Xuan Dieu

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 6:13 pm

Xuan Dieu é um poeta vietnamita, nascido em 1917.

Copio este seu poema, na tradução francesa. 

E o poema – bem como a tradução – 

é tão belo que não me atrevo a passá-lo para Português.

Prime Saveur D’ Été

 

Le chemin d’amour épanouit les lilas.

La brise frémit, doux frisson, émoi des feuilles dans l’attente.

Tout là-haut glisse une suave senteur,

Mauve à peine, ô mon aimée, à peine um rêve de fleurs.

 

Fine brise au troisième mois:

Au soufle de fraîcheur se mêle une ivresse;

C’est encore le printemps et déjá vôle l’été.

Tout un lointain étourdit l’espace.

 

L’amour de mille ans, ô mon aimée,

Prend ce matin parfums de vie, couleurs des lilas.

L’emoi du printemps à cet instant – coupe pleine –

Notre amour esquisse une saveur d’été.

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Anthologie de la poésie viêtnamienne

Le chant vietnamien – Dix siècles de poésie

– Connaissance de l’Orient

  Collection UNESCO d’oeuvres représentatives

Gallimard, 1981

Página 160

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 30 de Outubro de 2011

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E já agora, por falar em Celtas

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 9:41 am

Nós também temos raízes Célticas!

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Vestígios materiais dos Celtas no nosso território

Todos conhecemos, ou já visitámos, as Citânias destes nossos antepassados.

Mas deixo apenas estas fotos:

Cromeleque dos Almendres

Guerreiro Lusitano

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E quem diria que os nomes destes rios têm origem na toponímia celta?

Nome Celta Nome actual
Ardila rio Ardila
Durius do celta dur, água. rio Douro
Migno, Minius rio Minho
Tamaca rio Tâmega

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Estes são só alguns exemplos. Há mais exemplos na nossa toponímia, bem como no nosso folclore. Como toda a gente sabe! Basta lembrar os Pauliteiros de Miranda.

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Post aqui publicado em 11 de Outubro de 2011

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Três poemas Celtas

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 9:51 pm

 

A Grande-Mãe Natureza inspira os Poetas. Como seria possível a Arte das cores, dos sons, das palavras, se os Artistas não tivessem o grande espelho da Natureza onde se rever?

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Três poemas Celtas

 

Da editora Assírio & Alvim, e com tradução de José Domingos Morais, a partir da transposição dos idiomas Gaélicos originais para a Língua Inglesa, escolho os três poemas celtas que apresento, notáveis pelo seu sentimento da Natureza.

 

Da colectânea  “O Grito do Gamo – Poemas Celtas da Fé e do Sagrado” (2004), um texto irlandês de autor desconhecido, do séc IX ou X – página 40:

 

AS COISAS VIVAS

Um dia, Mael Anfaidh viu um passarinho a gemer e a soltar queixumes de muita tristeza.

“Oh Deus”, disse o santo, “que maravilha terá aqui acontecido? Nem mais uma côdea de pão hei-de comer enquanto não souber a razão dos lamentos desta avezinha”.

E ali se quedou o frade até que viu um anjo a caminhar ao seu encontro.

“Pois bem, meu bom frei”, disse o anjo, “vamos pôr fim a essa tua aflição. Mo Lua, o filho de Ocha e um santo homem, morreu. Por isso se lamentam as coisas vivas, pois nunca ele deu a morte a qualquer grande ou pequena coisa que tivesse vida. Não há homem algum que saiba e possa lamentar a sua morte de modo mais triste e com mais sentido pesar do que o fazem os outros seres vivos. E entre estes conta-se a ave pequena e frágil que tu ali vês”.

 

 

De “A Perfeita Harmonia – Poemas Celtas da Natureza” (2004), este hino à Primavera, igualmente de autor desconhecido; do séc XII – pág. 27:

 

A PRIMAVERA

Oh Primavera do meu pais,

Tempo de encanto sereno e límpido

Que dás ao campo as cores do verde

O verde puríssimo da erva nova.

És tu que trazes, oh Primavera,

A força indomável dos ramos jovens

O viço e o verde da fresca folhagem

Da velha tília no arroio debruçada.

 

És tu que fazes, ó Primavera,

Pular a truta na água do rio

O javali fugir na funda ravina

Pelos caminhos da desolação

O veado erguer-se altivo e só

Na penha mais nobre das fragas altíssimas

Olhando as crias de fulva pelagem

Correr e saltar no prado maciol

 

És tu que fazes, oh Primavera,

Crescer as bagas na ramaria

Pender os frutos nas árvores frondosas

Cintilar os peixes na água do lago,

Bela é a cor, oh Primavera,

Do lírio branco que fazes nascer

E suave o murmúrio, oh Primavera,

Do regato de prata a correr no vale.

