O Amor – Pensando em voz alta

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 2:34 pm

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O Amor

Pensando em voz alta

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Embora dicionarizada,

só por si, isolada,

não tem significado a palavra amor…

Não vale nada

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Em geral, quando se fala em amor, pressupõe-se duas pessoas –

mais propriamente, um casal…

Fala-se de “amor à primeira vista”…

Diz-se “fazer amor”…

É bem mais sábio o dicionário

que refere

as diferentes faces que o amor pode ter.

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Mas ainda não é tudo –

O amor, só por si, não é um sentimento –

Mas o resultado

do somatório de

vários sentires e comportamentos

E tudo inclui, numa síntese harmoniosa

…dedicação, carinho, liberdade de opções, e acima de tudo – respeito…

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Tal como a vida, que em si contém o seu contrário (a morte),

o amor em si contém os seus contrários…

a aversão, o ódio, o ciúme, a inveja, a opressão

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Em geral, não se pensa que há mais

valências para esta palavra amor

o amor místico

o amor universal

© Myriam Jubilot de Carvalho

13 de Agosto de 2006

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Fonte da Imagem:

https://chicho21net.deviantart.com/art/Ah-L-amour-L-amour-41092392

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 21 de Janeiro de 2018, pelas 14h 30

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James Baldwin e uma questão ainda não respondida

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 12:07 pm

As coisas que eu encontro apenas por acaso:
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Uma pergunta feita em 1963, e que ainda não teve resposta…
Na entrevista, uma lúcida comparação entre Malcolm X e Martin Luther King. Continua actual.
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Do YouTube:
“Reportagem do Dr Kenneth Clark com James Baldwin em 1963.
A reportagem toda é incrivelmente lúcida e a última pergunta, a última pergunta está ainda sem resposta”
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James Baldwin (August 2, 1924 – December 1, 1987) was an American writer and social critic.
His essays, as collected in Notes of a Native Son (1955), explore palpable yet unspoken intricacies of racial, sexual, and class distinctions in Western societies, most notably in mid-20th-century America.
Some of Baldwin’s essays are book-length, including The Fire Next Time (1963), No Name in the Street (1972), and The Devil Finds Work (1976).
An unfinished manuscript, Remember This House, was expanded and adapted for cinema as the Academy Award-nominated documentary film I Am Not Your Negro.
(Wikipedia)

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Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 5 de Dezembro de 2017, pelas 13h

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Equipa vuJonga com um casal amigo

* Fotos,* VuJonga Textos Edição de Autor/a — Myriam de Carvalho @ 10:06 pm

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Foto da equipa vuJonga Textos Literários

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Foto tirada no dia 25 de Outubro de 2017, na Livraria Férin, em Lisboa.

Após a sessão de lançamento do livro de Silvya Gallanni – “Fragrâncias Poéticas”.

Da esquerda para a direita:

Professor Mphumo João Craveirinha, Silvya Gallanni, Professor Pascoale Cipro Neto e esposa, Professora Juliana Loyola, e eu própria.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 2 de Dezembro de 2017, pelas 22h.

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CRIAÇÃO dos Cadernos Literários vuJonga Textos

