Sons de longe

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 2:13 pm

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Sons de longe

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Sons de longe na 

pauta de uma flauta

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Flauta encantada na 

madrugada

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Acordas a fada

sem prometer nada

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O Amor, quando fala,

se fala –

…depressa abala

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© Myriam Jubilot de Carvalho

Ouvindo o CD

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho, em 3 de Novembro de 2019, pelas 14h 11m

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Um poema de Emily Dickinson

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 11:05 pm

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Um poema de Emily Dickinson
(poema 1510)
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How happy is the little Stone
That rambles in the Road alone
And doesn’t care about Careers
and Exigencies never fears –
Whose Coat of elementar Brown
A passing Universe put on,
And independent as the Sun,
Associates or glows alone,
Fulfilling absolute Decree
In casual simplicity – 
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Tradução de António Simões,
na sua Antologia de Poesia Anglo-Americana
Edição Campo das Letras, 2002
pág 338:
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Como é feliz a Pedrinha
Rola pla Estrada sozinha,
Sem ter cuidados de Emprego,
Dos Desafios não tem medo – 
Sua Castanha Roupagem
Veste Universo de passagem;
Como o Sol, independente,
Brilha só ou conjuntamente,
Cumpre a divina Vontade
Com toda a simplicidade – 
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Emily Dickinson (1830-1886)

Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho,

dia 27 de Outubro de 2019, pelas 23h

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Brandos Costumes e Xenofobia

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:13 am

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ESTA onda de xenofobia desorienta.
Sei que o País dos Brandos Costumes, de “brando”, não tem nada.
…Mas tanto?!
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Até me sinto ridícula em afirmar que estou do lado de Todo-o-Mundo!
E mais, sendo Mulheres, estamos todas ao mesmo nível – Somos todas alvo dos mesmos movimentos machistas, exclusivistas, e ainda por cima, um sector do Todo Feminino que formamos, é vítima desta desenfreada xenofobia.
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Mas estamos unidas, e a Razão, a pura Razão, há-de estar do nosso lado. Não as desconfianças.
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Como pode um sector dos Portugueses/Portuguesas, sentir ressentimento para com os Afro-Europeus?
Quem foi que tingiu de sangue e sofrimento os litorais africanos? 
…E não me venham com o argumento estafado de que os “africanos vendiam o seu povo”. A ganância e a crueldade são de todas as latitudes e de todos os tempos. 
O que é de “lamentar” – oh, como as palavras são insuficientes – o que é de repudiar, é que no século XXI ainda haja uma camada da nossa população que se mostra desorientada ao ver que todos temos o direito de nos cruzarmos na rua, na praça, nas lojas, nas universidades ou na vida política, todos e todas à mesma altura, e todos e todas com os mesmos direitos.
Só existe uma realidade na vida – o Ser Humano.
Sejamos todos Humanos! No sentido mais elevado e mais nobre do termo. Não me entendam mal: não é por caridade. É porque é de Direito.

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho, aqui e no FB. Em 14 de Outubro, pelas 3h 12m

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Renovação no Parlamento português

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:55 pm

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Novos rostos no Parlamento português

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O resultado das eleições do passado dia 6 deste mês vem imprimir uma grande renovação à nossa sociedade.
Estas três deputadas, recém-eleitas, são Afro-Europeias. 
Africanas pela ascendência e cultura materna, mas também Europeias pela Cultura adquirida no país onde vivem, quer pelas suas vivências pessoais, quer pelos seus estudos universitários. 

Estamos todos de parabéns, porque a sua eleição representa um avanço na actualização e modernização do nosso viver colectivo. 
Isto é, no século da Globalização, ficam para trás, felizmente, as considerações de origem geográfica que nos inferiorizavam a todos.
Esperamos que a sua presença no Parlamento traga o contributo que nos faltava para a total abertura da mentalidade colectiva à presença dos Afro-Europeus no país colonizante que fomos, e que ainda não deixámos completamente de ser.
Senão, como se compreenderá que uma das praças públicas mais belas da nossa capital ainda continue a ser designada como “Praça do Império”?

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho,

em 8 de Outubro de 2019, pelas15h 55m

Igualmente no FB

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A sabedoria dos provérbios

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 11:31 pm

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Só esta noite vi o último Eixo do Mal (programa da SIC Notícias, quintas-feiras à noite) – um programa que muito aprecio e que em geral não perco.
Na última parte do programa, os convidados referiram-se, com indignação e muito bem, ao modo insultuoso com que um certo segmento da opinião pública tem acolhido a activista Greta Thunberg.
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Isto eles não disseram, mas eu digo:
Esse falejar indignado deve-se a dois aspectos:
1- As actividades de defesa da Natureza e do Planeta incomodam as grandes indústrias. Toda a gente percebe isso.
2- As pessoas comuns incomodam-se só de pensarem que têm de mudar os seus hábitos. E é isto que as pessoas não querem perceber.
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Bruce Chatwin cita o provérbio indiano:
Life is a bridge. Cross over it, but build no house on it.
Na tradução portuguesa – “Canto Nómada” – vem na pág 219 – “A vida é uma ponte. Atravessa-a, mas não construas nela nenhuma casa.”
Jesus Cristo, segundo rezam as crónicas, também disse, no famoso e magistral Sermão da Montanha:
“Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles.”
Mas a nossa “civilização” ultrapassou em muito esta sabedoria, e o resultado está à vista. Ainda Bruce Chatwin (na pág 164):
“O mundo, se algum futuro tem, há-de ser um futuro ascético.”