 

 

Finalmente, da colectânea “O Imenso Adeus – Poemas Celtas do Amor” (2004), este poema Gaélico escocês / Irlandês, do poeta do início do séc XVII, Niall Mór MacMhuirich – pág. 39:

 

O IMENSO ADEUS

Um longo – imenso – adeus à noite passada!

 

A noite passada não tem despedida

e todavia, agora ou mais tarde, no tempo se esvai.

Ainda que a forca seja o destino

eu tudo daria para que a noite passada venha de novo

e a noite de hoje apenas seja o tempo de ontem.

 

E então esta noite seríamos dois a morar nesta casa

senhores de um segredo

que os olhos não podem não sabem não querem esconder.

Ainda que os lábios não esmaguem

nos olhos luz tão intensa luz que o segredo oculto

não mais é segredo.

 

Os olhos despedem furtivos olhares ou demorados,

secretos sinais

que o silêncio consente guarda e entende.

Que importa o silêncio dos lábios cerrados

se olhos dizem revelam e contam

histórias e contos de escondidos segredos?

 

Aqueles que trocam e vendem segredos e escândalos,

dos lábios meus não hão-de ouvir uma só palavra.

Oh, lânguidos olhos!

E tu recolhida estás, serena e calma nesse discreto canto,

olha os meus olhos, olha e aprende

os segredos meus que escondem e dizem.

 

“Nesta noite que passa guarda para nós a noite passada.

E que o tempo futuro para sempre seja como ontem foi.

A manhã não queiras; não a deixes entrar.

Levanta-te e diz-lhe

que o dia não cabe nesta nossa casa, onde só a noite,

a noite passada, tem lugar cativo comigo e contigo.”

 

Ah! Maria, Mãe e Senhora de todas as Graças!

Tu és Mestra, a Fonte da Água dos Poetas do Mundo!

Toma a minha mão, na Tua a enleia e dá-me o Teu consolo!

Sê o meu amparo!

Vem e ajuda-me e ensina-me a dizer

 

Um longo – imenso – adeus à noite passada.

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st patrick

Caminhos percorridos por Saint Patrick

Várias lendas fantasiaram a vida de São Patrício, ou Padraic, em Gaélico Irlandês, santo da cristandade, da primeira metade do séc. IV.

Do prefácio de José Domingos Monteiro a “O Grito do Gamo”, retiro esta lenda:

“Para fugir aos perigos, iludir as perseguições e defender-se das ameaças a que constantemente estava sujeito, recitava um hino que ficou conhecido na história e na literatura como “O Grito do Gamo” ou “A Couraça de São Patrício”, cuja autoria lhe está atribuída.”

E acrescenta –

…”um dia em que se deslocava por uma floresta com os seus discípulos, foi advertido miraculosamente de que um grupo de druidas se emboscara para os aniquilar. Patrício e os seus homens entoaram então o hino e, ao desfilarem por entre os druidas emboscados, estes apenas viram uma corça seguida pelas suas vinte crias.”

Pergunto-me ainda, o que seria dos Artistas sem a tradição popular, as suas lendas, e a sua música?

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Quanto ao “santinho” com Saint Patrick, encontra-se aqui:

http://catholicharboroffaithandmorals.com/St.%20Patrick.html

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 10 de Outubro de 2011

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Momentos de Alegria e Felicidade

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 6:36 pm

Para todos os meus Amigos /as, alguns belos momentos da comunicativa alegria, satisfação, felicidade – que André Rieu sabe criar, para deleite de todos nós

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Segundo André Rieu,

a Música é a sua vida.

Desde que tocou a sua primeira valsa, que percebeu que queria tornar a música clássica mais acessível ao público, e a este propósito tem dedicado a sua carrreira – pois para ele, “a Música é a coisa mais maravilhosa da vlda”.

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Post aqui publicado em 7 de Outubro de 2011

O Poema

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 11:42 am

O Poema

À Edite Condeixa, querida amiga de longuíssima data,

aqui dedico este inédito meu

O poema passa escondido por entre as acácias espinhosas

e os arbustos do mato

– o grande felino, o gato selvagem

– olha-nos desconfiado, aqueles olhos amarelos

fixos em nós de semblante carregado

*

É preciso domesticá-lo

– tremendo crocodilo

nas bordas lamacentas

do Nilo

*

– E o grande caudal,

abismo dos sentidos,

a ficar imune

– passa-nos de lado,

a rir-se de nós –

no fundo do Rio

no grande canal

*

O que é que nos une,

o que há de comum

entre ti – Poema -, e eu?

– Esse fogo oculto

roubado aos deuses

por Prometeu

*

 Inédito, aqui publicado em 7 de Outubro de 2011

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