Martin Luther King

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 3:06 pm

Martin Luther King – prémio Nobel da Paz em 1964

Neste tempo de crise e sofrimento social no nosso País, as palavras de Luther King continuam actuais, e deveriam fazer pensar a muita gente…

” Qualquer religião que se considere estar encarregada das almas dos homens e não estar encarregada dos bairros de lata onde vivem mergulhados e das condições sociais que os sufocam, é uma religião estéril.” – Martin Luther King

(…) “apesar das dificuldades e frustrações do momento  ainda tenho um sonho. Eu sonho que um dia esta nação se vai ereguer e viver o verdadeiro sentido  do seu credo: “Nós consideramos verdadeira a ideia que todos os homens são iguais.”

(…)

“Quando deixarmos a liberdade soar de verdade, quando a deixarmos soar em cada estado e cidade, então seremos capazes de acelerar a vinda do dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, Judeus e Gentios, Protestantes e Católicos, serão capazes de dar as mãos e de cantar a letra do velho espiritual negro “Livres por fim! Livres por fim! Graças a Deus, Omnipotente, nós somos, enfim, livres!” – Martin Luther King

“Como toda a gente, eu gostaria de viver uma vida longa. Mas não estou preocupado com isso agora. Eu só quero fazer a vontade de Deus. E Ele deixou que pudesse subir ao alto da montanha. Olhando ao longe, eu vi a Terra Prometida. Eu posso não chegar lá convosco. Mas eu quero que vocês saibam, esta noite, que nós, como povo, havemos de chegar à Terra Prometida. E sinto-me feliz esta noite. Nada me preocupa. Não temo ninguém. Os meus olhos viram a glória da vinda do Senhor.” – Martin Luther King

 Lançamento do dia 23 de Fevereiro de 2012

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I will always love you

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 4:05 pm

Whitney Houston

1964 / 11-02-2012

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If I should stay,
I would only be in your way.
So I’ll go, but I know
I’ll think of you ev’ry step of the way.

And I will always love you.
I will always love you.
You, my darling you. Hmm.

Bittersweet memories
that is all I’m taking with me.
So, goodbye. Please, don’t cry.
We both know I’m not what you, you need.

And I will always love you.
I will always love you.

(Instrumental solo)

I hope life treats you kind
And I hope you have all you’ve dreamed of.
And I wish to you, joy and happiness.
But above all this, I wish you love.

And I will always love you.
I will always love you.
I will always love you.
I will always love you.
I will always love you.
I, I will always love you.

You, darling, I love you.
Ooh, I’ll always, I’ll always love you.

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Dia 20 de Fevereiro de 2012

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…E agora, uma MOAXAHA a sério

* Alandalus,* Estudos e Comunicações — Myriam de Carvalho @ 4:37 pm

A Moaxaha

A Moaxaha foi um género de poema muito sui generis, e diz quem sabe, foi um tipo de produção poética única na História das Literaturas, pois foi um poema bilingue, que reunia duas culturas. Um testemunho do espaço geográfico e espiritual das Três Culturas, daquilo a que os Espanhóis chamam “a convivencia“.

Os poetas do Alandalus parece que criaram um género poético novo, diferente das odes da Poesia Clássica árabe, que além de não conceber estrofes, era de rima monórrima. Há diferentes teorias que explicam o aparecimento dos poemas do género MOAXAHA. Mas parece verosímil que tenham sido os poetas de origem muladí – ou seja, poetas dentre aquele sector da população ibérica que se tinha convertido ao Islão – que tenham tido a ideia inovadora de criarem um poema estrófico (de 5 a 7 estrofes) que sendo em língua árabe, rematava por uma estrofe colhida da poesia popular em língua moçárabe!

Talvez isto esteja a parecer algo confuso a quem esteja a confrontar-se com esta temática pela primeira vez.

Mas tenhamos presente que a população peninsular, à época do Alandalus, era algo complexa: havia a população ibero-romana e cristã que permaneceu cristã (os Moçárabes); havia também os ibero-romanos que se tinham convertido ao Islão (os Muladís); havia os Judeus que depois de vários séculos eram tão ibéricos quanto os anteriores; havia os Berberes; havia os Árabes que igualmente, após séculos de vivência na Península se tornaram tão ibéricos como todos os anteriormente referidos!

Com a MOAXAHA, estamos perante um poema em duas línguas, e a dois emissores – o corpo do poema, com temas próprios da poesia árabe, de temática masculina; e o final, com temas próprios da poesia popular, de temática feminina, em tudo semelhante ao que encontramos nas nossas Cantigas de Amigo!

Mais, o corpo do poema era escrito em língua árabe (ou hebraica), e este final, este remate, esta “saída, ou finda”, que como disse, era em língua moçárabe (podemos dizer, uma língua românica, numa fase intermédia entre o Latim Vulgar, e o Galaico-Português e o Castelhano arcaico), era registada em caracteres árabes (aquilo que é designado por aljamiado).

