinha sombra, aqueles grande messassa, tinha mil de pessoa que estava ali ouvir sô Vernador que vai falar preço novo. Todo gente está ficar junto, sentar nos chão, mesma coisa curral de mombe, vaca, ou os cabrito, sossegado. Desde em distancia se escutava os barulho de os muana em volta com gente grande, que está rir suas alegria. se enchendo com brincadeira dele. E os mais velho, murmurar, os sussurro, basse, respeitador, tudo mais quanto é os costume, sossego contente com preço de algodão que vai aumentar. Era as festas grande, reunião de gente de todos muene que chega até no mar e nos mato de mais distância, os família todo, as manacaje nem não mais com respeito delas, está miisturar com manarume, que ouvir também as novidade, talvez que tem aperto de mão com Sô Vernador. Os viva tem, certeza, viva tudo, as mulher é que, anos de anos, sempre é as mulher está gostar mais gritar os viva? Sô Zico falou porá muzungo Pulino as coisa da cabeça dele:

– Filha Judita está bem, nas mão com você, você está tratar, mas vai chegar um dia você tens que ir-se embora,

Como é então podia-se explicar sendo assim, homens ficando amigos? SÔ Zico não quer, mesmo – mas ambas as gente, eles, pode até que viver sossegado. Como, então? Conversa deles se desamarrava e sô Pulino falou as mágoa: – “E aquele muana, meu filho, filho com Judita?”

. Uá!… Deixa. Parece você esqueceu é branco e não lembra mais como é os costume de branco!… Você vais deixar.”

Mas sô Pulino não tem mania, as fala sempre que falava acabado mas com respeito – já ele todo queria saber como que sô Zico queria-lhe pensar assim, os porquê de duvidar suas amizade, mesmo sendo branco. Era verdade? Então lá onde que lhe nasceu seu filho, família no coração dele, seu sogro estava pensar ele fica manhento como outro branco qualquer? Brincadeira de velho. Mas madala sô Zico fica nas suas teima: – “Então sô Pulino não vê?… Não vê aquele muana xidôco meu neto, filho de filha Judita com sô Pulino, não vê ele está comer todos dia com colher? Onde que viu os outro muana cussipa, assim, preto como eu, está comer com colher? Capaz!… Não sabe ium que sabe nadar nunca que se afoga? Pois!…”

É os segredo de cada uma palavra, a gente escorrega nas pele daquele segredo parece é pedra que fica molhada com água e tem seus limo verde, pedra que fica no mar, tal que mafuta, macio, maciozim. Verdade. Parece é Deus deu a eles maneira de entender as coisa, para sempre, cada um que tem seu opiniãomas pode ficar junto, mas, mas… Cadavez sô Zico tinhava razão: quando gente nasce debaixo do banco nunca que vai guentar pra se sentar. Gente de agora não vai perder herança de alguma coisa que está ver, não pode ficar calado junto, olhar pra um lado só, destino de manso. Não pode, causa de olho de gente de agora tem luarzinho de muitas coisa que está ver com outro branco, branco que manda, as leis que está fazer pra os preto. Só outro gente que está nascer ainda, parece esse há-de que vai guentar, porque já não está ver nada. Só quando que vai perguntar aos madala, mesmo esses mais velho – mas como que vai sentir com força?

Maneira de sô Zico contar suas coisa:

– Aquele muana quando que fica grande não vai proximar com preto, não, vai puxar no lado dos branco e há-de que falar também é muzungo. É assim, os mania de mulato. Causa disso está costumar ele comer com os colher, porque também que há-de ir-se embora. Todos mulato pricisa ir-se embora com os branco, porque eles é hafe-na-hafe, metade é os cussipa, mas sempre fica pensar todo é branco. Vai, também…

É homem dizedor, aquele sô Zico, não fica engolir as palavra, do medo com sô Pulino. Nem com nada, não, os velho sempre que fica assim a falar, já não tem mais paciência com medo de nada. É os costume de velho. As palavra dele sempre é pra fazer tamanho, maningue desgostado com vida que está falta pouco pra cabar. Desde que assim falou também as coisa de preço de algodão, quando que gente fez aquele festa grande. Por um divertimento dele? Parece – mas cadavez estória de tudo não é mais com quê pra gente fazer sus parodia de nada, e cada assunto é prassim ser meditado só, sua vez. Conforme sô Zico está falar seu relato.