* VuJonga Textos Edição de Autor/a — Myriam de Carvalho @ 12:32 pm

Criação dos Cadernos Literários vuJonga Textos

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vuJonga textos
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É a designação da equipa formada por três amigos que se propõem publicar os seus próprios livros.
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A equipa é formada por Silvya Gallanni, Mphumo João Craveirinha, e eu própria.
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Cada um de nós tem uma função específica dentro da equipa, embora por fim todos colaboremos para o objectivo comum – publicarmos os nossos próprios livros de forma autónoma e independente. Praticamos um trabalho artesanal, mas com dignidade e exigência de qualidade profissionais.
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O primeiro livro que lançámos, foi o meu “O Livro das Actas”. Uma recolha de poemas com um certo tom satírico.
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O segundo livro vai ser o de Silvya Gallanni: “Fragrâncias Poéticas”. Uma colectânea de ‘Haikai’.
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Ainda este ano, sairá um livro de Mphumo João Craveirinha, que anunciaremos na devida altura.
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O nome de “vuJonga” significa “Sol nascente”. É em língua Jonga – ou ‘Ronga’, conforme é geralmente referida em Português
. Exprime a nossa homenagem a uma língua de Moçambique, em via de extinção devido à política cultural do regime político moçambicano, que a seguir à Independência procurou anular as diferenças entre os povos que integram esse país.
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Tem havido vários grupos de escritores e artistas que se juntam com um objectivo comum.
Estou a pensar no grupo dos Pré-Rafaelitas – Pre-Raphaelite Brotherwood – que juntou pintores, poetas e críticos, fundado em 1848. Ou no Bloomesbury Group, na primeira metade do passado século XX, que igualmente juntou escritores, intelectuais, filósofos e artistas.
Poderá parecer que estou a jactanciar-me através das comparações mencionadas. Mas não, pois tenho consciência do valor intelectual e cultural do nosso trabalho, que ultrapassa o âmbito de uma tertúlia onde os seus componentes encontram apoio mutuamente. Formamos uma equipa que se propõe editar, publicar e divulgar o trabalho dos seus membros. Por outras palavras – elaboramos materialmente os nossos próprios livros, desde o borrão à comercialização, valorizados pelo exigentíssimo trabalho de Arte Gráfica do grande pintor que é Mphumo João Craveirinha.
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Actualmente surgiram os editores independentes. Mas a nossa equipa não se inscreve nessa qualidade: somos autores-editores.

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Texto publicado no FB em 7 de Outubro de 2017.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 2 de Dezembro de 2017, pelas 12h 30m

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Ai Qing, dois poemas

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 12:03 pm

Ai Qing

1910-1996
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Dois poemas:
Um poema que nos diz que tanto podemos ser um como o outro destes dois marinheiros…
E outro que nos fala de trabalho infantil:

o menino ergue no céu do entardecer, a foice que lhe ceifa a infância, e o futuro…

Em ambos, um exemplo do despojamento de palavras da Poesia Chinesa.

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Aspiração
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Um marinheiro diz-nos
Que gosta da espuma branca
Provocada pela âncora quando sobe…
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Outro, diz-nos
Que lhe agradam mais os tinidos
Da corrente de ferro da âncora quando desce…
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Um, anseia pela partida.
E o outro, pela chegada.

(Changai, Março de 1979)
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Menino ceifeiro
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O Sol poente avermelha o prado
Mas o menino ainda ceifava em silêncio:
Cabeça inclinada, de costas para o céu, entregue ao trabalho,
Movia-se lentamente de um lado para o outro…
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Ervas abundantes devoravam-lhe o corpo:
Por entre o maciço de ervas,
Uma cesta de bambu, com alguns molhos ceifados, à vista.
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E uma foice a brilhar no ocaso.
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“Poesia Escolhida de Ai Qing”
Escolha, tradução, prefácio e notas de Jin Guo Ping
Revisão literária de António Manuel Couto Viana
Instituto Cultural de Macau, 1987
Poemas das páginas 171 e 323, respectivamente.

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Fontes das fotos:

1ª foto: foto de 1029, em Paris:

https://en.wikipwdia.org/wiki/Ai_Qing

2ª foto: 

www.readchina8.com/Literatureitems.php?Passid=DAA77819-AER4-401C-472F-8C61C0F34525

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 1º de Dezembro de 2017, pelas 11h 47m

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O fogo sagrado

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 12:28 pm

O fogo sagrado
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A chama de Ahura Mazda,
é a chama da Poesia –
a força que nasceu connosco
– comigo,
e me trouxe até Ti

Já não preciso de versos –
Eu – Nós – a Vida
somos o Poema

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© Myriam Jubilot de Carvalho
20 de Outubro de 2017

Fonte da imagem:

www.clker.com

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 3 de Novembro de 2017, pelas 12h 25m

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Casada comigo – Poesia

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 12:25 pm

Mais um poema.

Resultado da recuperação que tenho feito dos manuscritos antigos, de quando não havia computador, nem tempo para passar os rascunhos à máquina de escrever.

Muitas vezes os poemas eram escritos em simultâneo ao trabalho profissional, quando não era necessária tanta concentração e a imaginação, sempre indomável, me proporcionava um instante de recolhimento.

Este foi feito numa reunião, quando me apercebi das folhas dos plátanos, já amarelecidas, dançando do lado de lá da janela da sala…

Este poema já foi publicado numa colectânea colectiva, publicada pela extinta editora HUGIN, em Julho de 2003. O volume intitulava-se POETÂNEA,  Éramos 7 autores. O Prefácio ficou a cargo de José Fernando Tavares.