Publicado por

© Myriam Jubilot de Carvalho, em 2 de Outubro de 2019, pelas 0h 30m

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Vozes fátuas

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 1:15 pm

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Erguem-se vozes porque o Reitor da Universidade de Coimbra definiu que não haja carne de vaca na Cantina da Universidade.
Vozes que são por um lado conservadoras-comodistas quanto aos velhos hábitos e recusando olhar seriamente para o Presente, e o Futuro ameaçado, preferem continuar nas suas vidas despreocupadas.
Vozes por outro lado preocupadas com os prejuízos económicos que uma conscientização mais eficaz possa provocar.
E vozes que devendo ser responsáveis, vão dando “uma no cravo e outra na ferradura”, fazendo humor da forma mais banal e irresponsável ridicularizando um tema tão grave.
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E no entanto, TODOS temos a obrigação premente de saber que há urgência em renovarmos os nossos comportamentos.

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© Myriam Jubilot de Carvalho,

22 de Setembro de 2019, pelas 14h 14m

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Homenagem a Greta Thunberg

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 12:17 pm

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Os Antepassados e o Presente

Homenagem a Greta Thunberg

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Re-encontrámos alguns dos elos que 

têm andado perdidos!

Ignorávamos até que tivessem existido

E no entanto, eles têm continuado vivos! 

Ficaram em marca indelével no nosso ADN! 

Neandertais entre nós, Europeus…

Denisovianos, entre Asiáticos e Oceânicos…

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Se os Tibetanos resistem à altitude,

e os Inuits aos gelos,

devem-no aos seus antepassados 

Denisovianos….

Ninguém morre,

poisnada se perdeu –

E isto me fascina!

–Esta é a nossa Eternidade!

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A marcha da Humanidade tem sido 

feita a partir de um ponto zero?

Talvez…

Civilizações desapareceram?

Talvez… E em seu lugar, 

outras surgiram…

Talvez…

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Agora, porém, caminhamos para 

um fim…

Não uma finalidade, não qualquer coisa como

um objectivo…

…Mas um fim, um final, 

– um terminus

bem definido – Nós,

nós não vamos deixar nada…

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E são as Crianças, oh Deuses, são as Crianças

que se erguem em todo o Mundo para

lembrarem aos adultos 

(adultos?)

que precisam de espaço para terem “futuro”!

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© Myriam Jubilot de Carvalho, 20 de Setembro de 2019

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho, em 22 de Setembro de 2019, pelas 13h 17m

Publicado igualmente no FB e em Recanto das Letras

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Mais um poema de Rumi

* Antologia — Myriam de Carvalho @ 10:07 am

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RUMI, poeta persa do séc XIII, grande mestre espiritual., exprimiu-se através da Poesia. E os seus poemas não têm idade

Poema de Rumi (1207-1273)

    “Aquele que quer contemplar a glória de Deus 

contempla uma rosa vermelha; 

e da mesma forma que a realidade última 

pode ser percebida na contemplação imóvel 

duma rosa vermelha, 

assim também quando uma flor delicada encanta o coração, 

sentimo-nos de novo por um instante 

como uma planta. 

O místico vê Deus no jardim, 

e vê-se a si próprio na erva.”

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho, em 17 de Setembro de 2019, pelas 11h 06m

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Greta Thunberg

* Notas Breves — Myriam de Carvalho @ 2:58 pm

Esta Menina comove-me duplamente:

=Por um lado, encontrou maneira de converter o seu handicap em energia e actividade positiva;

=Por outro lado, iniciou uma luta maior do que ela e que nos compromete a todos nós!

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Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho, em 11 de setembro de 2019,

pelas 16h.

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Doce Caparica

* Poesia — Myriam de Carvalho @ 10:43 am

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Mais um poema dos meus arquivos.

Doce Caparica 

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Não se faz ouvir a cava rouquidão das ondas

A maré está calma e o mar azul claro

está chão, apenas afagado pelo vento.

Não há céu.

Apenas o brilho esbranquiçado

da neblina. E a linha do horizonte é uma estreita faixa 

fosforescente donde

se destaca o vulto impreciso dos petroleiros

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Estou como sempre 

nesta larga esplanada 

separada da praia

pelo paredão.

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Metade da cidade 

vem para aqui 

gozar-se deste perverso

sol de inverno

que não deixa chover

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Jovens e velhos. Famílias inteiras. Crianças que correm 

desforrando-se

da prisão dos infantários,

guinchando de alegria.

Cães puxam os donos 

pela trela.

Desportistas e

aleijados.

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E cada vez é mais avantajado

o punhado de mulheres sós

onde me incluo.

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Jovens trazem os livros de estudo

e resolvem os TPCs.

As velhotas trazem

as revistas do coração

e os homens,

os semanários.

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…Mas com livros pesados, talvez romances, e folhas A4 –

só me verás a mim…

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O sol desce.

É um sol de ficção.

Um sol de Fim dos Tempos…

Apenas uma auréola coada 

pela estufa…

…Mas como diria o Poeta, 

continua a espelhar-se na superfície 

azul mate ondulada pela brisa…

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E chega a apoteose do meu dia solitário!

…O céu tinge-se de vermelho!

…E eu pago a despesa e

vou andando pois 

a noite é falsa e

não tenho companheiro nem

cão de guarda

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© Myriam Jubilot de Carvalho

No antigo Café do Mar – Costa, 29 de Janeiro de 2005

Publicado por Myriam Jubilot de Carvalho, em 4 de Setembro de 2019

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