Se quisermos uma explicação um pouco mais exaustiva, diremos então que a MOAXAHA constava de um dístico introdutório – a entrada, que marcava a rima a ser seguida nos estribilhos. No exemplo abaixo copiado, é a estrofe que a Tradutora identificou com o /0 (zero).

As estrofes eram compostas por 2 partes:

Três versos com uma dada rima – a mudança; e o estribilho ou volta, de dois versos que voltavam à rima proposta na estrofe de entrada; este facto vem bem exemplificado na tradução copiada abaixo.

Finalmente, seguia-se a pequena estrofe que encerrava o poema; era a estrofe de saída, ou finda – que conhecemos pela própria palavra árabe: as jarchas.

Como disse acima, esta estrofe de saída não tinha a ver com o corpo do poema. Era um remate com o qual o poeta, árabe ou hebraico, terminava o seu poema, introduzindo-lhe uma estrofe da lírica popular da população moçárabe, isto é, da população cristã!

O que me apaixona nos meus estudos sobre o Alandalus é este convívio, esta intimidade que conseguia congregar três culturas diferentes, numa só respiração! Claro que houve lutas, dissidências, guerras… É a natureza humana… Mas ficaram-nos testemunhos imorredouros de uma vivência invulgar entre as Três Culturas!

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Então deixo aqui uma real MOAXAHA, retirada da pág 616 da extraordinária ROSA DO MUNDO, em tradução de Doina Zugravescu. Imagino o exaustivo trabalho que seja render um poema de uma Língua estruturalmente tão distinta da nossa, e conservando a estrutura estrófica e rimática específica deste género poético!

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O autor da MOAXAHA que se segue foi alguém que, no séc XII (m. 1126), ficou conhecido como

Al-A’ma at-Tutili = O Cego de Tudela

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0-            Pranto em torrente e peito a abrasar:

Água a juntar

Fogo é só para cousa sem par!

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I     Juro, cruel diz quem me quer repreender:

Curta é a vida e longo o sofrer

Ai, de suspiro que trai o querer!

Ai, desse pranto qual o rio a correr!

Meu sono fugiu e se nega a voltar

Não há vagar

Voava, mas não acho donde voar

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II     Ó Caaba, lá torna qualquer coração

Entre o apelo do Amor e o sim da Paixão

Lá aspiram os ais de quem faz contrição

Cá estou! pois o guarda que fale em vão!

Deixa-me lá em romaria girar

Sem te furtar

Com pranto de brasa dou o peito ao altar

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 III    Venha, por mais que me traga o estertor

Com esbelta cintura e olhar em langor!

Crueldade, quão doce a julga o Amor!

O que é mal pensar soube por teu favor.

 Desde que não volta em noite a mingar

Sono é chorar

Na pálpebra, espada me sangra o olhar

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 IV    Senhor escolhi que sem dó me julgou

Aludo-o, seu nome dizer eu não vou

Admira, à maldade, a justiça que dou

Perguntem-lhe dessa união que negou

Do amor a valer meu quinhão foi tirar

E desdenhar

Outro amigo, que há-de importar!

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 V     Seja o que for, quem me livra a mim?

Senhor que atormenta e faz mal sem fim

Deixou-me na dor e em doença ruim

E logo entre mimos e amor canta assim:

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MEU-L-HABIB ENFERMO DE MEU AMAR

KENO HA D’ ESTAR?

NON VES A MIBE KE S´HÁ DE NO LEGAR?

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Lançamento do dia 18 de Fevereiro de 2012, por volta das 23h…

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Restaurante Jardim – MOAXAHA

* Alandalus,* Poesia — Myriam de Carvalho @ 12:53 pm

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À maneira da Poesia do Alandalus

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A paixão pela Poesia do Alandalus levou-me a tentar ressuscitar a MOAXAHA. Não é fácil, uma vez que é uma forma poética obrigada a um esquema prévio. Mas consegue-se!

Ora, há dias almocei no Restaurante Jardim, ali na Cova da Piedade, um restaurante de que gosto muito pois além do seu sabor e saber tradicionais,  fica em frente do pequeno Jardim da Cova da Piedade, um sítio muito simpático onde levava os meus filhos a brincar, em pequenos, uma vez que vivi ali perto.

Bem, disse comigo – Os poetas do Alandalus inspiravam-se em pequenas coisas, um poema a uma beringela, quem diria, a uma noz… Vou tentar celebrar este restaurante de que gosto tanto… Pedi mais uma vez a ementa, e retirei os nomes de alguns pratos…

E aqui está, saiu a Moaxaha, que depois ofereci aos donos.

Depois, pensei:

Ora aqui está, que sorte de vegetariana sou eu, a falar com enlevo dos pratos de vitela e de cozido…

Mas  só tenho que respeitar a diferença, falo de pratos que a maioria das pessoas procura encontrar num restaurante… e de que também já gostei…, e que neste caso particular, me deram jeito na rima!