De lá, nas sombra fresquinha dos cajueiro, não caba os grito dos muana, brincadeira dele, e de em volta, mesmo, os manâmbua fica ladrar seguido. As guamba está sustado mas não guenta parar seus brincadeira na flor das lantana, outras voava, por aí, com fartura de flor. E os homem, remédio da festa de batuque que cabou fazer toda a noite, sossegozinho de ficar sentar na sombra, mataco junto com chão como é barriga de cobra, está falar pouco um com os outro, só madala, mesmo, está zurzuar baixinho, outro gente novo todo está cansado. Cansado contente, mas gastou muito as força com dança e pra beber: gente fica assim todos frio, feito os peixe. Parece é o sono. Mas um até que riu-se:

– Vontade minha era beber!…

Todos na frente com Mistração, povo, todo povo fica pra ouvir sô Vernador que está falar contrário com tudo que estava combinar em antes: – “Preço de algodão não pode subir!…”

E daí, depois, muito silêncio. Então?… As pessoa fica num instante com as raiva. E as raiva passa por cima, fica engrossar um silêncio outro, que é mesmo como que é a massa de uma coisa, como que é pau, como que é as pedra, como que é as parede, por mau espanto. Então está dizer gente pode falar pra pidir aumentar preço de algodão, e agora já não que pode aumentar nada? Pricisa falar mintira praquê? Mesmo sô Mistrador, não sabe o que fazia? Essa autoridade?… Sono de jacaré faz parte com chão, mas quando que zanga… uá! estes branco não tem medo?…

Muito silêncio ficou, ar está guentar grande sossego, mas é de uma vez como fogo rasto de estrela quando que está cair, quem que pode fazer com que nada não sucedesse? Um gente começou façar não tem direito assim, cunhepa de sô Mistrador. Nem falou tanto: todo povo começa gritar não vai mais fazer os machamba de algodão. É os momento assim. E no rodar mais forte da vida, todos homem com sono fica está fazer mais barulho que os brincadeira de muana, até que aqueles guamba chiricar nas flor de lantana, até cão que fica ladrar – não está mais frio, como é os peixe. Saía embora as alegria, os todo quietos homem não que vai calar contra aquelas mentira de branco do governo que está intrujar de graça. Não vai nem pôr mais um semente de algodão nas terra, um semente, basse!… Pode falar os viva, agora, ninguém há-de que vai responder viva-ué, nem as mulher.

Vida de atrás, nada. Afinal – os branco sempre fica busar com os preto. Praquê todos mentira que está falar, desvalor das palavra? Branco, com preto, é as distancia. Sô Zico falou, ninguém que vai entender:

– Com tempo bom, nas noite tem maningue estrela…

E aquele momento parece era o sem mais ter medo, todo gente proximou com Mistração, gritar, cuê-cuê, cuê-cuê, os mais maior barulho, milando grande, e sô Vernador com os outro muzungo, até os auxiliar preto e os supaio, tudo, entrou dentro nas porta parece é porco de mato entrar nos buraco, rabo dele ficar na frente. Fechou as porta.

E ali aconteceu, propositado: tudo se estranhando, assim, puf, puf, puf, tem gente que começa cair, outros parece é cobra roscar sem levantar mais, outro já está ficar morto, mesmo, sangue está escorregar nos chão, ninguém que está entender direito e outros começa correr, e outros que está trambulhar com os corpo que fica deitado, tem até gente que está empurrar como é os maluco da cabeça dele, galopeio das corrida parece é os bicho a fugir no mato, e puf, puf, puf, tapatrava os tiro em todos lugar em volta, como o vento, montoar de gente que morre deitado no sangue, num instante fica quinhento, fica até seiscento, tem barulho parece é os ferro que bate contra os ferro, ninguém que sabe se é os dente das pessoa, estalido, está gritar os outro grito mais diferente, com medo – morria, que morria gente, gente dos muene que chega até no mar e nos matotodo demais distancia, ninguém que sabe porque está matar. Ninguém que sabe porque está morrer. Ou então é porque toda a gente já que sabe…

Mas sô Zico falou sua história:

– Nem Deus que vai encontrar os perdão pra coisa assim de gente que vai só ouvir preço novo de algodão, sô Mistrador está chamar tudo, com mulher, com os velho, com os criança, e sô Vernador está vir de cidade com os policia que fica escondido pra matar. Quando Deus está encontrar os perdão pra coisa assim, então é Deus que está ficar com os cheiro de macaco. Tem mais perdão, não, quando Deus que não fez nada, um dia assim que alguém pricisa pagar.

*

Glossário:

apâna – acabou

cabanga – bebida alcoólica feita com a fermentação de farinha de milho ou de farelo

cabedula – calção

cacimba – névoa

cocuana – velho

cunhêpa – mentira

cussipa – preto

guamba – pássaro

hafe-na-hafe – deturpação de “half and half”

machamba – campo semeado ou designação genérica de propriedade agrícola

madala – velho

mafuta – óleo, gordura

manâmbua – cão

manarume – homem

maningue – muito

mataco – cu

messassa – árvore africana, de grande porte, o mesmo que merroto

micaia – espécie de cacto, com picos

milando – problema, conflito

mombe – boi

muana – criança

muene – chefe tradicional de povoação

muzungo – homem branco

nipa – aguardente, geralmente de caju

supaio – deturpação de sipaio

xidoco – pequeno

xiguba – mulato

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Da colectânea

“e as raiva passa por cima, fica engrossar um silêncio”

de Ascêncio de Freitas

áfrica editora, 1979

página 31

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(1) – Poema citado na revista Ler, Março, 2012; pág 50

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Dia 14 de Abril de 2012, pelas 2h

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