Juntei um conjunto de 7 poemas, sob o título genérico de VIAJANTES. O poema que aqui reproduzo agora, era o último poema do conjunto; e figura na página 86.

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Casada comigo

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Da janela cinzenta me espreitam as folhas oxidadas de outono…

Mal conseguem vibrar ao frágil sol da manhã…

Já lavadas pelas ternas mãos sedosas da chuva, me dizem,

cautelosas, em segredo, os necessários deveres da realidade…

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Nem respondo… O coração

apertado nos garrotes da subsistência

– antes me calo. Fecho

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bem os olhos à janela cinzenta,

mai-là sua cercadura de folhas vermelhas

a dançar

para me aquecer

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Oh… Lá está o mar, minha casa de liberdade,

à minha espera,

a receber-me em sua esfera de cristal!

Onde – labiríntico turbilhão sem fim – viajo

sem forjar porto de abrigo… Sozinha…

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…casada comigo

© Myriam Jubilot de Carvalho

 3 de Outubro de 2001

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A imagem foi retirada de um artigo do Google, 

do qual não consigo copiar o link:

O Plátano – A Árvore das 4 Estações

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 9 de Outubro de 2017, pelas 13h 25m

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“Perder o pão é perder a alegria de viver”

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 11:46 am

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“Perder o pão é perder a alegria de viver”

D. Manuel Martins, primeiro bispo de Setúbal – 1927-2017

Foi bispo de Setúbal de 1975 a 1998

Escreveu dois livros: 

Um Modo de Estar

Pregões de Esperança.

 

Sobre a sua pessoa e acção foram publicados cinco livros: 

História de Uma Crise. O Grito do Bispo de Setúbal;

Bispo de Setúbal, Um Homem Plural;

D. Manuel Martins o Bispo de Todos;

D. Manuel Martins, A Esperança de Um Povo;

D. Manuel Martins, Um Bispo Resignatário, Mas Não Resignado.

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Um país de mitos
– os brandos costumes –

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Chamaram-lhe o “bispo vermelho”
Um epíteto discriminatório …
Para o mainstream, o Outro não conta, ou conta muito pouco…
…Como se a Justiça Social tivesse cor…

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Cagliostro disse mais ou menos isto:
“Si ce n’est pas le désir seul de faire le bien qui nous pousse dnas le mysticisme, n’allez, je vous en prie, plus loin!”

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Ver o vídeo:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/morreu-d-manuel-martins-o-bispo-vermelho_v1029226 

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 25 de setembro de 2017, pelas 12h 45m

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Frutos de inverno

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 11:33 am

Mais um poema de antigamente.

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Frutos de Inverno

Alguém diria que no Inverno se colhem os frutos?

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Os frutos doirados pela neve

na estrada isolada,

desconhecida,

perdida entre o sopé e o cume.

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Tentei acender o lume.

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Mas o nevão não me deu tréguas,

e caminhei sem descanso durante léguas

e léguas

e léguas

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– Sem saber que ao fim do caminho,

mesmo ao alcance da mão,

estavam os pomos de oiro –

criados pelo nevão

11 de Janeiro de 2001

© Myriam Jubilot de Carvalho

Fonte das imagens:

Google Images.

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 16 de Setembro de 2017, pelas 12h 30m

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Mais um poema – Lição antiga

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 10:39 am

Continuando a organizar papeis antigos, hoje selecciono este…

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Lição antiga

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É Inverno, duro Inverno.

O vento varre os tectos e o chão e

as janelas do meu coração.

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O vento varre a neve,

varre as folhas, varre o céu.

Por isso, a vida é tão leve.

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Branca e fria, branca e leve,

cobrindo a várzea e o céu,

cai a neve, cai a neve.

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E sob o manto branco

dentro da terra, do frio queimada,

germina e cresce, em segredo, a semente, aconchegada.

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Tal como, antes da luz, quando

à superfície do mar recoberta de treva

o espírito dos deuses sobre as águas

paira, sobre as águas se eleva.

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Tal como os sonhos que se escoam na noite,

pacotes desajustados de desejos vagos,

anunciam a madrugada nua

de pão e de beijos – mas onde

ecoam os cisnes cantando

pelos lagos

© Myriam Jubilot de Carvalho

15 de Janeiro de 2000

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho

Dia 4 de Setembro de 2017, pelas 11h 40m

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