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 Restaurante Jardim

 – Moaxaha –

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Cova da Piedade, Restaurante Jardim

Já tinha saudades de um prazer assim

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Cozido à portuguesa, vitela no forno,

– Faça favor, diz o Dono, se não, fica morno,

Pode repetir, nós temos retorno!

Vir aqui, vale bem um festim,

comida caseira, é um prazer para mim!

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-Dourada grelhada, atum à Portimão,

Pargo cozido, com legumes… ou não,

E frutos exóticos, anonas, mangas, mamão…

Já há bem poucos restaurantes assim,

Trato familiar, que gosto para mim!

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Desta janela, o coreto, o jardim,

as árvores, o sol – um prazer, enfim!

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Myriam Jubilot de Carvalho

Inédito

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia  18 de Fevereiro de 2012, pelo meio-dia

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“O Homem Sol”

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 1:00 am

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Homenagem a Jorge Vieira

Na abertura do Museu Jorge Vieira (Beja)

um abraço de felicitações à escultora Noémia Cruz

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Dia 11 de Fevereiro de 2012

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Isadora Duncan

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 8:41 pm

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Palavras, para quê?

Há um vídeo raro – raro, e protegido, de Isadora Duncan, que se pode procurar no YouTube.

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Lançamento do dia 10 de Fevereiro de 2012, pelas 20h 40m

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O Mito

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 7:46 pm

Decorreu esta semana, no Museu Nacional de Arqueologia – Jerónimos -,  a primeira parte de uma série de sessões sobre “Os Mitos da Criação no Mediterrâneo Antigo”.

As exposições  estiveram a cargo dos nossos excelentes especialistas nestas matérias,  Luís Manuel Araújo, Francisco Caramelo, José Augusto Ramos. Na próxima semana, terei o prazer de ouvir Ana Alexandra Sousa e Nuno Simões Rodrigues.

Não vou aqui tecer considerações sobre o Mito, embora seja matéria que me fascina.

O que aqui deixo é apenas um pequeno poema meu, do meu “E no fim era a Poesia”

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O Mito

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O mito para mitigar.

Que o mito transcende

o rito. E o dogma

é uma abóbora fechada.

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Tu és o mito.

Sem ti nem há mito nem há rito. Apenas

ser. Com a máquina

encravada.

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Somos árvore,

e floresta.

E o mito

a fresta.

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“E no fim era a Poesia”

de Myriam Jubilot de Carvalho

Colecção “O Chão da Palavra”

Vega, 2007

pág 15

Lançamento do dia 10 de Fevereiro de 2012

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Prece ao Orvalho

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 12:37 pm

Inicio estes meus apontamentos de ANTOLOGIA do ano de 2012, com este poema que acho lindo, da antiga Cultura Hebraica. É esta Prece ao Orvalho, de Eleazar Ha-Kalir, de meados do século VIII, delicada pétala da frondosa Rosa do Mundo. No fundo, também me apetece erguer uma prece a um atento Deus-Orvalho, que olhe pelo nosso País nestes tempos de tão grande preocupação, desalento, e sofrimento social…

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Prece ao Orvalho

Eleazar Ha-Kalir

c. 750

 Deus nosso e Deus de nossos pais,

Orvalho, precioso orvalho, à Tua terra ao desamparo

Espalha nossas bênçãos em teu júbilo,

Para fortificar-nos com vinho e trigo fartos

E dar à tua cidade eleita fundmentos firmes

No orvalho.

Orvalho, precioso orvalho, o reino do bom ano salva,

Possa a terra frutificar em orgulho e glória,

E que a cidade hoje assim tão erma

Possa transmutar-se num fulgente reino,

Pelo orvalho.

Orvalho, precioso orvalho, sobre a terra desce,

Do tesouro celeste isto seja doado,

Assim será a treva varada por um facho,

O devoto à Tua vinha compensado

Pelo orvalho.

Orvalho, precioso orvalho, faze aprazíveis os montes,

O sabor de tua excelente memoria!

Livra-nos do exílio, é o nosso rogo

Para que haja canto em Tua honra, docemente baixando

Como orvalho!

Orvalho, precioso orvalho, nossos celeiros encha,

E enrijeça em nós o nosso viço jovem!

Bem amado Deus, eleva-nos ao teu desejo

E faze um jardim molhado plenamente

Pelo orvalho!

Orvalho, precioso orvalho, seja colhida nossa safra,

E livra nossos rebanhos fartos da penúria,

Observa nosso povo seguir-te feito ovelhas

E a olhar o dares Tu à terra sua verdura

Pelo orvalho!

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In:

Roda do Mundo – 2001 Poemas Para O Futuro

Assírio & Alvim, 2001

– Tradução de Zulmira Ribeiro Tavares, pág. 562

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Lançamento do dia 6 de Fevereiro de 2012, pelas 12h 44m

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